06
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 18:46link do post | comentar | ver comentários (3)

Horários de encerramento das urnas e algumas notas:


0h00: Geórgia, Indiana, Kentucky, Carolina do Sul, Vermont e Virginia.


Virginia deverá se declarado toss up. Se houver indicações que Romney está a perder neste estado, a noite eleitoral poderá ser curta. 

 

0h30: Carolina do Norte, Ohio, West Virginia

 

Os primeiros dois estados deverão ser considerados toss up. Mas Romney precisa rapidamente de "fechar" a Carolina do Norte e apresentar-se com sérias hipóteses de vencer no Ohio. 

 

1h00: Alabama, Mississippi, Missouri, Oklahoma, Tennessee, Connecticut, Delaware, DC, Illinois, Maine,New Jersey, Massachussetts, Maryland, Rhode Island, Florida, New Hampshire, Pensilvânia. 

 

Uma vitória cedo de Obama na Pensilvânia será um sinal que Romney fez bluff em competir lá. De resto, precisa de bons sinais na Florida e New Hampshire.

 

1h30: Arkansas 


2h00: Arizona, Kansas, Lousiana, Nebraska, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Wyoming, Texas, Novo México, Nova Iorque, Colorado, Michigan, Minnesota, Wisconsin. 


Os últimos quatro estados são decisivos para Romney. Precisa de vencer no Colorado quase obrigatoriamente e tentar uma surpresa no Wisconsin. Para Obama será mau sinal se perder nos improváveis Michigan e Minnesota. Por volta desta hora talvez já haja novidades do Ohio e Virginia, significando que as eleições podem estar decididas. 

 

3h00: Montana, Utah, Nevada, Iowa


Se a esta hora ainda houver grande indefinição no resultado das eleições, Obama irá necessitar de triunfar no Nevada, como é amplamente esperado, e no Iowa. 


4h00: Califórnia, Hawaii, Oregon, Washington, Idaho

 

6:00: Alasca



05
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 18:25link do post | comentar | ver comentários (2)

Se fizermos uma análise baseada somente nas sondagens dos swing-states das últimas semanas, diria que Obama é favorito para vencer no Ohio, Nevada, Wisconsin, Iowa, Pensilvânia, New Hampshire e Michigan. Mitt Romney terá ligeira vantagem na Florida, Colorado, Carolina do Norte e Virgínia. Se for este o resultado final, Obama vencerá por 281 votos eleitorais contra 257. Mas as diferenças na maioria dos estados são tão pequenas, dentro da margem de erro, que é fácil prever alterações de última hora. Isto, além das dúvidas que manifestei anteriormente neste post sobre a composição do eleitorado e que para mim poderá ser decisivas no desfecho destas eleições. 

 

Partido desse cenário que tracei, Mitt Romney precisa de vencer no Ohio ou no Wisconsin e noutro estado. A alternativa mais complicada seria vencer na Pensilvânia, o que não me parece um cenário muito plausível. Já Obama tem uma séria hipótese de vencer no Colorado e Virgínia, estados que coloquei do lado de Romney, mas que nestes últimos dias têm aparecido muito mais renhidos. Reside sobretudo aqui o ligeiro favoritismo que os media têm atribuído a Obama nestes últimos dias.

 

Surpresas? Se um dos candidatos conseguir arrebatar a esmagadora maioria dos indecisos e vencer com uma margem confortável (pouco provável) podem acontecer dois cenários: Obama ganhar todos estes swing-states menos a Carolina do Norte, que me parece perdida para Romney. Se a corrida cair totalmente para o lado de republicano, este poderá vencer no Ohio, Wisconsin, New Hampshire, Iowa e provavelmente na Pensilvânia. A minha previsão? Nenhum candidato ultrapassará os 300 votos eleitorais.

