22
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:16link do post | comentar

 

Mitt Romney a fazer vídeos para ajudar candidatos apoiados pelo Tea Party para ganhar eleições? Pois, se alguém dissesse isso ainda há seis meses atrás poucos acreditariam. Mas este anúncio efectuado em nome do candidato ao Senado pelo estado do Indiana, Richard Mourdock, prova que muito mudou desde então. Romney foi a besta negra dos tea partiers durante as primárias, e estes tudo fizeram para que ele não fosse o nomeado. Daí as diversas lideranças nas sondagens (Rick Perry, Rick Santorum, Herman Cain e Newt Gingrich) e as grandes dificuldades que Romney teve de ultrapassar, apesar de ter tido concorrentes muito fracos. Mas Mitt Romney acabou com as dúvidas na base conservadora, arrepiou caminho para o centro e manteve o flanco direito bem protegido até final da campanha. 


30
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:28link do post | comentar

Fui visitar o Tea Party Li algures que a palavra Tea Party ainda não foi pronunciada por nenhum dos oradores na Convenção. Não será bem verdade, mas à excepção do senador Rand Paul, nenhum dos seus mais proeminentes líderes foi convidado para falar em Tampa. Por isso, hoje à tarde sai da convenção e fui assistir a um discurso de Michelle Bachmann, inserido na estreia de um documentário do jornalista conservador Andrew Breitbart, que faleceu este ano, sobre o movimento Occupy Wall Street. Devo dizer que foi o local onde estive com a segurança mais apertada, pois havia receio que fossem "invadidos" por manifestantes. Além da paranóia que encontrei, não desgostei: a comida estava boa, as bebidas fresquinhas e Bachmann fez um bom discurso. E jovens, muito jovens, ao contrário da ideia que por vezes transmitem do Tea Party. Quem organizou isto foi a Citizens United, a organização que forçou a alteração radical das leis de financiamento da política americana em 2010.


27
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 11:39link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Este debate sobre o limite o endividamento tem demonstrado a falta de liderança de Barack Obama. Mas também colocou em evidência a total irresponsabilidade e incapacidade de governar de alguns membros do congresso, nomeadamente alguns republicanos da Câmara de Representantes. Repare-se que este debate está a ser feito sobretudo nos moldes dos conservadores: apenas haverá cortes na despesa, o aumento de impostos já está fora das negociações, e a dúvida agora é apenas sobre o número a cortar. Mesmo assim, alguns congressistas, como a irresponsável Michele Bachmann, têm dito que não votarão a favor do aumento do limite do endividamento. Estes republicanos, que utilizam sempre a Constituição em todos os discursos, parecem não perceber os fundamentos do sistema americano, feito de checks and balances e assente na divisão de poderes. Neste momento o GOP apenas controla metade de um "braço" do poder, a Câmara dos Representantes, com a outra componente do poder legislativo, o Senado, a pertencer ao Partido Democrata, bem como o poder executivo, a Casa Branca. Sendo que o Partido Republicano apenas controla 1/3 do poder, seria normal que houvesse cedências. Mas não para estes hard-liners, que só aceitarão um acordo que lhes dê vitória total.

 

John Boehner apresentou um plano para o aumento do limite do endividamento. A sua aprovação no Congresso seria uma grande vitória para o Partido Republicano. Se tal não suceder devido aos sectores do Tea Party na Câmara dos Representantes, as consequências poderão ser catastróficas para o próximo ciclo eleitoral. Em editorial, o Wall Street Journal, normalmente alinhado com os republicanos, ataca de frente o Tea Party e as suas vozes mais estridentes. Nesse artigo, uma expressão feliz que retive: This is the kind of crack political thinking that turned Sharron Angle and Christine O'Donnell into GOP Senate nominees. Depois não se queixem.

