29
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 10:36link do post | comentar

Os meios digitais foram essenciais nesta última campanha eleitoral. Tenho vindo a reunir uma série de artigos sobre este assunto que tenho encontrado nos mais variados sites. Para os interessados, podem seguir o meu Scoop dedicado ao tema. Em breve espero também iniciar aqui uma série de artigos sobre o modo comos os candidatos utilizaram o digital nas suas campanhas. A primeira impressão, e facilmente registada durante a campanha, é que, mais uma vez, Obama liderou nesta área.


08
Nov 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:01
José Gomes André em 09/11/2012 às 00:41link do post | comentar | ver comentários (6)

Estes são números sempre interessantes de ler, até porque, na Europa, não estamos habituados a ver semelhante análise dos eleitorados.

 

Mas vamos ao que interessa:

 

Votos por escalão etário:

 

18/29 anos: Obama 60%, Romney 37%

30/44 anos: Obama 52%, Romney 45%

45/64 anos: Obama 47%, Romney 51%

65 anos ou mais: Obama 44%, Romney 56%

 

Voto étnico

 

Brancos: Obama 39%, Romney 59%

Hispânicos: Obama 71%, Romney 27%

Negros: Obama 93%, Romney 6%

Asiáticos: Obama 73%, Romney 26%

Outros: Obama 58%, Romney 38%

 

Voto por género

 

Homens: Obama 45%, Romney 52%

Mulheres: Obama 55%, Romney 44%

Homens Brancos: Obama 35%, Romney 62%

Mulheres Brancas: Obama 42%, Romney 56%

 

Voto por rendimento

 

< USD 30.000: Obama 63%, Romney 35%

< USD 50.000: Obama 60%, Romney 38%

> USD 50.000: Obama 52%, Romney 43%

>USD 100.000: Obama 44%, Romney 54%

 

Voto por religião

 

Protestantes: Obama 42%, Romney 57%

Católicos: Obama 50%, Romney 48%

Judeus: Obama 69%, Romney 30%

Outros: Obama 74%, Romney 23%

Ateus: Obama 70%, Romney 26%

 

Principais contrastes com 2008:

 

Obama perdeu 6% do voto jovem (18/29 anos), 4% do voto das mulheres brancas, e Romney ganhou 5% no voto dos homens brancos (face a John McCain) e 3% nas mulheres brancas; Romney ganhou 9% no voto judaico e 3% no católico. Obama ganhou 4% no voto hispânico e perdeu 3% no voto negro (com pouco significado, pois passou de 96% para 93%).

 

Tudo isto contribui para uma análise sociológica das eleições, e para se aferir da posição dos dois partidos nos vários segmentos sociais, étnicos e etários.

  

Fonte (por estranho que pareça!): Le Figaro


07
Nov 12
publicado por Alexandre Burmester, às 15:35link do post | comentar | ver comentários (22)

 Os níveis de afluência de um lado e de outro terão acabado por ser determinantes, embora a afluência global nestas eleições tenha ficado aquém da de 2008. O notável, sem dúvida, foi como a coligação democrática se aguentou, como o Nuno já referiu. O peso eleitoral de jovens e minorias manteve sensivelmente a mesma força relativa que em 2008, e poderá ser um factor a manter-se no futuro. A diminuida margem de vitória do Presidente Obama (um caso raro em eleições presidenciais, como o Nuno também referiu), de 52/45 para 51/49, terá ficado a dever-se aos melhores números de Mitt Romney junto dos independentes em comparação com John McCain, já que a afluência republicana não terá sido muito diferente, proporcionalmente, da de 2008. Digo isto tudo tendo apenas visto os números por alto, mas parece-me serem estas as conclusões.

 

Assim sendo, há que tirar o proverbial chapéu às sondagens estaduais, pois a grande maioria delas sempre previu a manutenção da afluência da coligação democrática, ao contrário das sondagens nacionais de empresas como a Gallup e a Rasmussen. A primeira, que chegou a dar vantagens de 5/6 pontos a Romney antes do Furacão Sandy, previa uma superioridade republicana na afluência, e a segunda trabalhou com base numa média entre a afluência de 2008 e a de 2004.

