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Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:18link do post | comentar | ver comentários (3)

 

A noite de ontem teve duas partes bem distintas, destinadas a públicos diferentes, conforme se pode perceber pelo conteúdo dos discursos. As principais televisões nacionais (ABC, CBS e NBC) apenas transmitem em directo uma hora da convenção, pelo que é nesse período que são transmitidas as principais mensagens destinadas aos independentes e pessoas mais desafectas do processo político. Ontem os oradores nesse horário foram a esposa do governador republicano de Porto Rico, Luce Fortuño, Ann Romney e Chris Christie, governador de New Jersey. A primeira dama de Porto Rico, que introduziu Ann Romney, serviu essencialmente para dar um sotaque latino a este segmento. Como é tradicional, as esposas representam uma aposta das campanhas para apresentar o candidato de uma forma mais pessoal e emotiva. Foi isso que Ann Romney fez e, pelas reacções da sala, da imprensa e dos comentadores, saiu-se muito bem. Por vezes este tipo de discursos faz mais por um candidato que mil e um anúncios do género. Num momento mais político, e mais do meu agrado, seguiu-se a apresentação de Chris Cristie, um orador extraordinário que arrebatou por completo a audiência. O mais interessante é que não fez o típico discurso de "atack dog", que normalmente preenche o conteúdo do "Keynote speaker" da convenção, mas tentou transmitir uma mensagem optimista e de mudança para o futuro da América. E, como não podia deixar de ser, lançou excelentes soundbites. O meu preferido, sem dúvida: "Real leaders don't follow polls. They change polls". O país encontra-se perto de um abismo financeiro e os republicanos prometem tomar as decisões difíceis para alterar a situação. Bem, se o passado não os favorece muito, como a equipa de Obama tem tentado relembrar os eleitores, o presente, com diversos governadores republicanos como Chris Christie, que têm vindo a equilibrar os orçamentos nos seus estados, podem contribuir para dar essa força que Romney desesperadamente necessita. Christie, tal como outros governadores que falaram antes dele, tentou demonstrar que o estilo de governança de Romney será do género pós 2010 e não como George W. Bush. O que se pode retirar destes dois discursos? Os americanos gostam de líderes fortes capazes de tomar decisões difíceis e foi essa a mensagem que tentaram transmitir. Se as reacções foram muito boas para o republicano, o seu verdadeiro impacto também dependerá dos números de espectadores que estiveram ligados à televisão. 

 

A primeira parte da noite, mais destinada aos jornalistas presentes e aos espectadores de televisão por cabo que iam transmitindo alguns discursos, foi a parte mais desinteressante, mas também aquela onde se ouviram as mais ferozes críticas a Barack Obama. Arthur Davis, negro, antigo congressista democrata e desavindo com Barack Obama, fez um dos ataques mais aplaudidos, direccionado sobretudo aos eleitores que, como ele, ficaram desiludidos com o mandato do Presidente. Destaque para vários membros de minorias que discursaram, tentando apresentar um partido aberto às diferentes etnias que compõem os Estados Unidos: governadora de Carolina do Sul, Nikki Haley, descendente de indianos; Brian Sandoval, governador do Nevada, filho de mexicanos e Ted Cruz, candidato ao senado pelo Texas, filho de cubanos. De realçar que este é um Partido Republicano totalmente concentrado nos assuntos económicos e pouco disposto a discutir os assuntos sociais, como o aborto ou o casamento homossexual. A excepção? Rick Santorum, que foi bastante aplaudido quando relembrou que ainda bem que há um partidos nos Estados Unidos que é contra o aborto. De resto, os temas foram sobretudo económicos, pois é aí que os republicanos esperam vencer as eleições. A política externa esteve completamente ausente neste primeiro dia, uma das áreas que Obama tem recebido mais apoio do eleitorado americano. Hoje à noite será a vez de Paul Ryan subir ao palco, antecedido por Susana Martinez do Novo México e Condoleezza Rice. 


12
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:06link do post | comentar

 

As esposas dos candidatos têm um papel a representar na cena política americana. Ann Romney tem estado discreta até ao momento, mas já era de esperar que agora que a campanha para Novembro vai acelarar saltasse para a ribalta. E Mitt Romney bem vai precisar da sua esposa para conquistar o voto do eleitorado feminino, que neste momento permanece maioritariamente ao lado de Obama. Ninguém esperaria é que a emergência de Ann Romney fosse devido a um erro não forçado da candidatura de Barack Obama. 

 

Ontem à noite uma conselheira do DNC, nomeada por Obama, Hillary Rosen, disse na CNN que Ann Romney não poderia falar pelas mulheres americanas porque nunca tinha trabalhado na vida. Se formalmente é verdade, pois Ann preferiu ficar em casa a educar os cinco filhos em vez de trabalhar, politicamente esta declaração é um erro grosseiro, e que contraria a visão que a esmagadora maioria dos americanos têm das mulheres que tomam essa decisão. Os principais conselheiros de Obama, como David Axelrod e  Stephanie Cutter, percebendo o efeito perverso dessas declarações, surgiram pouco depois no twitter a condenar Rosen. Mas o mal já estava feito, criando aqui uma abertura para a campanha de Romney. Além deste tipo de declarações provocarem a união dos conservadores em redor de Romney (o que está a acontecer), dão uma oportunidade a Ann Romney para aparecer nas luzes dos media a ajudar o seu marido. A campanha de Romney agradece. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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