07
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 12:53link do post | comentar | ver comentários (4)

Outro tema que irá consumir certamente espaço aqui no blogue nos próximos tempos. O Partido Republicano sai arrasado destas eleições. Mais do que Mitt Romney, que certamente irá ser muito criticado por ter perdido, apesar que continuo a pensar que fez uma boa campanha, foi o Partido Republicano o grande derrotado de ontem. As derrotas no Senado são devastadoras e ninguém pensaria que os republicanos acabariam por perder lugares. Nem mesmo a manutenção da maioria da Câmara dos Representantes irá manter a calma. Prevejo uma guerra civil nos próximos tempos. Vencedor da noite do lado republicano? Marco Rubio. Com mais tempo explicarei porquê. 


31
Out 12
publicado por Alexandre Burmester, às 17:05link do post | comentar | ver comentários (9)

 

 

 

 

Tinha dito que faria esta previsão, e há que ser rápido, pois pretendo antecipar-me ao Larry Sabato, já que não quero ser acusado de plágio!;-)

 

Pois bem: prevejo um empate no novo Senado, o que dará ao Vice-Presidente um voto de qualidade.

 

Assim sendo, prevejo que os republicanos, que actualmente detêm 47 lugares, conquistem lugares no Nebraska, Montana, North Dakota, Virgínia e Wisconsin. Isto levá-los-ia a um total de 52 lugares, mas em contrapartida prevejo que Scott Brown seja derrotado no Massachusetts, além da perda para um independente do lugar vagado no Maine.

 

Pode haver variações, como o curioso caso do Missouri, onde Todd Akin, depois da sua famosa "gaffe", e talvez ajudado pelos excelentes números de Mitt Romney no estado, tem vindo a aproximar-se da Senadora Claire McCaskill. Mas acho que McCaskill se aguentará e mantenho a previsão de empate.

 

Quanto à Câmara dos Representantes, ninguém prevê outra coisa que não seja uma vitória republicana. Actualmente a maioria republicana na segunda câmara é de 50 lugares (241/191) - há alguns lugares vagos, o total de membros é de 435 - , pelo que a questão será apenas qual será essa maioria depois das eleições. Não creio que haja alteração de vulto e calculo que os republicanos fiquem com entre 236 e 240 lugares, e os democratas com entre 195 e 199.

 

 

Nota: o independente que será provavelmente eleito pelo Maine, Angus King, deverá alinhar com o grupo democrático no Senado.


27
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:11link do post | comentar | ver comentários (2)

 

No próximo ano as atenções vão estar essencialmente direccionadas para a eleição presidencial. Mas as eleições para a Câmara dos Representantes e especialmente para o Senado serão também elas fulcrais para o futuro dos Estados Unidos. E se em principio, a menos que uma hecatombe suceda ao Partido Republicano, a maioria na Câmara dos Representantes deve manter-se do lado do GOP, no Senado, o poder poderá mudar de mãos. 

 

Neste momento o Partido Democrata tem uma maioria de 53-47 sobre os republicanos, mas o número de lugares em disputa (23 Ds e 10 Rs) coloca esta vantagem em perigo. Os republicanos precisarão apenas de conquistar quatro lugares para assumirem a maioria no Senado, perdida em 2006. Hoje Ben Nelson, democrata conservador do estado do Nebraska, anunciou que não se vai recandidatar, atirando este lugar quase de certeza para a coluna republicana a partir de 2013. Outro lugar que deverá mudar de partido é o Dakota do Norte, onde o democrata Kent Conrad também já anunciou a retirada. De resto, considera-se que poderá haver eleições disputadas no Havai, Novo México, Virginia, Wisconsin, Florida, Michigan, Missouri, Montana, Ohio, Washington (ocupados por democratas) e Arizona, Massachusetts e Nevada (ocupados por republicanos). Considerando que os republicanos, em condições normais, poderão perder apenas o senador Scott Brown do Massachusetts, não é díficil encontrar cinco lugares facilmente conquistáveis. Não desprezando o efeito que as eleições presidenciais terão nestas corridas, é perfeitamente legítimo afirmar que os republicanos deverão ter maioria nas duas câmaras do congresso a partir de 2013. O que poderá facilitar imenso a vida a um Presidente republicano ou complicar a vida ao segundo mandato de Barack Obama. 


