10
Nov 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:49link do post | comentar | ver comentários (1)

A política moderna é um tabuleiro onde os executantes têm uma margem de manobra cada vez mais curta para errar, e uma jogada mal concebida pode significar o xeque-mate a toda uma carreira. Quando falamos numa campanha presidencial americana, os holofotes de todo o mundo mediático perseguem todas as acções públicas dos candidatos. Uma ida ao café, uma conversa no avião ou um encontro casual na rua com um eleitor pode transformar-se num pesadelo para o político profissional. Esta campanha presidencial já teve episódios caricatos de pessoas serem entrevistadas nas televisões nacionais porque um candidato não falou muito tempo com ela num avião, ou porque um cidadão não gostou de uma resposta de um candidato. Durante 24 horas os candidatos são perseguidos, por jornalistas ou por cidadãos anónimos, para procurar uma falha, uma frase mal concebida ou uma gaffe. É o panorama mediático que temos, com muitas virtudes, mas que torna a vida dos políticos cada vez mais complexa. Políticos consagrados como Winston Churchill ou John F. Kennedy não sobreviveriam no actual sistema mediático. Se tivessem vivido na nossa era não teriam passado de um rodapé na história. 

 

Ontem à noite no Michigan, Rick Perry, governador do Texas desde 2001, o mais antigo governante em exercício dos Estados Unidos, cometeu o erro "mortal" de não se lembrar de uma proposta sua. Questionado sobre quais os três departamentos que iria eliminar do governo federal, Perry apenas se lembrou de dois. Foram 50 segundos confrangedores (podem vê-los aqui) que colocaram em evidência perante o mundo a fragilidade e as insuficiências deste candidato. Pode acontecer a qualquer um? Certamente. Quem é que nunca bloqueou num momento importante? Mas Perry é um político. Candidato ao cargo mais importante dos Estados Unidos e tudo o que ele faz é escrutinado ao milímetro por uma horda mediática sedenta de novidades. E quanto pior, melhor. Claro que Perry conseguiria sobreviver a estagaffe se nos anteriores debates não tivesse demonstrado outras debilidades. Mas não posso lamentar que um ser humano seja exposto a esta brutalidade de se colocar perante o mundo numa situação tão humilhante. As pessoas esperam políticos robots, infalíveis e certeiros, sempre com a resposta pronta para todas as questões. Nem sempre é possível. Nada me move a favor de Rick Perry, um dos piores candidatos deste ciclo eleitoral, mas não deixei de sentir alguma tristeza por este seu momento. Os políticos merecem ser derrotados por outro tipo de situações que não uma falha de memória num momento de elevada pressão, como são os debates presidenciais. Em relação a Perry, bem, entrará para a história da comunicação política como autor de um dos instantes mais embaraçosos e dramáticos de um político em directo. Estou certo que este vídeo irá ser visualizado em muitas salas de aulas de comunicação nas universidades de todo o mundo. 

 

Publicado originalmente no Cachimbo de Magritte


publicado por Nuno Gouveia, às 14:24link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Ontem à noite decorreu mais um debate republicano, o primeiro que não pude ver, e por isso não vou falar sobre o debate. Mas as notícias que já li não deixam margem para dúvidas. Rick Perry voltou a falhar de forma estrondosa, pondo término às suas já reduzidas aspirações a vencer estas primárias. O ser humano é uma máquina falível e ontem Perry sucumbiu. Podia acontecer a qualquer um, mas Perry já tinha tido prestações fraquíssimas em anteriores debates, o que só amplifica esta questão. Não deixa de ser triste quando isto acontece a alguém num palco desta dimensão. Este vídeo irá rapidamente espalhar-se pelos cantos do mundo e a carreira de Perry irá ficar marcada para sempre com esta gaffe. Um momento para a história da comunicação política. 


06
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:37link do post | comentar

 

Na política americana os verdadeiros protagonistas do debate nem sempre os políticos. Situação única no mundo, são muitas vezes os consultores de comunicação, os famosos spin doctors, que ocupam o palco principal na arena mediática. Ao contrário de Portugal, estes são profissionais da política e ocupam um espaço bem definido no espectro ideológico. Por isso, são sempre interessantes de seguir as polémicas entre estes especialistas. 

