18
Abr 13
publicado por Nuno Gouveia, às 21:41link do post | comentar | ver comentários (5)

 

Barack Obama no discurso inaugural anunciou uma nova era nas leis que regulam o acesso às armas, onde prometeu ir mais longe do que nunca. Sem nunca colocar em causa a 2ª Emenda, garantiu que iria colocar todo o peso da presidência nesta questão. Nestes primeiros meses do seu mandato, fez discursos, mandou recados ao congresso e encenou uma verdadeira batalha política contra o lobby das armas, os republicanos e todos aqueles que se recusaram a apoiar as suas propostas. E não se inibiu de utilizar as famílias da vítimas do massacre de Newtown para tentar angariar apoio do povo americano. Mas Washington é uma cidade de leis, de vícios e de guerrilhas e nada é fácil. E Obama devia saber os limites da Presidência para impor legislação que não é popular entre os senadores e congressistas (que nem sempre corresponde à população geral). Tendo o Partido Republicano maioria na Câmara dos Representantes e uma minoria antifillibuster no Senado, qualquer legislação a ser votada teria que ter o apoio de alguns republicanos e manter totalmente em controlo os democratas. Pois bem, ontem foi a votos uma legislação (mesmo assim minimalista tendo em conta as propostas iniciais de Obama) e não passou. 

 

Se do lado republicano, até conseguiu alguns senadores, apesar de escassos, como John McCain, Susan Collins, Mark Kirk e Pat Toomey, que promoveu a lei juntamente com o democrata Joe Manchin, do lado democrata verificaram-se algumas deserções, como os senadores democratas Mark Pryor do Arkansas, Heid Heitkamp do Dakota do norte, Mark Begich do Alaska. A lei, entretanto reprovada, iria aumentar o controlo sobre o acesso às armas através de um processo universal de verificação do cadastro. Na semana passada, depois do conservador republicano Pat Toomey, eleito com o apoio do Tea Party na Pensilvânia em 2010 ter-se juntado ao democrata conservador da West Virgínia, Joe Manchin, para patrocinar a lei, chegou a pensar-se que teria hipótese de sucesso. Mas ontem a realidade foi bem diferente: 40 republicanos e 4 democratas inviabilizaram a lei, que necessitava de 60 votos para ser aprovada. As restantes propostas do Presidente Obama, como por exemplo a proibição de vendas semi-automáticas, também não passaram no Senado.

 

Barack Obama reagiu com violência verbal a esta derrota legislativa, mas a verdade é que o voto de ontem coloca em cenário improvável qualquer aprovação significativa nesta área até às eleições intercalares de 2014. Este será um tema de campanha, e, por diferentes motivos, poderá condicionar várias eleições para o Senado. Sempre pensei que Obama estaria a ser demasiado ambicioso com a sua agenda na legislação das armas, porque a oposição em Red States e até mesmo em swing-states seria sempre grande. Resta saber como Obama tentará reverter a seu favor a derrota política que ontem teve no Senado. Segue-se a reforma da Imigração, onde sempre pensei que Obama tem grandes hipóteses de sucesso. E aqui o seu maior aliado é um republicano, Marco Rubio, que já trabalha a pensar em 2016. 


22
Jan 13
publicado por Nuno Gouveia, às 15:16link do post | comentar

 

 

Nos últimos dois meses Obama já tinha vindo a dar sinais desta viragem à esquerda, tendo ficado agora consumada com o discurso de tomada de posse. Num tom pouco habitual para estes momentos, Obama focou-se sobretudo em cinco áreas: armas, alterações climáticas, direitos dos gays, lei da imigração e defesa dos programas sociais. A América "liberal" rejubilou e os conservadores responderam com desdém. Agora falta o embate com a realidade, que não será assim tão dócil como o Presidente Obama desejaria, pois é difícil adivinhar como poderá ter sucesso em algumas destas suas invocações. Pelo menos nos próximos dois anos. Apesar da sua vitória clara de Novembro, a América continua a ser um país profundamente dividido, e as diferenças de opinião que existiam antes não terminaram. Além disso, nem Reagan nem Nixon, que tiveram vitórias com cerca de 60% dos votos, distantes do que Obama conseguiu, aprovaram tudo o que queriam. Precisamente porque não tinham a maioria no Congresso. Adivinho até que esta viragem à esquerda no discurso do Presidente poderá reanimar de novo as hostes conservadoras. Vamos por pontos. 

 

 

 


05
Jan 13
publicado por Nuno Gouveia, às 00:56link do post | comentar | ver comentários (2)

Nancy Pelosi decidiu inovar e mandou acrescentar nesta fotografia, através do Photoshop, as congressistas democratas que não conseguiram estar presentes na foto. Uma maneira diferente de apresentar as boas vindas ao 113º Congresso dos Estados Unidos da América.

 

Uma palavra também para John Boehner, que foi ontem eleito novamente Speaker da Câmara dos Representantes, apesar das ameaças de alguns republicanos. O congressista do Ohio é o 53º na longa lista de Speakers, que começou em 1789 com Frederick Muhlenberg. Apesar de ser o terceiro na hierarquia dos Estados Unidos, apenas um Speaker chegou a Presidente: James Polk, que esteve na Casa Branca entre 1845 e 1859 pelo Partido Democrata. No entanto influentes personalidades da história americana ocuparam este cargo: Henry Clay, o poderoso político do Kentucky da primeira metade do Séc. XIX; os republicanos James Blaine, que foi Secretário de Estado de Benjamin Harrison e James Garfield, e Thomas Brackett Reed, que ocupou o cargo no final do Séc. XIX e talvez o mais influente Speaker até à data; os democratas John Carlisle, que além de ter sido Speaker durante a década de 1880, foi também Secretário do Tesouro de Groover Cleveland e Senador do Kentucky, e já no século XX, o famoso Sam Rayburn, Speaker durante 17 anos (o que esteve mais tempo no cargo) e que passou por três presidentes: Frank D. Roosevelt, Harry Truman e Dwight Eisenhower. Mais recentemente, dois destacaram-se pelo papel que tiveram na luta político-partidária e pelos entendimentos que chegaram com Presidentes de partidos adversários. O democrata Tip O'Neill, que apesar de um relacionamento tenso com o Presidente Reagan, nunca deixou de negociar e alcançar sucesso em importantes peças legislativas, e o republicano Newt Gingrich, que depois de um inicio tumultuoso com Bill Clinton, que levou mesmo ao "encerramento" do governo, conseguiu negociar e aprovar legislação importante. 