 

Finalmente: qual terá sido o verdadeiro efeito do "Sandy"? Bem, particularmente, acho que o espectáculo do "Furacão Christie" (o Governador republicano de New Jersey, Chris Christie) de braço dado com o Presidente Obama aquando da visita deste a a New Jersey terá tido um efeito mais importante que propriamente o furacão em si mesmo, ao permitir ao Presidente mostrar-se amistoso e cooperante com o partido adversário. Muitos republicanos não perdoarão a Christie - um potencial candidato nas primárias do partido em 2016 - mas há que não esquecer que o homem é o governador republicano de um estado acentuadamente democrático e que, daqui a um ano, enfrenta uma campanha de reeleição.


05
Nov 12
publicado por Alexandre Burmester, às 21:29link do post | comentar | ver comentários (5)

À boca das urnas, as mais recentes sondagens - de facto "tracking polls" - da Rasmussen e da Gallup dão o mesmo resultado. A Gallup tinha interrompido as suas sondagens desde o Furacão Sandy, mas é de notar que, antes desse fenómeno natural, vinha dando vantagens de 4% a 6% a Mitt Romney.

 

Aparentemente a boa resposta - pelo menos do ponto de vista mediático - do Presidente Obama ao furacão granjeou-lhe alguma simpatia de última hora.

 

Está tudo mesmo muito renhido. Amanhã a Rasmussen publicará ainda uma sondagem. Acho que vai ser uma longa noite, e, se calhar, mais que isso, pois os regulamentos de contagem dos votos dos ausentes no crucial estado do Ohio poderão atrasar o resultado algumas semanas, caso nenhum dos candidatos aí obtenha uma vitória suficientemente clara. Diga-se, a este propósito, que os candidatos democratas costumam conseguir uma votação nacional superior à que obtêm no Ohio, pelo que estas sondagens não são, aparentemente, muito simpáticas para Obama.

 


03
Nov 12
publicado por Alexandre Burmester, às 21:40link do post | comentar | ver comentários (13)

É normal as diferenças entre os candidatos diminuirem nos dias que antecedem as eleições. Este ano, tivemos também um fenómeno extra-humano (Al Gore diria que não o é), que foi o Furacão Sandy, o qual permitiu ao Presidente Obama assumir-se como presidente durante uns dias, em vez de ter de estar na pele do simples candidato Obama, o que decerto lhe terá trazido um aumento de popularidade.

 

Desde a chegada do furacão, temos estado restringidos em termos de sondagens, como já referi , e essencialmente tem-nos faltado a "tracking-poll" da Gallup, que estava a dar a Mitt Romney vantagens nunca inferiores a 4% desde há algum tempo.

 

A Gallup irá, segundo informa, publicar apenas mais uma sondagem antes das eleições, mas essa não é a questão essencial, até porque há outras sondagens respeitáveis. As coisas podem ter-se tornado mais renhidas, favorecendo Barack Obama, mas a questão essencial, mais histórica e estatística que meramente sujeita ao mundo cada vez mais incerto das sondagens, é que as questões básicas, os "fundamentals", continuam a ser desfavoráveis ao Presidente: menos de 40% dos americanos acham que o país está "no caminho certo", e a taxa de desemprego subiu para 7,9% no último mês.

 

Nenhum presidente, desde Franklin Roosevelt em 1936, foi reeleito com uma taxa de desemprego superior a 7,2%.

 

Quanto ao Colégio Eleitoral, último refúgio e esperança daqueles que temem perder o voto popular, sejam de que partido forem:  se qualquer dos dois candidatos tiver uma vantagem no voto popular superior a 1%, dificilmente perderá no Colégio Eleitoral.

 

Terca-Feira vai ser uma longa noite! 


01
Nov 12
publicado por Alexandre Burmester, às 20:37link do post | comentar | ver comentários (2)

 

 

 

Trata-se apenas de uma expressão metafórica - digo isto antes que surjam comentários mais ou menos febris!;-)

 

A verdade é que a repentina interrupção da campanha presidencial por causa do furacão Sandy, acrescida do facto de várias sondagens terem deixado de ser publicadas devido à catástrofe, veio introduzir nestes últimos dias de campanha algumas incógnitas cuja existência conhecemos (ou, para usar a linguagem do antigo Secretário da Defesa Donald Rumsfeld noutro contexto, "known unknowns").