 

Uma nota para a posição dos candidatos republicanos: estão a demonstrar a mesma falta de liderança de Barack Obama. Romney elogiou o plano de Boehner, mas não disse que o apoiava. As inestimáveis Palin (que ainda não é candidata) e Bachmann criticaram a proposta do Speaker, e Pawlenty, que não pode perder de vista a sua colega do Minnesota, ficou-se pelos elogios à liderança de Boehner. Jon Huntsman, que não descola dos últimos lugares, foi o único que afirmou claramente o seu apoio a este novo plano. Estarão a imitar o papel dos senadores Barack Obama, Harry Reid e Joe Biden, que em 2006 votaram contra um aumento do limite do endividamento? Esta seria uma boa altura para provarem que estão à altura do cargo a que se candidatam. 


03
Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:19link do post | comentar | ver comentários (4)

Muito se falou na influência do Tea Party nestas eleições intercalares. Não há dúvidas da energia, do entusiasmo e da motivação que este movimento introduziu nas campanhas republicanas. Da Costa Leste ao Pacífico, do Midwest aos estados do Sul, o tea party foi fundamental para esta vitória esmagadora conquistada pelo Partido Republicano. Mas a minha primeira nota vai para a sua influência negativa que se sentiu nas eleições para o Senado.

 

Parece agora ser claro que os democratas vão ficar com 53 lugares. E se isto sucedeu foi devido às escolhas duvidosas que o tea party, Sarah Palin e Jim DeMint fizeram durante o período das primárias. No Delaware, Mike Castle teria sido eleito. Jane Norton teria batido o senador Michael Bennet no Colorado. E por fim, Harry Reid teria sido reformado mais cedo com Danny Tarkanian como candidato republicano. E já nem falo do Alaska, onde o candidato oficial republicano, nomeado com o apoio de Palin e do tea party, terá sido derrotado pela senadora Lisa Murkoswki. Dos candidatos apoiados pelo tea party para o senado, apenas terão vencido Rand Paul e Mike Lee, em dois estados profundamenta republicanos (Kentucky e Utah) e Marco Rubio na Florida, este claramente de um campeonato superior aos restantes e com muitos apoios no establishment republicano (Karl Rove e Jeb Bush, por exemplo). Uma das questões que esses líderes republicanos terão de equacionar é se o purismo ideológico, a cegueira em relação às qualidades pessoias e políticas dos candidatos que apoiaram, valeu a pena. Uma lição para 2012.


publicado por José Gomes André, às 10:25link do post | comentar | ver comentários (2)

1. Os resultados ainda não são definitivos, mas é garantido que os Republicanos obtêm uma vitória estrondosa na Câmara dos Representantes, conquistando cerca de 65 lugares aos Democratas. A questão estrutural (os Republicanos partiam de um número anormalmente baixo de mandatos) não explica tudo: este foi manifestamente um voto maçico de protesto contra a agenda política Democrata e o Presidente Obama.

 

2. Os Democratas evitam um cenário eleitoral calamitoso devido a prestações razoáveis no Senado. Mantêm a maioria, o que bloqueará à partida qualquer tentativa dos Republicanos em operar uma revolução política a partir da Câmara dos Representantes.

 

3. Com maioria na câmara baixa e legitimidade política reforçada a partir do "voto popular", os Republicanos estão agora expostos à luz da ribalta. O povo americano puniu severamente os Democratas, mas não bastará aos Republicanos apregoar uma agenda meramente "oposicionista". Cabe-lhes apresentar medidas concretas para reduzir o défice federal, relançar a economia e combater o desemprego. Caso contrário, a fúria dos eleitores acabará por recair a médio-prazo no partido que ontem triunfou.

 

4. Obama tem agora a oportunidade - e o dever - de honrar uma das suas maiores promessas eleitorais: encetar lógicas de compromisso e de aproximação às forças Republicanas. O Presidente tem falhado rotundamente na sua missão de criar pontes de entendimento, mas será forçado a fazê-lo, pois a sua reeleição em 2012 dependerá em boa parte dessa sua capacidade conciliatória.