17
Dez 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:42link do post | comentar

 

Mais uma vez os americanos choram depois de um terrível acto cometido por um lunático sem respeito pela vida. E mais uma vez repetem-se os mil e um discursos contra as armas, como se o mal fosse apenas das armas. Confesso que nutro simpatia pelo argumento que não são as armas que matam, mas sim as pessoas. Mas não, não concordo nada com a lei vigente na maioria dos estados americanos. Penso que é inaceitável que se vendam armas de guerra em qualquer esquina, pois o direito a usar armas, consagrado na Constituição Americana, não significa que metralhadoras e outro tipo de armas automáticas estejam disponíveis facilmente. Nem me parece aceitável que o direito a usar armas se deva estender a qualquer cidadão: o estado mental, o cadastro ou uma outra série de condicionantes devem ser factores de investigação a todos os que desejem comprar uma arma. E, sim, a proibição de armas automáticas decretada em 1994 e que expirou em 2004, devia ser retomada pelo Congresso. Os republicanos, mais do que os democratas, têm responsabilidades nesta matéria, apesar de Obama nunca ter dado sequer um passo neste sentido.

 

Mas o problema é que este tipo de incidentes não irá desaparecer com nova legislação. O massacre de Columbine aconteceu em 1999, quando estava em vigor a proibição de venda de armas automáticas de Bill Clinton. E com os milhões de armas que existem espalhadas pelos Estados Unidos, um qualquer lunático não terá grandes problemas em arranjar armas para prosseguir com os seus actos de terror. Mesmo em países mais brandos, como vimos recentemente na Noruega ou no massacre de Jokela na Finlândia em 2007, situações destas têm acontecido. No entanto, a verdade é que este tipo de incidentes acontece com mais regularidade neste país. Algo está mal quando tantos e tantos lunáticos conseguem assassinar de forma massiva tantos inocentes. É um sintoma de uma sociedade com problemas, e que devem ser encarados de frente. Há vários vectores que os responsáveis políticos americanos devem atacar para tentar atenuar esta barbárie que parece estar a crescimento nos EUA. Em primeiro lugar, sem dúvida, a alteração na restrição de venda de armas. Mas terá de haver uma conversação nacional sobre o tratamento a dar a indivíduos com perturbações mentais. O assassino do Colorado deste ano tinha dado imensos sinais de loucura, mas nada lhe aconteceu. As autoridades registaram os indícios, tal como um psiquiatra, mas não impediram a tragédia. O tratamento psiquiátrico, e acompanhamento pelas forças de autoridades destes indivíduos terá de ser efectuado de outra forma. Por outro lado, os imensos meios que as autoridades têm para vigilância online (neste caso em particular no Connecticut não teria servido de nada), terão de ser mais repensados. Muitos destes lunáticos anunciam online as suas intenções ou as suas graves perturbações. Ainda na semana passada foi preso um jovem de 17 anos no Oklahoma que se preparava para cometer uma tragédia semelhante à de Newtown. Aqui as autoridades foram competentes. Todos precisam de estar mais vigilantes. A possibilidade de imitações aumenta exponencialmente com a extensa cobertura mediática, pelo que a imprensa também deverá reflectir sobre o seu papel, que nem sempre tem sido o melhor após estas tragédias. Tudo deverá estar em cima da mesa, e republicanos e democratas devem juntar-se nos próximos meses para discutirem as melhores respostas para este problema. Longe dos fanatismos e dos radicalismo de ambos os lados. 


04
Dez 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:08link do post | comentar

Disputa-se neste momento o último combate político do ano em Washington. Se democratas e republicanos não chegaram a acordo, no dia 1 de Janeiro de 2013 os impostos irão aumentar para todos os americanos, entre os quais o imposto sobre rendimentos, o imposto sobre o trabalho e ainda o fim dos benefícios fiscais para as pequenas e médias empresas. Por outro lado, haverá cortes automáticos em diversos programas federais, incluindo no sector social e na defesa. Os analistas independentes indicam que estas medidas contribuirão para o aumento do desemprego e uma previsível recessão, apesar de reduzirem o decide em 500 mil milhões de dólares anuais. Portanto, temos os ingredientes para mais uma grande trapalhada em Washington. Por um lado, os democratas e Barack Obama pretendem que os cortes na despesa não sejam tão severos e que haja um aumento de impostos para os mais ricos. Os republicanos estão contra qualquer aumento de impostos, e pretendem mudar a essência dos cortes na despesa. Estas são as premissas iniciais do debate. Em baixo deixo uma breve análise sobre este período negocial, o até onde poderão ceder os lados e qual o papel que Paul Ryan poderá ter, agora que o GOP está sem líder aparente. 