 


04
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:35link do post | comentar | ver comentários (3)

Não costumo levar em consideração sondagens isoladas, até porque quando não há outras que sustentem os seus resultados, o mais provável é que sejam outliers. Mas neste fim de semana foram publicadas três sondagens que, se confirmadas na terça-feira, colocam a "corrida" numa situação verdadeira explosiva. No Michigan, a Baydoun/Foster (D) dá uma vantagem de 1 ponto a Romney; na Pensilvânia, a Tribune-Review/Susquehanna dá empate a 47%. Ontem, no Minnesota, a American Future Found (R) dá um ponto de vantagem a Romney. Quer isto dizer que acredito que Romney pode vencer estes três tradicionais blue states? Não propriamente (especialmente no Michigan e Minnesota). Mas é mais uma indicação que a eleição será extremamente competitiva, e que devemos estar em alerta em relação a possíveis surpresas nestes estados.


31
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:53link do post | comentar | ver comentários (1)

“I will come on ‘Morning Joe,’ and I will shave off my mustache of 40 years if we lose any of those three states”


David Axelrod, conselheiro de Barack Obama, a referindo-se à Pensilvânia, Michigan e Minnesota no Morning Joe


30
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:36link do post | comentar | ver comentários (7)

Foto de Minneapolis

 

Romney e os seus aliados estão a fazer novos investimentos publicitários em estados que têm votado fielmente democrata nas últimas décadas. Nem falo do Wisconsin, porque depois da escolha de Paul Ryan, tem sido consistentemente considerado um swing-state. Nos últimos dias compraram espaços publicitários no Michigan, estado natal de Romney, na Pensilvânia (só Karl Rove depositou aqui dois milhões de dólares) e no Minnesota, um estado que deu a última vitória presidencial a um republicano em 1972, a Richard Nixon. Há duas interpretações e ambas parecem-me válidas. Romney considera que não tem seguro um caminho para a vitória, e procura desesperadamente alcançar uma vitória surpresa num destes estados, o que lhe poderia garantir a eleição. Por outro lado, e a exemplo do que sucedeu em 2008 quando Obama nos últimos dias despejou milhões de dólares no Indiana e Missouri, acabando por vencer no Indiana, algo que não sucedia com um democrata deste 1964, Romney tenta apanhar Obama desprevenido, pois tem aparecido nestes estados abaixo dos 50% nas sondagens. A equipa de Obama vai acenando para o primeiro cenário, mas ao mesmo tempo vai investindo milhões de dólares em anúncios nestes estados como reposta, e ainda hoje enviou Bill Clinton para Minneapolis (Minnesota) fazer campanha. Diria que os "verdadeiros" swing-states destas eleições permanecem os mesmos: Wisconsin, Ohio, Florida, Iowa, Colorado, New Hampshire, Nevada, Carolina do Norte, Virgínia e Florida. Mas no dia 6 de Novembro estarei também atento a estes três. 


28
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:42link do post | comentar | ver comentários (3)

O Ohio, estado onde tudo se pode decidir, permanece uma grande incógnita. Hoje o Cincinnati Enquirer, um dos maiores jornais do estado, publicou uma sondagem com um empate a 49%.  Quer isto dizer que a corrida está empatada? Penso que Obama continua com vantagem, pois a última vez que foi publicada uma sondagem com Romney à frente foi no dia 12 de Outubro. Segundo o Real Clear Politics, ainda surge com uma média superior de 1,9% e este número tem sido relativamente estável nos últimos dias. O governador republicano do Ohio, John Kasich disse hoje que as sondagens internas têm colocado Romney à frente, mas sabemos que isso pode não ser verdade. Para Romney vencer terá começar a apresentar melhores números. 


Os endorsements dos jornais normalmente têm pouca relevância. Mas há alguns mais importantes do que outros. O Des Moines Register, o maior jornal do Iowa e normalmente conotado com os democratas, declarou hoje o seu endorsement a Mitt Romney, um movimento que terá surpreendido até os próprios republicanos. Desde 1972, quando apoiaram Richard Nixon, que o jornal de Des Moines declarava o apoio a candidatos democratas? Terá grande influência no estado? Duvido, mas numa corrida renhida, mal não fará a Romney. 

