15
Jun 11
publicado por Nuno Gouveia, às 18:47link do post | comentar

 

Barack Obama não pediu autorização ao Congresso para intervir na Líbia. Nem precisava, pois os poderes executivos do Presidente permitem-lhe que dê ordens para intervenções estrangeiras. Mas o problema é que essa autorização é necessária se a operação militar ultrapassar os 90 dias. O que irá acontecer em breve. Congressistas de ambos os partidos preparam-se processar a Administração e John Boehner escreveu esta semana uma carta a Obama a alertar para a necessidade de uma autorização formal do Congresso. 

 

Confesso que não percebo a razão para Obama não ter pedido a devida a autorização. A verdade é que desde o inicio que existia apoio suficiente nos dois partidos para aprovar a resolução e agora está perante este impasse. Além disso, estamos a chegar aos 90 dias da intervenção militar da NATO na Líbia e ninguém percebe bem qual a missão da operação. Sem nunca ter clarificado que o objectivo era eliminar a liderança de Khadafi, a situação está muito confusa. E se o objectivo era apenas "proteger" os civis, qual a razão para continuarem a bombardear os fiéis do líder líbio, tendo vários mísseis atingido instalações de Khadafi? Não sei como vai terminar isto, mas parece-me que todo este processo não está a correr nada bem. Obama sairá sempre beliscado desta missão, mesmo que Khadafi acabe por cair. 


29
Mar 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:08link do post | comentar | ver comentários (1)

Barack Obama discursou ontem ao país sobre a intervenção na Líbia, e como não poderia deixar de ser, recolheu opiniões divergentes. Num bom discurso (a minha opinião), Obama tentou responder às críticas que tem recebido, clarificando a posição dos Estados Unidos. No entanto, este já não o Obama da campanha eleitoral, quando em 2007 criticava os ataques militares ordenados pelo Presidente sem a autorização do Congresso. Nessa altura, Obama disse mesmo que a opção militar deveria ser apenas um recurso quando o país estivesse sob iminente perigo. O que não é o caso da Líbia. Mas este é o novo Obama. 

 

O que está em causa nesta missão? Obama defendeu que os Estados Unidos viram-se obrigados a intervir para impedir um desastre humanitário, salvando milhares de pessoas da morte certa. Mais, apesar de Obama não dizer que era esse o objectivo, o ditador Kadhafi deve sair do poder. Num discurso que, por vezes, lembrou os discursos da agenda da liberdade do Presidente George W. Bush, invocou, ainda que directamente, o excepcionalismo americano e o seu papel no mundo. Finalmente assumindo a liderança americana na Líbia, Obama reafirmou que não haverá soldados no terreno e que, a partir de agora, a situação será conduzida pela NATO. Mas também novas dúvidas surgiram deste discurso: o aviso a outros ditadores da região, que os Estados Unidos não tolerarão massacres a civis, foi bastante ambíguo. Será que se o ditador sírio ou o regime de Teerão continuarem a reprimir o seu povo, haverá novas intervenções? Não me parece, mas quem levar as suas palavras à letra, poderá ter ficado com essa impressão.

 

Obama é um excelente orador, e ontem, mais uma vez, foi eficaz. Mas não é isso que está em causa. Esta intervenção será avaliada pelo que suceder no futuro. As dúvidas permanecem muitas, e caso Khadafi se mantenha no poder, como sucedeu no Iraque em 1991, Obama será atacado por isso durante a campanha eleitoral. E se Khadafi realmente sair, mas houver uma situação caótica no terreno no dia seguinte, Obama também será responsabilizado por isso. A principal dificuldade de Obama será mesmo essa: o que vai acontecer no futuro da região? Obama foi apanhado de surpresa por esta onda de revoluções no Médio Oriente e Magrebe, e ao intervir directamente na Líbia, país que tinha um longo passado conflituoso com os Estados Unidos, aumentou as expectativas sobre o papel desempenhado pela Administração nesta região. Em 2012, a campanha eleitoral também passará pelo mundo árabe.


28
Mar 11
publicado por Nuno Gouveia, às 12:44link do post | comentar

Passados dez dias do inicio da intervenção na Líbia, Barack Obama vai finalmente dirigir-se à nação sobre este conflito. Hoje, às 19h30 (de Washington).


25
Mar 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:47link do post | comentar

O estranho conceito de liderança de Obama está a suscitar diversas críticas, à direita, mas também à esquerda. Estas críticas não incidem sobretudo na intervenção em si, mas na forma como a Administração tem lidado com a situação da Líbia. Alguns dos artigos desta sexta-feira muito duros para o Presidente Obama.