 

No verão de 2011 passamos por uma situação semelhante, aquando do aumento do limite do endividamento federal, mas agora estamos num período da vida política americana muito diferente. Já não há possibilidade de derrotar Barack Obama e os republicanos estão em crise existencial. É verdade que Obama é o primeiro presidente da era moderna a ser reeleito com menos votos do que no primeiro mandato, mas a sua vitória foi bem mais confortável do que se chegou a pensar, e, acrescentando a isso, o Partido Democrata viu a sua maioria no Senado aumentar nas últimas eleições, além de terem conquistado alguns lugares na Câmara dos Representantes. Os Democratas viram assim “reforçada” nas urnas a sua legitimidade para governar os Estados Unidos. Além disso, o Partido Republicano está neste momento numa posição muito débil, sendo vistos pela maioria do eleitorado como mais inflexíveis do que os democratas. Obama conquistou no dia 6 de novembro um mandato para liderar, e os republicanos, se não querem ser mais penalizados pela opinião pública, terão de ceder mais do que no passado recente. Estou certo que Obama terá agora mais hipóteses para negociar o “grande acordo” que enfrente os problemas estruturais dos Estados Unidos: a dívida pública, os défices elevados e o fraco crescimento económico. Se ele vai existir, não sabemos. 

 

A  primeira reacção de John Boehner após as eleições foi estender a mão a Obama, afirmando que o seu partido está pronto a negociar com o Presidente. A manutenção da maioria na Câmara dos Representantes foi a pequena vitória que os republicanos obtiveram, e isso mantém o partido como peça fundamental na governação. Até aqui os republicanos têm negado a possibilidade de um acordo com o Presidente que inclua o aumento de impostos. Mas essa plataforma saiu enfraquecida nas eleições, e já assistimos a influentes republicanos, como Bill Kristol da Weekly Standard, a dizer que aumentar impostos para os mais ricos não seria nada de extraordinário. O mesmo, por outras palavras, disse Bobby Jindal, governador da Louisiana e potencial candidato em 2016, que defendeu que os republicanos tinham de deixar de ser vistos pelos americanos como o partido das grandes empresas e dos ricos. Sente-se entre a maioria dos conservadores mais influentes que é necessário mudar de discurso para voltar a vencer eleições. Um dos grandes derrotados destas eleições foi precisamente Grover Norquist, que tinha conseguido que quase todos candidatos republicanos acedessem à sua plataforma de “não aumento de impostos “ sob todas as condições. Nesta matéria dos impostos, mas também noutras questões, como na reforma da imigração ou até na saúde, os republicanos deverão mudar de discurso no próximo ciclo da vida política americana. Mas isto não quer dizer que Boehner tenha carta branca para aceder à vontade do Presidente de aumentar os impostos para os mais ricos no imediato, até porque continuará a haver pressões dos sectores mais conservadores para não negociar nessa questão. A minha perspectiva é que algo será feito e a tal "fiscal cliff", não se concretizará. Isso pode passar por uma solução de curto termo, ou seja, negociar uma extensão, nem que seja de apenas seis meses, como sugeriu o senador republicano do Ohio, Rob Portman, de todos os cortes de impostos (Bush Tax Cuts, Payrool Tax Cuts e impostos sobre os pequenos empresários) e impedir ao mesmo tempo que os cortes na despesa programados para 2013 entrem já em vigor, ou uma solução mais duradoira, e aí sim, aumentar já os impostos para os que ganham mais de 250 mil dólares por ano, como tem defendido Obama, e negociar cortes na despesa que incluam despesas sociais e até militares. Os republicanos têm tentado que o aumento da receita do Estado Federal passe por cortes nas deduções fiscais (as tais loopholes de que se falava). O problema para eles é que mesmo isso é muito vago e de difícil execução, pois nunca foram específicos em apontar quais deduções queriam cortar. Além disso, vários democratas mais “liberais” estão contra essa solução. Se os republicanos cederem já no aumento de impostos, prevejo que irão querer que alguns dos seus planos para o corte da despesa federal entre em vigor já. Obama também poderá enfrentar alguma oposição na base mais à esquerda do seu partido se decidir cortar algumas das despesas sociais que os republicanos pretendem, mas acredito que acabará por impor o que quiser. Neste momento é o líder incontestado da vontade democrata no Congresso.

 

O Partido Republicano está neste momento sem líder. Paul Ryan, que viu crescer a sua aura de líder nesta última campanha eleitoral, poderá ter a tentação de envolver-se directamente nas negociações, até porque é presidente da Comissão do Orçamento da Câmara dos Representantes. Mas a partir de agora, tudo o que Ryan fará estará condicionado pelo facto que provavelmente será candidato a Presidente em 2016. Ele precisa de assumir-se como parte da solução e não do problema. A grande dúvida é se irá desejar ficar ligado a um possível aumento de impostos, que pode enfraquecer a sua posição nas primárias de 2016. Por outro lado, se mantiver a uma postura de inflexível nestas negociações ou se não se envolver profundamente, poderá cimentar a imagem de não conseguir trabalhar com o Partido Democrata numa questão central como esta. A minha percepção é que Ryan irá tentar liderar este processo pelo lado dos republicanos, tentando obter o máximo de concessões do Presidente no que diz respeito aos cortes da despesa, e ceder o menos possível na questão do aumento de impostos, que poucos acreditam em Washington que não irá acontecer: já ou no próximo ano. Nesta questão, Obama mais tarde ou mais cedo irá alcançar uma vitória.


27
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:11link do post | comentar | ver comentários (2)

 

No próximo ano as atenções vão estar essencialmente direccionadas para a eleição presidencial. Mas as eleições para a Câmara dos Representantes e especialmente para o Senado serão também elas fulcrais para o futuro dos Estados Unidos. E se em principio, a menos que uma hecatombe suceda ao Partido Republicano, a maioria na Câmara dos Representantes deve manter-se do lado do GOP, no Senado, o poder poderá mudar de mãos. 

