19
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 19:18link do post | comentar

Quem acompanha a política americana sabe que os anúncios negativos fazem parte do "negócio". Não deve haver um único candidato que não o faça. Mas tenho lido que este ano os políticos estão a ir longe de mais. Alguns candidatos perderam mesmo a cabeça e são atacados por todos os lados devido aos seus anúncios negativos. Outros sabem muito bem o que estão a fazer. Dos três exemplos que escolhi, pelo menos o do Alan Grayson terá corrido muito mal, pois foi massacrado na imprensa e praticamente perdeu as hipóteses de reeleição.

 

Este anúncio do candidato democrata Jack Conway contra Rand Paul, no Kentucky. Baseia-se numa notícia anónima sobre uma pretensa brincadeira de Rand Paul quando estudava na Universidade. A história está aqui resumida.

 

Este é talvez o anúncio mais famoso deste ciclo eleitoral. O congressista da Florida provavelmente queimou as suas possibilidades de reeleição com este ataque ao opositor republicano. Na verdade, o mais grave nem foi Alan Grayson ter comparado o seu adversário a um Taliban. Ele manipulou um vídeo em que o republicano aparece a dizer "a minha esposa deve submeter-se a mim", quando na verdade, ele estava a dizer para as pessoas não seguirem esse verso da Bíblia. A história aqui.

 

Este é um anúncio de Roy Blunt contra a opositora democrata nas eleições do Senado do Missouri. Aqui há uma acusação directa a Robin Carnahan e à sua família de terem recebido mais de 100 milhões de dólares do Plano de Estímulos de Barack Obama. Este anúncio é do final do mês de Setembro, e desde então, as sondagens mostram uma relativa aproximação entre os candidatos.


18
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:01link do post | comentar | ver comentários (6)

Tenho escrito bastante sobre este movimento que revolucionou a vida política norte-americana. Uma vezes elogiando o seu papel no renascimento do Partido Republicano, que ainda há dois anos foi dado como morto, outras vezes criticando a sua influência nefasta em várias corridas eleitorais. E se considero que o saldo eleitoral acabará por ser amplamente favorável ao Partido Republicano, também é verdade que algumas das escolhas que foram feitas na época das primárias foram prejudiciais e que agora estão a revelar-se. E nem é vou falar novamente do caso de Christine O'Donnell, um errro crasso que entregou de mão beijada um lugar aos democratas. Mas há mais exemplos onde as coisas podem correr mal.

 

O Nevada é um caso sintomático: Sharron Angle até pode vencer Harry Reid e as sondagens até têm lhe dado uma ligeira vantagem nas últimas semanas. Mas com um outro candidato mais convencional, o destino do líder da maioria democrata já estaria traçado. Ainda na semana passada foi publicada uma sondagem que colocou o nome de Danny Tarkanian no boletim de voto em vez de Angle. O candidato derrotado nas primárias venceria confortavelmente Harry Reid. Angle simplesmente não tem jeito para a política, e algumas das suas intervenções continuam a ser, no mínimo, estranhas. Nunca na vida seria eleita Senadora dos Estados Unidos num ciclo eleitoral normal.

 

O Colorado é um swing state que neste momento tem dois senadores e um governador democrata, e votou em Barack Obama em 2008. Nos últimos anos, fruto da migração da California e dos hispânicos, este estado tem-se aproximado dos democratas. Mas 2010 é um ano diferente, e os republicanos têm/tinham grandes possibilidades de sucesso eleitoral. Para o senado escolheram um desconhecido, Ken Buck, mas apoiado pelo tea party. Uma eleição que deveria estar garantida contra o impopular senador Michael Bennet, neste momento encontra-se praticamente em empate técnico. E não sei se este tipo de declarações sobre a homosexualidade o vai ajudar neste combate.

 

No Alaska a situação também é problemática, apesar de não haver perigo deste lugar cair para os democratas. A senadora Lisa Murkoswki, que se candidatou depois de perder as primárias republicanas, já anunciou que se ganhar irá manter-se no caucus republicano. Joe Miller é um candidato articulado, mas que tem feito uma campanha ortodoxa. Depois de serem conhecidos alguns aproveitamentos pessoais que retirou do estado federal de programas que tem manifestado a sua oposição, disse que deixaria de falar com a imprensa sobre o seu passado. E este fim de semana, uns seguranças da sua campanha... prenderam um blogger que o tentava entrevistar durante uma acção de campanha. E a Primeira Emenda? Não é Joe Miller um defensor da Constituição Americana?

 

E porque será que no Kentucky, um estado tradicionalmente republicano, continua a ter sondagens que indicam alguma proximidade num ano como este? Aqui o caso é diferente, pois Rand Paul parece-me um candidato bem preparado e que, depois dos erros iniciais, tem feito uma boa campanha. E tenho poucas dúvidas que será senador a partir de 2011. Mas uma escolha mais convencional teria garantido esta vitória à partida e ninguém falaria desta corrida. E diga-se, o seu apelido Paul não é um grande suporte em certas franjas do eleitorado republicano e independente. Os milhões que estão a ser investidos neste Estado poderiam estar a ser gastos noutras corridas.


