20
Mar 13
publicado por Nuno Gouveia, às 16:23link do post | comentar | ver comentários (5)

 

À chegada a Israel, Obama não poderia ser mais claro no seu apoio a Israel, tendo afirmado que aliança entre os dois países é eterna. O consenso sobre Israel nos Estados Unidos chega a ser caricato: na última campanha presidencial americana ambos os candidatos se digladiavam para mostrar quem era mais amigo de Israel. Esta semana foi divulgada uma sondagem nos Estados Unidos sobre quem teria "razão" no conflito Israelo-Palestiniano. Os resultados foram claros: 55% Israel, 5% os palestinianos e o resto ambos. Enquanto esta super maioria em favor de Israel se mantiver, nenhum político americano arriscará mudar o que quer que seja na relação entre os dois países.

 

Esta é a primeira visita oficial de Obama a Israel, o que lhe valeu críticas por não ter visitado durante o seu primeiro mandato, mesmo que George W. Bush também não o tenha feito no primeiro mandato. Aliás, tanto Ronald Reagan como George H. Bush nunca o fizeram enquanto estiveram na Casa Branca. Mas, de facto, durante o primeiro mandato, Obama teve alguns atritos com Benjamin Netanyahu e esta viagem destina-se sobretudo a reforçar os laços entre os dois dirigentes, agora que foram reforçados nas urnas. Não é esperado que Obama proponha algo de inovador nem que apresente qualquer proposta significativa para avançar o processo de paz com os palestinianos. Desde o fracasso de Bill Clinton, os presidentes americanos têm mantido uma distância assinalável deste processo, e não é de esperar que Obama inverta a situação nesta visita. A Síria, a Primavera Árabe e sobretudo o Irão deverão estar na agenda desta visita. Por outro lado, Obama vai também encontrar-se com os líderes palestinianos, sobretudo para reforçar a posição americana que o único representante legítimo é a liderança de Mahmoud Abbas. Portanto, o que vai fazer Obama nesta primeira viagem internacional do seu segundo mandato? Ouvir, marcar uma posição e pouco mais. Tudo mais do que isto será uma surpresa para os analistas internacionais. 


28
Jul 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:17link do post | comentar | ver comentários (8)

 

 

 

 

Mitt Romney encetou um périplo internacional que o levará à Grã-Bretanha, Polónia e Israel. Este é o tipo de digressão que os candidatos presidenciais com menores credenciais em política externa vêm sentindo necessidade de efectuar. Já em 2008 Barack Obama fez o mesmo, visitando a inevitável Grã-Bretanha e efectuando até uma espécie de comício em Berlim, perante uma adoradora multidão. Alguns - uns com admiração, outros com cinismo - disseram estar-se perante "o candidato europeu" às eleições presidenciais americanas.

 

Mas além de procurar ganhar credenciais em política externa, Romney procurará decerto nesta digressão estabelecer um contraste com a política externa de Obama. Esta última, mercê essencialmente da retirada americana do Iraque (aliás já programada por George W. Bush, e porventura apenas possível devido ao famoso "surge" militar americano naquele país no tempo dele) e ao audacioso e bem sucedido ataque à residência de Osama bin Laden, e consequente morte do líder da Al Qaeda, tem até sido considerada, ao contrário do que muitas vezes tem sucedido com presidentes democratas, uma das vertentes bem sucedidas do mandato de Obama.

 

Mas mesmo assim, há aspectos da política externa de Obama que têm sido alvo de crítica dos republicanos. Logo à partida, aquilo que eles consideram como negligência, e até indiferença, de Obama para com o mais tradicional aliado dos E.U.A., a Grã-Bretanha, cujas tropas, convém não esquecer, formam o segundo maior contingente no Afeganistão, tal como já o haviam feito no Iraque. De facto, a "Relação Especial" entre as duas potências anglo-saxónicas, que vem essencialmente do tempo da Segunda Guerra Mundial e da dupla Churchill-Roosevelt (na foto) já terá conhecido melhores dias, e, por exemplo, não caiu bem em certos meios britânicos, nem entre os republicanos, a decisão de Obama de devolver à Embaixada Britânica em Washington o busto de Churchill que esta emprestara no tempo de George W. Bush. Num gesto simbólico, Romney já anunciou que pedirá de novo emprestado o referido busto.

