05
Jan 13
publicado por Nuno Gouveia, às 00:56link do post | comentar | ver comentários (2)

Nancy Pelosi decidiu inovar e mandou acrescentar nesta fotografia, através do Photoshop, as congressistas democratas que não conseguiram estar presentes na foto. Uma maneira diferente de apresentar as boas vindas ao 113º Congresso dos Estados Unidos da América.

 

Uma palavra também para John Boehner, que foi ontem eleito novamente Speaker da Câmara dos Representantes, apesar das ameaças de alguns republicanos. O congressista do Ohio é o 53º na longa lista de Speakers, que começou em 1789 com Frederick Muhlenberg. Apesar de ser o terceiro na hierarquia dos Estados Unidos, apenas um Speaker chegou a Presidente: James Polk, que esteve na Casa Branca entre 1845 e 1859 pelo Partido Democrata. No entanto influentes personalidades da história americana ocuparam este cargo: Henry Clay, o poderoso político do Kentucky da primeira metade do Séc. XIX; os republicanos James Blaine, que foi Secretário de Estado de Benjamin Harrison e James Garfield, e Thomas Brackett Reed, que ocupou o cargo no final do Séc. XIX e talvez o mais influente Speaker até à data; os democratas John Carlisle, que além de ter sido Speaker durante a década de 1880, foi também Secretário do Tesouro de Groover Cleveland e Senador do Kentucky, e já no século XX, o famoso Sam Rayburn, Speaker durante 17 anos (o que esteve mais tempo no cargo) e que passou por três presidentes: Frank D. Roosevelt, Harry Truman e Dwight Eisenhower. Mais recentemente, dois destacaram-se pelo papel que tiveram na luta político-partidária e pelos entendimentos que chegaram com Presidentes de partidos adversários. O democrata Tip O'Neill, que apesar de um relacionamento tenso com o Presidente Reagan, nunca deixou de negociar e alcançar sucesso em importantes peças legislativas, e o republicano Newt Gingrich, que depois de um inicio tumultuoso com Bill Clinton, que levou mesmo ao "encerramento" do governo, conseguiu negociar e aprovar legislação importante. 


04
Dez 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:08link do post | comentar

Disputa-se neste momento o último combate político do ano em Washington. Se democratas e republicanos não chegaram a acordo, no dia 1 de Janeiro de 2013 os impostos irão aumentar para todos os americanos, entre os quais o imposto sobre rendimentos, o imposto sobre o trabalho e ainda o fim dos benefícios fiscais para as pequenas e médias empresas. Por outro lado, haverá cortes automáticos em diversos programas federais, incluindo no sector social e na defesa. Os analistas independentes indicam que estas medidas contribuirão para o aumento do desemprego e uma previsível recessão, apesar de reduzirem o decide em 500 mil milhões de dólares anuais. Portanto, temos os ingredientes para mais uma grande trapalhada em Washington. Por um lado, os democratas e Barack Obama pretendem que os cortes na despesa não sejam tão severos e que haja um aumento de impostos para os mais ricos. Os republicanos estão contra qualquer aumento de impostos, e pretendem mudar a essência dos cortes na despesa. Estas são as premissas iniciais do debate. Em baixo deixo uma breve análise sobre este período negocial, o até onde poderão ceder os lados e qual o papel que Paul Ryan poderá ter, agora que o GOP está sem líder aparente. 

 

No verão de 2011 passamos por uma situação semelhante, aquando do aumento do limite do endividamento federal, mas agora estamos num período da vida política americana muito diferente. Já não há possibilidade de derrotar Barack Obama e os republicanos estão em crise existencial. É verdade que Obama é o primeiro presidente da era moderna a ser reeleito com menos votos do que no primeiro mandato, mas a sua vitória foi bem mais confortável do que se chegou a pensar, e, acrescentando a isso, o Partido Democrata viu a sua maioria no Senado aumentar nas últimas eleições, além de terem conquistado alguns lugares na Câmara dos Representantes. Os Democratas viram assim “reforçada” nas urnas a sua legitimidade para governar os Estados Unidos. Além disso, o Partido Republicano está neste momento numa posição muito débil, sendo vistos pela maioria do eleitorado como mais inflexíveis do que os democratas. Obama conquistou no dia 6 de novembro um mandato para liderar, e os republicanos, se não querem ser mais penalizados pela opinião pública, terão de ceder mais do que no passado recente. Estou certo que Obama terá agora mais hipóteses para negociar o “grande acordo” que enfrente os problemas estruturais dos Estados Unidos: a dívida pública, os défices elevados e o fraco crescimento económico. Se ele vai existir, não sabemos. 

 

A  primeira reacção de John Boehner após as eleições foi estender a mão a Obama, afirmando que o seu partido está pronto a negociar com o Presidente. A manutenção da maioria na Câmara dos Representantes foi a pequena vitória que os republicanos obtiveram, e isso mantém o partido como peça fundamental na governação. Até aqui os republicanos têm negado a possibilidade de um acordo com o Presidente que inclua o aumento de impostos. Mas essa plataforma saiu enfraquecida nas eleições, e já assistimos a influentes republicanos, como Bill Kristol da Weekly Standard, a dizer que aumentar impostos para os mais ricos não seria nada de extraordinário. O mesmo, por outras palavras, disse Bobby Jindal, governador da Louisiana e potencial candidato em 2016, que defendeu que os republicanos tinham de deixar de ser vistos pelos americanos como o partido das grandes empresas e dos ricos. Sente-se entre a maioria dos conservadores mais influentes que é necessário mudar de discurso para voltar a vencer eleições. Um dos grandes derrotados destas eleições foi precisamente Grover Norquist, que tinha conseguido que quase todos candidatos republicanos acedessem à sua plataforma de “não aumento de impostos “ sob todas as condições. Nesta matéria dos impostos, mas também noutras questões, como na reforma da imigração ou até na saúde, os republicanos deverão mudar de discurso no próximo ciclo da vida política americana. Mas isto não quer dizer que Boehner tenha carta branca para aceder à vontade do Presidente de aumentar os impostos para os mais ricos no imediato, até porque continuará a haver pressões dos sectores mais conservadores para não negociar nessa questão. A minha perspectiva é que algo será feito e a tal "fiscal cliff", não se concretizará. Isso pode passar por uma solução de curto termo, ou seja, negociar uma extensão, nem que seja de apenas seis meses, como sugeriu o senador republicano do Ohio, Rob Portman, de todos os cortes de impostos (Bush Tax Cuts, Payrool Tax Cuts e impostos sobre os pequenos empresários) e impedir ao mesmo tempo que os cortes na despesa programados para 2013 entrem já em vigor, ou uma solução mais duradoira, e aí sim, aumentar já os impostos para os que ganham mais de 250 mil dólares por ano, como tem defendido Obama, e negociar cortes na despesa que incluam despesas sociais e até militares. Os republicanos têm tentado que o aumento da receita do Estado Federal passe por cortes nas deduções fiscais (as tais loopholes de que se falava). O problema para eles é que mesmo isso é muito vago e de difícil execução, pois nunca foram específicos em apontar quais deduções queriam cortar. Além disso, vários democratas mais “liberais” estão contra essa solução. Se os republicanos cederem já no aumento de impostos, prevejo que irão querer que alguns dos seus planos para o corte da despesa federal entre em vigor já. Obama também poderá enfrentar alguma oposição na base mais à esquerda do seu partido se decidir cortar algumas das despesas sociais que os republicanos pretendem, mas acredito que acabará por impor o que quiser. Neste momento é o líder incontestado da vontade democrata no Congresso.

 

O Partido Republicano está neste momento sem líder. Paul Ryan, que viu crescer a sua aura de líder nesta última campanha eleitoral, poderá ter a tentação de envolver-se directamente nas negociações, até porque é presidente da Comissão do Orçamento da Câmara dos Representantes. Mas a partir de agora, tudo o que Ryan fará estará condicionado pelo facto que provavelmente será candidato a Presidente em 2016. Ele precisa de assumir-se como parte da solução e não do problema. A grande dúvida é se irá desejar ficar ligado a um possível aumento de impostos, que pode enfraquecer a sua posição nas primárias de 2016. Por outro lado, se mantiver a uma postura de inflexível nestas negociações ou se não se envolver profundamente, poderá cimentar a imagem de não conseguir trabalhar com o Partido Democrata numa questão central como esta. A minha percepção é que Ryan irá tentar liderar este processo pelo lado dos republicanos, tentando obter o máximo de concessões do Presidente no que diz respeito aos cortes da despesa, e ceder o menos possível na questão do aumento de impostos, que poucos acreditam em Washington que não irá acontecer: já ou no próximo ano. Nesta questão, Obama mais tarde ou mais cedo irá alcançar uma vitória.


26
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:06link do post | comentar | ver comentários (19)

Barack Obama fez uma comunicação ao país ontem à noite (a quarta desde o inicio da crise) sobre o aumento do limite do endividamento. Sem acrescentar grande conteúdo ao que tinha dito anteriormente, esta intervenção não disfarçou algo que tem sido evidente nestes últimos dias: Obama foi colocado à margem das negociações. Antes de Obama ter falado ao país, com direito a réplica imediatamente a seguir de John Boehner*, ambos os líderes do Congresso, Harry Reid pelo Senado e John Boehner pela Câmara dos Representantes, tinham apresentado publicamente um plano para aumentar o limite. Ao que parece, Obama discorda dos dois planos, pois nenhum inclui um aumento de impostos, algo que o Presidente defendeu apaixonadamente na sua intervenção. Segundo o que se percebe, a situação irá resolver-se entre as ideias de Reid e Boehner. A grande discussão neste momento é se o limite do endividamento aumenta até depois das eleições presidenciais (a vontade dos democratas e Obama) ou se há novo voto no próximo ano (o desejo dos republicanos).