20
Mai 10
publicado por Nuno Gouveia, às 19:51link do post | comentar | ver comentários (19)

Depois de uma terça-feira animada na política norte-americana, os dias seguintes não lhe ficaram atrás. E os protagonistas continuam a ser os mesmos. Presumo que não vamos ter muitos períodos mortos até 2012. Se até Novembro teremos as intercalares, logo depois começará a febre dos candidatos republicanos e a longa campanha para as presidenciais. Mas até Novembro temos dezenas de campanhas interessantes para seguir.


As sondagens da Pennsylvania e Kentucky não podiam ser mais favoráveis para os grandes vencedores de terça-feira. Joe Sestak, depois de meses a aparecer atrás de Pat Toomey, surge com uma vantagem de 4 por cento. É a esperada subida depois da vitória contra Arlen Specter. Mais surpreendente é a vantagem de 25 pontos que Rand Paul tem sobre Jack Conway, quando no último estudo apenas tinha mais um por cento que Conway.


Mas Rand Paul tem poucos motivos para sorrir. Quem acompanha a vida política norte-americana sabe que os libertários têm posições consideradas muito afastadas do mainstream político em algumas matérias. Paul não igual ao seu pai e até terá posições mais moderadas em determinados assuntos. Sem isso não teria obtido o apoio de algumas figuras de peso do GOP como Sarah Palin ou até Jim DeMint. Mas os últimos dois dias têm sido dominados pela sua posição ambígua sobre a lei dos direitos civis na década de 60. Paul manifestou algumas dúvidas sobre um aspecto da lei, que obrigava os estabelecimentos privados a não segregarem pessoas em função da sua cor. A lógica da sua defesa é que o Estado Federal não deve legislar sobre espaços privados (quem tiver interesse em observar a posição de Paul pode ver esta entrevista que deu a Rachel Maddow ontem à noite). Apesar das suas declarações que estaria ao lado de Martin Luther King nessa luta pelos direitos civis e contra o racismo institucional, Rand Paul não foi claro se votaria favoravelmente a lei se estivesse no Congresso na década de 60. Hoje Paul já clarificou que votaria a favor da lei, mas não sei se irá conseguir apagar a polémica. O próprio Jim DeMint já reprovou estas ideias de Rand Paul, e este assunto promete dar que falar nesta campanha do Kentucky.


Entretanto, Richard Blumenthal, candidato democrata ao senado pelo Conecticut, continua sob fogo devido às mentiras sobre o seu passado de veterano. A primeira sondagem publicada depois do escândalo indica muitos sinais de preocupação. Depois de vantagens de 30 pontos sobre os seus adversários, agora surge apenas com três pontos a mais do que Linda McMahon, a favorita republicana neste momento. E os media já descobriram pelo menos cinco vezes diferentes onde Blumenthal afirmou que tinha combatido no Vietname, quando na verdade nunca lá esteve devido aos seus pedidos de adiamento de incorporação. Não sei se irá conseguir sobreviver a este escândalo, mas este assunto não irá desaparecer da campanha tão cedo.


19
Mai 10
publicado por Nuno Gouveia, às 00:57link do post | comentar

Rand Paul venceu a primária republicana no Kentucky. Esta vitória representa a força do tea party movement, que apostou tudo neste candidato que afrontou o establishment do Partido Republicano. O líder da minoria no senado, Mitch McConnell, empenhou-se nesta corrida em favor do seu favorito, o Secretário de Estado Trey Grayson. Mas os resultados não deixam dúvidas: os republicanos do Kentucky queriam mesmo derrotar o candidato apoiado por Washington. Rand Paul é um candidato mais frágil que Grayson para a eleição geral, mas isso não significa que tem poucas hipóteses de eleição em Novembro.

 

O seu adversário deverá ser Jack Conway, Procurador-geral do estado, que nas duas últimas sondagens estava a apenas um e três pontos de Paul. Mas o Kentucky é um dos estados mais republicanos da União, e dado o ambiente anti-democrata que se espera para Novembro, muito dificilmente Paul perderá essa eleição. Mas para isso terá de se reunir com os líderes do Partido Republicano e conjugar esforços para a eleição geral. Ainda durante o dia de ontem, Paul falou várias vezes em união e que estava ansioso para reunir com McConnell. Sem obter o apoio empenhado do GOP, a possibilidades de vitória seriam bem mais reduzidas. Mas conhecendo o pragmatismo republicano, isso não deverá ser difícil de suceder. Sem o Kentucky, McConnell não tem hipótese de ser o próximo líder do Senado.


18
Mai 10
publicado por Nuno Gouveia, às 18:23link do post | comentar | ver comentários (1)

Hoje realizam-se três primárias que podem dar já um sinal claro do que vai ser este ano eleitoral. No estado da Pennsylvania, o senador Arlen Specter, apoiado pelo Partido Democrata em peso, incluindo Barack Obama, Joe Biden e Harry Reid, poderá ser derrotado pelo congressista Joe Sestak. O mesmo se passa no Arkansas, onde a actual senadora Blanche Lincoln enfrenta uma dura primária contra candidatos mais à esquerda. As sondagens apontam para um segunda volta. No Kentucky é Rand Paul que deverá ser o grande vencedor das primárias republicanas para o senado, contra o favorito do establishment republicano, Trey Grayson. Uma noite eleitoral interessante para acompanhar.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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