 

Neste momento o Partido Democrata tem uma maioria de 53-47 sobre os republicanos, mas o número de lugares em disputa (23 Ds e 10 Rs) coloca esta vantagem em perigo. Os republicanos precisarão apenas de conquistar quatro lugares para assumirem a maioria no Senado, perdida em 2006. Hoje Ben Nelson, democrata conservador do estado do Nebraska, anunciou que não se vai recandidatar, atirando este lugar quase de certeza para a coluna republicana a partir de 2013. Outro lugar que deverá mudar de partido é o Dakota do Norte, onde o democrata Kent Conrad também já anunciou a retirada. De resto, considera-se que poderá haver eleições disputadas no Havai, Novo México, Virginia, Wisconsin, Florida, Michigan, Missouri, Montana, Ohio, Washington (ocupados por democratas) e Arizona, Massachusetts e Nevada (ocupados por republicanos). Considerando que os republicanos, em condições normais, poderão perder apenas o senador Scott Brown do Massachusetts, não é díficil encontrar cinco lugares facilmente conquistáveis. Não desprezando o efeito que as eleições presidenciais terão nestas corridas, é perfeitamente legítimo afirmar que os republicanos deverão ter maioria nas duas câmaras do congresso a partir de 2013. O que poderá facilitar imenso a vida a um Presidente republicano ou complicar a vida ao segundo mandato de Barack Obama. 


14
Set 11
publicado por Nuno Gouveia, às 12:15link do post | comentar | ver comentários (1)

Ontem o distrito 9 de Nova Iorque foi a votos para escolher o sucessor do congressista Anthony Weiner. Desde 1923 que este lugar não era ocupado por um republicano, mas ontem foi um que venceu a eleição, roubando o lugar aos democratas. Num distrito onde a popularidade de Obama é de 31 por cento, Bob Turner, o novo congressista, conseguiu transformar esta eleição num referendo às políticas da Administração. As posições de Obama em relação a Israel também foram um foco desta campanha. Com uma comunidade judia bastante numerosa, a questão de Israel foi bastante explorada pelos republicanos, e vários judeus proeminentes de Nova Iorque envolveram-se ao lado do republicano. O antigo Mayor de Nova Iorque, o democrata Ed Koch, foi um dos apoios mais estridentes a pedir uma severa derrota para Obama. Estas eleições lançam dois avisos: o voto da comunidade judia americana, que desde sempre tem sido maioritariamente democrata, está mesmo em perigo em 2012; Obama poderá mesmo ter de preocupar-se com distritos e estados tradicionalmente democratas. Conforme já li algures, esta vitória republicana faz lembrar algumas vitórias democratas em distritos conservador na última fase da Administração Bush. Muito más notícias para o Presidente. 

 

No Nevada, também decorreu uma eleição especial para substituir o agora senador republicano Dean Heller. Sem surpresa, o nomeado republicano venceu com mais de vinte pontos o adversário democrata. No entanto, este distrito, que é tendencialmente republicano, costuma ter resultados mais renhidos. Uma má noite para os democratas. 

 

Adenda: Deixo aqui, em complemento, este excelente comentário do Alexandre Burmester:

 

Este impressionante resultado no nono distrito eleitoral do Estado de Nova Iorque (é que nem sequer foi renhido: 54%-46%) vem na linha das vitórias de Chris Christie em New Jersey em 2009 e Scott Brown no Massachusetts em 2010 - já para não falar na onda republicana de Novembro passado.

Mesmo tendo em consideração a particular constituição demográfica deste distrito, com um forte bloco judaico (cerca de 25%), agora motivado contra Obama , não deixa de ser um resultado péssimo para os democratas e, em especial para o Presidente Obama . É que este círculo eleitoral é essencialmente um círculo de classe trabalhadora branca, o bastião dos últimos Archie Bunker, como Sean Trende pitorescamente refere num comentário no realclearpolitics.com . E a queda abrupta de apoio entre este sector do eleitorado foi sempre fatal para os democratas (vide George McGovern em 1972 e Michael Dukakis em 1988).

Finalmente, este tipo de eleição (as chamadas "special elections ", destinadas a preencher um lugar vago no Congresso) não pode, apesar de tudo, ser lido como um barómetro eleitoral presidencial; apenas fornece indicações de tendência.



31
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 20:07link do post | comentar

As notícias que chegam dos Estados Unidos é que ambos os partidos terão chegado a acordo para aumentar o limite do endividamento. Como sempre acreditei que fatalmente aconteceria. Ainda se acertam agulhas de parte a parte, mas o acordo, segundo o que é relatado, não deverá ficar longe disto: aumento do limite do endividamento até depois das eleições de 2012, cortes imediatos na ordem dos mil biliões, a criação de uma comissão para cortar 1,8 mil biliões até Novembro e nenhum aumento de impostos. Grande vitória dos republicanos? Not so fast. 

 

Apesar de isto ainda não ter terminado, parece-me que para a opinião pública haverá dois grandes perdedores: Barack Obama, que não demonstrou capacidade de liderança neste processo, e ainda viu o seu grande argumento, o aumento dos impostos para os mais ricos, ficar de fora do acordo final. Não por acaso, ontem Obama atingiu o nível mais baixo de popularidade na sua presidência, na sondagem da Gallup, com apenas 40 por cento. Mas há outro grande derrotado: o Tea Party, que emergiu neste processo aos olhos de muitos independentes como uma força radical e incapaz de celebrar compromissos, essenciais na arte da governação. Quando nomes como Allen West, Mike Pence ou Paul Ryan (quem conhece estes nomes saberá que são do mais conservador que o GOP tem) são atacados pela direita por serem demasiado "lefties", está tudo dito. Por outro lado, há aqui um aspecto positivo para o GOP: pela primeira vez o establisment e muita imprensa conservadora saiu a público para criticar este radicalismo. John McCain, Bill Kristol, o Wall Street Journal e Bill O´Reilly foram alguns dos que criticaram violentamente o movimento. Isto é um sinal do que aí vem nas primárias republicanas do próximo ano, mas talvez seja um bom indicador contra o radicalismo protagonizado por Bachmann ou Palin. E, afinal de contas, na proposta de John Boehner que gerou tanta dificuldade para ser aprovada, apenas 22 congressistas votaram contra.

