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Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:23link do post | comentar | ver comentários (1)

A confirmação da vitória de Lisa Murkoswki na eleição para o Senado no Alaska não pode deixar de ser considerada uma derrota pessoal de Sarah Palin, ainda por cima no seu próprio estado natal. Joe Miller ganhou a nomeação republicana depois da preciosa ajuda de Palin e do tea party, mas Lisa Murkowski, uma antiga adversária dos Palin no estado, não desistiu e avançou para uma candidatura "write in". Isto significa que o seu nome não constou no boletim de voto, mas que os eleitores podiam votar nela escrevendo o seu nome. Apesar da grande improbabilidade, a actual senadora derrotou o candidato oficial republicano e está de regresso a Washington, já tendo anunciado que se manterá na bancada republicana nos próximos seis anos.

 

Sarah Palin tem dado todos os sinais que vai mesmo avançar para uma candidatura presidencial em 2012, mas o seu caminho não será fácil. Considerada inexperiente, com poucos conhecimentos e não qualificada para o cargo pela maioria dos americanos, Palin conta com o apoio da base conservadora para obter a nomeação. Mas esta derrota, aliada à de Christine O´Donnell no Delaware, é um sério aviso às suas pretensões. A última sondagem no Alaska também a coloca em dificuldades, com o seu nome a aparecer apenas em quarto lugar nas preferências dos eleitores republicanos para a nomeação do partido. Nos últimos dias tenho lido sinais que muitos republicanos conservadores perceberam o sinal recebido nestas eleições intercalares: a mensagem é importante, mas também a qualidade dos candidatos. As derrotas dos candidatos "excêntricos" no Delaware, Alaska, Colorado e Nevada, lançaram um sinal de alerta: para vencer é preciso candidatos excepcionais e que consigam conectar com o eleitorado independente. Se estes candidatos tivessem todos vencido em 2010, Palin poderia ter o trabalho mais facilitado nas primárias.

 

Todas as sondagens conhecidas evidenciam que os eleitores republicanos não estão entusiasmados com as opções presidenciais mais fortes que neste momento existem: Palin, Romney, Huckabee e Gingrich. Mais do que nunca, há espaço para um candidato insurgente. Quem poderá ser esse nome?


29
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:45link do post | comentar

Provavelmente na próxima terça-feira à noite ficaremos sem saber o resultado final de muitas eleições. Recordo o que aconteceu em 2008 no Minnesota, que foi preciso esperar meses para saber que Al Franken derrotou o incumbente republicano Norm Coleman. Há várias eleições que podem ter o mesmo destino, dada a proximidade existente entre os candidatos. Estas deverão ser aquelas que vamos mesmo de ter de esperar pela contagem, e possivelmente, recontagem dos votos até ao fim.

Alaska – Joe Miller ou Lisa Murkowski? Um deles será o próximo senador do estado, mas com as sondagens a apontar para um empate entre eles, acredito que se irá repetir o que sucedeu nas primárias republicanas deste ano: esperar uns dias para saber quem ganhou. Se fossem eleições normais, apostaria em Murkowski, mas como os eleitores terão que escrever o nome dela no boletim, tudo pode acontecer.

 

Washington – A senadora Pat Murray (D) liderou durante muito tempo as sondagens, mas nas últimas semanas Dino Rossi (R) recuperou terreno e empatou a corrida. Todos os votos vão contar neste estado, mas a minha previsão vai para uma vitória da democrata.

 

Nevada – Aqui a minha aposta vai para a republicana. Sharron Angle tem liderado nas últimas sondagens, embora por curta margem, mas acredito que ambos os candidatos ficarão muito próximos.

 

Illinois – Mark Kirk (R) e Alexis Giannoulias (D) não são candidatos que entusiasmaram o eleitorado. Com um candidato dos Verdes na corrida a poder chegar aos 5 por cento, aposto numa vitória do republicano. Mas a vitória será sempre por alguns milhares de votos.

 

Colorado – Ken Buck, candidato do tea party, chegou a ser o claro favorito. Apesar de continuar a ser essa a minha previsão, os números de ambos vão ser muito próximos. O senador Michael Bennet, muito impopular no estado, beneficiou das gaffes e declarações insólitas do republicano.

 

West Virgínia – Joe Machin (D) fez campanha como um republicano conservador contra o verdadeiro republicano, John Raese. Em condições normais, Manchin, governador do estado e com índices de aprovação superiores a 60 por cento, venceria esta eleição com facilidade, mas o sentimento anti-Obama no estado é muito elevado. Apesar de acreditar numa vitória democrata, esta será sempre muito renhida.