 

5. Em todo o caso - e por paradoxal que possa parecer - Obama não estará totalmente insatisfeito com os resultados. O cenário de divisão política gerado reforça o papel moderador do Presidente, entregando-lhe além disso de bandeja os temas de campanha para 2012: quando o processo legislativo avançar, sublinhará a sua capacidade de diálogo; se as políticas não resultarem, descreverá os Republicanos como "forças de bloqueio".

 

6. O Tea Party celebra, mas não efusivamente. Passa a ter representação específica no Congresso, mas não se consegue distanciar totalmente da imagem de algum radicalismo, o qual terá prejudicado as hipóteses Republicanas no Senado (vide o caso de Sharron Angle ou da famigerada Christine O'Donnell). As Primárias Republicanas de 2012 serão um teste decisivo à capacidade deste movimento, mas prevê-se a necessidade de controlar as franjas mais extremistas para que o mesmo venha de facto a marcar política e eleitoralmente os Estados Unidos.


26
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:38link do post | comentar | ver comentários (2)

Será que os Estados Unidos estão perto de rebentar? Os dois principais partidos políticos parecem acreditar que sim, a acreditar nas declarações exacerbadas de alguns dos seus representantes. Do lado republicano, temos os gritos e apelos que o país caminha para a irrelevância e para o socialismo. Suportados por uma base de apoiantes estridentes que se tem manifestado nas ruas e cidades americanas, muitos candidatos republicanos têm feito campanha como se os Estados Unidos estivessem perto do abismo. Do outro lado, surgem igualmente apelos enraivecidos para o perigo de uma vitória republicana: tudo estará em causa, e o país pode ser tomado por extremistas que pretendem colocar em perigo a própria democracia. Mas será que não haverá um exagero de parte a parte?


A situação é muito complicada, e grave crise que afecta o país parece ter transformado a realidade político/partidária num caos permanente. Não têm razão os republicanos quando pretendem transformar Barack Obama no único e principal responsável pela situação actual. Não é verdade que quando tomou posse, o país já estava mergulhado numa profunda crise e que o desemprego já era bastante elevado? Quem ocupou a Casa Branca nos oito anos anteriores? Também não é verdade que sejam os republicanos os únicos culpados. Não foi Obama que prometeu que a situação seria hoje bastante melhor se fossem aprovadas, como foram, todas as iniciativas legislativas que pretendia? E o Partido Democrata não é detentor da maioria nas duas câmaras legislativas desde 2006? Tenho alguma dificuldade em fazer leituras do que ambos os partidos têm feito. Em períodos eleitorais é normal que as posições se radicalizem e que cada lado perca um bocado do bom senso que seria aconselhável. Obama, que foi eleito sob a promessa de ser um Presidente acima dos partidos, falhou claramente nesse desígnio. Ainda ontem afirmava que ele tem um lugar para os republicanos na condução dos destinos do país; mas que esse lugar era no “assento de trás”. Será essa uma atitude de um Presidente que deseja trabalhar com os dois lados? A resposta do outro lado não tem sido melhor. O líder da minoria republicana no Senado disse esta semana que o principal objectivo do seu partido é fazer com que Obama seja um Presidente de um mandato só. Será que o objectivo não deveria ser melhorar a economia e o estado do desemprego?


Independentemente do que vá suceder no próximo dia 2 de Novembro, a polarização e a radicalização partidária não deve parar. Como percebemos nos últimos dois anos, os Estados Unidos vivem num estado de permanente campanha eleitoral, e essa sim, é uma das maiores dificuldades para a governação de um país. Já a partir de Janeiro irá começar a campanha para as primárias republicanas, e o clima de guerrilha não vai parar. Os republicanos dificilmente assumirão uma postura mais negocial com os democratas. Apenas se o forem obrigados: pela opinião pública ou pela mestria dos democratas. Será que Obama vai conseguir dar a volta à situação e começar a governar realmente acima das questões partidárias? Se falhou na promessa de gerir acima dos partidos na primeira parte do mandato, quem sabe se não muda de estratégia e convida alguns republicanos a sentar-se ao seu lado na frente do veículo da governação?



