28
Jan 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:14link do post | comentar | ver comentários (7)

 

 

É recorrente nos comentários - especialmente na Europa - acerca da política americana a afirmação de que o Partido Republicano tem caminhado progressivamente para a Direita. Alguns chegam mesmo a dizer que o partido caíu nas mãos de extremistas. Simultaneamente, o posicionamento ideológico do Partido Democrático é raramente alvo desse tipo de análise.

 

A verdade é que o centro ideológico europeu - mormente no Continente - está mais à Esquerda que o americano. Grosso modo, de um lado do Atlântico temos a Europa do "modelo social" e do outro "a terra da livre iniciativa". Estes diferentes ênfases ocasionam diferentes percepções.

 

Há cerca de um mês a Gallup publicou uma sondagem precisamente sobre o posicionamento ideológico dos americanos e o modo como eles vêm os candidatos presidenciais nessa mesma óptica. Assim, aquela organização pediu aos inquiridos que se classificassem ideologicamente numa escala de 1 a 5, sendo 1 "muito liberal" (em termos americanos, de "Esquerda") e 5 "muito conservador". A pontuação média foi de 3,3, o que permite descrever o eleitorado americano como essencialmente de Centro-Direita. A mesma sondagem solicitava que os candidatos fossem classificados pelo mesmo critério: pois bem, Mitt Romney teve uma pontuação média de 3,5, Newt Gingrich de 3,6 e o Presidente Obama de 2,3. Significa isto que, segundo esta sondagem, o americano médio considera Romney e Gingrich bem mais próximos das suas posições ideológicas que Obama. Ainda de acordo com a Gallup, 57% dos americanos consideram Obama liberal, 23 % moderado e 15% conservador (estes 15% devem estar claramente à esquerda do Presidente!;-)).

 

Estes dados não são surpreendentes, até porque regularmente o número de americanos que se consideram conservadores é cerca do dobro daqueles que se consideram liberais (numa outra recente sondagem, a Gallup apurou 40% de conservadores, 20% de liberais e um pouco mais de 30% de "moderados").

 

Portanto, em parte não será tanto um caso de radicalização do Partido Republicano (embora haja não poucos exemplos disso no partido), mas mais de sintonia com o eleitorado "mainstream".  

 

Já Margaret Thatcher dizia que os bons políticos não governam ao centro ou viram ao centro, antes fazem com que as suas políticas passem a ser o centro, alterando, portanto, o centro de gravidade ideológico. 


15
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 18:18link do post | comentar

Um estudo de Brad Phillips, antigo jornalista da ABC e CNN, agora consultor de Media Training, apresenta os melhores e piores comunicadores, no campo presidencial para 2012. Desde 1980, ano em que os académicos referem como o inicio da idade mediática do 24/7 (ciclo de notícias 24 horas), que o vencedor das eleições presidenciais* tem sido sempre aquele que melhor comunica.

 

Phillips baseia-se em sete critérios para esta análise:

1. The candidate with the clearest message has always won

2. The candidate who articulated the clearer vision has always won

3. The sunnier candidate with the more optimistic message has always won

4. The candidate whose message is best aligned with constituent concerns has always won

5. The more charismatic candidate has always won

6. The candidate who appeared most comfortable in his skin has always won

7. The candidate who uses the most plain-spoken language has almost always won

 

Nesta lista retiramos várias conclusões. A mais óbvia é a grande queda de Barack Obama desde 2008. Autor de uma brilhante campanha, com base na oratória e na mensagem de esperança, a presidência Obama tem sido um fracasso em termos comunicativos. Conforme disse Phillips, esta apreciação baseia-se na prestação da actualidade, e nada impede que estes valores venham a mudar até 2012. Mas ser colocado atrás de Sarah Palin, Bobby Jindal ou Jim DeMint, não propriamente famosos por terem grande capacidade de comunicação, é uma mancha para o currículo de Obama.