 

Barack Obama teve ontem a oportunidade de fazer algo em campanha que o seu adversário não pode: beber uma cerveja com apoiantes. Num bar no New Hampshire, Obama foi desafiado a brincar com apoiantes, algo que não negou. Tentativa de captar o "beer vote", um segmento do eleitorado enorme nos Estados Unidos? 

 


26
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:37link do post | comentar | ver comentários (16)

Esta pergunta tem duas respostas e o conteúdo dependerá sobretudo de quem a responde e quais as suas preferências. E o pior é que não consigo ter argumentos suficiente válidos para desqualificar qualquer das respostas, pois ambos os lados têm boas razões para a sustentar. Eu, como não tenho dotes visionários, diria que ambos estão certos, portanto neste momento estamos num puro empate técnico. 

 

Do lado republicano, há bons argumentos, quase todos eles baseados nas sondagens nacionais. Ontem nas tracking polls da Gallup, Rasmussen e ABC News/Washington Post Romney aparecia com 50%, sinal claro da sua vantagem nacional. E com essa dinâmica, se as eleições fossem hoje, o mais certo seria uma vitória de Romney por 53%-47%, naquilo que Newt Gingrich ontem chamou da "Carville Rule": o incumbente normalmente não tem mais do que as últimas sondagens lhe atribuem, indo um pouco ao encontro do que Dick Morris tem vindo a dizer, que os indecisos nos últimos dias da campanha tendem a cair para o lado do challenger. Se as sondagens nacionais estão correctas, e a vantagem de Romney é esta que estas tracking polls indicam, então é provável que Romney esteja à frente. É que ninguém acredita que se Romney vencer por mais de 1% no voto popular não tenha a maioria no colégio eleitoral. 

 

Mas os democratas que têm vindo a dizer que Obama está à frente também têm bons argumentos para o afirmar. Nos swing-states, Obama tem mantido uma importante vantagem nos decisivos estados do Ohio, Nevada, Iowa e Wisconsin. Assumindo até que a Virginia, a Florida, o Colorado e até o New Hampshire tombam para o lado de Romney, este precisará sempre de vencer o Ohio ou o Wisconsin ou o Nevada e o Iowa juntos. E nestes quatro estados, nos últimos dias nenhuma sondagem colocou Obama atrás do republicano, o máximo que tivemos foram empates, ao contrário dos outros swing-states que referi. Estes parecem-me ser argumentos convincentes para afirmar a vantagem de Obama actualmente, que mesmo assim ainda compete nos restantes estados com Romney. 

 

Diria que se matemática das sondagens nacionais favorece Romney, nos swing-states o favoritismo é de Obama. São estes que irão decidir o vencedor, ao mesmo tempo que se Romney vencer por mais de 51%, será quase certo que irá ser eleito. Recordo que em 2000, quando George W. Bush venceu Al Gore com menos votos, o resultado foi 47,9-48,4. Nesse ano houve o factor Ralph Nader, com 2,74%. Será Gary Johnson o candidato que pode retirar a vitória a Romney? Será que as sondagens nacionais destas empresas estão erradas? Será que nos swing-states Obama não tem assim tanta vantagem como parece? Tudo questões de difícil resposta neste momento. 


25
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:30link do post | comentar | ver comentários (6)

Segundo uma sondagem da Gallup, 46% dos americanos considera que Mitt Romney venceu os debates, enquanto 44% atribui a vitória a Barack Obama. Para a Rasmussen, Romney, com 49% saiu vencedor, contra 41% de Obama. A diferença está na amostra: enquanto a Gallup sondou todos os americanos, a Rasmussen apenas questionou os prováveis eleitores, um número mais friendly para Romney. Os estudos de opinião nacionais continuam a dar vantagem para Romney: Gallup +3, Rasmussen +3,  ABC/ Washington Post +3 e Associated Press +2 - enquanto Obama lidera na IBD/TIPP +2. Nos swing-states, Obama mantem-se ligeiramente à frente. 

