31
Jan 13
publicado por Nuno Gouveia, às 17:48link do post | comentar

 

Uma análise política ao filme "Lincoln", no Cinebox da TVI24.pt, que estreia hoje em Portugal. Além da prestação de Daniel Day-Lewis, destaque para algum realismo histórico, o que nem sempre se observa neste tipo de filmes, e o afastamento daquela imagem quase perfeita e romanceada que por vezes se tenta passar de Lincoln. Vale bem a pena ir ver o filme.

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13
Jan 13
publicado por Nuno Gouveia, às 22:43link do post | comentar | ver comentários (4)

 

Zero Dark Thirty, um filme de Kathryn Bigelow que está nomeado para os Óscares, está desde já envolto em polémica devido ao tema da tortura e das técnicas de interrogatório utilizados pela CIA durante os anos que se seguiram ao 11 de Setembro. O filme conta a história de alguns elementos da CIA na caça de Osama Bin Laden, que culminou em 2011 com a eliminação do líder da Al-Qaeda no Paquistão. Zero Dark Thirty, que contou com a colaboração de informações vindas da Administração Obama, esteve para estrear antes das eleições presidenciais, mas acabou por ser exibido apenas recentemente nos Estados Unidos devido às criticas de sectores conservadores na época, que temiam fosse um acto de propaganda em favor de Barack Obama. Na realidade, essas críticas mostraram-se completamente infundadas, pois o que é relatado no filme, a acreditar na sua história, é apenas a história dos elementos da CIA que desde 2001 lideraram a caça a Bin Laden e poucas referências são feitas às administrações Bush e Obama.

 

O inicio do filme é poderoso e marcante, e que provoca a polémica actual. Nessas primeiras cenas vemos um elemento da Al-Qaeda a ser interrogado por dois operativos da CIA num seus dos famosos black sites, sendo que um deles recorre ao Waterboarding, à privação do sono e à música de heavy-metal para quebrar o prisioneiro. Não sendo bem claro no filme se foram estes métodos que levaram à informação sobre o correio de Bin Laden, a realidade é quem visiona o filme fica claramente com a sensação que o prisioneiro cede ao interrogatório e revela o nome da pessoa que viria a levar a CIA, anos depois, até à casa onde Bin Laden se refugiava no Paquistão. E é aqui que a polémica rebenta: os senadores John McCain (R), Diane Feinsten (D, e Carl Levin (D) criticaram violentamente o filme por mostrar que as técnicas de interrogatório da CIA contribuíram decisivamente para eliminar Bin Laden. Na verdade, as informações que têm saído sobre este tema nos últimos anos têm sido contraditórias: vários membros da Administração Bush, como o antigo director da CIA, Michael Hayden ou o Procurador Geral, Michael Mukasey, têm afirmado que esses métodos foram importantes para o processo Bin Laden, o que tem sido negado por vários políticos com acesso à informação privilegiada, como os referidos senadores. E em quem acreditar nesta história toda? Isso fica para cada um decidir de acordo com as informações conhecidas publicamente.

 

Que houve elementos da Al-Qaeda que foram submetidos a actos questionáveis, como o Waterboarding ou a privação de sono, isso é um facto. Se esses métodos foram eficazes na obtenção de informação relevantes, penso que nunca saberemos com toda certeza. O que temos assistido é que quem defende a utilização desses métodos em situações extremas afirma que foram eficazes. Quem é contra, diz que o inverso. Estes métodos deixaram de ser sancionados pelo governo americano nos últimos anos de Bush. A luta contra o terrorismo prosseguiu nos últimos anos, com a Administração Obama a aumentar a utilização de Drones para eliminar terroristas da Al-Qaeda, com grande sucesso, sendo que a sua captura deixou de ser uma prioridade. O que seria melhor? Capturá-los para retirar informações ou simplesmente eliminá-los? Um debate que ganha contornos ainda mais interessantes, quando Obama nomeou para a CIA John Brennan, que esteve directamente envolvido na espionagem da agência nos anos Bush. Zero Dark Thirty estreia esta semana em Portugal, sendo que tem recebido boas críticas. A ver e retirar ilacções. 


25
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 01:13link do post | comentar | ver comentários (11)

O documentário "Obama's America 2016", baseado num livro de Dinesh D'Souza, filho de indianos de Goa e com descendência portuguesa, alcançou esta sexta-feira o número um da box office do cinema americano. É provável que este filme anti-Obama seja ultrapassado ainda durante este fim de semana, como relata esta notícia, mas não deixa de ser um excelente indicador para os republicanos, que iniciam segunda-feira a sua Convenção Nacional em Tampa. Na próxima semana escreverei por aqui algumas impressões desta convenção, onde são esperados mais de 15 mil pessoas da área dos media. 


13
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 11:49link do post | comentar

 

Este fim de semana tive a oportunidade de ver o magnífico filme The Best Man, de Franklin J. Schaffner, com argumento de Gore Vidal. A história anda à volta de uma convenção negociada (Brokered Convention) numas eleições presidenciais, com dois candidatos a disputar a nomeação de um partido. Algo que desapareceu do léxico da política americana desde que as primárias assumiram a primazia no processo de nomeação presidencial, mas que em 1964, data do filme, era ainda uma realidade. E o que podemos observar neste filme é que, apesar de novas roupagens, dos métodos de comunicação terem evoluído e das campanhas serem radicalmente diferentes, a essência da política não se alterou substancialmente nestes últimos cinquenta anos. E se olharmos para a política norte-americana, então essa visão é ainda mais análoga.

