07
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:24link do post | comentar | ver comentários (9)

Além de Barack Obama e Mitt Romney, ontem houve mais vencedores e derrotados. Uns porque viram o seu papel reforçado, outros porque perderam claramente em toda a linha. Aqui deixo a minha lista.

 

Vencedores:

 

David Axelrod e David Plouffe: o resultado final vingou a sua estratégia. Em 2008 conseguiram o improvável. Desta vez mostraram no terreno toda a sua capacidade. A partir de agora podem retirar-se para o mundo normal, escrever livros, ganharem dinheiro, e por vezes, irem à televisão debitar comentários.  Já conquistaram o seu lugar na história da política americana. 

 

Nate Silver e as empresas de sondagens: Silver foi muito atacado pelos republicanos. Não foi só ele, mas também outros colegas estatísticos. No final, o seu modelo provou ter razão, e com isso, as sondagens em que ele se baseava. O seu papel enquanto apoiante de Obama não beliscou o seu trabalho, como se provou na desfecho das eleições. Já pode falhar todas as previsões a partir de agora. Conquistou um lugar no panorama mediático americano. Por outro lado, o trabalho do Real Clear Politics também saiu reforçado. Da sua média de sondagens por estados, acertaram 49 em 50 estados. 

 

Harry Reid e os democratas no Senado: Tinham 23 lugares em disputa, depois da conquista avassaladora de 2006. Tiveram uma noite perfeita e ainda conquistaram mais dois. Muito improvável ainda há pouco mais de seis meses. Os erros do adversário muito contribuíram para este desfecho, mas têm muito mérito. 

 

Marco Rubio: Sim, ele não foi a votos. E o seu partido teve uma derrota avassaladora. Mas viu nesta campanha dois dos seus potenciais rivais para 2016 perderem terreno. Paul Ryan, que por ter estado num ticket derrotado, parte claramente em desvantagem, e Chris Christie, que com a sua photo-op com Barack Obama a uma semana das eleições conseguiu destruir todo o capital de simpatia que tinha acumulado desde 2009. Com o agravar do problema dos republicanos entre o eleitorado hispânico, Rubio irá emergir aos olhos das principais figuras do partido como aposta para 2016. Parte desde já em vantagem. 

 

John Boehner*: Manteve-se como Speaker da Câmara dos Representantes, conseguindo os mínimos para o Partido Republicano. Continuará a ser a terceira personalidade da hierarquia, provavelmente por mais quatro anos. Mas agora terá de provar que os republicanos conseguem fazer acordos com os democratas. A bola não está somente do lado de Obama. 

 

Derrotados:

 

 

Partido Republicano: Uma grande derrota ontem à noite. Os resultados eleitorais no senado foram patéticos, e se lhe juntarmos as três eleições perdidas no Colorado, Nevada e Delaware de 2010, é a prova que não podem continuar a apresentar candidatos sem as mínimas condições. No Missouri e Indiana (onde afastaram Dick Lugar, que teria ganho esta eleição sem fazer campanha) os seus candidatos simplesmente demonstraram que não estavam à altura de uma eleição deste género. Os republicanos têm de perceber algo: não interessa se o candidato é muito ou pouco conservador. O que é preciso é ter qualidades políticas. Em 2010 vários conservadores foram eleitos e com qualidade, além do já citado Rubio, mas também Rand Paul, Ron Johnson ou Kelly Ayotte. Sem resolverem o problema destes candidatos fantoches, vão continuar a perder eleições. 

 

Karl Rove: Mais até do que a derrota de Mitt Romney, que Rove manifestamente não estava à espera, fica a severa "porrada" que os republicanos levaram no Senado. Nestas duas eleições, a sua Super Pac despejou milhões e milhões de dólares de apoio aos candidatos republicanos. Está certo que Rove não controlou as escolhas que foram sendo feitas nas primárias, nem a campanha de Mitt Romney. Mas se em 2010 Rove e a Super Pac que coordena ficou ligada à vitória, desta vez aconteceu o contrário.

 

Dick Morris: O famoso consultor de Bill Clinton representa aqui todos aqueles que previram uma vitória de Mitt Romney acima do razoável. Nas vésperas das eleições era perfeitamente aceitável que fosse prognosticado que Romney ganhasse as eleições. Certo. Mas nunca por grandes números eleitorais, como Morris e outros o fizeram. Escrever que estava à espera de um landslide uns dias antes das eleições quando nada apontava para isso descredibilizou, de forma fatal, Morris. Está certo que em 2010 esteve perto de acertar na quase totalidade, mas aí havia claramente evidências que apontavam nesse sentido. Merece ser despedido. 

 

Gallup e Rasmussen: Duas das principais empresas de sondagens dos Estados Unidos acabam estas eleições seriamente chamuscadas. A sua previsão dos eleitores prováveis levou-os a percepcionar mal estas eleições. Terão de rever os seus critérios para o futuro.

 

* Bem lembrado por um comentário neste post.  


14
Set 11
publicado por Nuno Gouveia, às 12:15link do post | comentar | ver comentários (1)

Ontem o distrito 9 de Nova Iorque foi a votos para escolher o sucessor do congressista Anthony Weiner. Desde 1923 que este lugar não era ocupado por um republicano, mas ontem foi um que venceu a eleição, roubando o lugar aos democratas. Num distrito onde a popularidade de Obama é de 31 por cento, Bob Turner, o novo congressista, conseguiu transformar esta eleição num referendo às políticas da Administração. As posições de Obama em relação a Israel também foram um foco desta campanha. Com uma comunidade judia bastante numerosa, a questão de Israel foi bastante explorada pelos republicanos, e vários judeus proeminentes de Nova Iorque envolveram-se ao lado do republicano. O antigo Mayor de Nova Iorque, o democrata Ed Koch, foi um dos apoios mais estridentes a pedir uma severa derrota para Obama. Estas eleições lançam dois avisos: o voto da comunidade judia americana, que desde sempre tem sido maioritariamente democrata, está mesmo em perigo em 2012; Obama poderá mesmo ter de preocupar-se com distritos e estados tradicionalmente democratas. Conforme já li algures, esta vitória republicana faz lembrar algumas vitórias democratas em distritos conservador na última fase da Administração Bush. Muito más notícias para o Presidente. 

 

No Nevada, também decorreu uma eleição especial para substituir o agora senador republicano Dean Heller. Sem surpresa, o nomeado republicano venceu com mais de vinte pontos o adversário democrata. No entanto, este distrito, que é tendencialmente republicano, costuma ter resultados mais renhidos. Uma má noite para os democratas. 

 

Adenda: Deixo aqui, em complemento, este excelente comentário do Alexandre Burmester:

 

Este impressionante resultado no nono distrito eleitoral do Estado de Nova Iorque (é que nem sequer foi renhido: 54%-46%) vem na linha das vitórias de Chris Christie em New Jersey em 2009 e Scott Brown no Massachusetts em 2010 - já para não falar na onda republicana de Novembro passado.

Mesmo tendo em consideração a particular constituição demográfica deste distrito, com um forte bloco judaico (cerca de 25%), agora motivado contra Obama , não deixa de ser um resultado péssimo para os democratas e, em especial para o Presidente Obama . É que este círculo eleitoral é essencialmente um círculo de classe trabalhadora branca, o bastião dos últimos Archie Bunker, como Sean Trende pitorescamente refere num comentário no realclearpolitics.com . E a queda abrupta de apoio entre este sector do eleitorado foi sempre fatal para os democratas (vide George McGovern em 1972 e Michael Dukakis em 1988).

Finalmente, este tipo de eleição (as chamadas "special elections ", destinadas a preencher um lugar vago no Congresso) não pode, apesar de tudo, ser lido como um barómetro eleitoral presidencial; apenas fornece indicações de tendência.



02
Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 18:52link do post | comentar

Isto se não houver surpresas...


publicado por Nuno Gouveia, às 10:00link do post | comentar | ver comentários (4)

Em virtude da hora ainda não ter mudado nos Estados Unidos (a hora apenas muda no primeiro domingo de Novembro, enquanto na Europa muda no último de Outubro), hoje à noite haverá apenas quatro horas de diferença entre Lisboa e os estados da Costa Leste. Aqui está a lista das horas do fecho das urnas nos diferentes estados. O mais provável é que a contagem de várias eleições se alongue por longos dias e semanas, mas logo ao inicio da noite eleitoral poderemos ter uma ideia do que vai suceder.

 

Nancy Benac, da AP, aconselha aqui algumas das eleições a que devemos estar atentos ao inicio da noite. Aconselho também a leitura deste "guia para a noite eleitoral" de Ed Kilgore da The New Republic. Muito provavelmente logo nas primeiras horas saberemos se as sondagens estavam certas, e o Partido Republicano vai mesmo obter a maior vitória dos últimos 70 anos.


01
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 21:39link do post | comentar

A Internet revolucionou as campanhas eleitorais. Esta é uma frase que é muito repetida pelo mundo fora, e eu até sou daqueles que concorda com isso. Mas na política americana há algo que não muda: o forte investimento em anúncios televisivos. E, ao contrário do que se chegou a prever, o volume de investimento tem vindo a aumentar. Até ao momento foi gasto neste ciclo eleitoral cerca de 840 milhões de dólares, mais 50 milhões do que em 2008. Numa entrevista da Advertising Age a Evan Tracey, presidente da TNS Media Intelligence/CMAG, ficamos a saber que, se este ano o rumo for o mesmo de outros anos, o valor final dispendido em televisão poderá ascender a 3 mil milhões de dólares, ultrapassando os 2,5 de 2008. Não deixa de ser surpreendente que as centenas de candidatos/partidos/organizações independentes/apoiantes continuem a direccionar a esmagadora maioria do dinheiro para a televisão. Estas agradecem.


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