 

E, destas incógnitas, a principal é : será que o desempenho do Presidente Obama como Comandante-Chefe (melhor dizendo, atendendo às circunstâncias, Comandante dos Sapadores-Bombeiros) nestes dias seguintes à passagem do furacão será suficiente para o reeleger?  Eu só digo: mal do Presidente que "precisa" de uma catástrofe natural para ser reeleito.


26
Out 12
publicado por Alexandre Burmester, às 22:49link do post | comentar | ver comentários (16)

Ora bem, não custa nada fazer uma previsão, até porque, para além dos expectáveis comentários mais ou menos trocistas de alguns dos nossos estimados e pacientes leitores, nada de grave se perfila no horizonte em caso de erro na previsão:

 

Faltam 10 dias para as eleições, e pondo de lado qualquer imponderável do género "October Surprise", eu atrevo-me a prever uma vitória de Mitt Romney com entre 50,5% e 52% do voto popular. Se isso se traduzir numa vantagem superior a 1% da votação popular (não esqueçamos que há vários outros candidatos, nomeadamente o libertário Gary Johnson) tenho poucas dúvidas de que também no Colégio Eleitoral Romney prevalecerá.

 

Em que me baseio? Pois bem, as principais sondagens têm nos últimos dias vindo a dar a Romney uma vantagem de 3%/4%, e em nenhuma delas o Presidente Obama consegue atingir os 50%, um número fulcral para um "incumbente", já que, maioritariamente, os indecisos tendem a decidir-se a favor do "challenger".

 

Já sei que choverão os argumentos de que, supostamente, Obama estará à frente no Colégio Eleitoral, mas esse argumento cai pela base se, como atrás disse, Romney vencer por mais de 1%. As sondagens a nível estadual são sempre menos fiáveis, e a ponderação de afluência partidária que a maioria delas tem vindo a utilizar parece-me demasiado cautelosa. Ninguém, no seu perfeito juízo, achará que Obama consiga as afluências de jovens, negros e hispânicos - ou de democratas pura e simplesmente - que obteve em 2008.

 

Finalmente, mais uma previsão: em 2012 o Wisconsin provavelmente substituirá o Ohio como estado decisivo.

 

 

PS Brevemente farei aqui previsões para o Senado e para a Câmara de Representantes. 

 

 


22
Out 12
publicado por Alexandre Burmester, às 20:43link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

 

A "Surpresa de Outubro" ("October Surprise") é um suposto estratagema eleitoral utilizado especialmente - mas não só - em anos renhidos, normalmente pelo partido que ocupa a Casa Branca. As duas mais famosas de que me lembro foram o anúncio da suspensão dos bombardeamentos ao Vietname do Norte por parte do Presidente Lyndon Johnson a poucos dias das eleições de 1968, o que quase, de novo, custava a eleição a Richard Nixon (que enfrentava o Vice-Presidente Hubert Humphrey), e a proclamação de Henry Kissinger, em 1972 - numa altura, diga-se, em que a reeleição de Richard Nixon estava mais que garantida - de que a paz (no Vietname) estava ao virar da esquina ("Peace is at hand").

 

Pois bem, há já especulação sobre se este ano assistiremos a nove passe de magia do mesmo estilo, e o comentador conservador e antigo conselheiro de Bill Clinton, Dick Morris, pensa que sim. Sugere Morris que o Presidente Obama poderá anunciar antes das eleições um acordo com o Irão, mediante o qual aquele país poria em prática uma moratória no enriquecimento de urânio, em troca do levantamento de algumas das sanções internacionais em vigor contra si.

 

Em 1968, Richard Nixon manobrou nos bastidores depois do anúncio da "October Surprise", e conseguiu que o Presidente do Vietname do Sul, Nguyen Van Thieu, rejeitasse os termos negociais propostos por Johnson, o que, em parte, retirou potência àquele truque de última hora. Este ano, a verificar-se este anúncio, só resta a Mitt Romney questionar o cinismo e oportunismo de tal manobra e fazer o eleitorado reflectir acerca das razões que levariam os "ayatollahs" a negociar apressadamente com Barack Obama antes das eleições.

