17
Jan 11
publicado por José Gomes André, às 02:53link do post | comentar | ver comentários (1)

Prestes a comemorar dois anos de mandato, o Presidente parece estar a conhecer uma ligeira subida na "aprovação popular", segundo as sondagens. Embora as alterações sejam pouco expressivas, o facto de várias empresas registarem em simultâneo uma subida daquela "aprovação" merece relevo. Esta melhoria é particularmente visível nos estudos da Gallup, cujo último registo apresenta uma taxa de aprovação de 49% (42% de desaprovação), o melhor valor para Obama desde Maio de 2010.

 

A que se deve esta "recuperação"? É impossível tirar conclusões seguras (até porque não sabemos se estamos perante uma nova tendência ou uma mera circunstância). De qualquer forma, atrevo-me a dizer que, se estes valores positivos se mantiverem, eles resultam de um conjunto alargado de factores, dos quais se destacam:

 

- os feitos alcançados pelo Congresso nos dois últimos meses, nomeadamente a aprovação do Tratado START com a Rússia e a revogação da premissa "don't ask, don't tell" (sobre a presença dos homossexuais no exército);

- os sinais de ligeira recuperação económica nos EUA e o aumento dos índices de confiança do consumidor;

- uma curiosa tendência própria da cultura política e social norte-americana: quando um evento particularmente traumático atinge o país, a nação une-se em torno dos seus líderes (é certo que as referidas sondagens ainda não contabilizam os potenciais efeitos do discurso de Obama em Tucson, mas os eventos aí ocorridos serão por si só suficientes para produzirem aquela interessante consequência).

 


13
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 15:12link do post | comentar | ver comentários (6)

Na cerimónia de homenagem às vitimas do ataque de Tucson, Barack Obama regressou ao seu estilo da campanha presidencial de 2008. Criticando aqueles que tentam retirar "dividendos políticos" desta tragédia, o Presidente fez um apelo a união do povo americano. Este discurso contrasta com o de Palin no mesmo dia e oferece uma pequena ideia do que seria um confronto entre os dois: um desastre para o Partido Republicano.

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12
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:04link do post | comentar | ver comentários (5)

Entrevista com um amigo do assassino, que não deixa margem para dúvidas sobre quem é Jared Lee. "He did not watch TV. He disliked the news. He didn't listen to political radio. He didn't take sides. He wasn't on the left, he wasn't on the right."



publicado por Nuno Gouveia, às 22:55link do post | comentar | ver comentários (2)

Depois de vários dias a ver o seu nome atirado para a lama por uma parte da esquerda americana, Sarah Palin decidiu falar sobre o massacre de Tucson. E a resposta está, como tudo que Palin faz, a gerar bastante polémica. Não me parecendo que tenha cometido algum erro grave neste vídeo, Palin esteve ao seu estilo: agressiva e provocatória em relação aos seus adversários. Talvez não tenha sido um passo muito inteligente. Mas uma coisa é verdade: tudo que Palin faz recebe uma resposta negativa dos media.


11
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:30link do post | comentar | ver comentários (6)

Excelente artigo de Josh Kraushaar, do National Journal, sobre a reacção dos políticos e dos media ao massacre de Tucson. Um os melhores que já li até ao momento. Só agora o li, mas o cronista desenvolve algumas coisas que escrevi no post anterior. E de facto só posso concordar com ele: os políticos reagiram muito bem a esta tragédia e os media não. Que sirva de lição para o futuro.

 

Algumas passagens do artigo:

 

Ironically, even as politicians have been scrutinized for overheated rhetoric, it's the political class that reflected the country's mood best in the aftermath of this weekend's senseless shootings. From President Obama's pitch-perfect speech to the nation, to House Speaker John Boehner and Minority Leader Nancy Pelosi working together to reassure members and staff, there was little hint of the blame game that fueled much of the media's coverage.

 

It’s becoming increasingly clear that overheated political vitriol played virtually no role in Jared Lee Loughner’s shooting spree. His political thinking is hardly coherent, and his obsession with Giffords predated the tea party and Sarah Palin’s emergence in national politics. One of his few close friends told Mother Jones that he became fixated on the congresswoman when he asked her a question at a 2007 town hall about "the government having no meaning" and felt she didn’t answer. His killing spree wasn’t motivated by disagreement with her positions on health care or immigration.