 

Diria que numa situação normal os republicanos seriam os grandes vencedores desta negociata. E até temos a ala esquerda do Partido Democrata verdadeiramente furiosa com os termos do acordo. O pior para o GOP é que toda esta confusão que o Tea Party incutiu nas negociações acaou por lhe retirar algum espaço de manobra. Até conquistaram praticamente tudo o que poderiam realmente almejar: não teremos aumento de impostos e haverá severos cortes na despesa. Por outro lado, mal ou bem, nenhum dos candidatos republicanos se imiscuiu nisto (a excepão terá sido Bachmann, que luta pelo apoio dos tea partiers), e até podem sair beneficiados, porque Obama ficou muito mal na fotografia e o trabalho deles passa sobretudo pela crítica ao Presidente. Mas esperemos até ao fim do Verão para verificar se este acordo impele transformações radicais na percepção que os americanos têm dos seus representantes


26
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:06link do post | comentar | ver comentários (19)

Barack Obama fez uma comunicação ao país ontem à noite (a quarta desde o inicio da crise) sobre o aumento do limite do endividamento. Sem acrescentar grande conteúdo ao que tinha dito anteriormente, esta intervenção não disfarçou algo que tem sido evidente nestes últimos dias: Obama foi colocado à margem das negociações. Antes de Obama ter falado ao país, com direito a réplica imediatamente a seguir de John Boehner*, ambos os líderes do Congresso, Harry Reid pelo Senado e John Boehner pela Câmara dos Representantes, tinham apresentado publicamente um plano para aumentar o limite. Ao que parece, Obama discorda dos dois planos, pois nenhum inclui um aumento de impostos, algo que o Presidente defendeu apaixonadamente na sua intervenção. Segundo o que se percebe, a situação irá resolver-se entre as ideias de Reid e Boehner. A grande discussão neste momento é se o limite do endividamento aumenta até depois das eleições presidenciais (a vontade dos democratas e Obama) ou se há novo voto no próximo ano (o desejo dos republicanos).

 

Esta discussão toda mostrou que Obama, até ao momento, nunca conseguiu liderar a discussão neste problema, falhando inclusivé a apresentar um plano detalhado com a sua assinatura. Com os seus indices de popularidade a descer abruptamente deste o inico desta crise, Obama tentou com a sua comunicação de ontem recuperar a opinião pública para o seu lado. Mas se, como se prevê, o acordo entre os dois partidos não tiver um aumento de impostos imediato, Obama sairá perdedor. Mas, como sempre defendi, acredito que até ao final da semana se chegue a um acordo e, depois, veremos quem mais ganhou nesta discussão.

 

*Para se ver a gravidade do momento, esta foi a primeira vez desde 2007, exceptuando os discursos do Estado da União, que o Presidente teve uma resposta imediata em prime-time de um líder republicano. A última vez tinha sido quando Bush anunciou a "surge" no Iraque.


09
Abr 11
publicado por Nuno Gouveia, às 11:27link do post | comentar

Faltava pouco mais de uma hora para a meia-noite quando um triunfante John Boehner surgiu em frente aos jornalistas para anunciar um acordo com os Democratas para o orçamento federal de 2011. Apesar da ruptura ter estado iminente, como escrevi esta semana, o acordo prevê uma resolução a financiar o Governo durante mais alguns dias, e na próxima semana será selado o acordo final, com cortes perto dos 40 mil milhões de dólares. Os cortes estão longe do que os republicanos desejavam inicialmente, mas significam uma ruptura radical com a curva ascendente do Orçamento Federal dos últimos anos. Diga-se que este acordo, apesar da oposição que provavelmente irá receber das alas radicais, favorece ambos os partidos, que demonstram que conseguem trabalhar em comum. Destaque especial para John Boehner, que consegue evitar o encerramento do Governo com cortes substanciais na despesa federal. Emerge como o verdadeiro líder republicano da actualidade. 


15
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:34link do post | comentar

Esta e as próximas semanas deverão ser em grande parte ocupadas pela discussão do Orçamento para 2012. Não querendo entrar em considerações técnicas, até porque me faltam conhecimentos para tal, parece-me que Obama está, mais uma vez, a jogar num perigoso tabuleiro. As reacções que tenho lido, à esquerda e à direita, são as mesmas: Obama não lidera. A esquerda critica aquilo que considera uma traição às suas promessas "liberais", com cortes em alguns programas federais que eles sustentam serem primordiais. A direita permanece insatisfeita porque queria mais cortes, e principalmente, porque este novo plano prevê um aumento de impostos para 2013. Mas na verdade há uma coisa que todos sabem: este orçamento de Obama não resolve nada dos problemas estruturais da economia americana. E até faz mais: propõe um aumento da despesa em muitas rubricas que têm a forte oposição republicana, como na regulação ou na construção de infraestruturas. Como tem de negociar com os republicanos para ter alguma coisa aprovada, ele sabe que esta proposta de Orçamento está morta à nascença.