18
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:01link do post | comentar | ver comentários (6)

Tenho escrito bastante sobre este movimento que revolucionou a vida política norte-americana. Uma vezes elogiando o seu papel no renascimento do Partido Republicano, que ainda há dois anos foi dado como morto, outras vezes criticando a sua influência nefasta em várias corridas eleitorais. E se considero que o saldo eleitoral acabará por ser amplamente favorável ao Partido Republicano, também é verdade que algumas das escolhas que foram feitas na época das primárias foram prejudiciais e que agora estão a revelar-se. E nem é vou falar novamente do caso de Christine O'Donnell, um errro crasso que entregou de mão beijada um lugar aos democratas. Mas há mais exemplos onde as coisas podem correr mal.

 

O Nevada é um caso sintomático: Sharron Angle até pode vencer Harry Reid e as sondagens até têm lhe dado uma ligeira vantagem nas últimas semanas. Mas com um outro candidato mais convencional, o destino do líder da maioria democrata já estaria traçado. Ainda na semana passada foi publicada uma sondagem que colocou o nome de Danny Tarkanian no boletim de voto em vez de Angle. O candidato derrotado nas primárias venceria confortavelmente Harry Reid. Angle simplesmente não tem jeito para a política, e algumas das suas intervenções continuam a ser, no mínimo, estranhas. Nunca na vida seria eleita Senadora dos Estados Unidos num ciclo eleitoral normal.

 

O Colorado é um swing state que neste momento tem dois senadores e um governador democrata, e votou em Barack Obama em 2008. Nos últimos anos, fruto da migração da California e dos hispânicos, este estado tem-se aproximado dos democratas. Mas 2010 é um ano diferente, e os republicanos têm/tinham grandes possibilidades de sucesso eleitoral. Para o senado escolheram um desconhecido, Ken Buck, mas apoiado pelo tea party. Uma eleição que deveria estar garantida contra o impopular senador Michael Bennet, neste momento encontra-se praticamente em empate técnico. E não sei se este tipo de declarações sobre a homosexualidade o vai ajudar neste combate.

 

No Alaska a situação também é problemática, apesar de não haver perigo deste lugar cair para os democratas. A senadora Lisa Murkoswki, que se candidatou depois de perder as primárias republicanas, já anunciou que se ganhar irá manter-se no caucus republicano. Joe Miller é um candidato articulado, mas que tem feito uma campanha ortodoxa. Depois de serem conhecidos alguns aproveitamentos pessoais que retirou do estado federal de programas que tem manifestado a sua oposição, disse que deixaria de falar com a imprensa sobre o seu passado. E este fim de semana, uns seguranças da sua campanha... prenderam um blogger que o tentava entrevistar durante uma acção de campanha. E a Primeira Emenda? Não é Joe Miller um defensor da Constituição Americana?

 

E porque será que no Kentucky, um estado tradicionalmente republicano, continua a ter sondagens que indicam alguma proximidade num ano como este? Aqui o caso é diferente, pois Rand Paul parece-me um candidato bem preparado e que, depois dos erros iniciais, tem feito uma boa campanha. E tenho poucas dúvidas que será senador a partir de 2011. Mas uma escolha mais convencional teria garantido esta vitória à partida e ninguém falaria desta corrida. E diga-se, o seu apelido Paul não é um grande suporte em certas franjas do eleitorado republicano e independente. Os milhões que estão a ser investidos neste Estado poderiam estar a ser gastos noutras corridas.


