16
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:02link do post | comentar | ver comentários (7)

 

Jon Huntsman irá anunciar hoje a suspensão da sua candidatura. Huntsman antecipa-se às primárias da Carolina do Sul e irá declarar o seu apoio a Mitt Romney. O principal erro da sua campanha foi pretender ser um candidato centrista num ambiente completamente dominado pela direita. Na parte final da sua candidatura começou a evidenciar o seu currículo conservador enquanto governador do Utah, mas o mal já estava feito. Sai desta campanha ferido, mas não completamente morto, politicamente falando. O seu nome será sempre falado para uma potencial Administração Romney, pelo que tentará ajudar, dentro do que lhe for possível, a candidatura do seu anterior adversário. 


09
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:40link do post | comentar

Estas serão as primárias do New Hampshire mais previsíveis das últimas décadas. A menos que suceda uma hecatombe de proporções bíblicas para as empresas de sondagens, Mitt Romney deverá vencer amanhã. E por isso, essa vitória nunca será tão valorizada como noutras situações. As expectativas irão sempre nortear a avaliação dos resultados.

 

Mitt Romney - As sondagens mais recentes dão-lhe entre 33 e 42 pontos, sempre muito à frente dos seus adversários. Portanto, tudo que seja abaixo dos 33% será considerado sempre pelos analistas como um mau resultado. Diria que uma vitória acima dos 40% dar-lhe-á uma áurea quase imbatível para o resto das primárias. Uma vitória menor poderá não lhe ser muito favorável, dependendo do nome do segundo lugar. 

 

Ron Paul - Já anunciou que não iria competir na Florida, concentrando os seus esforços depois da Carolina do Sul nos estados que vão ter caucuses. Tem estado consistentemente em segundo lugar, pelo que um resultado abaixo disso será sempre uma desilusão. Luta para alargar o movimento libertário no Partido Republicano e não para vencer as primárias. 

 

Jon Huntsman - Arrisca aqui a sua campanha presidencial. Um mau resultado ditará a sua desistência. Mas nos últimos dias tem sido o único candidato a subir nas sondagens, pelo que poderá ser a grande surpresa amanhã. Um segundo lugar iria encher as páginas dos jornais e dar-lhe o tal "momentum" que ainda não teve nesta campanha. Continua a ter hipóteses muito reduzidas de sucesso, mas tudo irá depender deste resultado. 

 

Rick Santorum - Depois de uma quase vitória no Iowa, esperava-se que Rick Santorum consolida-se aqui o seu estatuto de alternativa a Mitt Romney na Carolina do Sul. Mas as coisas não lhe têm corrido bem. Um terceiro lugar atrás de Ron Paul poderia dar-lhe um fôlego extra, mas essa é a sua melhor perspectiva.  

 

Newt Gingrich - Chegou ao New Hampshire ferido no seu orgulho. Depois de ter sido destruído no Iowa, onde não conseguiu melhor do que um quarto lugar, tenta aqui recuperar algum animo para a Carolina do Sul. Mas um resultado idêntico deixará indefinido quem é a alternativa conservadora a Romney, o que só ajudará o antigo governador do Massachusetts. Se conseguir melhor do que o esperado, e neste momento seria um terceiro, já seria um bom resultado para ele. 

 

Rick Perry não conta, pois abdicou destas primárias para se concentrar na Carolina do Sul, a sua última esperança. As minhas previsões: Romney-Paul-Huntsman-Gingrich-Santorum

 


06
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:30link do post | comentar

As sondagens são há muitos anos um elemento fundamental de qualquer estratégia política. Mas são sobretudo partes essenciais para o circo mediático que rodeia uma campanha. Sem elas, como iriamos avaliar quem vai a frente ou o que as pessoas estão a pensar sobre os candidatos? Apesar dos seus efeitos perversos (por vezes as sondagens são elas próprias elementos determinantes de um desfecho eleitoral, por exemplo), eu gosto de sondagens. E admito que, apesar de nem sempre lhes dar a importância que os media lhe atribuem, sou um fiel seguidor das sondagens. Até Novembro, os Estados Unidos vão ser inundados de sondagens, primeiro sobre as primárias e depois sobre as eleições gerais. E apesar de desvalorizar o sentido de alguma delas - nomeadamente para as eleições gerais nesta fase - elas servem para atestar o estado da corrida. 

 

Como o Alexandre Burmester deu nota no post anterior, Romney aparece à frente na Rasmussen na Carolina do Sul, mas com uma vantagem curta sobre Santorum. Outra da CNN/Time de hoje dá uma maior vantagem a Romney, com 37-19-18 sobre Santorum e Gingrich e ainda da American Research Group dá 31 a Romney e 24 a Santorum e Gingrich. Apesar de serem consideradas boas notícias para Romney, isto não desqualifica o facto que ainda pode haver uma aglomeração do voto conservador em Santorum ou Gingrich. Para isso, há dois factores que podem ser decisivos. Em primeiro lugar, as primárias do New Hampshire. O nome que ficar em segundo lugar (Romney deverá vencer) terá uma oportunidade para congregar esse apoio. Neste momento, Santorum e Gingrich estão à volta dos 10 pontos, atrás de Ron Paul e em alguns casos de Huntsman. O melhor cenário para Romney é que nem Santorum ou Gingrich se diferenciem muito na votação (e de preferência que seja Ron Paul a ficar em segundo), para que o voto conservador na Carolina do Sul continue dividido. O outro factor que pode determinar uma aglomeração de apoios poderá ser introduzido pelos debates. Neste fim de semana realizar-se-ão dois debates no New Hampshire e mais dois antes na Carolina do Sul. Uma prestação positiva ou um desastre de um deles poderá ser um factor determinante. Por fim, uma nota sobre Jon Huntsman. A sua única esperança resumia-se a ter uma grande prestação nas primárias de New Hampshire. Até ao momento, as sondagens indicam-nos que dificilmente isso irá acontecer. Nas sondagens desta semana aparece invariavelmente em quarto ou quinto lugar, o que significará o fim da sua aventura presidencial. Com um perfil de governador de sucesso no Utah, ainda por cima com um percurso conservador, tentar aparecer como o moderado nestes tempos eleitorais, foi um erro de proporções gigantescas. Terá tempo suficiente para reflectir. 

 

Adenda: Mais duas sondagens do New Hampshire, que confirmam a tendência. Romney à frente com larga vantagem e Ron Paul em segundo.

NBC News/Marist: Romney 40, Paul 21, Santorum 12, Huntsman 8, Gingrich 8

WMUR/UNH: Romney 44, Paul 20, Santorum 8, Gingrich 8, Huntsman 7


02
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 18:25link do post | comentar | ver comentários (3)

Jon Huntsman está afastado dos escaparates dos media esta semana, devido a ter optado por não competir no Iowa, mas no New Hampshire a coisa é diferente. Esta semana lançou este vídeo nas televisões do NH sobre Ron Paul. O objectivo é óbvio: retirar apoio ao congressista texano e tentar aproximar-se de Mitt Romney no New Hampshire. 


29
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:44link do post | comentar

 

Como é tradicional, o leque de candidatos republicanos à nomeação deverá ficar reduzido depois da próxima terça-feira, após a realização dos caucuses do Iowa. Numas primárias nem todos os candidatos lutam para vencer. Uns querem vender livros, outros querem conseguir um lugar de destaque no partido e outros pretendem promover o seu próprio futuro político. Olhando para as sondagens, vejo três nomes óbvios que estão na linha da frente. 

 

A principal candidata à desistência é Michele Bachmann, que depois de ter vencido a Iowa Straw Poll em Agosto, nunca mais parou de descer nas sondagens. Apesar da media frenzy em redor da sua candidatura no Verão passado, facilmente se percebia já na altura que a congressista do Minnesota não tinha estofo para uma campanha presidencial. Se as coisas lhe tivessem corrido bem, poderia ter tido possibilidades de disputar a vitória no Iowa. Mas o seu apoio decresceu imenso e neste momento a sua campanha luta para sobreviver. Sem dinheiro e sem apoio, se ela não ficar nos quatro primeiro lugares, o mais certo é que abandone a corrida antes das primárias do New Hampshire.

 

Rick Perry é outro dos nomes a considerar. Tendo entrado muito forte na corrida presidencial, assumindo desde o inicio a liderança nas sondagens nacionais e no Iowa, as suas prestações desastrosas nos debates colocaram em evidência as limitações do governador do Texas. E se ao contrário de outros nomes, tem currículo suficiente para ser Presidente, não mostrou capacidade para enfrentar Barack Obama em Novembro próximo. Se não conseguir um dos primeiros quatro lugares, pode desistir já ou esperar para fazer um último esforço nas primárias da Carolina do Sul, no dia 21 de Janeiro.

 

Rick Santorum tem vindo a subir nas sondagens do Iowa e é possível que sobreviva aos caucuses. Apesar de não ter muito dinheiro, tal como Bachmann, um bom resultado no Iowa (nos três primeiros lugares), pode garantir-lhe a sobrevivência durante mais umas semanas. Não vai ser o nomeado, mas pode chegar até à Carolina do Sul, onde há muitos votos conservadores para disputar. Certamente que Mitt Romney agradecerá a manutenção de Santorum até lá, imitando Mike Huckabee em 2008, quando retirou votos conservadores a Romney, ajudando John McCain a vencer esta importante primária. Romney desta vez irá precisar que alguém "roube" votos dos social conservatives a Newt Gingrich. 

 

De resto não acredito que haja mais desistências. Mitt Romney obviamente pode sobreviver a um desastre no Iowa (ficar abaixo dos três primeiros), Ron Paul tem o apoio e dinheiro para continuar nas primárias até onde desejar e Jon Huntsman nem sequer está a competir neste estado. Diferente é a situação de Newt Gingrich. Depois de ter liderado as sondagens durante o mês de Dezembro, os últimos dias mostraram-nos uma quedra abrupta. Mas mesmo que fique em quarto lugar (neste momento o mais provável), Gingrich irá certamente competir na Carolina do Sul, onde lidera com algum conforto as sondagens. 


08
Nov 11
publicado por Nuno Gouveia, às 15:47link do post | comentar | ver comentários (1)

A campanha digital está ao rubro. Hoje foi a vez de Jon Huntsman lançar um site para "bater" em Mitt Romney. Scared Mittless começa com este vídeo sobre a ausência de Mitt Romney nos programas de informação ao domingo de manhã (o prime-time da informação americana) e a sua constante fuga ao contacto com os jornalistas. 


21
Jun 11
publicado por Nuno Gouveia, às 20:17link do post | comentar

About Jon from Jon 2012 on Vimeo

 

Este vídeo é uma apresentação informal de Jon Huntsman e da sua família, como não podia deixar de ser.

 

site de candidatura também já está no ar. Pessoalmente não me agrada a disposição da informação nem o design do site. Esperemos que consigam apresentar melhor trabalho nas próximas semanas. 


publicado por Nuno Gouveia, às 19:22link do post | comentar

Jon Hunstman, embaixador em Singapura da Administração George H. Bush, governador do Utah entre 2005 e 2009 e Embaixador na China entre 2009 e 2011 da Administração Obama, apresentou hoje a sua candidatura presidencial. Com apenas 51 anos e detentor deste currículo, Huntsman é um dos nomes mais fortes a apresentar-se na corrida, apesar das sondagens e das suas debilidades. Mórmon, como moderado nas questões sociais, colaborador da Administração Obama e desconhecido do grande público americano, são algumas das características que diminuem as suas possibilidades de vitória. Mas num campo tão diversificado como este, onde as pessoas procuram desesperadamente pelo candidato anti-Romney, Huntsman tem uma hipótese. 

 

No entanto, muitos questionam-se porque se fala tanto de Jon Huntsman e da viabilidade da sua candidatura, quando o seu nome não ultrapassa os dois por cento em todas as sondagens publicadas. Na verdade, além do breve currículo que apresentei, Huntsman é considerado um dos mais brilhantes políticos da sua geração. Nas últimas semanas tem reunido um leque de apoiantes poderosos, com muitos colaboradores e financiadores das últimas campanhas presidenciais de John McCain e George W. Bush. Apesar da oposição de muitas vozes do movimento (tea party, talk radio, media conservadores), a sua candidatura não está condenada ao fracasso. Em 2008, John McCain também era "detestado" por estes sectores e não foi por isso que deixou de ser o nomeado. E Mitt Romney, o frontrunner da corrida, também não está muito melhor classificado nessa liga conservadora. Se acredito que Jon Huntsman vai ser o nomeado? Não. Mas se fizer uma candidatura perfeita tem essa possibilidade, e mais, se deixar uma forte marca neste ciclo, fica desde já credenciado para  uma próxima eleição. 


04
Mai 11
publicado por Nuno Gouveia, às 10:33link do post | comentar | ver comentários (5)

Não é grande novidade nem é propriamente a melhor altura para o anunciar, mas ontem foi noticiado que Jon Huntsman Jr., antigo governador do Utah e Embaixador dos Estados Unidos na China, criou uma PAC para poder angariar dinheiro e organizar uma campanha presidencial. Ainda não é certo que avance, mas o Politico informa que o anúncio formal deverá surgir no inicio do Verão. 

 

Jon Huntsman tem um currículo notável. Com apenas 32 anos foi nomeado Embaixador dos Estados Unidos em Singapura por George H. Bush. Membro de uma das famílias mais ricas dos Estados Unidos, donos da Huntsman Corporation, colaborou ainda nas Administrações Reagan, H. Bush e George W. Bush. Entre 2004 e 2009 foi governador do Utah, estado dominado pela comunidade Mórmon, como ele próprio. Em 2009, e segundo as más linguas, vendo nele um perigo como potencial adversário para 2012, Barack Obama lançou-lhe um convite para o cargo mais importante no exterior: Embaixador da China. Mas isso não atemorizou Huntsman. No inicio deste ano anunciou que ia abandonar o lugar em Abril, iniciando-se logo os rumores que se ia candidatar a Presidente dos Estados Unidos. Entretanto, e como ele estava impedido de estar envolvido na política activa enquanto membro do Governo, um grupo de colaboradores formou uma PAC e criou as raízes da sua campanha presidencial. 

 

Não terá vida fácil. Em primeiro lugar, e isso não deixará de ser bastante explorado, foi membro da Administração Obama. Além disso, é considerado um moderado dentro do Partido Republicano, o que lhe poderá ser bastante prejudicial nas primárias dos estados conservadores, como o Iowa e Carolina do Sul. Mas também apresenta vantagens. Tem as condições para se apresentar como o candidato anti-Romney (a batalha Mórmon), pelo lado da máquina republicana. É considerado um excelente candidato para as eleições gerais, e tem o dinheiro necessário para montar uma máquina competente para as primárias. Tem boa imagem, é telegénico e possui um currículo formidável. Não apostaria o meu dinheiro (nesta fase) neste candidato, mas a seguir a Romney, Pawlenty e Daniels, dentro dos nomes prováveis, será aquele com mais hipóteses de vitória. Não muitas, mas algumas.  


02
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 10:03link do post | comentar | ver comentários (4)

 

Será que um republicano que colaborou com a Administração Obama nos últimos dois anos tem a mínima hipótese de vencer a nomeação em 2012? Muito pouco provável dirão muitos. E se esse republicano for um moderado, com posições controversas no partido? Mas, mesmo assim, o nome de Jon Huntsman, Embaixador na China da Administração Obama, tem feito furor nos últimos tempos nos círculos políticos americanos. Quando em 2009, depois de abandonar o cargo de governador do Utah que ocupava desde 2005, foi nomeado representante dos Estados Unidos na China, logo se escreveu que com este convite, Obama estava a afastar um potencial adversário de 2012. Mas Huntsman esta semana pediu a resignação do cargo a partir de Maio, e especula-se que está mesmo a pensar numa corrida à nomeação republicana. Além de moderado, colaborou com a Administração Obama. Haverá cenário mais complicado para um republicano actualmente? No entanto, com tantos pré-candidatos anunciados, tudo é possível. E, segundo alguns especialistas, tem uma vantagem: poderia ser um adversário muito perigoso para Obama na eleição geral. O seu perfil coloca-o bem no meio da luta pelo voto dos democratas conservadores e independentes. Esta ideia fica para outro post, mas estou convencido que a nomeação republicana vai decidir-se entre um candidato moderado e um conservador. Huntsman, se avançar, terá de ser primeiro o escolhido dos moderados, para depois tentar alcançar a nomeação.


Sobre Jon Huntsman Jr.

 

Ler Can Huntsman do it?, de Sven Wilson, The Case for... e The Case against..., de Chris Cillizza, no Washington Post.

 



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