 

 

 

foto: o Presidente Lyndon Johnson 


06
Out 12
publicado por Alexandre Burmester, às 15:28link do post | comentar | ver comentários (1)

Não vou entrar na discussão - algo bizantina - acerca do rigor dos números do desemprego ontem divulgados pelo Departamento de Estatísticas Laborais dos E.U.A., mas direi apenas isto: mensalmente, cerca de 250.000 pessoas chegam ao mercado de trabalho; assim sendo, como é que, num mês em que apenas 114.000 novos empregos (abaixo da expectativa) foram criados, a taxa de desemprego baixou de 8,1% para 7,8%? A resposta só pode ser uma: o número de pessoas que desistiu de procurar emprego e, como tal, deixou de contar para a estatística.

 

Independentemente da discussão em torno dos números do desemprego, o público em geral tende a olhar para o cabeçalho, neste caso, "Desemprego baixa assinalavelmente", e isso só pode ser benéfico para o Presidente Obama, embora possa argumentar-se que, nesta fase da campanha, as descidas ou subidas do desemprego já não alterarão o sentido de voto do eleitorado, o qual já terá incluído essas flutuações na sua decisão. Mas os números de ontem decerto não prejudicarão em nada Barack Obama.

 

Os adeptos do Presidente irão agora observar co0m atenção - e porventura alguma ansiedade - as próximas sondagens, na tentativa de discernirem uma recuperação presidencial depois do desastre de Denver. Em relação a este último, embora ainda seja cedo, a verdade é que a corrida parece estar a ser afectada por aquele quase-cataclismo, com algumas sondagens a darem vantagem a Mitt Romney nos cruciais estados de Florida, Virgínia e, sobretudo, Ohio, um estado sem o qual os republicanos nunca ganharam a Casa Branca. E a nível nacional, a corrida está a tornar-se mais renhida - mas já havia sinais disso antes de Denver.

 

Que esperar daqui para a frente? Bem, é difícil Obama ter mais duas prestações tão fracas como a de Denver nos próximos dois debates. Mas o principal trunfo retirado por Romney do primeiro debate nem foi tanto, a meu ver, a sua clara vitória, mas sim a oportunidade que teve - e aproveitou - de dar-se finalmente a conhecer ao eleitorado em geral. Pelo que, não creio que os próximos dois debates venham a ser tão influentes como este, exceptuando gaffes monumentais, nem, tampouco, o debate vice-presidencial, no qual, contudo, prevejo que o Vice-Presidente Joe Biden vá tentar colocar à defesa o Congressista Paul Ryan.

 

Perante este quadro, acho que a corrida vai permanecer renhida até ao fim e que, precisamente de hoje a um mês, quando os eleitores americanos forem votar, só uma pessoa arrojada ousará prever com um grande grau de certeza o resultado da eleição.


26
Set 12
publicado por Alexandre Burmester, às 23:17link do post | comentar | ver comentários (16)

Ora bem, lendo o artigo do Nuno Gouveia sobre a tendência das sondagens, eu diria que, sem retirar nesta fase favoritismo a Barack Obama, há alguns factores a ter em conta:

 

1. Mesmo as sondagens que tomam apenas em consideração votantes prováveis não têm todas uma ponderação democratas/republicanos, em termos de provável afluência em Novembro, completamente credível porque:

 

2. Muitas sondagens estão a usar um modelo de ponderação baseado na afluência de 2008, o que me parece verdadeiramente irreal;

 

3. Algumas sondagens (Rasmussen, Purple States, Survey USA) estão a basear os seus modelos numa ponderação algures entre a afluência partidária de 2004 e a de 2008, o que me parece mais realista. Mas mais:

 

4. Historicamente, desde 1972, a base republicana é tendencialmente mais fiel ao seu candidato que a democrática (grosso modo numa relação 82%/79%).

 

5. As convenções partidárias tiveram este ano lugar bem mais tarde que o normal, pelo que Obama (a convenção democrática foi a segunda, como compete ao incumbente) ainda estará a beneficiar do impulso das convenções; 

 

6. Ninguém - nem nas mais recônditas caves da Casa Branca ou de Chicago - aguarda uma afluência proporcionalmente tão grande de negros, hispânicos e jovens como a que teve lugar em 2008;

 

7. Obama continua basicamente empatado com Romney no fulcral segmento dos independentes, pelo que a sua "vantagem" actual nas sondagens poderá muito bem ser atribuída a questões de ponderação de afluência partidária.

 

Pelo que, a corrida continua, no meu entendimento, renhida. Nesta altura, em 2004, George W. Bush tinha uma vantagem média de 5,5% nas sondagens, mas acabou por ganhar por apenas 3 pontos percentuais (51/48). As corridas tendem a tornar-se mais renhidas para o final. Assim sendo, acho que o rufar de tambores por parte do partido do burro e seu côro nos media é essencialmente prematuro.