 

Ambos os partidos sabem que será preciso tocar nestes sectores: segurança social, os onerosos programas de saúde e os gastos com a defesa. Por outro lado, os republicanos, além de algumas vozes quixotescas dentro do Partido, também parecem ter receio em falar primeiro. Para equilibrar as contas públicas será preciso fazer duros cortes nos gastos com a saúde, a segurança social e com a defesa. Ou aumentar os impostos. Este é o jogo do gato e do rato que republicanos e democratas andam a fazer. Os republicanos não querem aumentar os impostos, e propõem cortar mais despesas do que Obama, mas também não resolvem nada de estrutural. Será preciso alguém chegar-se à frente e propor medidas corajosas. Paul Ryan (o terceiro na foto), congressista do Wisconsin e líder da Comissão do Orçamento da Câmara dos Representantes, será uma uma voz importante neste debate, ele que tem defendido alguns desses cortes radicais na despesa. Sem isto, nada feito. Mitch Daniels, o governador do Indiana e potencial candidato à nomeação republicana, num vigoroso discurso este fim de semana, defendeu que o défice é a nova ameaça vermelha á Segurança Nacional dos Estados Unidos. É bom que ambos os partidos negoceiem e cheguem a um acordo.

 

Adenda: acabo de escrever este artigo e leio este tweet de Stephen Hayes, da Weekly Standard: "Big news: House GOP leadership goes all in w/Paul Ryan, will include entitlement reform in budget.". Isto quer dizer que o GOP vai mesmo propor uma reforma nos programas estruturais. Era a única solução que tinham, sob pena de perderem credibilidade. Vamos ver o que propôem.


17
Jan 11
publicado por José Gomes André, às 02:53link do post | comentar | ver comentários (1)

Prestes a comemorar dois anos de mandato, o Presidente parece estar a conhecer uma ligeira subida na "aprovação popular", segundo as sondagens. Embora as alterações sejam pouco expressivas, o facto de várias empresas registarem em simultâneo uma subida daquela "aprovação" merece relevo. Esta melhoria é particularmente visível nos estudos da Gallup, cujo último registo apresenta uma taxa de aprovação de 49% (42% de desaprovação), o melhor valor para Obama desde Maio de 2010.

 

A que se deve esta "recuperação"? É impossível tirar conclusões seguras (até porque não sabemos se estamos perante uma nova tendência ou uma mera circunstância). De qualquer forma, atrevo-me a dizer que, se estes valores positivos se mantiverem, eles resultam de um conjunto alargado de factores, dos quais se destacam:

 

- os feitos alcançados pelo Congresso nos dois últimos meses, nomeadamente a aprovação do Tratado START com a Rússia e a revogação da premissa "don't ask, don't tell" (sobre a presença dos homossexuais no exército);

- os sinais de ligeira recuperação económica nos EUA e o aumento dos índices de confiança do consumidor;

- uma curiosa tendência própria da cultura política e social norte-americana: quando um evento particularmente traumático atinge o país, a nação une-se em torno dos seus líderes (é certo que as referidas sondagens ainda não contabilizam os potenciais efeitos do discurso de Obama em Tucson, mas os eventos aí ocorridos serão por si só suficientes para produzirem aquela interessante consequência).

 


10
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:50link do post | comentar | ver comentários (2)

A lei Don't Ask Don't Tell no exército americano está viva e não será revogada nos próximos dois anos. Depois dos democratas terem falhado ontem a tentativa de aprovar a sua revogação, nos próximos dois anos, com maioria republicana na Câmara dos Representantes, não haverá outra oportunidade. As responsabilidades recaem, em primeiro lugar, nos republicanos que votaram massivamente contra esta lei. Mas Harry Reid não escapa, pois não conseguiu trazer para o seu lado alguns republicanos que se manifestaram a favor da sua revogação, como Scott Brown, Lisa Murkowski ou Olympia Snowe. Ao introduzir alguns aspectos que estes não concordavam, ao não se limitar a propor a revogação do DADT na lei, Reid acabou por ditar a sua sentença de morte. Susan Collins, a única republicana que votou favoravelmente, acusou Reid de desistir da negociação antes de levar a lei ao Senado. O único democrata que votou contra foi Joe Manchin, que até ao momento, tem votado sempre ao lado do GOP. Depois de 2012 há mais, isto se os democratas recuperaram o controlo das duas câmaras do Congresso.

 

Adenda: No Politico discute-se que ainda há uma luz ao fundo do túnel. A proposta de uma lei que vise somente a revogação do DADT ainda é uma possibilidade. Veremos se os Democratas ainda levam esta lei a votação este ano.


08
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:15link do post | comentar

Escrevi que o acordo entre republicanos e democratas era um regresso ao bipartidarismo tradicional de Washington. Nos comentários, o Miguel Madeira alertou-me que a aprovação no Congresso não estava garantida. Respondi-lhe que duvidava que tal acontecesse. Apesar do Politico afirmar que já haverá os votos suficientes de republicanos e democratas para aprovar o acordo, hoje não tenho assim tanta certeza disso.

 

Do lado republicano, as criticas têm sido mais suaves, mas pelo menos Jim DeMint já disse que votará contra no Senado. Além disso, Sarah Palin saiu hoje a terreiro a criticar o acordo da liderança republicana com Obama. Interessante saber quem acompanhará os die hard conservatives nesta questão no Congresso. Mas as maiores divergências surgem no Partido Democrata, onde muitos congressistas se têm insurgido contra o acordo, nomeadamente contra a cedência nos cortes de impostos aos mais ricos. A ala mais à esquerda tem manifestado a sua oposição. Na imprensa "liberal" americana lêem-se hoje vários ataques a Barack Obama. Howard Fineman alerta para a possibilidade de Obama repetir a saga de Jimmy Carter, e Matt Bai fala no perigo de oposição nas primárias democratas de 2012. Foi anunciado que a votação poderá ocorrer já na próxima sexta-feira.