 

Colin Powel, antigo Secretário de Estado de George W. Bush, repetiu hoje o apoio que dera a Barack Obama em 2008. Por outro lado, no campo dos endorsements dos jornais, uma velha tradicão da imprensa americana, o Washinton Post repetiu o apoio dado a Obama em 2008, enquanto o influente Detroit News do Michigan apoiou Mitt Romney. Também este não é surpresa, pois já em 2008 tinha apoiado John McCain. O mesmo aconteceu com o New York Post, que se manteve na coluna republicana. De notar que até ao momento não houve grandes alterações em relação a 2008. Entre os grandes jornais que já declararam o seu endorsement, apenas destaque da passagem do Houston Cronicle e do Orlando Sentinel do campo de Obama para Mitt Romney. 

 

A equipa de Mitt Romney anunciou hoje que angariou na primeira metade do mês de Outubro 111 milhões de dólares e lançou um apelo aos seus apoiantes para contribuírem com mais dinheiro. Será que vão expandir o investimento publicitário a outros estados, como defendeu Karl Rove na semana passada? 


19
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:48link do post | comentar | ver comentários (16)

Considerando todos os dados conhecidos, nomeadamente as sondagens, mas também os movimentos de ambas as campanhas, acredito que esta é a actual situação da corrida. Este mapa explica também porque a generalidade dos analistas considera que, apesar da recuperação de Mitt Romney, Barack Obama ainda é o favorito a vencer as eleições de 6 de Novembro. Se as eleições se realizassem amanhã, muito provavelmente seria reeleito. 

 

Mas este facto não invalida as dificuldades que a campanha de Obama atravessa. Se fizéssemos uma análise semelhante há duas semanas atrás, os estados da Florida, Virgínia, Colorado e New Hampshire estariam na coluna de Obama. E os últimos números que foram publicados do Iowa (sondagem da empresa democrata PPP dá vantagem de 1% a Romney) também não lhe são muito favoráveis. Mas olhando para este mapa, podemos concluir que será o Midwest a determinar o nome do vencedor. Romney não conseguirá ser eleito sem vencer pelo menos um destes estados: Pensilvânia, Michigan, Wisconsin e o problemático Ohio (recordo que nunca um republicano foi eleito sem vencer este estado). E nos dois primeiros nenhum republicano vence desde 1988, enquanto no Wisconsin desde o landslide de Reagan em 1984. No entanto, o Wisconsin parece ser a melhor hipótese extra Ohio. George W. Bush ficou muito perto de derrotar Al Gore e John Kerry aqui. A alternativa pode ser vencer o Iowa+Nevada, mas este último parece quase impossível, a acreditar nas sondagens. Apesar de aparecer sempre perto, em nenhuma sondagem dos últimos meses apareceu à frente de Obama. Estas contas explicam o ainda favoritismo de Obama. 

 

Por fim, uma nota sobre algo que me tem intrigado bastante: o sentido de voto dos independentes. Em quase todas as sondagens que tenho visto Mitt Romney aparece à frente de Obama neste segmento do eleitorado, e por vezes, com grande vantagem. Será que se estes números se confirmarem, não haverá mais estados a caírem para o lado do republicano? Este post no GOP 2012 do The Hill analisa este tema


10
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 01:16link do post | comentar | ver comentários (12)

 

Como antecipei ontem, Mitt Romney lidera pela primeira vez desde Outubro de 2011 a média de sondagens do Real Clear Politics. Das quatro sondagens publicadas hoje, o republicano lidera em três e está em empatado na tracking poll da Rasmussen. Ao nível das sondagens estaduais, Romney aparece agora à frente em vários swing-states, e colocou estados como a Pensilvânia e Michigan em jogo. Se as sondagens a nível nacional mantiverem esta tendência, é bem provável que ultrapasse Obama na maioria dos swing-states, como no Ohio, Virgínia ou Florida. Deve a equipa de Obama entrar em pânico, como sugeriu ontem o apoiante do Presidente, Andrew Sullivan? Não me parece. 