20
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 21:32link do post | comentar

Não é por acaso que Bill Clinton venceu duas eleições presidenciais, e apesar dos problemas que passou durante os seus mandatos, continua a ter elevados níveis de popularidade nos Estados Unidos. Após dois anos de confrontação com o eleitorado, que culminaram com a derrota nas intercalares de 1994, Clinton assumiu uma postura mais dialogante e consensual com a sociedade americana, sendo facilmente reeleito em 1996 e aguentou-se bem, apesar do processo de impeachment que passou. Ontem Bill Clinton falou sobre o tea party e as preocupações que estão subjacentes ao movimento. E ao invés de "massacrar" o tea party, Clinton apostou numa abordagem mais "suave", dizendo que compreende as preocupações que as pessoas estão a demonstrar na opinião pública, apesar de discordar das suas reinvindicações contra o papel do governo. Isto num dia em que o NY Times publicou uma peça sobre a estratégia que estava a ser delineada pela Casa Branca para estas eleições, entretanto desmentida. O que se nota é que ninguém parece saber o que fazer com o tea party: nem o establishment republicano nem os democratas.


16
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 10:33link do post | comentar | ver comentários (20)

Karl Rove esteve ontem à noite novamente na Fox News a "arrasar" a candidata Christine O´Donnell. Isso quer dizer que a sua análise na noite de terça não surgiu por acaso, como nunca acontece com ele. Rove entende os perigos para o futuro do GOP caso o tea party venha a comandar o processo de nomeação presidencial de 2012. Ao mesmo tempo que reforçava o seu papel na ajuda a candidatos como Ken Buck ou Sharron Angle, fornecia argumentos que não deixarão de ser usados pelos democratas na eleição do Delaware. Rove sabe o que faz.


14
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:54link do post | comentar

Mark Halperin diz tudo sobre o que está em causa nestas primárias.


09
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:05link do post | comentar | ver comentários (7)

Ao longo deste ano eleitoral muito se tem escrito sobre o tea party e a energia que introduziu na política americana. Este não é um movimento homogéneo e estruturado, funcionando com diversos grupos capazes de influenciar o desfecho de eleições. Não tenho dúvidas que a sua influência irá ajudar imenso os candidatos republicanos em Novembro. Mas ao lado deste aspecto positivo, também têm prejudicado as possibilidades de vitória em alguns estados. Se ainda hoje discutimos as eleições para o Senado no Nevada, no Colorado ou até no Kentucky, isso deve-se aos candidatos apoiados pelo tea party terem vencido estas primárias republicanas. O caso mais grave até será no Nevada, onde Sharron Angle tem feito uma campanha miserável e não tem conseguindo concentrar a campanha em Harry Reid e nas suas fragilidades eleitorais.

 

Na próxima semana o blue state Delaware irá a votos para escolher o candidato republicano. Mike Castle, um republicano típico da Costa Leste e congressista desde a década de 80, é o claro favorito para vencer a eleição geral de Novembro. Mas nas últimas semanas, uma obscura candidata profissional (já foi candidata ao senado em 2006 e 2008), que tem cometido gaffes atrás de gaffes e tem um passado económico bastante duvidoso, tem atraído o interesse do Tea Party Express (que tem sido fundamental em diversas primárias), sugerindo que poderá derrotar o favorito Castle. Hoje, Sarah Palin, em mais uma demonstração de fraco faro político*, declarou o apoio a Christine O´Donnell, lançando ainda mais confusão nestas primárias. Uma coisa não tenho dúvidas: se O´Donnell derrotar Castle, este lugar irá para o democrata Chris Coons. E a maioria republicana passará a ser uma miragem. Recordo aqui o conselho de William Buckley Jr., que li neste artigo que o Alexandre Burmester me passou esta semana: "his policy was to vote for the most conservative candidate who could win". O pragmatismo, ou a falta dele, poderá derrotar o GOP neste ciclo eleitoral.