02
Ago 11
publicado por Nuno Gouveia, às 01:17link do post | comentar

A Câmara dos Representantes aprovou esta noite o aumento do limite do endividamento, com cortes na despesa de mais de 2 biliões na próxima década. A lei passou à vontade, com 269 votos a favor e 161 contra. A bancada republicana demonstrou mais apoio à lei, com 174 congressistas a aprovarem contra 66 votos negativos. Pelo contrário, os democratas dividiram-se ao meio, com 95 votos para cada lado. Amanhã ao meio dia a lei deverá ser aprovada no Senado, onde precisa de mais de 60 senadores.


27
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 11:39link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Este debate sobre o limite o endividamento tem demonstrado a falta de liderança de Barack Obama. Mas também colocou em evidência a total irresponsabilidade e incapacidade de governar de alguns membros do congresso, nomeadamente alguns republicanos da Câmara de Representantes. Repare-se que este debate está a ser feito sobretudo nos moldes dos conservadores: apenas haverá cortes na despesa, o aumento de impostos já está fora das negociações, e a dúvida agora é apenas sobre o número a cortar. Mesmo assim, alguns congressistas, como a irresponsável Michele Bachmann, têm dito que não votarão a favor do aumento do limite do endividamento. Estes republicanos, que utilizam sempre a Constituição em todos os discursos, parecem não perceber os fundamentos do sistema americano, feito de checks and balances e assente na divisão de poderes. Neste momento o GOP apenas controla metade de um "braço" do poder, a Câmara dos Representantes, com a outra componente do poder legislativo, o Senado, a pertencer ao Partido Democrata, bem como o poder executivo, a Casa Branca. Sendo que o Partido Republicano apenas controla 1/3 do poder, seria normal que houvesse cedências. Mas não para estes hard-liners, que só aceitarão um acordo que lhes dê vitória total.

 

John Boehner apresentou um plano para o aumento do limite do endividamento. A sua aprovação no Congresso seria uma grande vitória para o Partido Republicano. Se tal não suceder devido aos sectores do Tea Party na Câmara dos Representantes, as consequências poderão ser catastróficas para o próximo ciclo eleitoral. Em editorial, o Wall Street Journal, normalmente alinhado com os republicanos, ataca de frente o Tea Party e as suas vozes mais estridentes. Nesse artigo, uma expressão feliz que retive: This is the kind of crack political thinking that turned Sharron Angle and Christine O'Donnell into GOP Senate nominees. Depois não se queixem.

 

Uma nota para a posição dos candidatos republicanos: estão a demonstrar a mesma falta de liderança de Barack Obama. Romney elogiou o plano de Boehner, mas não disse que o apoiava. As inestimáveis Palin (que ainda não é candidata) e Bachmann criticaram a proposta do Speaker, e Pawlenty, que não pode perder de vista a sua colega do Minnesota, ficou-se pelos elogios à liderança de Boehner. Jon Huntsman, que não descola dos últimos lugares, foi o único que afirmou claramente o seu apoio a este novo plano. Estarão a imitar o papel dos senadores Barack Obama, Harry Reid e Joe Biden, que em 2006 votaram contra um aumento do limite do endividamento? Esta seria uma boa altura para provarem que estão à altura do cargo a que se candidatam. 


12
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:01link do post | comentar

O herói dos libertários americanos anunciou hoje que vai retirar-se do Congresso após 2012. Candidato presidencial à nomeação republicana, pretende deste modo concentrar todos os esforços na sua candidatura. Sem reais hipóteses de sucesso, pretenderá no entanto deixar uma marca mais forte neste ciclo eleitoral e provavelmente preparar o caminho para o seu filho Rand Paul em 2016 ou 2020. Uma longa carreira em Washington que irá desta forma terminar no próximo ano, depois de 12 mandatos como congressista do Texas. 