 

Em relação aos grandes temas em discussão, nenhum dos abordados pelo filme (excepção para a segregação, que felizmente está hoje bem longe do debate político e da ameaça comunista) deixou de estar na ordem do dia. Já na época se discutia o poder do estado, a baixa de impostos ou os direitos dos estados. Uma campanha em que, mais do que discutir sobre as políticas em confronto, incidia sobretudo na resiliência de uma liderança forte e disposta a tudo contra um candidato idealista mas titubeante e indeciso. De um lado temos Henry Fonda, representando uma visão mais romântica da sociedade, um político com princípios mas ao mesmo tempo infiel e com um casamento de fachada, a contrabalançar entre a difícil decisão de destruir o seu adversário através de jogo sujo ou ser derrotado. Do outro, temos um Cliff Robertson implacável, moralista e sem escrúpulos, decidido a vencer a todo o custo, mas também com uma crença inabalável nas suas ideias políticas e na justiça das suas causas. Pelo meio, um antigo Presidente que manobra nos bastidores para ajudar a nomear o seu candidato. As traições, as reviravoltas e as inflexões de “momentum”, também não faltaram. Ou seja, os ingredientes indispensável para uma emocionante disputa política. Um filme que, em tempos de campanha presidencial americana, se aconselha. 


24
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 02:02link do post | comentar

Estreia em Março, no canal americano HBO. 

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14
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 18:50link do post | comentar | ver comentários (1)

 

A hipótese chegou a ser pensada e quem o afirma é James Baker, antigo Secretário de Estado de George H. Bush e director da sua campanha presidencial de 1988. Quando Bush estava a quase 20 pontos de Michael Dukakis e precisavam de um candidato a Vice Presidente capaz de "abanar" a corrida, Clint Eeastwood, então mayor republicano de uma cidade da Califórnia, foi um dos nomes em cima da mesa. A opção acabou por ser Dan Quayle, senador do Indiana. Se Eastwood tivesse sido convidado, provavelmente os Estados Unidos teriam ganho um grande político, mas o mundo teria perdido alguns dos melhores filmes das últimas décadas. A história é contada aqui no site da ABC News


28
Set 11
publicado por Nuno Gouveia, às 10:16link do post | comentar

 

Um thriller político que promete, com George Clooney e Ryan Glosling nos principais papeis, que estreia em Novembro em Portugal. Uma história que envolve um consultor político idealista que mergulha na política suja de uma campanha presidencial. Entram ainda Evan Rachel Wood, Phillip Seymour Hoffman, Paul Giamatti e Marisa Tomei. 

 

Ainda sobre filmes políticos, aconselho a leitura desta lista do Rui Calafate, a propósito deste post de Luís Paixão Martins. Entre os citados na área da política, os meus preferidos são Primary Colors, Wag the Dog, All The King`s Men e Nixon. Acrescentaria dois documentários que já referi aqui: um sobre a campanha presidencial de Bill Clinton, War Room, e outro sobre a vida de Lee Atwater, The Boogie Man

 


09
Mar 11
publicado por Nuno Gouveia, às 21:22link do post | comentar | ver comentários (1)

O livro "Game Change", dos jornalistas Mark Halperin e John Heilemann, sobre a campanha presidencial de 2008, vai ser adaptado para filme pelo canal HBO. Por enquanto, apenas se sabe que será realizado por Jay Roach e será protagonizado por Julianne Moore no papel de Sarah Palin. Já tive a oportunidade de o ler e aconselho.


01
Mar 11
publicado por Nuno Gouveia, às 13:26link do post | comentar

 

Esta notícia tinha-me escapado. Felizmente o Rui Calafate, sempre muito bem informado, escreveu sobre o assunto. Aaron Sorkin, o criador da excelente The West Wing e argumentista de vários filmes de qualidade, como o The Social Network ou The American President, vai estrear-se na realização com um filme sobre John Edwards. O argumento é inspirado no livro de The Politician, the Andrew Young, o assessor de Edwards que revelou ao mundo os pormenores sórdidos da vida do antigo candidato presidencial. No entanto, e para equilibrar a história, Sorkin garantiu que irá ouvir o próprio Edwards. (aqui uma boa entrevista com Sorkin na BBC sobre o filme).

 

Esta é uma das histórias mais fascinantes da política americana das últimas décadas. A vida de um político que esteve perto da Vice-presidência em 2004 e chegou a ser considerado como uma das forças mais poderosas do Partido Democrata. Do que conheço, esta história reúne os condimentos para um grande filme: ambição, poder, traição e sexo. Resta esperar que Sorkin consiga transpor para a tela todo o percurso da ascensão e queda de Edwards.

 

Em 2010 escrevi este post sobre John Edwards.



15
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 10:56link do post | comentar

Steven Spielberg está a preparar um novo trabalho cinematográfico sobre a vida de Abraham Lincoln. O actor escolhido para encarnar a personagem do primeiro Presidente republicano  foi Daniel Day-Lewis. O argumento de "Lincoln" é inspirado no livro "Team of Rivals", de Doris Kearns Goodwin e foi escrito por Tony Kushner, conhecido pelo seu trabalho no mundo do teatro, mas que também já trabalhou com Spielberg, nomeadamente no excelente "Munich". A produção estará a cargo de Kathleen Kennedy e Steven Spielberg. Segundo a Dreamworks, o filme irá focar-se sobretudo nas divisões na Administração Lincoln durante a guerra civil e no processo de abolição da escravatura. A estreia está marcada para 2012. Um dos filmes mais aguardados para os próximos anos.



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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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