 

*Sarah Palin poderá não ter faro político para ajudar a conquistar uma maioria para o GOP. O objectivo dela, neste tipo de endorsements, é presicamente fortalecer a sua  uma base de apoio para as primárias de 2012. Não está a pensar propriamente em derrotar o Partido Democrata, mas sim no seu próprio projecto político. Não sei se isso a ajudará em 2012, se as coisas correrem mal.


29
Ago 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:13link do post | comentar

 

O dia de ontem foi marcado pelo "Restoring Honor" de Glenn Beck no Lincoln Memorial em Washington. Entre 500 mil e um milhão de pessoas, os números variaram conforme o meio de comunicação, mas pelas imagens que vi não há dúvida que foi um grande momento do Tea Party e do apresentador da Fox News. Isto voltou a colocar o movimento conservador nos escaparates dos jornais americanos e mundiais. E também Glenn Beck, o mórmon e popular apresentador da Fox News. Sendo uma máquina de fazer dinheiro, Beck tem caminhado nos últimos tempos numa outra direcção, colocando-se na linha da frente do movimento conservador. Várias vezes ele tem dito que não tem interesse na política partidária e que descarta qualquer candidatura, até porque, como ele diz, há gente bem melhor e mais capaz para ocupar os cargos públicos. Eu acho que tem toda a razão. Mas, e como provou o encontro de ontem em Washington, a sua capacidade de mobilização é fantástica, e será uma voz importante no futuro, se o desejar.  Até ao momento não se meteu em nenhuma corrida eleitoral deste ano, mas, vejo-o, por exemplo, a imiscuir-se na corrida presidencial de 2012, com consequências imprevistas. E não me parece que essa influência possa ser muito positiva para o GOP, ao ter em Beck um possível king maker. Mas é uma personalidade cujo percurso se deve acompanhar de muito perto.

 

E em ano eleitoral, o Tea Party vai ser fundamental para muitos desfechos, como já tem sucedido em várias primárias do Partido Republicano. Uma força que vai levar muitos congressistas e senadores até Washington. Mas, e como já fui dizendo por aqui, também tem/terá efeitos perversos para o GOP. A primeira consequência deste entusiasmo é encostar, em certos estados, o partido à direita. E se em alguns estados isso não acarretará grandes consequências, como no Utah ou Alaska, noutros poderá significar derrotas. A poucos meses de entrar nas primárias presidenciais, isso poderá transformar o processo de escolha republicano num concurso de quem é o mais conservador. Tudo poderá depender dos resultados de estados como no Kentucky, Nevada ou Colorado. Numa eleição em que o Presidente recandidato poderá estar vulnerável, isso pode prejudicar as suas hipóteses de vitória. A menos que surja um novo Ronald Reagan, que em 1980 derrotou Jimmy Carter pela direita, se o candidato republicano tomar posições demasiado à direita durante as primárias, dificilmente Obama será derrotado. Ou tornará tudo mais complicado. Há alguns potenciais candidatos que praticamente são inelegíveis, mas o que acontecerá se um destes for o nomeado?

 

Mas há uma coisa que muita gente não percebe sobre o Tea Party: algumas das posições que movimento defende são perfeitamente mainstream nos Estados Unidos. Há hoje um grande consenso na sociedade americana que o big government não serve os interesses do país e que é preciso regressar ao small government e ao fiscal conservatism. Muitos candidatos democratas de distritos conservadores estão a concorrer numa plataforma política assente nessa ideia, e alguns deles, estão mesmo a fazer campanha contra Obama/Pelosi/Reid. A América é maioritariamente um país de centro-direita, e Obama parece não perceber isso. Não é um socialista (um dos radicalismos do Tea Party é precisamente demonizar o adversário, e isso em política nunca é sensato nem sequer positivo) e talvez nem sequer um social-democrata à europeia. Mas tem governado demasiado à esquerda para a realidade social americana. Se Obama não tivesse avançado com a sua agenda reformista "liberal" e tivesse procurado governar ao centro, como prometeu durante a campanha, talvez este tea party nunca tivesse existido. O plano de estímulos, o défice federal e a reforma da saúde tornaram inevitável um movimento deste género. Glenn Beck não nasceu com Obama. Mas sem ele nunca se teria transformado nesta figura simbólica da América actual. Para o bem ou para o mal, Beck é uma criação de Barack Obama. Tal como o Tea Party.


25
Mai 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:32link do post | comentar | ver comentários (5)

Em Abril escrevi um post sobre o tea party, defendendo que poderia constituir uma vantagem considerável para o Partido Republicano conquistar uma maioria política no Congresso. Mas também alertei que o GOP não pode desviar-se demasiado para direita devido ao tea party, sob pena de perder competitividade eleitoral em alguns estados. E neste momento existem alguns sinais preocupantes para o GOP, que podem colocar em causa uma vitória esmagadora em Novembro. Apenas vou referir as eleições para o Senado, mas também existem evidências dos mesmos problemas nas eleições para a Câmara dos Representantes.

 

Destaque óbvio para a vitória de Rand Paul no Kentucky. Em principio o lugar deverá manter-se na coluna republicana, apesar de Paul. Este é um estado fortemente republicano, e muito dificilmente um democrata ganhará esta eleição. Mas o candidato democrata Jack Conway é o Procurador-geral do Kentucky e é uma figura conhecida a nível estadual. A primeira sondagem depois das primárias dava 25 por cento de vantagem a Paul, mas depois da “trapalhada” em que Paul se envolveu tudo poderá ter mudado. Ao contribuir decisivamente para a derrota de Trey Grayson, um republicano que facilmente seria eleito em Novembro, o tea party demonstrou que pode ser nocivo em alguns estados. Não sei se será o caso do Kentucky, mas há mais estados onde isso pode acontecer.

 

A começar pelo estado do Nevada, onde o actual líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, enfrenta sérias dificuldades. A favorita republicana até há bem pouco tempo era Sue Lowden, que tem liderado consistentemente as sondagens à frente de Reid. Mas o tea party express declarou o seu apoio a uma obscura candidata, Sharron Angle, e esta tem vindo a subir nas sondagens. Já considerada uma versão feminina de Rand Paul, com ideias bastante afastadas da middle America, uma vitória desta nas primárias de oito de Junho poderá significar uma caminhada triunfal para Reid. E se no Kentucky, qualquer candidato com o label republicano se arrisca a vencer, no swing state do Nevada a situação é bem diferente. E o mesmo se passa no Colorado, onde a favorita republicana, Jane Norton, tem sido ameaçada pelo candidato apoiado pelo tea party, Ken Buck. Aqui também será bem mais difícil derrotar o actual incumbente Michael Bennet  com o candidato apoiado pelo tea party.

 

Outro estado onde o tea party pode ameaçar o sucesso eleitoral do GOP:  Washington. Dino Rossi, um popular republicano que deverá avançar esta semana para corrida ao Senado, é considerado demasiado moderado pelo tea party. Sarah Palin, evidenciando uma postura errática e desligada da realidade eleitoral, apoiou na semana passada o antigo jogador de futebol americano, Clint Didier, levando com isso uma catadupa de apoios do tea party para este candidato. Todas as sondagens indicam que o único republicano que tem hipóteses de derrotar o actual senador Patt Murray é precisamente Dino Rossi. Se por acaso conseguirem derrotar Rossi nas primárias, este estado passará novamente para a coluna “segura” dos democratas.

 

Até ao momento, o tea party já obteve vitórias e derrotas, sendo que o saldo até é negativo. Foram derrotados nas primárias do Illinois, Indiana e Connecticut e exceptuando o Nevada e Colorado, até será difícil que consigam obter mais alguma vitória relevante. Mas num ano muito competitivo como este, os republicanos deviam diversificar a sua “tenda” e apresentar os melhores candidatos perante as diferentes realidades que enfrentam. Durante muitos anos os republicanos escolheram os seus candidatos de forma pragmática, a única forma que os pode levar à conquista de maiorias eleitorais para governar o país. O que este ciclo eleitoral tem demonstrado é que existe uma desenfreada luta pelo “purismo” ideológico nos seus candidatos. E isso pode ser desastroso para o Partido Republicano, conforme observamos na prestação de Rand Paul na semana passada.