 

Barack Obama está em maus lençóis e é provável que o rumo das sondagens continue a favor de Romney nos próximos dias. Mas a menos que aconteça uma grande surpresa, Barack Obama continua a ter um caminho mais acessível para a vitória, e ainda aparece muito competitivo nos swing-states. Os fundamentos da corrida mudaram ligeiramente a favor de Romney, mas apesar do seu "momentum", continua too close to call. Seria um erro estratégico para Obama cometer algum acto desesperado, o que normalmente acontece quando as campanhas entram em pânico. Neste momento deverão tentar inverter a tendência já no debate de quinta-feira entre Joe Biden e Paul Ryan (apesar que este debate nunca contará muito), mas sobretudo na próxima semana em Nova Iorque, quando Obama defrontar Romney pela segunda vez. Esta eleição vai ser disputadíssima, como sempre pensei, e tentar adivinhar um desfecho final continua a ser mais wishful thinking do que outra coisa. 


08
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:15link do post | comentar | ver comentários (3)

Começam a ser conhecidas várias sondagens realizadas após o debate presidencial de quarta-feira, e se não podemos concluir ainda sobre o seu efeito global, uma coisa é verdade: Mitt Romney inverteu o rumo desta campanha, e colocou enorme pressão sobre Barack Obama. Na média do Real Clear Politics Mitt Romney está a apenas 0,5% de Obama, e é bem provável que o republicano assuma a liderança durante o dia de amanhã, pela primeira vez desde Outubro de 2011. E, acrescido do facto que esta média contém duas sondagens da Gallup, uma delas que dá 5 pontos de vantagem a Obama e que inclui ainda três dias de recolha de dados antes do debate. A outra, que foi realizada após o debate, dá um empate a 47%. Nas várias sondagens dos swing-states que têm sido publicadas, Romney viu a sua desvantagem reduzida, e estados que já estavam considerados perdidos, como a Pensilvânia e Michigan, dão apenas uma curta vantagem a Obama. Mais, e não por acaso, hoje Paul Ryan realizou um comício no Michigan, de onde os republicanos tinham retirado no inicio de Setembro. A grande dúvida neste momento é o Ohio, mas amanhã deverão ser publicadas sondagens deste estado fundamental para os republicanos.

 

Estes números significam que Mitt Romney passou a ser o favorito? Não. A matemática nos swing-states continua a ser favorável a Barack Obama e ainda estamos a enfrentar a euforia dos republicanos pelo debate de quarta-feira, aliada a um pessimismo reinante nas hostes do Presidente. Mas ainda haverá mais dois debates, e a acrescer ao debate entre candidatos a vice-presidentes, nesta quinta-feira, que poderão contribuir para baralhar novamente as contas. A vitória de Romney na semana passada foi importante para abanar a corrida e elevar a sua candidatura. Desconfio que até Novembro não voltaremos a ler criticas vindas do campo republicano, agora que está unido em redor do seu candidato. Mas Romney precisa de provar que a sua prestação do debate não foi um caso isolado, e para isso, precisa de voltar a brilhar nos próximos debates. Obama continua com os cofres bem recheados (irá atingir em breve a fantástica soma de mil milhões de dólares) e ainda lidera na maioria dos swing-states. Mas se Romney for eleito Presidente, os livros de história irão todos eles apontar o debate de Denver como a principal momento dessa vitória. 


16
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:43link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Na semana passada referi que Obama ia investir este mês 25 milhões de dólares em importantes swing states. Mitt Romney, com as contas da sua campanha depauperadas depois da época de primárias, e com muito menos dinheiro angariado do que Obama, tem estado fora das televisões. Mas, e como tenho repetidamente escrito por aqui, as Super Pacs vieram mudar tudo. Hoje a American Crossroads de Karl Rove anunciou que este mês irá igualar o investimento de 25 milhões de dólares de Obama em anúncios televisivos. Este já está a ser transmitido em 10 estados: Colorado, Flórida, Iowa, Michigan, Carolina do Norte, New Hampshire, Nevada, Ohio, Pensilvânia e Virgínia. Definitivamente este ano não vai acontecer o mesmo do que em 2008, quando Obama foi o verdadeiro "rei" das televisões. 