10
Ago 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:05link do post | comentar | ver comentários (12)

Sairam ontem duas sondagens que davam folgada margem ao Presidente Obama, uma da CNN/Opinion Research (Obama 52%, Romney 45%) e outra da Fox News/Anderson Robbins Research (D)/Shaw & Company Research (R) (Obama 49%, Romney 40%).

 

Numa altura em que as sondagens, dêem elas vantagem a um ou outro dos candidatos, têm sido quase sempre renhidas - e muitas dentro da margem de erro - estas duas são particularmente surpreendentes, e, a serem correctas, seriam sem dúvida um forte estimulo para a recandidatura do Presidente.

 

Só que, no mesmo dia, a Gallup Tracking Poll dá a Obama apenas 2% de vantagem (47%/45%) e a Rasmussen Tracking Poll dá hoje uma vantagem de 4% a Romney (47%/43%).

 

Acresce que a sondagem da CNN é baseada em adultos (estejam ou não recenseados , embora grande parte da amostra seja de recenseados), e a da Fox em recenseados (tal como a da Gallup). Já a da Rasmussen foca-se apenas em votantes prováveis, uma medida mais rigorosa, como já tenho referido.

 

Há ainda a questão das ponderações partidárias, e outras, das amostras, às quais não tive acesso, e que permitiriam uma melhor análise.

 

Eu diria, pelos números que têm sido publicados ao longo dos últimos meses, que as sondagens da Gallup e da Rasmussen estarão mais em linha com o sentimento público, do que as publicadas pela CNN e pela Fox, que me parecem claramente "outliers".


28
Jul 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:17link do post | comentar | ver comentários (8)

 

 

 

 

Mitt Romney encetou um périplo internacional que o levará à Grã-Bretanha, Polónia e Israel. Este é o tipo de digressão que os candidatos presidenciais com menores credenciais em política externa vêm sentindo necessidade de efectuar. Já em 2008 Barack Obama fez o mesmo, visitando a inevitável Grã-Bretanha e efectuando até uma espécie de comício em Berlim, perante uma adoradora multidão. Alguns - uns com admiração, outros com cinismo - disseram estar-se perante "o candidato europeu" às eleições presidenciais americanas.

 

Mas além de procurar ganhar credenciais em política externa, Romney procurará decerto nesta digressão estabelecer um contraste com a política externa de Obama. Esta última, mercê essencialmente da retirada americana do Iraque (aliás já programada por George W. Bush, e porventura apenas possível devido ao famoso "surge" militar americano naquele país no tempo dele) e ao audacioso e bem sucedido ataque à residência de Osama bin Laden, e consequente morte do líder da Al Qaeda, tem até sido considerada, ao contrário do que muitas vezes tem sucedido com presidentes democratas, uma das vertentes bem sucedidas do mandato de Obama.

 

Mas mesmo assim, há aspectos da política externa de Obama que têm sido alvo de crítica dos republicanos. Logo à partida, aquilo que eles consideram como negligência, e até indiferença, de Obama para com o mais tradicional aliado dos E.U.A., a Grã-Bretanha, cujas tropas, convém não esquecer, formam o segundo maior contingente no Afeganistão, tal como já o haviam feito no Iraque. De facto, a "Relação Especial" entre as duas potências anglo-saxónicas, que vem essencialmente do tempo da Segunda Guerra Mundial e da dupla Churchill-Roosevelt (na foto) já terá conhecido melhores dias, e, por exemplo, não caiu bem em certos meios britânicos, nem entre os republicanos, a decisão de Obama de devolver à Embaixada Britânica em Washington o busto de Churchill que esta emprestara no tempo de George W. Bush. Num gesto simbólico, Romney já anunciou que pedirá de novo emprestado o referido busto.

 

Apesar das suas efusões anglófilas, Romney não começou bem esta sua incursão na política externa e nas relações com o velho aliado, como o Nuno Gouveia já aqui  referiu. Mas tratar-se-á de pormenores pouco importantes, e o Reino Unido não seria atá o principal objectivo desta viagem - Romney, aliás, como CEO dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002 em Salt Lake City, fora convidado a deslocar-se a Londres, a propósito da abertura da Olimpíada de 2012. A aliança anglo-americana é tão importante que nunca seria a devolução de um busto ou uns comentários infelizes acerca do grau de preparação dos britânicos para o arranque dos Jogos Olímpicos que a poriam em causa.