 

Apesar das suas efusões anglófilas, Romney não começou bem esta sua incursão na política externa e nas relações com o velho aliado, como o Nuno Gouveia já aqui  referiu. Mas tratar-se-á de pormenores pouco importantes, e o Reino Unido não seria atá o principal objectivo desta viagem - Romney, aliás, como CEO dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002 em Salt Lake City, fora convidado a deslocar-se a Londres, a propósito da abertura da Olimpíada de 2012. A aliança anglo-americana é tão importante que nunca seria a devolução de um busto ou uns comentários infelizes acerca do grau de preparação dos britânicos para o arranque dos Jogos Olímpicos que a poriam em causa.

 

Os principais objectivos desta viagem de Romney serão então as outras duas etapas da mesma, Polónia e Israel. No caso polaco, ainda não cessaram as reverberações da decisão unilateral de Obama de cancelar a instalação do escudo anti-míssil previsto para território polaco, cujo principal objectivo era, aliás, o de defender o Ocidente de um Irão com possível capacidade nuclear e munido de mísseis inter-continentais. Dada a oposição russa à instalação desse escudo, Obama acabou por decidir pelo seu cancelamento, mas o facto de não ter consultado os aliados polacos antes de tomar tal decisão caiu mal em Varsóvia e entre os "falcões" da política externa americana. Na Polónia Romney, que decerto se absterá de criticar abertamente o presidente do seu país enquanto numa digressão pelo estrangeiro - estabelecendo novo contraste com Obama, que em 2008 foi acusado de não se ter coibido de criticar Bush na sua viagem pela Europa - tentará passar a mensagem de que os E.U.A., sob uma sua eventual administração, tratarão sempre bem os aliados, preferindo abraçá-los a eles que aos inimigos e rivais. Este é um tema antigo da política externa republicana, e só mesmo um homem com as credenciais anti-comunistas e de política externa de Richard Nixon  podia dar-se ao luxo de abraçar inimigos e rivais, como nas suas famosas viagens a Pequim e Moscovo em 1972, e ao Cairo em 1974. Mas fazia-o a partir de uma posição de força.

 

A mais simbólica etapa do périplo de Romney será contudo, certamente, Israel. Tanto no estado judaico como em determinados círculos americanos existe a percepção - e a crítica - de que Obama é o presidente dos E.U.A. menos amistoso para com Israel desde a criação daquele país. Neste seu primeiro mandato não visitou o estado judaico, e ainda esta semana tivemos  o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, a recusar-se a responder a uma pergunta - algo provocatória, é certo - de uma jornalista sobre qual cidade a Administração Obama considerava ser a capital de Israel. Portanto, em Israel, Romney decerto fará juras de amor eterno para com a pátria dos judeus. Não será tanto entre a comunidade judaica americana - que tradicionalmente vota democrata numa média de 70% - que o candidato republicano almejará ganhar grandes simpatias com esta sua visita, mas convém não esquecer que o eleitorado americano em geral é significativamente pró-israelita.

 

Seja como for, a política externa não é o tema principal desta campanha. Mas é sempre conveniente e  de bom tom um candidato mostrar-se sintonizado com a arena internacional.