 

Uma coisa é certa: Obama arriscou enfurecer a sua base com este acordo, e com isso, tenta também demonstrar ao povo americano que está disposto a dar a mão aos republicanos. Não sei se é o inicio de uma estratégia Clintoniana, mas é algo diferente do que tinha ensaiado nos últimos dois anos. Se o acordo for reprovado pela ainda maioria democrata, isso poderá representar um sério revés para Obama.



19
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:27link do post | comentar | ver comentários (2)

No Verão passado Dick Morris disse que neste ciclo eleitoral estariam perto de 100 lugares democratas em disputa. Na altura poucos o levaram a sério, até porque as sondagens indicavam o contrário. Mas a duas semanas das eleições, e apesar de algumas melhorias em corridas senatorais, em grande parte devido aos candidatos republicanos, o Partido Democrata enfrenta imensas dificuldades na disputa na Câmara dos Representantes. Já aqui tinha dado conta que Nate Silver previa uma possibilidade de conquista até 87 lugares para o GOP. Hoje é o Politico a referir que há 99 lugares democratas em risco de mudarem da partido. Obviamente isto não quer dizer que possam ganhar tantas eleições, pois destes distritos, certamente vários irão manter-se na coluna democrata. E há ainda a possibilidade de alguns congressistas republicanos perderem.  Mas há uma onda republicana em formação. Por exemplo, também o Real Clear Politics dá neste momento 213 lugares como republicanos e apenas 179 como democratas. Com 44 eleições em empate técnico, tudo é possível.

 

Dick Morris hoje não é o consultor político do passado. É alguém que joga abertamente no campo republicano, e as suas previsões são sempre uma mistura de análise política/combate partidário, mas neste caso conseguiu antecipar o que se iria passaria nestas eleições.


18
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:20link do post | comentar

A votação já começou em 23 estados da União e começam a surgir certezas em relação ao desfecho destas eleições intercalares. Ao longo do último ano desenhou-se uma gigantesca onda republicana que dificilmente será parada até 2 de Novembro. Nesse dia haverá festa em muitas sedes de campanha republicanas espalhadas pelos 50 estados. Mas ainda existem algumas contas para fazer, pois os esforços de última hora podem ser decisivos para algumas eleições mais competitivas.

 

A Câmara dos Representantes parece ter o seu destino traçado, isto a confiar nos analistas independentes: o GOP irá conquistar a maioria e John Boehner deverá ser o próximo Speaker. Não há ninguém a prever que os Democratas consigam aguentar-se, prevendo-se até que o número de lugares conquistados pelos republicanos possa ir até ao espectacular número de 80 congressistas. A grande dúvida que subsiste é saber se o GOP irá obter uma maioria frágil (ganhar entre 40 e 50 lugares) ou uma vitória de proporções históricas. A capacidade de mobilização do Partido Democrata poderá ser aqui o factor decisivo. Barack Obama, Michelle Obama, Bill Clinton e Joe Biden vão andar na estrada nestas próximas duas semanas. As estrelas democratas, em muito maior número e em importância que os seus adversários republicanos, podem ser fundamentais. Em 2006 o Partido Democrata roubou 31 lugares, conquistando dessa forma a maioria. Mas vários analistas e consultores democratas consideraram que a vitória poderia ter sido bem maior se não fossem os esforços de última hora da Administração Bush. Quem sabe se agora não sucede o mesmo?

 

No Senado as perspectivas são bem melhores para os Democratas. Historicamente falando, há aqui uma vantagem para os republicanos: desde a década de 40 do século passado que sempre que a Câmara dos Representantes mudou de maioria, o mesmo sucedeu na câmara alta do Congresso. Mas este ano os republicanos precisam de conquistar 10 lugares. Neste momento o GOP tem praticamente assegurado que não irá perder nenhum lugar. Além disso, tem a vitória quase certa em cinco: Dakota do Norte, Arkansas, Indiana, Pennsylvania e Wisconsin. Precisam de mais cinco lugares. As sondagens indicam que isso é possível em sete estados. No Nevada e no Colorado os seus candidatos lideram com uma curta vantagem, enquanto na Califórnia, Washington, West Virgínia e Illinois estão ligeiramente atrás. Existe ainda o caso do Connecticut, onde o candidato democrata tem uma vantagem relativamente confortável, mas que ainda é considerado passível ao alcance da candidata republicana. Se este fosse um ano normal, diria que os democratas iriam aguentar. Mas poderá mesmo acontecer o tsunami no Senado. E ainda há uma perspectiva de mudança extra-eleições: dois senadores democratas, Ben Nelson do Nebraska e Joe Liebberman do Connecticut poderão sentir-se tentados a mudar de lado caso o GOP fique próximo dos 51 lugares. Improvável, mas não impossível de acontecer.


28
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:39link do post | comentar | ver comentários (2)

O José Gomes André já escreveu aqui sobre os grandes embates eleitorais que vão decorrer no Oeste dos Estados Unidos para o Senado. Mas há também uma outra batalha a decorrer nestas eleições: na Costa Leste, onde os republicanos foram varridos nos últimos ciclos eleitorais. Relembrar o que sucedeu:

 

1- Neste momento os republicanos não têm nenhum congressista da Nova Inglaterra (New Hampshire, Massachusetts, Vermont, Maine, Rhode Island e Connecticut). Isto em 22 congressistas. Neste estados apenas têm as duas senadoras do Maine, Judd Gregg do New Hampshire e o recentemente eleito Scott Brown.

 

2- Se juntarmos os estados de Nova Iorque, Delaware, Maryland, Pennsylvania e New Jersey, não existem mais senadores republicanos, e apenas há 2 congressistas em NY, 7 na PA, 5 em NJ e 1 no DE e no MD. Isto perfaz 16 congressistas em 72 só nestes últimos estados.