 

Os principais objectivos desta viagem de Romney serão então as outras duas etapas da mesma, Polónia e Israel. No caso polaco, ainda não cessaram as reverberações da decisão unilateral de Obama de cancelar a instalação do escudo anti-míssil previsto para território polaco, cujo principal objectivo era, aliás, o de defender o Ocidente de um Irão com possível capacidade nuclear e munido de mísseis inter-continentais. Dada a oposição russa à instalação desse escudo, Obama acabou por decidir pelo seu cancelamento, mas o facto de não ter consultado os aliados polacos antes de tomar tal decisão caiu mal em Varsóvia e entre os "falcões" da política externa americana. Na Polónia Romney, que decerto se absterá de criticar abertamente o presidente do seu país enquanto numa digressão pelo estrangeiro - estabelecendo novo contraste com Obama, que em 2008 foi acusado de não se ter coibido de criticar Bush na sua viagem pela Europa - tentará passar a mensagem de que os E.U.A., sob uma sua eventual administração, tratarão sempre bem os aliados, preferindo abraçá-los a eles que aos inimigos e rivais. Este é um tema antigo da política externa republicana, e só mesmo um homem com as credenciais anti-comunistas e de política externa de Richard Nixon  podia dar-se ao luxo de abraçar inimigos e rivais, como nas suas famosas viagens a Pequim e Moscovo em 1972, e ao Cairo em 1974. Mas fazia-o a partir de uma posição de força.

 

A mais simbólica etapa do périplo de Romney será contudo, certamente, Israel. Tanto no estado judaico como em determinados círculos americanos existe a percepção - e a crítica - de que Obama é o presidente dos E.U.A. menos amistoso para com Israel desde a criação daquele país. Neste seu primeiro mandato não visitou o estado judaico, e ainda esta semana tivemos  o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, a recusar-se a responder a uma pergunta - algo provocatória, é certo - de uma jornalista sobre qual cidade a Administração Obama considerava ser a capital de Israel. Portanto, em Israel, Romney decerto fará juras de amor eterno para com a pátria dos judeus. Não será tanto entre a comunidade judaica americana - que tradicionalmente vota democrata numa média de 70% - que o candidato republicano almejará ganhar grandes simpatias com esta sua visita, mas convém não esquecer que o eleitorado americano em geral é significativamente pró-israelita.

 

Seja como for, a política externa não é o tema principal desta campanha. Mas é sempre conveniente e  de bom tom um candidato mostrar-se sintonizado com a arena internacional.

 

 


27
Jul 12
publicado por Alexandre Burmester, às 20:44link do post | comentar | ver comentários (1)

Como já aqui referi, as notícias mais recentes sobre a economia americana não têm sido muito animadoras.

 

E agora foram publicados os números relativos ao crescimento económico no 2º trimestre, os quais revelam uma queda dos 2% anualizados do 1º trimestre para uns meros 1,5%. Já um crescimento de 2% era inadequado para fazer baixar o desemprego, mas com 1,5% é de temer piores notícias nessa frente, quando os números de Julho forem publicados no início do próximo mês.

 

Se a economia já era o factor número um na campanha eleitoral deste ano, tudo indica que vai tornar-se ainda mais importante, ao contrário de, por exemplo, 2004, onde a Guerra do Iraque foi o principal tema da campanha.

 

E refiro-me a 2004 porque nesse ano, por esta altura, George W. Bush enfrentava sérias dificuldades em ser reeleito, comparáveis às de Barack Obama neste momento. Mas Bush conseguiu inverter a "narrativa" e as expectativas no que à Guerra do Iraque dizia respeito, a tempo de conseguir uma vitória tangencial. Será que Obama conseguirá fazer o mesmo em relação à economia?


25
Jul 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:45link do post | comentar | ver comentários (14)

 

 

Aquilo que parecia ser uma recuperação lenta mas segura da economia dos E.U.A. tem sofrido sérios revezes nos últimos meses. O desemprego parece ter "encalhado" acima dos 8% (e isto usando apenas medidas restritivas da sua medição) e a actividade económica parece estagnada, ou mesmo, segundo alguns, a caminho da recessão.