05
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:08link do post | comentar


04
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 15:11link do post | comentar | ver comentários (1)

Os republicanos passam a partir deste mês a partilhar o poder em Washington. John Boehner já traçou o primeiro voto do ano: a revogação da lei da saúde está agendada para dia 12 de Janeiro. Não duvidando do sucesso imediato da iniciativa legislativa republicana, esta tende sobretudo a marcar a agenda política para o novo ciclo. Sabendo que esta revogação nunca passará no Senado dominado por democratas, os republicanos dão assim inicio à campanha presidencial de 2012. O debate irá estender-se ao longo dos próximos dois anos, pois a única hipótese viável de tal revogação suceder será os republicanos conquistarem a Casa Branca, bem como a maioria no Senado.

 

O outro sinal que tem vindo do lado republicano é que este Congresso irá activamente investigar a Casa Branca. O novo líder do Comité responsável, Darrel Issa, tem vindo a dar entrevistas sobre os seus potenciais alvos das audições: corrupção no Afeganistão, Wikileaks e papel das agências do governo, são algumas da áreas que a nova Câmara dos Representantes poderá investigar. E será aqui que os republicanos poderão causar maiores dificuldades à Administração Obama.

 

Serão dois anos muito interessantes para seguir em Washington, e por ora, as conversações bipartidárias estão em segundo plano. Mas ainda neste primeiro trimestre deverá começar a negociação do plano financeiro protagonizado por Paul Ryan, o congressista republicano do Wisconsin, para sanear as contas públicas americanas. Com cortes previstos em quase todos os sectores da Administração Pública, o Roadmap de Ryan será um teste à verdadeira motivação dos políticos de ambos os partidos para controlarem o défice estrutural dos Estados Unidos.



03
Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:24link do post | comentar

John Boehner, o próximo Speaker da Câmara dos Representantes, emocionou-se no discurso de vitória.


publicado por José Gomes André, às 10:25link do post | comentar | ver comentários (2)

1. Os resultados ainda não são definitivos, mas é garantido que os Republicanos obtêm uma vitória estrondosa na Câmara dos Representantes, conquistando cerca de 65 lugares aos Democratas. A questão estrutural (os Republicanos partiam de um número anormalmente baixo de mandatos) não explica tudo: este foi manifestamente um voto maçico de protesto contra a agenda política Democrata e o Presidente Obama.

 

2. Os Democratas evitam um cenário eleitoral calamitoso devido a prestações razoáveis no Senado. Mantêm a maioria, o que bloqueará à partida qualquer tentativa dos Republicanos em operar uma revolução política a partir da Câmara dos Representantes.

 

3. Com maioria na câmara baixa e legitimidade política reforçada a partir do "voto popular", os Republicanos estão agora expostos à luz da ribalta. O povo americano puniu severamente os Democratas, mas não bastará aos Republicanos apregoar uma agenda meramente "oposicionista". Cabe-lhes apresentar medidas concretas para reduzir o défice federal, relançar a economia e combater o desemprego. Caso contrário, a fúria dos eleitores acabará por recair a médio-prazo no partido que ontem triunfou.

 

4. Obama tem agora a oportunidade - e o dever - de honrar uma das suas maiores promessas eleitorais: encetar lógicas de compromisso e de aproximação às forças Republicanas. O Presidente tem falhado rotundamente na sua missão de criar pontes de entendimento, mas será forçado a fazê-lo, pois a sua reeleição em 2012 dependerá em boa parte dessa sua capacidade conciliatória.