28
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:58link do post | comentar

Joe Miller, o candidato que Sarah Palin catapultou para a nomeação, está em grandes dificuldades para ser eleito. Segundo uma sondagem publicada hoje, está atrás do democrata Scott Adams e da senadora Lisa Murkowski, que derrotou nas primárias republicanas. Miller até começou bem a campanha, pensando-se na altura que dificilmente seria batido nestas eleições. Mas as gaffes e os problemas acumularam-se nas últimas semanas, com a prisão de um jornalista por parte de seguranças da sua campanha e a revelação que teria utilizado computadores do seu trabalho para questões políticas. Apesar desta sondagem suscitar grandes dúvidas relativamente à sua fiabilidade, como revela aqui Jim Geraghty, é um forte indicador que as coisas não estão a correr bem para Miller.

 

Miller é o mais recente candidato apoiado pelo Tea Party a sentir dificuldades nesta campanha. Depois do "crash" da campanha de Christine O´Donnell no Delaware, esta é mais uma eleição que pode fugir ao Partido Republicano. Infelizmente para o Partido Democrata, esta derrota não será em seu favor, pois a senadora Lisa Murkoswki, que se candidatou depois de perder as primárias, já assegurou que caso seja eleita se manterá fiel ao GOP no Senado.

 

Este é um dos problemas que muitos candidatos do tea party têm apresentado: candidatos sem experiência nem "background" suficientemente investigado para enfrentar uma dura campanha sob os holofotes da sempre vigilante imprensa. A derrota de vários destes candidatos até pode ser benéfica para o Partido Republicano, que pode enfrentar as primárias presidenciais de 2012 mais "livres" do espectro destes candidatos do Tea Party. Karl Rove já percebeu isso e ainda hoje é noticia novamente nos Estados Unidos por manifestar grandes dúvidas da elegibilidade de Sarah Palin para Presidente.



18
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:01link do post | comentar | ver comentários (6)

Tenho escrito bastante sobre este movimento que revolucionou a vida política norte-americana. Uma vezes elogiando o seu papel no renascimento do Partido Republicano, que ainda há dois anos foi dado como morto, outras vezes criticando a sua influência nefasta em várias corridas eleitorais. E se considero que o saldo eleitoral acabará por ser amplamente favorável ao Partido Republicano, também é verdade que algumas das escolhas que foram feitas na época das primárias foram prejudiciais e que agora estão a revelar-se. E nem é vou falar novamente do caso de Christine O'Donnell, um errro crasso que entregou de mão beijada um lugar aos democratas. Mas há mais exemplos onde as coisas podem correr mal.

 

O Nevada é um caso sintomático: Sharron Angle até pode vencer Harry Reid e as sondagens até têm lhe dado uma ligeira vantagem nas últimas semanas. Mas com um outro candidato mais convencional, o destino do líder da maioria democrata já estaria traçado. Ainda na semana passada foi publicada uma sondagem que colocou o nome de Danny Tarkanian no boletim de voto em vez de Angle. O candidato derrotado nas primárias venceria confortavelmente Harry Reid. Angle simplesmente não tem jeito para a política, e algumas das suas intervenções continuam a ser, no mínimo, estranhas. Nunca na vida seria eleita Senadora dos Estados Unidos num ciclo eleitoral normal.

 

O Colorado é um swing state que neste momento tem dois senadores e um governador democrata, e votou em Barack Obama em 2008. Nos últimos anos, fruto da migração da California e dos hispânicos, este estado tem-se aproximado dos democratas. Mas 2010 é um ano diferente, e os republicanos têm/tinham grandes possibilidades de sucesso eleitoral. Para o senado escolheram um desconhecido, Ken Buck, mas apoiado pelo tea party. Uma eleição que deveria estar garantida contra o impopular senador Michael Bennet, neste momento encontra-se praticamente em empate técnico. E não sei se este tipo de declarações sobre a homosexualidade o vai ajudar neste combate.

 

No Alaska a situação também é problemática, apesar de não haver perigo deste lugar cair para os democratas. A senadora Lisa Murkoswki, que se candidatou depois de perder as primárias republicanas, já anunciou que se ganhar irá manter-se no caucus republicano. Joe Miller é um candidato articulado, mas que tem feito uma campanha ortodoxa. Depois de serem conhecidos alguns aproveitamentos pessoais que retirou do estado federal de programas que tem manifestado a sua oposição, disse que deixaria de falar com a imprensa sobre o seu passado. E este fim de semana, uns seguranças da sua campanha... prenderam um blogger que o tentava entrevistar durante uma acção de campanha. E a Primeira Emenda? Não é Joe Miller um defensor da Constituição Americana?

 

E porque será que no Kentucky, um estado tradicionalmente republicano, continua a ter sondagens que indicam alguma proximidade num ano como este? Aqui o caso é diferente, pois Rand Paul parece-me um candidato bem preparado e que, depois dos erros iniciais, tem feito uma boa campanha. E tenho poucas dúvidas que será senador a partir de 2011. Mas uma escolha mais convencional teria garantido esta vitória à partida e ninguém falaria desta corrida. E diga-se, o seu apelido Paul não é um grande suporte em certas franjas do eleitorado republicano e independente. Os milhões que estão a ser investidos neste Estado poderiam estar a ser gastos noutras corridas.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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