 

 Com efeito, os índices de produção industrial e serviços do Richmond Fed cairam a pique este mês. Brevemente teremos números acerca do PIB no segundo trimestre e do emprego no mês de Julho. Os segundos serão especialmente importantes.

 

Perante isto, é normal que a Campanha Obama tente reforçar os seus ataques ao seu opositor. Da questão Bain/Impostos passámos agora para a questão da inexperiência de Mitt Romney em matéria de política externa (o mesmo se poderia dizer do Obama de 2008, claro, e não se tem saído mal de todo).

 

Mas os constantes ataques de Obama a Romney têm tido um efeito negativo para o Presidente: se bem que o seu índice de "Job Approval"  há muito seja basicamente negativo, o seu índice de popularidade pessoal permanecia em franco terreno positivo. Mas este último número já apresenta valores negativos em algumas sondagens, o que poderá ser consequência precisamente da campanha negativa que o Presidente se vê obrigado a conduzir - uma fatalidade, dado o fraco desempenho da Economia e a impopularidade relativa do seu principal feito doméstico, a reforma da saúde. 

 

Isto dito, a verdade é que os números de Romney nas sondagens também não têm progredido. Colocado na defensiva com os ataques constantes do campo contrário, Romney não tem sido capaz de transmitir uma imagem positiva ao eleitorado. Para vencer em Novembro não bastará a Romney fiar-se na opinião negativa do eleitorado acerca do actual ocupante da Casa Branca. Também tem de dar-se a conhecer a esse eleitorado e transmitir uma imagem positiva e de optimismo - como Ronald Reagan em 1980 e Bill Clinton em 1992.


17
Jul 12
publicado por Alexandre Burmester, às 22:34link do post | comentar | ver comentários (10)

"If you have a business (...), somebody else made that happen"

 

Alguns opositores mais radicais do Presidente Obama têm-no acusado de ser socialista (um termo praticamente pejorativo nos E.U.A.). A acusação pode ser descabida, mas não é com frases como a que cito que Obama faz desvanecer essa ideia.

 

Mas o Presidente não diz estas coisas necessariamente por convicção ideológica, embora muita gente ache que sim. Chama-se a isto "mobilizar as bases", neste caso as bases mais radicais do Partido Democrático, que Obama necessita que não fiquem em casa no dia 6 de Novembro. E, além disso, está confrontado com um opositor com uma carreira empresarial, pelo que desmanchar o "mito" dos empresários de sucesso também será uma táctica útil.

 

Mas, mesmo assim, eu questiono a utilidade deste tipo de tiradas numa campanha presidencial nos E.U.A. Como é evidente - e já está a acontecer - elas provocam uma óbvia e fácil reacção do campo adversário. O Senador Rob Portman - um dos nomes apontados como favorito a ser o parceiro de Mitt Romney na corrida - já afirmou (ver o mesmo vídeo com link acima) que "precisamos de um presidente que entenda que é o sector privado, e não o governo, que cria emprego." E o próprio Romney já considerou estas declarações do Presidente um insulto aos empreendedores.

 

 


publicado por Alexandre Burmester, às 16:36link do post | comentar | ver comentários (2)

 

 

Intensificam-se as sugestões de que Mitt Romney poderá muito brevemente anunciar o seu parceiro na corrida à Casa Branca - ou seja, bastante mais cedo do que é costume.

 

Há quem diga que o fará até ao fim do mês, antes de partir para um périplo pelo estrangeiro, e há até gente da sua campanha que não desconta que o anúncio seja feito ainda esta semana.

 

A escolha do candidato vice-presidencial traz muitas vezes surpresas, especialmente entre os republicanos, cujas quatro últimas escolhas foram Dan Quayle, Jack Kemp, Dick Cheney e Sarah Palin - todas inesperadas.

 

Mas Mitt Romney tem a reputação de ser um homem cauteloso e meticuloso, pelo que me não parece que vá haver surpresa desta vez. Já aqui disse que acho que a escolha vai recair entre o Senador Rob Portman do Ohio e o ex-Governador do Minnesota Tim Pawlenty, mas agora vou "stick my neck out" e dizer que acho que o escolhido vai ser mesmo Tim Pawlenty. E estou obviamente pronto a engolir as minhas palavras!

 

 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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