 

5. Em todo o caso - e por paradoxal que possa parecer - Obama não estará totalmente insatisfeito com os resultados. O cenário de divisão política gerado reforça o papel moderador do Presidente, entregando-lhe além disso de bandeja os temas de campanha para 2012: quando o processo legislativo avançar, sublinhará a sua capacidade de diálogo; se as políticas não resultarem, descreverá os Republicanos como "forças de bloqueio".

 

6. O Tea Party celebra, mas não efusivamente. Passa a ter representação específica no Congresso, mas não se consegue distanciar totalmente da imagem de algum radicalismo, o qual terá prejudicado as hipóteses Republicanas no Senado (vide o caso de Sharron Angle ou da famigerada Christine O'Donnell). As Primárias Republicanas de 2012 serão um teste decisivo à capacidade deste movimento, mas prevê-se a necessidade de controlar as franjas mais extremistas para que o mesmo venha de facto a marcar política e eleitoralmente os Estados Unidos.


publicado por Nuno Gouveia, às 02:51link do post | comentar | ver comentários (2)

A primeira conclusão a ser conhecida esta noite. John Boehner sucede a Nancy Pelosi como Speaker da Câmara dos Representantes.


26
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 09:59link do post | comentar

Daqui a oito dias finalmente estará terminado mais um ciclo eleitoral. Como sempre, nestas alturas todos os analistas dedicam-se a fazer as suas previsões. Vou deixar aqui algumas (a minha farei no fim de semana).

 

O Real Clear Politics dá uma vantagem de 51-49 para o Partido Democrata no Senado. O GOP conquistaria oito lugares (ND, AR, IN, PA, WI, IL, NV e CO) e não perderia nenhum lugar. Para a Câmara dos Representantes já prevêm a conquista da maioria, com 222 (precisam de 218) lugares a serem atribuídos aos republicanos, com 34 distritos a serem considerados empates técnicos. Uma onda gigantesca.

 

No site Daily Beast, a previsão é que o GOP vai ganhar a maioria nas duas câmaras. 51-49 no Senado e 224-211. A novidade aqui é que os republicanos vencem na Califórnia e West Virginia.

 

Nate Silver também prevê que os Democratas vão manter a maioria no Senado (52-48) e que vão perder na Câmara dos Representantes (230-205). Isto significaria que os republicanos conquistariam 52 lugares.

 

Charlie Cook, que não costuma falhar muito neste tipo de previsões, prevê que os republicanos vão conquistar mais de 40 lugares na Câmara dos Representantes e no Senado vão ganhar entre 7 e 9 lugares. Portanto sem maioria. Se forem 9 lugares, haverá empate de 50-50, o que daria a Joe Biden um papel de destaque na próxima sessão do Senado: o poder de desempatar.

 

Olhando para estes números, poderemos concluir que será uma grande surpresa se John Boehner não for o próximo Speaker da Câmara das Representantes e se o Partido Democrata não mantiver a maioria no Senado. Mas ainda falta uma semana...


02
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:58link do post | comentar

Previsão eleitoral construído por Nate Silver

 

Eu e o José Gomes André temos escrito sobretudo sobre a luta pelo controlo do Senado. Mas é na Câmara dos Representantes que existe uma possibilidade mais forte de mudança de controlo. Quase todos os analistas independentes prevêem que o Partido Republicano vá recuperar a maioria perdida em 2006. Nate Silver escreveu hoje um post onde atribui 67 por cento de possibilidades para tal suceder. Segundo a sua análise, há neste momento 50 lugares detidos pelos democratas onde os republicanos são favoritos. Pelo contrário, há apenas 4 lugares republicanos onde estes não são favoritos. O GOP precisa "apenas" de 39 lugares. Estes números indicam que é muito provável que John Boehner seja o próximo Speaker.

 

Um dado estatístico histórico: desde a década de 40 que sempre que houve mudanças na liderança na Câmara dos Representantes, o Senado acabou por seguir o mesmo caminho. Está certo que este ano os republicanos precisam de um número muito elevado (10) de conquistas para seguir a tradição. Mas não é impossível, como temos visto.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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