 

3 - Em termos de eleições presidenciais, precisamos de recuar até 1988, quando George. H. Bush só perdeu Nova Iorque, Massachusetts e Rhode Island, para encontrar vitórias significativas do Partido Republicano na Costa Leste. É preciso dizer que desde então o único destes estados a cair na coluna republicana foi o New Hampshire, que deu a vitória a George W. Bush em 2000.

 

Portanto estamos a falar numa zona do país que tem eleito consecutivamente políticos democratas para Washington nos últimos 20 anos. Mas o Partido Republicano, apesar do erro cometido com a nomeação de O´Donnell no Delaware, pode renascer na Costa Leste neste ciclo eleitoral. Em primeiro lugar, é provável que volte a ter congressistas da Nova Inglaterra. Há possibilidades de vitórias significativas no New Hampshire, Maine, Connecticut, Rhode Island e no Massachusetts. Em Nova Iorque, na Pennsylvania e New Jersey são esperadas também grandes conquistas para o GOP. E em termos de senadores, quase seguramente irão manter o lugar no New Hampshire, e eleger Pat Toomey na Pennsylvania. E podem conquistar lugares (muito díficil, especialmente no primeiro caso) em Nova Iorque e Connecticut. Estes estados serão muito interessantes para verificar a dinãmica na noite eleitoral. Como serão os primeiros a revelar os números das votações, serão reveladores para o resto da noite.


22
Mar 10
publicado por José Gomes André, às 02:52link do post | comentar | ver comentários (1)

Dia histórico nos Estados Unidos: depois de semanas de discussão - e de um fim-de-semana particularmente activo - a Câmara dos Representantes votou favoravelmente o plano de reforma de saúde proposto pela Administração Obama e reformulado pelo Congresso. Todos os Republicanos votaram contra, mas a liderança Democrata (e neste aspecto há que tirar o chapéu a Nancy Pelosi) conseguiu evitar uma excessiva cisão no seu partido, garantindo assim os votos necessários: apesar de 34 Democratas terem votado desfavoravelmente, o projecto-lei passou com 219 votos a favor e 212 contra. Para que esta reforma ansiada pelo Partido Democrata venha a ser posta em prática, resta agora apenas que o Presidente Obama promulgue o referido projecto-lei - o que deve suceder nos próximos dias.

 


13
Mar 10
publicado por José Gomes André, às 01:53link do post | comentar | ver comentários (3)

Um dos dados estruturais que permitem antever um resultado negativo para o Partido Democrata em Novembro reside no domínio alargado que este usufrui no Congresso. Depois de um período de maior influência Republicana, os Democratas encetaram recuperações notáveis em 2006 e 2008. Na Câmara dos Representantes conquistaram 53 lugares em duas eleições (21 em 2006, 32 em 2008). E no Senado, passaram de 45 membros (em 2004) para 51 (2006) e, em 2008, para uma bancada muito alargada (que chegou a ser de 60 membros e é agora de 59, depois da derrota no Massachusetts). 

 

Em sentido inverso, os Republicanos estão num dos pontos mais baixos da sua representação política federal em muitos anos. Na verdade, a sua bancada actual na Câmara dos Representantes é a mais diminuta desde 1992; e no Senado só encontramos situação tão calamitosa (41 membros) há mais de três décadas.

 

Em suma, os Democratas atingiram com as vitórias claras de 2006 e 2008 um tal domínio no Congresso, que poderíamos designá-lo de "máximo valor possível", especialmente num quadro bipolarizado que caracteriza a política americana. Da mesma forma, os Republicanos partem de uma situação tão frágil que se torna quase inevitável que recuperem vários lugares em ambas as câmaras. Naturalmente, a dimensão desta recuperação será determinante para avaliar a importância da sua vitória, mas esta torna-se também explicável - desde já - pela desproporcionalidade de forças que se verifica actualmente no Congresso.

 


23
Jan 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:35link do post | comentar | ver comentários (7)

Na próxima quarta-feira, Barack Obama vai discursar perante as duas câmaras do Congresso, no tradicional State of the Union Adress. Um dos assuntos mais aguardados na sua declaração é precisamente a sua posição sobre a reforma da saúde. Depois da derrota dos democratas no Massachusetts, as dúvidas sobre o futuro desta reforma adensaram-se. Mas Obama discursou ontem no Ohio, e deu a entender que não vai desistir. 

 

Uma sondagem da Gallup refere que 55 por cento dos americanos pede o fim desta reforma, contra 39 por cento que pensa que os democratas devem avançar. Bill Clinton disse que o desastre das eleições de 1994 foi precisamente por terem desistido da reforma da saúde. Obama parece acreditar nisso, e está disposto a prosseguir. Se deixasse cair a reforma, a sua base de apoiantes iria sentir-se traída, complicando ainda mais a sua tarefa neste ano eleitoral. Pelo que depreendi das suas palavras no Ohio, Obama deverá anunciar na próxima quarta-feira que não desiste, e que irá continuar a apoiar esforços para aprovar uma nova lei da saúde. Mas ao não desistirem, Obama, Pelosi e Reid deverão encontrar um caminho para o sucesso. Que neste momento ainda não se vislumbra. 

 

Chris Matthews, apresentador do Hardball da MSNCB, em entrevista ao congressista democrata da Florida Alan Grayson, disse que era impossível aprovar a lei através do procedimento de reconciliação. A argumentação de Matthews,  e não desmentida por Grayson (parecia que não sabia do que estava a falar), é que é impossível criar uma nova legislação de base através deste método. Não sei se é verdade, mas este seria o método mais curto para avançar desde já. A outra possibilidade, que já referi aqui, não é neste momento uma hipótese, pois não existem os votos na Câmara dos Representantes para aprovar a lei do Senado. Se estes dois cenários estão realmente afastados, como poderão os democratas avançar?

 


arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar neste blog