Is President Obama the weakest Commander-in-Chief in US history?, Niles Gardiner

A Mission Wrapped in Confusion, Eugene Robinson

The Speech Obama Hasn't Given, Peggy Noonan

The Professor's War, Charles Krauthammer


23
Mar 11
publicado por Nuno Gouveia, às 15:25link do post | comentar | ver comentários (2)

A oposição da Turquia terá sido ultrapassada e a NATO vai assumir o comando das operações na Líbia.


21
Mar 11
publicado por Nuno Gouveia, às 12:38link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Barack Obama está a provar as agruras do poder. Eleito em 2008 com o suporte entusiástico da facção anti-guerra do Partido Democrata, a sua liderança está a ser bem diferente do que imaginara. Na verdade, hoje Obama deverá ter uma imagem bem mais simpática de George W. Bush. Depois de semanas a enviar sinais contraditórios, os Estados Unidos acabaram por ceder às pressões dos aliados europeus para actuar contra o regime de Khadafi.

 

Mas Obama não seguiu a cartilha das últimas duas guerras em que os Estados Unidos estiveram envolvidos. Esta intervenção apenas surgiu depois da aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e depois do pedido da Liga Árabe, que entretanto, como seria de esperar, já recuou. Outra diferença substancial é que os líderes aparentes da situação no terreno não são americanos. Os franceses e os ingleses é que abriram as hostilidades, e Obama tem cedido o protagonismo a Sarkozy e Cameron na liderança da batalha pela opinião pública. Ao contrário do Iraque, por exemplo, aqui foi o Departamento de Estado a forçar a intervenção, enquanto o Departamento de Defesa teria preferido manter os militares americanos afastados da Líbia.

 

O inicio também não foi o mais convencional. Depois de semanas de declarações de responsáveis americanos a afirmarem que não haveria intervenção militar sob chancela americana, as operações militares começaram, sem uma declaração formal do Presidente na Casa Branca – estava de visita no Brasil – e sem um objectivo definido. Enquanto Obama anteriormente tinha afirmado que Khadafi tinha de sair, o Almirante Mike Mullen defendeu este fim de semana que esta operação não se destina à mudança de regime, e que até pode terminar com Khadafi a manter-se no poder. Em que ficamos? Será que os americanos pensam mesmo que isto pode terminar numa situação de status quo, como aconteceu no Iraque em 1991?


Diferenças substanciais definidas pelo estilo de liderança de Barack Obama, que enfrenta aqui uma prova de fogo. Com as fileiras a romperem-se no seu partido, o pior que lhe podia acontecer era um desastre de relações públicas na Líbia. Mas se Khadafi cair rapidamente e o pós guerra não envolver militares americanos, Obama poderá ter encontrado aqui o tom de liderança que o seu mandato desesperadamente necessita. Pelo que temos visto, não será fácil.


20
Mar 11
publicado por Nuno Gouveia, às 11:38link do post | comentar | ver comentários (1)

 

“They consulted the Arab League. They consulted the United Nations. They did not consult the United States Congress”

 

No mês de Setembro de 2001, pouco depois dos ataques terroristas, ambas as câmaras do congresso passaram uma resolução autorizando o Presidente George W. Bush a utilizar a força para actuar contra os terroristas, que culminou na intervenção no Afeganistão. Na altura, apenas um dos  535 congressistas e senadores votou contra. Em 2002, já com a oposição de vários democratas e de poucos republicanos, as duas câmaras autorizaram a intervenção no Iraque. Este fim de semana, forças militares americanas iniciaram o seu envolvimento na Líbia. Vários democratas da ala esquerda do Partido estão a questionar esta decisão da Administração Obama. Denis Kucinich, congressista de Detroit que  tentou iniciar um processo de impeachment contra George W. Bush e Dick Cheney, defendeu mesmo que esta acção poderá ser motivo para um processo semelhante contra o Presidente Obama. Terá certamente o sucesso dos anteriores. Mas Obama começa a ficar numa posição desconfortável, com esta oposição dentro do seu próprio partido.

 

Por enquanto, os líderes republicanos têm estado em silêncio, mas não me parece que vá surgir grande oposição deste lado. A liderança no Congresso tem permanecido em sincronia com Obama em relação à política externa e os principais candidatos presidenciais até criticaram o Presidente por ter demorado a actuar na Líbia. E ainda esta semana foi recusada uma moção no Congresso que exigia a retirada do Afeganistão, que teve apenas o apoio de 8 republicanos. E nem um dos 87 novos congressistas votou a favor da retirada. O problema para Obama poderá vir da esquerda, que ameaça subir ainda mais o tom da contestação, depois desta intervenção na Líbia não ter sido votada no Congresso.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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