08
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:46link do post | comentar | ver comentários (8)

Analisando o que nos tem dito as sondagens até ao momento, e ressalvando que nestes próximos seis meses muito ainda vai acontecer, e que, de facto, os acontecimentos externos à campanha e a maneira como esta vai decorrer será decisiva para o desfecho das eleições, este é o momento de fazer um balanço. E, posso acrescentar, tanto Mitt Romney como Barack Obama têm motivos de apreensão e satisfação.

 

A avaliar pelo perfil dos candidatos: aqui a vantagem está neste momento do lado do Presidente. Apesar do seu índice de aprovação estar ligeiramente abaixo dos 50 por cento, um número perigoso para o presidente em exercício, os americanos continuam a gostar dele. Apesar de não aprovarem o seu trabalho, as sondagens mostram-nos que os americanos têm apreço por ele. Ao contrário de Mitt Romney, que tem níveis de aprovação menores do que Obama, e que surge aos olhos dos americanos como alguém distante e sem carisma. Em abono da verdade, apenas agora os americanos começarão a olhar com atenção para Romney, e ainda tem uma margem de progressão enorme, mas isso vai depender da forma como a campanha irá decorrer. Mas diria que se as eleições fosse apenas sobre as duas personalidades, Obama estaria reeleito.

 

As sondagens nacionais continuam a dar um empate técnico, e é provável que se mantenha dessa forma até ao Verão. Uma corrida renhida é o que se espera. Mas como tem alertado Dick Morris, o facto de Obama manter-se com níveis de popularidade abaixo dos 50% e quase nunca ultrapassar esse valor nas sondagens frente a Mitt Romney, é preocupante para o Presidente. Numa eleição deste género, os indecisos normalmente optam pelo challenger. Mas ao mesmo tempo, os estudos de opinião conduzidos nos swing states têm indicado, quase sempre, vantagem para o Presidente. Partindo da geografia eleitoral de 2008, a tarefa parece muito mais simples para Obama, que pode perder vários estados, como o Indiana, Virgínia, Carolina do Norte, Ohio e Florida, e ainda assim, sair vencedor. Romney precisará de vencer assente na estratégia que Karl Rove denominou de 3-2-1. Ou seja, recuperar os anteriormente estados republicanos Indiana, Carolina do Norte e Virgínia, ganhar nos tradicionais swing states Ohio e Florida e vencer um destes: New Hampshire, Nevada, Iowa, Colorado ou Novo México. Isto além de ganhar em todos os estados que ficaram na coluna de McCain. Um empreendimento nada fácil.

 

Se analisarmos com mais profundidade os conteúdos das sondagens, a situação fica ligeiramente positiva para Romney. Obama continua a ter vantagem nos grupos demográficos fundamentais para a sua eleição em 2008: as mulheres, os afro-americanos, os jovens e os hispânicos. Mas Romney leva vantagem no eleitorado independente, além de ter margem de progressão em algumas grupos, como os hispânicos e os jovens. Por outro lado, a natural desilusão de algum eleitorado de Obama de 2008 poderá fazer aumentar a abstenção em grupos chave. Por outro lado, se Obama leva vantagem em temas como a segurança nacional, a personalidade, a honestidade, o ambiente ou a política externa, é Romney quem surge à frente no decisivo tema da economia. 

 


07
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:41link do post | comentar

 

É o valor que a campanha de Obama vai investir este mês em publicidade televisiva. Este anúncio irá ser transmitido nos swing states de Colorado, Pensilvânia, Iowa, Florida, Virginia, Carolina do Norte, Ohio, New Hampshire e Nevada. Estes estados, que Obama venceu todos em 2008, serão provavelmente os locais de batalha mais relevantes desta eleição, e são também aqueles que a direcção de campanha considerará mais problemáticos para o Presidente.  

 

Entretanto, hoje foram publicadas quatro novas sondagens, sendo que em três delas Mitt Romney surge ligeiramente à frente de Obama. Eleição garantida? Muito longe disso, como têm provado todos os indicadores: sondagens, economia, grau de satisfação dos americanos e popularidade de Obama. Mas em breve voltarei a este assunto. 


