28
Abr 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:56link do post | comentar | ver comentários (2)

Charlie Crist vai anunciar amanhã que se retira das primárias republicanas e que vai concorrer como Independente ao Senado nas próximas eleições de Novembro. Deste modo, esta corrida fica completamente em aberto, com Marco Rúbio e Kendrick Meek a terem a oposição do actual governador. Nas sondagens conhecidas a três, Rúbio surgiu sempre à frente, mas com curta vantagem. Mas com a confirmação desse facto, será prudente esperar pela reacção da população da Flórida perante esta traição de Crist ao seu partido de sempre. É que, independentemente da argumentação que Crist utilizará, esta situação apenas sucede porque estava a ser humilhado por Marco Rúbio nas sondagens. A sua carreira política no GOP termina desta forma. Resta saber se conseguirá sobreviver à eleição de Novembro.


19
Abr 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:33link do post | comentar

 

O governador da Florida, que ainda há um ano tinha 70% de popularidade nos republicanos do estado, está prestes a abandonar a corrida à nomeação republicana. Num memorando interno do National Republican Senatorial Committee, que já tinha declarado apoio à sua candidatura, é afirmado que as hipóteses de Crist continuar na corrida são zero. Marco Rúbio, antigo Speaker da Câmara dos Representantes da Florida, descendente de cubanos e favorito para obter a nomeação, verá deste modo confirmada a nomeação. E os sinais já eram bastantes: nas últimas semanas Charlie Crist vetou legislação republicana, o que enfureceu os republicanos do estado, o que fez com que o antigo senador Connie Mack abandonasse a direcção de campanha de Crist. E nos últimos tempos, além da vantagem superior a 20% para Rúbio, este recebeu os importantes apoios de Mitt Romney e Rudy Giuliani, enfraquecendo ainda mais a candidatura de Crist.


Até ao final do mês, Crist deverá abandonar oficialmente a sua campanha nas primárias, e terá de decidir se avança para uma candidatura independente ao Senado. As sondagens conhecidas numa corrida a três até lhe dão ligeira vantagem perante Rúbio e o candidato democrata, Kendrick Meek. Mas ainda não é certo que Crist siga esta opção. Neste momento parece certo que Crist não tem a mínima hipótese de vencer a nomeação republicana, e é por isso que deverá desistir. Mas se deixar o Partido Republicano, isso deixará Crist numa posição muito vulnerável, perdendo muitos apoios que ainda detém no GOP. Há quem defenda que deve terminar o seu mandato como governador e candidatar-se novamente ao Senado contra o democrata Bill Nelson em 2012. No final do mês saberemos o futuro político de Crist, que em 2008 chegou a ser referenciado como candidato a Vice-presidente de John McCain.


06
Abr 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:34link do post | comentar | ver comentários (6)

Volto a este tema, depois de ter lido muitos erros e clichés sobre este movimento, nomeadamente no nosso país. Às vezes porque as análises se ficam pelo superficial, outras vezes porque se limitam a descarregar os estereótipos tradicionais que existem sobre a vida política norte-americana. Os Estados Unidos são normalmente divididos na Europa entre os bons (democratas e liberais) e os maus (republicanos e conservadores). O Tea Party, sendo um movimento eminentemente conservador, já foi colocado no lado mau, e por isso, será sempre encarado como extremista e radical. Várias vezes já o vi colado à extrema-direita racista. Nada de novo, pois esta caracterização até tem vindo a ser explorada pelos Democratas nos Estados Unidos, sendo que a sua visão partidária e parcial faz sempre escola na Europa. O que é dito pelos meios liberais americanos é sempre uma verdade incontestada para alguns.

 

Mas interessa primeiro saber quem são estas pessoas e o que defendem. A Gallup publica esta semana uma sondagem sobre o Tea Party esclarecedora sobre quem se considera parte deste movimento. Não surpreendentemente, 49 por cento são republicanos, 43 independentes e apenas 8 por cento democratas, sendo que 28 por cento dos americanos considera-se representado pelo movimento. Quase um terço da população, o que não deixa de ser significativo. Mas esta sondagem também indica que os dados demográficos não estão longe de acompanhar a realidade social americana. E o que defendem estas pessoas?


O Tea Party nasceu em oposição ao expansionismo do governo federal, nomeadamente com o plano de estímulo de Barack Obama, que se alargou à contestação da reforma da saúde. Menos impostos, menos governo e maior liberdade individual. Um movimento genuinamente americano, que surge em consonância com a tradição conservadora que faz parte do património político do país. Mas como sempre sucede em movimentos populares do mainstream americano, e este movimento já pode ser  considerado como tal, surgem vozes radicais que, apesar de ultra-minoritárias, assumem um protagonismo excessivo no discurso público. E é o que tem acontecido em muitas manifestações do Tea Party, com radicais a dominarem as atenções dos media. Cartazes exagerados, gritos de ordem extremistas e alguns dos seus oradores, como vimos recentemente no discurso de Tom Tancredo na Convenção Tea Party, a transporem para a opinião pública um carácter radical e caricatural do movimento. Mas a esmagadora maioria dos seus membros são simples cidadãos americanos preocupados com o rumo do país. As tendências social-democratas da políticas da Administração Obama suscitariam sempre uma reacção categórica da sociedade americana. Ninguém esperava que o governo americano expandisse o seu papel sem que recebesse uma oposição deste género. Num país maioritariamente de centro-direita, e que faz das suas raízes individualistas uma das suas forças culturais, o Tea Party é uma correspondência objectiva dessa tradição. Muitos americanos estão preocupados com o rumo do país, e o crescimento da despesa federal, que começou nos anos Bush, e os défices exagerados que o governo terá nos próximos 10 anos, são o mote para esta contestação.


Se os republicanos conseguirem aproveitar a força deste movimento em seu favor, sem com isso desviarem-se demasiado para a direita, poderão obter excelentes ganhos em todo o território americano. Não por acaso alguns dos estados mais liberais da União, como o Delaware, Illinois ou até a Califórnia, poderão eleger senadores republicanos. Esta relação com os tea partys, se for bem gerida, poderá ser a chave do sucesso republicano de 2010.


14
Fev 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:49link do post | comentar | ver comentários (2)

Hoje surgiram notícias que terá sido constituído no Nevada o Tea Party, possibilitando uma corrida ao Senado contra Harry Reid. Este é um dos lugares mais ambicionados pelos republicanos nas Intercalares de Novembro. Os pretendentes à nomeação republicana, Sue Lowden e Danny Tarkanian, lideram com uma vantagem confortável Harry Reid em todas as sondagens. Se for verdade que o Tea Party avança no Nevada, a situação poderá ficar mais fácil para Reid. Mas, e como afirmei aqui, duvido que esta hipotética candidatura possa ter apoios de figuras nacionais do movimento conservador. Isso significaria a provável reeleição do Líder da Maioria Democrata no Senado, um dos ódios de estimação dos conservadores americanos. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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