 

O Daily Beast dá palco a dois especialistas. Na semana passada, Paul Begala, veterano da campanha de Bill Clinton de 1992 e um dos mais respeitados estrategas democratas, elogiou Karl Rove pela sua capacidade de angariar dinheiro... para os democratas. Rove não se ficou e respondeu esta semana. Num tom irónico, o antigo conselheiro de George W. Bush afirma-se como um "péssimo" angariador de fundos, pois os democratas têm angariado muito pouco dinheiro, ao contrário da sua organização, que ainda há pouco declarou que iria investir 20 milhões de dólares este Verão numa campanha contra o presidente Obama. Independentemente das razões de um lado e outro, fica a boa disposição, o humor e o respeito que estes demonstram um pelo outro. Paul Begala chega mesmo a elogiar o adversário. Deste lado espera-se que a polémica não fique por aqui,  e prossiga com mais uma resposta de Begala. 


11
Abr 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:21link do post | comentar

A política americana é fascinante e não raras vezes emergem durante as campanhas presidenciais nomes que marcam uma geração. Por aqueles lados não se tem medo de arriscar. Tim Pawlenty tem sido, de longe, o melhor candidato republicano até ao momento. O Rui Calafate, sempre muito atento à realidade política do outro lado do Atlântico, também já reparou nele. Hoje Pawlenty anunciou a contratação do seu director de campanha, Nick Ayers, de apenas 28 anos, um dos jovens talentos do Partido Republicano. Nos últimos anos foi director executivo da Associação Nacional de Governadores Republicanos, trabalhando na coordenação das grandes vitórias alcançadas em 2009 e 2010. Será também um dos mais jovens directores de campanha da história da política americana, e nos últimos tempos, segundo relatos da imprensa, já tinha sido "namorado" por outros potenciais candidatos. Posso estar enganado, mas esta contratação acerta em cheio naquilo que Pawlenty necessita: talento, juventude e energia. A política precisa de sangue novo e contacto com as novas gerações. E não chega utilizá-los como bandeiras eleitorais como tantas vezes se observa; é preciso dar-lhes poder de decisão e capacidade para influenciar decisivamente o rumo dos acontecimentos. Foi isso que Pawlenty fez com esta contratação. 

 

Do que tenho observado, Pawlenty é um sério candidato à melhor campanha do próximo ciclo eleitoral. Mesmo que não consiga vencer as primárias. Ainda está nos últimos lugares das sondagens, mas o seu potencial de crescimento é enorme, pois é ainda um desconhecido do grande público. Ainda não tem o carisma que é necessário para vencer umas primárias, mas uma campanha de sucesso pode mudar isso. O seu staff tem vindo a engrossar com antigos colaboradores das campanhas presidenciais de John McCain e George W. Bush, e é cada vez mais uma opção viável para os que pensam a estratégia presidencial do GOP. Ao contrário do que seria de esperar, não teve receio em entregar a direcção da sua campanha a um jovem. 


09
Mar 11
publicado por Nuno Gouveia, às 21:22link do post | comentar | ver comentários (1)

O livro "Game Change", dos jornalistas Mark Halperin e John Heilemann, sobre a campanha presidencial de 2008, vai ser adaptado para filme pelo canal HBO. Por enquanto, apenas se sabe que será realizado por Jay Roach e será protagonizado por Julianne Moore no papel de Sarah Palin. Já tive a oportunidade de o ler e aconselho.


14
Fev 10
publicado por Nuno Gouveia, às 01:31link do post | comentar

Já ano passado tinha visto esta ideia dos cartões do GOP e tinha achado bastante piada. Uma forma divertida de fazer política e oferecer "armas" aos seus apoiantes para espalhar a mensagem. E a verdade é que já foram enviados directamente do site mais de 237 mil postais virtuais. Um sucesso. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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