 

 


22
Set 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:21link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Barack Obama há um ano prometeu apoiar a criação do estado da Palestina, num discurso nas Nações Unidas. Não foi novidade, pois já anteriormente George W. Bush tinha apoiado semelhante proposta. Mas todos os envolvidos sabem que o estado da Palestina depende sobretudo de um acordo de paz negociado entre palestinianos e israelitas. Por isso, esta semana Obama teve de dizer, no mesmo palco, que os Estados Unidos não apoiam a criação unilateral de um estado, e se tal for necessário, irão vetar tal proposta no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Portanto, após um ano em que o processo de paz esteve parado, os palestinianos tentaram encostar Obama à parede, e este não cedeu e manteve o apoio inequívoco a Israel. Os Estados Unidos têm liderado pressões internacionais para que a Autoridade Palestiniana não avance com o pedido de adesão à ONU, para não forçar o veto americano. 

 

Sem querer tecer grandes considerações sobre o processo em si, interessa analisar esta posição de Obama enquadrada na situação política americana. Os judeus americanos são historicamente democratas. Mas nos últimos meses têm surgido sinais que nas próximas presidenciais Obama poderá perder parte desse apoio tradicional. Esta decisão da Autoridade Palestiniana surge na pior altura para Obama, que tem vindo a ser acusado pelos opositores de ter cedido em relação a Israel. E isto depois de uma semana em que os democratas perderam uma eleição para o Congresso num distrito com uma grande comunidade judia, onde não perdiam desde a década de 20 do século passado. A pressão do Congresso para que Obama adopte esta posição tem sido fortíssima, com vários republicanos e democratas a ameaçar a Autoridade Palestiniana com o corte do subsídio anual na ordem dos 600 milhões de dólares, caso avancem para o Conselho de Segurança. Nada menos que 88 dos 100 senadores apoiaram esta orientação. E em plena campanha, os principais candidatos republicanos, Rick Perry e Mitt Romney, teceram esta semana duras críticas à política da Administração. Os detractores acusam o Presidente de ter criado as condições, com os seus discursos ambíguos em relação a Israel ao longo destes anos, para a Palestina ter avançado com esta posição unilateral nas Nações Unidas.

 

Na verdade, desde há muitas décadas, que a política externa americana colecciona fracassos no processo de paz israelo-árabe. Com algumas excepções, como os acordos de paz de Camp David em 1978 com Jimmy Carter e os acordos de Oslo com Bill Clinton em 1993. E Obama, que se comprometeu fortemente com o processo de paz, mostrando talvez uma abordagem mais independente do que os seus antecessores, não se tem dado bem. Agora, com esta ameaça formal de veto, deixa bem evidente que os Estados Unidos são, e serão, o mais fiel aliado de Israel. Rodeado de países inimigos e com o crescente perigo da radicalização do Egipto e da Turquia, Israel sabe com quem pode contar nas horas difíceis.


22
Mai 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:07link do post | comentar

As palavras que Obama teceu em relação ao processo de paz israelo-árabe, além de ter tido o condão de fazer desaparecer da actualidade o resto do discurso, elogiado por diferentes lados, colocou a Administração Obama em maus lençóis perante Israel e o lobby judaico, tradicional apoiante do Partido Democrata. Benjamin Netanyahu, de visita a Washington, acabou mesmo por recusar a proposta do regresso às fronteiras de 1967 ao lado de Obama, o que não pode deixar de ser considerado uma humilhação para o Presidente. 

 

Sobre isto, não preciso de escrever mais, pois o Alexandre Guerra, no O Diplomata, escreveu um excelente post sobre o assunto:

 

O Presidente Barack Obama foi ingénuo e mal aconselhado quando, no discurso sobre o Médio Oriente proferido na passada Quinta-feira, veio defender a solução de “dois Estados” na Palestina delimitados pelas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias ("pre-1967 borders"). Um erro de tal forma evidente e inédito nas presidências americanas, que foi conftrangedor ver Obama ouvir do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanhyahu, em plena Sala Oval, que tal solução nunca seria aceite por Israel, porque a mesma colocaria em causa a segurança da própria existência do Estado hebraico.


Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
ver perfil
ver posts
Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
ver perfil
ver posts
Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
ver perfil
ver posts
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds