21
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:27link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Karl Rove saiu da Casa Branca em 2007, e os democratas respiraram de alívio. O abandono do republicano mais temido da cena política foi uma vitória para os democratas. Mas essa conquista durou pouco tempo. No ciclo eleitoral de 2008, Rove esteve afastado da ribalta (a sua relação com McCain sempre foi péssima desde as primárias da Carolina do Sul em 2000), mas lentamente Rove foi recuperando a sua influência. Através das colunas no Wall Street Journal e comentários na Fox News, o "Arquitecto", voltou ao activo.

 

A decisão do Supremo Tribunal "Citizens United V. Federal Election Commission" de permitir doações ilimitadas às Super Pacs criou a oportunidade para Rove voltar à ribalta do Partido Republicano. Ainda nessa ano fundou, com a ajuda de Ed Gillespie, hoje conselheiro de Mitt Romney, a American Crossroads e a Crossroads GPS, duas organizações que investiram milhões de dólares em diversas corridas nas eleições intercalares de 2010. E se os eleitores das primárias republicanas tivessem ouvido Rove (casos de Delaware e Nevada), provavelmente teriam ganho mais lugares no Senado. Até ao momento a Crossroads já angariou mais de 100 milhões de dólares para este ciclo eleitoral e esperam chegar aos 300 milhões até Novembro. Quando a equipa de Barack Obama anunciou que esperava angariar mil milhões de dólares para a sua campanha de reeleição, muitos republicanos ficaram apreensivos pela possibilidade de se repetir o cenário de grande desvantagem financeira que McCain teve em 2008. Mas com as Super Pacs a entrarem em jogo, é expectável que os números venham a ser equilibrados. 

 

O renascimento de Rove como uma força dentro do Partido Republicano, se é que algum dia o deixou de ser, evidencia a sua grande capacidade para operar a este nível. Apesar de nunca se ter imiscuído directamente nestas primárias, Rove foi lançando umas farpas na Fox News aos adversários de Romney. Quando Rick Perry surgiu na frente das primárias, foi Rove quem avisou primeiro para a inconsistência política do governador do Texas. Newt Gingrich liderava as sondagens nacionais e Rove lançou sinas de alerta para os esqueletos do antigo Speaker. Pelos seus comentários, Rove nunca acreditou em Santorum e desde o inicio se percebia que o seu homem nestas eleições era Romney. Agora, o seu velho companheiro Ed Gillespie está a aconselhar o nomeado republicano e estou certo que servirá de ponte entre Rove e Romney. E com um livro de cheques quase ilimitado, é de esperar que a sua máquina de anúncios ataque forte nos swing-states.

 

Rove não é popular em lado algum. A sua popularidade na base republicana anda pelas ruas da amargura e os democratas desprezam-no. A grande diferença de Romney para outros "génios" da comunicação política americana, como James Carville, Dick Morris ou Joe Trippi, é que atingiu o estatuto de um dos líderes do Partido Republicano, e a sua capacidade de influência é inquestionável. Por muito que isso cause ódio à esquerda e inveja à direita.

 


19
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 14:33link do post | comentar | ver comentários (1)

Quando a série estreou, logo antevi que estavamos perante um caso sério. Mas passado os oito primeiros episódios da primeira temporada, devo confessar que a série conseguiu ultrapassar as minhas já excelentes expectativas. Não por acaso encontro dois dos melhores especialistas portugueses em comunicação política apaixonados pela série. Compreendo-os bem. E venha rapidamente a segunda temporada. 


28
Set 11
publicado por Nuno Gouveia, às 10:16link do post | comentar

 

Um thriller político que promete, com George Clooney e Ryan Glosling nos principais papeis, que estreia em Novembro em Portugal. Uma história que envolve um consultor político idealista que mergulha na política suja de uma campanha presidencial. Entram ainda Evan Rachel Wood, Phillip Seymour Hoffman, Paul Giamatti e Marisa Tomei. 

 

Ainda sobre filmes políticos, aconselho a leitura desta lista do Rui Calafate, a propósito deste post de Luís Paixão Martins. Entre os citados na área da política, os meus preferidos são Primary Colors, Wag the Dog, All The King`s Men e Nixon. Acrescentaria dois documentários que já referi aqui: um sobre a campanha presidencial de Bill Clinton, War Room, e outro sobre a vida de Lee Atwater, The Boogie Man

 


22
Set 11
publicado por Nuno Gouveia, às 20:51link do post | comentar

foto retirada do twitter da Press Secretary de Mitt Romney

 

Nas campanhas nunca ficámos a conhecer verdadeiramente os candidatos. Aliás, diria mesmo que nunca conhecemos a personalidade daqueles em quem votamos. E na política americana, onde todos os aspectos da comunicação são estudados ao pormenor, nada do que assistimos durante uma campanha presidencial surge do ocaso. Todas as campanhas tentam apresentar-nos os candidatos da forma mais simples do mundo. Como se do nosso vizinho se tratasse. Hillary Clinton andou a beber shots de Whisky no New Hampshire e Barack Obama apareceu a beber cerveja em bares do Iowa. No fundo, estes políticos, muitos deles milionários, não são diferentes de nós. Essa é a mensagem que tentam vender. 

 

Mitt Romney, membro de uma poderosa família política do Michigan, formado em Harvard e com uma fortuna pessoal na ordem dos 200 milhões de dólares, tem utilizado essa estratégia. Sendo olhado com desconfiança por muitos na base republicana pelo seu elitismo, Romney tem sido visto a comer bastantes vezes fast-food e a viajar na Southwest, uma espécie de Ryan Air americana. Não digo que Romney não goste de fast-food ou não seja cliente regular de companhias de low cost. Mas o facto de o revelar ostensivamente durante a campanha denota que existe uma estratégia por trás disso. Podem ler mais sobre isto nesta peça do NY Times

 

PS: Hoje à noite, por volta das 2h00 (de Lisboa) a Fox News transmite mais um debate presidencial, desta vez patrocinado pela Google. O debate será moderado pele Brett Baier, Chris Wallace e pela excelente Megyn Kelly. 


16
Set 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:04link do post | comentar

James Carville escreveu um artigo muito crítico em relação à Administração Obama e lançou uma sugestão: despeçam alguém. Entre outras farpas, o antigo director de campanha de Bill Clinton defendeu que Obama deve estar em pânico e que deve fazer alguma coisa para impedir que os republicanos conquistem a Casa Branca em 2012. Aqui fica uma entrevista à CNN sobre esse artigo. 


25
Ago 11
publicado por Nuno Gouveia, às 20:13link do post | comentar

David Axelrod, o spin doctor de Obama, anunciou numa entrevista à Chicago Magazine, que a campanha presidencial de 2012 será a última da sua carreira. Com um longo percurso na política americana, foi em Chicago que se destacou, ajudando a eleger vários políticos negros na política local. Em 2004 trabalhou na campanha presidencial de John Edwards, e em 2006 ajudou a eleger os governadores Eliot Spitzer em Nova Iorque e Deval Patrick no Massachusetts. Mas foi 2008 que atingiu o estrelado, ao contribuir decisivamente para Barack Obama a ser eleito para a Casa Branca. Nos primeiros dois anos, foi conselheiro especial do Presidente, mas demitiu-se no inicio deste ano para regressar a Chicago e preparar a campanha presidencial de 2012. Agora anuncia a esperada retirada. Na verdade, segue as pisadas de outros míticos spin doctors, como James Carville ou Karl Rove, que depois de elegerem os seus homens, abandonam a actividade no terreno. Mas não se pense que deixaremos de ouvir falar dele. O seu percurso no futuro não deixará de andar muito longe disto. Depois de sair do círculo de Obama, caso este seja reeleito, é próvavel que regresse à Casa Branca, irá escrever um livro altamente rentável de memórias, e irá animar os debates televisivos dos canais de notícias. Pelo que já fez, já garantiu o seu lugar nos livros da história da política americana deste inicio de século. 