06
Abr 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:34link do post | comentar | ver comentários (6)

Volto a este tema, depois de ter lido muitos erros e clichés sobre este movimento, nomeadamente no nosso país. Às vezes porque as análises se ficam pelo superficial, outras vezes porque se limitam a descarregar os estereótipos tradicionais que existem sobre a vida política norte-americana. Os Estados Unidos são normalmente divididos na Europa entre os bons (democratas e liberais) e os maus (republicanos e conservadores). O Tea Party, sendo um movimento eminentemente conservador, já foi colocado no lado mau, e por isso, será sempre encarado como extremista e radical. Várias vezes já o vi colado à extrema-direita racista. Nada de novo, pois esta caracterização até tem vindo a ser explorada pelos Democratas nos Estados Unidos, sendo que a sua visão partidária e parcial faz sempre escola na Europa. O que é dito pelos meios liberais americanos é sempre uma verdade incontestada para alguns.

 

Mas interessa primeiro saber quem são estas pessoas e o que defendem. A Gallup publica esta semana uma sondagem sobre o Tea Party esclarecedora sobre quem se considera parte deste movimento. Não surpreendentemente, 49 por cento são republicanos, 43 independentes e apenas 8 por cento democratas, sendo que 28 por cento dos americanos considera-se representado pelo movimento. Quase um terço da população, o que não deixa de ser significativo. Mas esta sondagem também indica que os dados demográficos não estão longe de acompanhar a realidade social americana. E o que defendem estas pessoas?


O Tea Party nasceu em oposição ao expansionismo do governo federal, nomeadamente com o plano de estímulo de Barack Obama, que se alargou à contestação da reforma da saúde. Menos impostos, menos governo e maior liberdade individual. Um movimento genuinamente americano, que surge em consonância com a tradição conservadora que faz parte do património político do país. Mas como sempre sucede em movimentos populares do mainstream americano, e este movimento já pode ser  considerado como tal, surgem vozes radicais que, apesar de ultra-minoritárias, assumem um protagonismo excessivo no discurso público. E é o que tem acontecido em muitas manifestações do Tea Party, com radicais a dominarem as atenções dos media. Cartazes exagerados, gritos de ordem extremistas e alguns dos seus oradores, como vimos recentemente no discurso de Tom Tancredo na Convenção Tea Party, a transporem para a opinião pública um carácter radical e caricatural do movimento. Mas a esmagadora maioria dos seus membros são simples cidadãos americanos preocupados com o rumo do país. As tendências social-democratas da políticas da Administração Obama suscitariam sempre uma reacção categórica da sociedade americana. Ninguém esperava que o governo americano expandisse o seu papel sem que recebesse uma oposição deste género. Num país maioritariamente de centro-direita, e que faz das suas raízes individualistas uma das suas forças culturais, o Tea Party é uma correspondência objectiva dessa tradição. Muitos americanos estão preocupados com o rumo do país, e o crescimento da despesa federal, que começou nos anos Bush, e os défices exagerados que o governo terá nos próximos 10 anos, são o mote para esta contestação.


Se os republicanos conseguirem aproveitar a força deste movimento em seu favor, sem com isso desviarem-se demasiado para a direita, poderão obter excelentes ganhos em todo o território americano. Não por acaso alguns dos estados mais liberais da União, como o Delaware, Illinois ou até a Califórnia, poderão eleger senadores republicanos. Esta relação com os tea partys, se for bem gerida, poderá ser a chave do sucesso republicano de 2010.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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