 

Marco Rubio é o republicano melhor colocado nesta lista de 18 potenciais candidatos, com o mesmo score do Obama 2008. Esta classificação não surpreende quem observou de perto a campanha para o Senado deste ano. Infelizmente para os republicanos, muito dificilmente entrará na próxima corrida presidencial. Entre os quatro frontrunners (Palin, Huckabee, Gingrich e Romney), o melhor colocado é Huckabee. Sendo um comunicador nato, e totalmente desconhecido em 2008, emergiu como a voz da direita religiosa no grande palco da política americana. Talvez por isso é considerado improvável que venha a obter a nomeação, no entanto, fica aqui a nota, justa diga-se, para os seus dotes comunicacionais. Gingrich é o pior e não é difícil perceber porquê. Entre os outros prováveis candidatos (Christie, Jindal, Rubio, DeMint, Bush deverão ficar de fora), destaque ainda para as posições de Haley Barbour e John Thune.


*De facto, basta fazer uma análise histórica aos embates eleitorais para verificar a sua veracidade: Reagan/Carter; Reagan/Mondale; H. Bush/Dukakis; Clinton/H. Bush; Clinton/Dole; W. Bush/Gore; W. Bush/Kerry; Obama/McCain.



20
Ago 10
publicado por Nuno Gouveia, às 18:24link do post | comentar

A corrida presidencial de Barack Obama ficou decisivamente marcada pelo uso da Internet. Além de todas as outras virtudes que a longa campanha de Obama teve,  a utilização que efectuou das novas tecnologias marcaram o inicio de uma nova era na política norte-americana. Mas os republicanos não ficaram quietos, e têm procurado inovar nesta área. A campanha de Scott Brown no Massachusetts em Janeiro já tinha dado boas indicações que os estrategas republicanos tinham aprendido a lição de 2008.

 

Ontem foi publicado um estudo do L2, um Think Tank digital com investigadores da George Washington University e da New York University, que revela que os senadores republicanos retiram, em regra, mais proveito das redes sociais que os seus colegas democratas. Não por acaso, John McCain, é o líder no ranking elaborado pelos investigadores, seguido de perto pelo líder conservador Jim DeMint e pelo próprio Scott Brown. Este indice baseou-se na utilização das redes sociais como o Twitter, Facebook e Youtube. Também em relação aos candidatos ao senado, os republicanos levam vantagem neste estudo. Quem tiver interesse, pode fazer o download do estudo aqui.


06
Jul 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:57link do post | comentar | ver comentários (2)

Em Novembro a América vai a votos. Além da totalidade da Câmara dos Representantes e de 1/3 do Senado, vão ser eleitos 37 novos governadores. E também aqui as perspectivas são bastante animadoras para o Partido Republicano. Um estudo da Universidade do Minnesota indica que neste momento os republicanos lideram em 28 estados, podendo ter a maior vitória de sempre se conseguirem vencer 30 estados, ultrapassando o recorde de 29 vitórias de 1920. Muitas destas eleições têm um significado meramente estadual, podendo facilmente ser desligadas da realidade nacional. Como no Vermont - um dos estados mais à esquerda da União que tem sido governado por um republicano - mas estas perspectivas para o Partido Republicano podem indicar que pode estar à vista uma landslide republicano em Novembro. A seguir com atenção.


29
Abr 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:52link do post | comentar

William Galston, do Brookings Institution, elaborou um estudo onde defende que o actual Congresso é o mais polarizado de toda a história americana. Neste estudo, o académico que colaborou na Administração Clinton e trabalhou ainda nas campanhas presidenciais de Al Gore e Walter Mondale, explica-nos a evolução do sistema partidário americano nos últimos 60 anos, e as mudanças ideológicas ocorridas em ambos os partidos. As suas conclusões não são as mais optimistas, mas vale a pena ler. Especialmente quem tem interesse no sistema político americano: Can a Polarized American Party System Be “Healthy”?


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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