06
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:37link do post | comentar

 

Na política americana os verdadeiros protagonistas do debate nem sempre os políticos. Situação única no mundo, são muitas vezes os consultores de comunicação, os famosos spin doctors, que ocupam o palco principal na arena mediática. Ao contrário de Portugal, estes são profissionais da política e ocupam um espaço bem definido no espectro ideológico. Por isso, são sempre interessantes de seguir as polémicas entre estes especialistas. 

 

O Daily Beast dá palco a dois especialistas. Na semana passada, Paul Begala, veterano da campanha de Bill Clinton de 1992 e um dos mais respeitados estrategas democratas, elogiou Karl Rove pela sua capacidade de angariar dinheiro... para os democratas. Rove não se ficou e respondeu esta semana. Num tom irónico, o antigo conselheiro de George W. Bush afirma-se como um "péssimo" angariador de fundos, pois os democratas têm angariado muito pouco dinheiro, ao contrário da sua organização, que ainda há pouco declarou que iria investir 20 milhões de dólares este Verão numa campanha contra o presidente Obama. Independentemente das razões de um lado e outro, fica a boa disposição, o humor e o respeito que estes demonstram um pelo outro. Paul Begala chega mesmo a elogiar o adversário. Deste lado espera-se que a polémica não fique por aqui,  e prossiga com mais uma resposta de Begala. 


23
Abr 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:13link do post | comentar

Lee Atwater morreu há 20 anos quando estava no auge da sua carreira como consultor republicano. Arquitecto da vitória de George. H. Bush contra Michael Dukakis em 1988, muitos dizem que se Atwater não tivesse falecido na altura, Bill Clinton nunca teria sido eleito. E provavelmente têm razão. Haverá poucas personalidades do mundo da comunicação política que tenham gerado tanta controvérsia como Lee Atwater. O seu nome, em certos círculos, equivale a dizer o que de pior se fez na política, e não é por acaso que se ouve falar deste consultor em muitas universidades portuguesas. Recordo-me de falarem em Atwater como se diabo em pessoa se tratasse. Mas quem foi Lee Atwater e o que representou para a vida política americana? É o que este documentário de Stefan Forbes de 2008 tenta responder, com depoimentos de Ed Rollins, Michael Dukakis, Mary Matalin, Sam Donaldson e tantos outros intervenientes de época. 

 

Lee Atwater nasceu em 1951 e começou a dar cartas na década de 70, primeiro nos College Republicans, onde na mesma altura também se distinguiu Karl Rove, e depois na política da Carolina do Sul, onde foi o protegido de Strom Thurmond. Nesta década venceu várias eleições estaduais, e começou a fazer-se notar pelas tácticas agressivas contra os adversários. As campanhas negativas eram o seu forte, e tudo era utilizado para afectar a imagem dos opositores. Até onde se pode ir na política para vencer? Atwater não tinha limites. Com várias vitórias no seu currículo, deu nas vistas e foi chamado a colaborar na campanha de Ronald Reagan em 1980. Depois disto, ninguém mais parou Lee Atwater. Nem Ed Rollins, que o convidou para trabalhar consigo na Casa Branca durante o primeiro mandato de Reagan, mas que posteriormente, como conta neste filme, foi traído por Atwater. Durante estes anos foi fortalecendo uma relação com George H. Bush, pensando já no próximo passo da sua carreira: ser o responsável da campanha do então Vice-Presidente em 1988. Uma das relações mais interessantes que é explorada neste documentário é precisamente com George W. Bush, o que viria a marcar profundamente a actividade política do filho do Presidente que também chegou à Casa Branca. Karl Rove, que se cruzou várias vezes com Atwater, também terá sido um diligente estudante das tácticas de guerrilha do consultor da Carolina do Sul.