 

Esta discussão toda mostrou que Obama, até ao momento, nunca conseguiu liderar a discussão neste problema, falhando inclusivé a apresentar um plano detalhado com a sua assinatura. Com os seus indices de popularidade a descer abruptamente deste o inico desta crise, Obama tentou com a sua comunicação de ontem recuperar a opinião pública para o seu lado. Mas se, como se prevê, o acordo entre os dois partidos não tiver um aumento de impostos imediato, Obama sairá perdedor. Mas, como sempre defendi, acredito que até ao final da semana se chegue a um acordo e, depois, veremos quem mais ganhou nesta discussão.

 

*Para se ver a gravidade do momento, esta foi a primeira vez desde 2007, exceptuando os discursos do Estado da União, que o Presidente teve uma resposta imediata em prime-time de um líder republicano. A última vez tinha sido quando Bush anunciou a "surge" no Iraque.


09
Abr 11
publicado por Nuno Gouveia, às 11:27link do post | comentar

Faltava pouco mais de uma hora para a meia-noite quando um triunfante John Boehner surgiu em frente aos jornalistas para anunciar um acordo com os Democratas para o orçamento federal de 2011. Apesar da ruptura ter estado iminente, como escrevi esta semana, o acordo prevê uma resolução a financiar o Governo durante mais alguns dias, e na próxima semana será selado o acordo final, com cortes perto dos 40 mil milhões de dólares. Os cortes estão longe do que os republicanos desejavam inicialmente, mas significam uma ruptura radical com a curva ascendente do Orçamento Federal dos últimos anos. Diga-se que este acordo, apesar da oposição que provavelmente irá receber das alas radicais, favorece ambos os partidos, que demonstram que conseguem trabalhar em comum. Destaque especial para John Boehner, que consegue evitar o encerramento do Governo com cortes substanciais na despesa federal. Emerge como o verdadeiro líder republicano da actualidade. 


07
Abr 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:03link do post | comentar

O Governo Federal americano pode encerrar esta sexta-feira. Os últimos dias têm sido pródigos em discussões entre os líderes de ambos os partidos para evitar que o Governo deixe de funcionar. Esta situação não é nova, pois já aconteceu durante o primeiro mandato de Bill Clinton. Mas o que está em causa neste conflito orçamental entre o Partido Republicano e o Partido Democrata?

 

O anterior Congresso, dominado pelos democratas, não conseguiu aprovar um orçamento para 2011, o que contribuiu para que se chegasse a Março sem dinheiro para manter o Estado Federal em funcionamento. Nas últimas semanas ambas as câmaras do Congresso aprovaram medidas de curto-prazo, permitindo evitar o "government shutdown". Mas tem vindo a diminuir o apoio de vários congressistas e senadores para esta solução, pelo que terá de haver um acordo para impedir essa situação. O que separa os partidos? O Partido Republicano, pressionado pelos membros do Tea Party, tem sido implacável nos cortes, prevendo já este ano o corte em 61 mil milhões de dólares na despesa. O Partido Democrata, pelo seu lado, discorda destes cortes, além que estão contra os alvos principais: entre outros, o financiamento à National Public Radio, programas federais no apoio ao planeamento familiar e a medidas incluídas na ObamaCare aprovada ano passado.

 

Consequências: várias agências federais ficariam a funcionar com os serviços mínimos e centenas de milhares de funcionários federais seriam mandados para casa, sem pagamento. Esta situação não interessa a ninguém, mas, a exemplo do que sucedeu em 1995, poderiam ser os republicanos a sofrer as consequências. Esta teoria não é consensual, mas é a principal teoria defendida pelos analistas americanos.Estamos perante um jogo de xadrez, onde o principal jogador é o Speaker John Boehner. Por um lado, terá de ceder aos democratas, diminuindo a verba dos cortes. Ninguém pense que obterá os cortes desejados. Mas por outro, tem de conseguir um acordo que não lhe cause dificuldades perante a ala tea party, intransigente ao combate ao défice. 

 

O que poderá acontecer? O dinheiro acaba amanhã, e prevejo que ambos os partidos irão passar no Congresso mais uma resolução que financie o governo durante mais uma semana, e nos próximos dias, cheguem finalmente a um acordo para este ano, que preverá cortes, mas longe dos 61 mil milhões. Os números que se têm falado andam à volta dos 40 mil milhões. Uma nota final. Se é tão complicado cortar 60 mil milhões de dólares agora, como será quando o debate centrar-se nos cortes de biliões que serão necessários de fazer nos próximos anos?


05
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:08link do post | comentar


03
Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:24link do post | comentar

John Boehner, o próximo Speaker da Câmara dos Representantes, emocionou-se no discurso de vitória.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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