 

Violent metaphors are all over our culture, in politics and outside of it, and that won’t be changing anytime soon. The political lexicon is awash in gun metaphors -- from campaign committee lists of top “targets” to political “showdowns” to “battleground districts” to challengers “playing defense,” just to name a few. If this were a crime, the political media would be as guilty as anyone.



publicado por Nuno Gouveia, às 15:03link do post | comentar | ver comentários (5)

A última década tem sido de uma agressividade inacreditável na política americana. Primeiro nos anos Bush, agora com Obama, o discurso das oposições tem sido de uma violência exagerada em alguns sectores radicais. Basta olhar para os cartazes das manifestações da última década, primeiro contra Bush e recentemente contra Obama, para verificar isto. Outra das características da política americana, esta bem mais antiga, é a utilização de linguagem de guerra. "War Room" era como o circulo restrito de Bill Clinton se identificava. "Targeting" é uma denominação que muitos consultores utilizam há décadas. Obama ainda recentemente utilizou este tipo de linguagem "If they bring a knife to the fight, we bring a a gun". Que isso leva a actos criminosos como o de Tucson? Não. Se na parte sobre a violência verbal, parece-me aconselhável e até desejável que se modere a linguagem, não vejo problemas na utilização de metafóras de guerra, que fazem parte da retórica política. Já agora, de onde virá a palavra "campanha"?

 

Um dos aspectos que mais me impressionou nesta tragédia, obviamente além da mortandade e do atentado contra a democracia americana, foi a reacção de alguns sectores mais à esquerda. Estava no Twitter quando se soube do ataque à congressista Giffords. E logo após o crime, enquanto a maioria dos americanos que sigo pedia orações* pelas vitimas, começaram a surgir ataques raivosos contra o tea party e as vozes mais populistas do movimento. Apesar de não saberem nada sobre o assassino e se este tinha alguma relação com o tea party (como hoje é quase certo que não tem), iniciaram o jogo da culpa sobre os adversários políticos sem se questionarem um minuto a pensar no que realmente tinha sucedido. O popular blogue de esquerda, o Daily Kos, que dois dias antes tinha publicado um post com um título do género, (For me Congresswoman Gabrielle Giffords is DEAD), por esta ter votado contra Nancy Pelosi como Speaker este mês, liderou a ofensiva contra a violência verbal do tea party e Sarah Palin. Chegou-se mesmo a dizer que Palin tinha as mãos manchadas de sangue, uma expressão injusta e desadequada ao momento. Todas as informações já conhecidas apontam para que Jared Lee tenha actuado sobretudo devido às suas condições mentais instáveis. Um ateu, registado como eleitor independente que nem sequer votou em 2010, fã de Karl Marx e Adolf Hitler e que glorifica a queima da bandeira americana, não se enquadra em nenhum perfil político definido, muito menos na direita conservadora do tea party.

 

Que esta tragédia sirva para ataques políticos é lamentável. Que se discuta o nível de civilidade no debate político, essa é outra questão e que deve e pode ser discutida. Como não gostava de ver nas ruas americanas a comparação entre Bush e Hitler ou a pedirem o assassinato do Presidente, também não gosto de ver agora Obama a ser comparado com Hitler ou a agenda democrata a ser considerada equivalente ao nazismo ou ao comunismo. Simplesmente não este tipo de argumentação não tem lógica. E os líderes de ambos os partidos têm o dever de desligarem-se deste tipo de provocações. O que nem sempre tem sucedido.

 

* Deu para ver que os americanos são de facto uma nação de fé. Desde a esquerda à direita, quase todos os americanos que sigo (jornalistas, políticos, consultores de comunicação, académicos e bloggers) diziam que era necessário "rezar" pelas vítimas.


10
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 20:28link do post | comentar | ver comentários (12)

Os últimos dias têm sido pródigos em análises estapafúrdias sobre o trágico acontecimento de Tucson. Antes mesmo de se saber quem é Jared Lee Loughner e o que o terá levado a cometer este acto bárbaro, um ataque contra a democracia americana, leu-se coisas verdadeiramente absurdas, com alguns a tentarem retirar dividendos políticos desta tragédia. Quem é o lunático? Bem, não é fácil responder a esta pergunta, mas para perceber melhor aconselho a leitura deste artigo do Mother Jones e este do Wall Street Journal. Voltarei a este assunto mais tarde.


09
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 01:14link do post | comentar

Hoje um lunático atacou uma sessão pública da congressista democrata Gabrielle Giffords em Tucson, Arizona. No ataque morreram várias pessoas, entre elas uma criança de nove anos e um juiz federal nomeado por George W. Bush. A congressista foi operada esta tarde e os médicos mostraram-se optimistas em relação à sua recuperação.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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