26
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:19link do post | comentar | ver comentários (3)

Larry Sabato, um dos analistas políticos americanos com mais credibilidade, defende que as eleições vão decidir-se em sete estados: Nevada, Colorado, Florida, Virginia, Iowa, Ohio e New Hampshire. Obviamente ainda é cedo para prever se esta análise é correcta, pois parece-me que todos os estados a cores mais claras ainda podem transformar-se em battleground states. Nesta análise, Obama parte com com 247 votos eleitorais e Romney com 204 votos eleitorais (melhor do que McCain teve em 2008). Se esta previsão se mantiver até Novembro, a Obama bastará vencer a Florida para assegurar a reeleição. Mas como têm avisado muitos analistas é ainda demasiado cedo para fazer estas previsões, pois a campanha a sério ainda não começou e a maior parte dos americanos desligados da política ainda não pensou seriamente nestas eleições. Mais do que as sondagens, interessa ir observando o rumo dos indicadores económicos. 


19
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:46link do post | comentar | ver comentários (6)

Mitt Romney ainda não conseguiu selar a nomeação, e nem será amanhã que o conseguirá, apesar da vitória confortável que deverá obter no Illinois. Muito provavelmente apenas o alcançará muito perto do fim destas primárias. Tal como Obama em 2008. Uma das fragilidades que lhe tem sido apontadas é que não consegue vencer no Sul dos Estados Unidos, sendo isso a prova que não ultrapassa a desconfiança que os sectores mais conservadores depositam na sua candidatura. Sendo estes aspectos factuais, ao contrário da tendência maioritária na opinião publicada, eu não considero isso uma fragilidade, antes pelo contrário.

 

Em 2008, Barack Obama foi criticado pelo mesmo, pois durante as primárias contra Hillary Clinton raramente venceu em estados profundamente democratas. Tal como Mitt Romney, também Obama alcançou mais vitórias em estados tradicionalmente desafectos ao seu partido. Obama obteve a nomeação vencendo sobretudo em Red States, como no Sul (onde apenas perdeu na Florida e Arkansas), no Texas e no Oeste. Perdeu os grandes bastiões democratas de Nova Iorque e Califórnia, e ainda outros estados que têm votado democrata, como o Massachusetts, Rhode Island, Pensilvânia ou o Michigan. Entre as suas vitórias nos Blue States, contam-se Washington e Oregon na Costa Oeste e Vermont, Conecticut, Maryland e Delaware na Costa Leste. Apesar de ter perdido em grande parte dos tradicionais estados democratas, isso não o impediu de vencer em todos eles contra John McCain, e também conseguiu conquistar quase todos os swing-states (a excepção foi o Missouri). 

 

Romney, tal como Obama em 2008, tem dificuldade em convencer o eleitorado tradicional do Partido Republicano. Mas contra Obama, esses eleitores facilmente irão votar nele. Tal como o eleitorado de Hillary acorreu em massa às urnas para eleger Obama. Ninguém acredita que estados como Alabama ou a Carolina do Sul não fiquem na coluna de Romney. Além disso, os independentes estarão atentos ao que se está a passar nestas primárias. Um candidato mais conservador teria sempre muito mais dificuldades em vencer nos subúrbios de Cincinnati (Ohio) ou Pittsburgh (Pensilvânia), fundamentais para conquistar estes estados. A fragilidade de Romney nos Red States poderá ser um factor importante nos swing-states. E com este score eleitoral, será mais difícil aos democratas apresentarem Romney como um conservador inelegível (essa era a aposta inicial da campanha Obama), pois o eleitorado dificilmente encarará Romney dessa forma, que tem passado meses a ser exibido na comunicação social como um moderado. 

 

Se Romney apresenta fragilidades para as eleições de Novembro? Várias, e uma delas até é a falta de uma núcleo entusiástico de seguidores (ao contrário do que Obama tinha em 2008). Mas o facto de não vencer primárias do Sul só é problemático no contexto actual, pois isso poderá tornar-se numa "arma" para usar em Novembro. Mas sobre as fragilidades, isso ficará para outro post.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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