 

E foi na campanha de Bush'88 que o nome de Lee Atwater ganhou fama. Michael Dukakis chegou a ter 17 pontos de vantagem nas sondagens, mas através de uma campanha negativa como nunca se tinha visto na política americana, Bush recuperou terreno e venceu as presidenciais. Dukakis era um “liberal” de Massachusetts, contra a pena de morte e que tinha aprovado um plano que permitia a assassinos sair em liberdade condicional. Um destes presos, Willie Horton, matou e violou numa destas saídas. Atwater engendrou um esquema para “massacrar” Dukakis por este crime, destruindo a campanha do democrata. Foi duro? Foi injusto? Certamente que foi, mas contribui decisivamente para a vitória de George Bush. Atwater foi elevado a chairman do Republican National Committee e já estava a preparar-se para a campanha de 1992. E em 1989/90 já tinha percebido de onde viria o perigo quando mais ninguém o reconhecia ainda: o jovem governador do Arkansas, Bill Clinton. Mas em 1990 foi-lhe diagnosticado um tumor no cérebro, que o afastou da política activa e depois da vida terrestre.

 

Neste excelente documentário, podemos acompanhar a vida de um dos mais talentosos e implacáveis consultores políticos que os Estados Unidos tiveram. Não posso deixar de simpatizar por este operacional da comunicação política, que, apesar dos seus métodos brutais, marcou uma era. Era também muito pouco convencional. Exímio tocador de blues (chegou mesmo a gravar um disco com B.B. King), era um fanático das tácticas e guerrilha eleitoral e não deixava ninguém indiferente. Génio político, era temido e odiado pelos adversários, respeitado e admirado pelos amigos. No fim da vida, teceu várias declarações recriminatórias sobre o seu passado, pedindo desculpa a vários adversários cujas carreiras políticas ajudou a destruir.

 

Numa das cenas mais envolventes deste documentário, vemos um guitarrista em cima do palco, na noite de tomada de posse de George H. Bush, bajulado pelo Presidente e pela sua família, como se de um rock star se tratasse. Live Fast Die Young poderia ter sido o lema da vida de Lee Atwater. Foi um homem bom? Um homem mau? Não sei responder. Mas aconselho a todos os que gostam de comunicação política a verem este “The Boogie Man, the Lee Atwater Story”. 

 


03
Fev 10
publicado por Nuno Gouveia, às 19:53link do post | comentar

 

David Plouffe enviou esta mensagem à comunidade de apoiantes da Organizing for America, a organização que substituiu a estrutura da Obama Campaign'08. Um discurso positivo essencialmente dirigido aos 14 milhões de subscritores da rede, onde se pretende relançar o espírito que rodeou a histórica campanha presidencial. Plouffe espera activar este verdadeiro exército de apoiantes para o ano eleitoral que se avizinha. Resta saber se o entusiasmo se mantém elevado, tal como em 2008. 


25
Jan 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:13link do post | comentar | ver comentários (2)

 

David Plouffe, director de campanha de Barack Obama na corrida presidencial de 2008, vai reforçar a equipa da Casa Branca. Esta é considerada uma consequência directa da derrota no Massachusetts, mas também representa a preocupação que existe neste momento sobre o ciclo eleitoral de 2010. Plouffe, depois da vitória de Barack Obama, optou por manter-se afastado da Casa Branca, tendo publicado recentemente “Audacity to Win” (estou a ler o livro, e em breve deixarei aqui as minhas impressões), onde conta a sua versão sobre a histórica campanha de Obama.

 

Plouffe será conselheiro de Barack Obama e ajudará na ligação com as várias corridas eleitorais do próximo ano. A estratégia de comunicação da Casa Branca não tem corrido da melhor forma, e tem sido alvo de criticas de vários democratas, que acusam a Administração de não conseguir “vender” a sua agenda ao povo americano. A entrada de Plouffe no inner circle de Obama pode também significar que a Casa Branca irá assumir responsabilidades directas nas campanhas dos candidatos democratas, algo que não sucedeu nas derrotas recentes no Massachusetts, New Jersey e Virgínia. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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