01
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:40link do post | comentar | ver comentários (7)

A dinâmica da corrida encontra-se claramente a favor de Obama. Na verdade, com mais ou menos distorções nas sondagens, o Presidente tem liderado a "corrida" desde há muito tempo. Apesar de ser uma vantagem quase sempre dentro da margem de erro das sondagens, Romney nunca nestes últimos meses conseguiu apresentar-se na frente. E isso não pode ser descurado numa análise realista a esta campanha. Mais, neste último mês, Obama parece ter "fugido" de Romney, com constantes sondagens a indicar-lhe uma vantagem mais confortável, principalmente em alguns swing-states. Se as eleições fossem hoje, provavelmente Mitt Romney venceria todos os estados de John McCain mais o Indiana e a Carolina do Norte, o que significaria uma vitória confortável de Obama. Isso coloca enorme pressão na sua prestação de quarta-feira, pois os media têm apresentado esta oportunidade como uma real possibilidade de reviravolta nesta corrida. Honestamente não espero que tal suceda. Com a excepção remota de um desastre de Obama no debate, o mais provável é que pouco ou nada mude após esta quarta-feira. O que pode contribuir para ajudar Romney? Três prestações aceitáveis nos debates (mostrando que está à altura da presidência), e que os eleitores indecisos e os que declaram que ainda podem mudar de sentido de voto, o escolham. Isso pode acontecer, se os debates lhe correrem relativamente bem, como disse, que Paul Ryan cilindre Joe Biden no seu debate, e que a sua campanha consiga acertar com a mensagem neste último mês, sobretudo focando-se nos problemas económicos do país. Não é uma tarefa impossível nem verdadeiramente herculeana. Mas há um mês a sua situação era mais fácil. 


28
Set 12
publicado por José Gomes André, às 18:35link do post | comentar | ver comentários (1)

É como os americanos chamam ao acto de seleccionar, a partir de um conjunto muito variado, uma sondagem particular favorável ao nosso argumento ou interesse. Assim como, perante uma taça com muitas cerejas, escolhemos as mais apetitosas. O resultado daquele acto é, naturalmente, pouco científico, impedindo uma análise racional sobre a tendência de um determinado evento político.

A cobertura da eleição presidencial americana tem sido marcada por actos constantes de cherrypickingA imprensa continua a divulgar as sondagens que mais interessam à sua narrativa (e já nem falo dos blogues!), esquecendo todas as outras publicadas no mesmo período. Nas últimas semanas, ora surgem referências a vantagens claras de Obama (7 pontos) ora a um empate técnico. Uns preferem as sondagens estaduais para anunciar Obama como o mais-que-provável-vencedor. Outros agarram-se à Rasmussen para descrever uma luta titânica.

 

Tudo isto é verdadeiro. E tudo isto é falso. Estes intervalos são naturais, se pensarmos que há diversas sondagens diárias nos EUA. Com tantos dados, podemos de facto contar a história que quisermos. A imprensa tenderá a narrar uma história emocionante, para manter vivo o interesse da opinião pública, mas uma análise séria deve sempre procurar olhar para a média ponderada das sondagens, a única forma de decifrar afinal a objectiva tendência da corrida.

É menos emocionante, claro. Não é divertido anunciar que a disputa deste ano tem-se mantido relativamente estável, com ligeira vantagem de Obama, reforçada nas últimas semanas, por factores ainda a determinar (eu aposto em Convenção Democrata e erros tácticos de Romney). Com tantas narrativas de altos e baixos, os leitores ficarão provavelmente surpreendidos ao verificar que Obama lidera as sondagens desde Novembro de 2011 (!) (média RCP).


26
Set 12
publicado por Alexandre Burmester, às 23:17link do post | comentar | ver comentários (16)

Ora bem, lendo o artigo do Nuno Gouveia sobre a tendência das sondagens, eu diria que, sem retirar nesta fase favoritismo a Barack Obama, há alguns factores a ter em conta:

 

1. Mesmo as sondagens que tomam apenas em consideração votantes prováveis não têm todas uma ponderação democratas/republicanos, em termos de provável afluência em Novembro, completamente credível porque:

 

2. Muitas sondagens estão a usar um modelo de ponderação baseado na afluência de 2008, o que me parece verdadeiramente irreal;

 

3. Algumas sondagens (Rasmussen, Purple States, Survey USA) estão a basear os seus modelos numa ponderação algures entre a afluência partidária de 2004 e a de 2008, o que me parece mais realista. Mas mais:

 

4. Historicamente, desde 1972, a base republicana é tendencialmente mais fiel ao seu candidato que a democrática (grosso modo numa relação 82%/79%).

 

5. As convenções partidárias tiveram este ano lugar bem mais tarde que o normal, pelo que Obama (a convenção democrática foi a segunda, como compete ao incumbente) ainda estará a beneficiar do impulso das convenções; 

 

6. Ninguém - nem nas mais recônditas caves da Casa Branca ou de Chicago - aguarda uma afluência proporcionalmente tão grande de negros, hispânicos e jovens como a que teve lugar em 2008;

 

7. Obama continua basicamente empatado com Romney no fulcral segmento dos independentes, pelo que a sua "vantagem" actual nas sondagens poderá muito bem ser atribuída a questões de ponderação de afluência partidária.

 

Pelo que, a corrida continua, no meu entendimento, renhida. Nesta altura, em 2004, George W. Bush tinha uma vantagem média de 5,5% nas sondagens, mas acabou por ganhar por apenas 3 pontos percentuais (51/48). As corridas tendem a tornar-se mais renhidas para o final. Assim sendo, acho que o rufar de tambores por parte do partido do burro e seu côro nos media é essencialmente prematuro.


publicado por Nuno Gouveia, às 11:55link do post | comentar | ver comentários (2)

À medida que entramos na fase dos debates, Barack Obama tem vindo a aumentar a vantagem conquistada na sua convenção. Se nas tracking polls a sua superioridade não é muito evidente, nas sondagens dos swing-states, Obama tem-se apresentado quase sempre na liderança, ora com vantagens curtas dentro da margem de erro, mas também, em algumas delas, com mais de 10 pontos. Diria que Romney naqueles estados considerados mais renhidos apenas estará à frente na Carolina do Norte, o que é indicativo das suas dificuldades, quando terá que ganhar pelo menos 6/7 desses estados. O que representam estes novos dados para a corrida? Ainda falta mais de mês, e já tivemos exemplos no passado de candidatos que conseguiram vencer apesar de uma desvantagem grande em Setembro. Mas é evidente que Obama tem conseguido superiorizar-se a Mitt Romney no importante mês de Setembro, altura em que os americanos começam a olhar com mais atenção para a campanha presidencial. Diria que Mitt Romney para vencer estas eleições terá de colocar em marcha a superioridade financeira que conquistou nos meses de Verão. Mas com um mercado televisivo inundado de anúncios de ambos os candidatos, isso não chegará. Sem ter prestações verdadeiramente convincentes nos debates ou algo de extraordinário aconteça até às eleições, Mitt Romney terá muitas dificuldades em vencer. E com uma importante achega: já começaram a votar em alguns estados, e se nesta primeira fase quem vota são essencialmente eleitores das bases partidárias, a partir do inicio de Outubro, começarão a votar outro tipo de eleitores. E quem estiver à frente nessa altura poderá começar já aí a vencer as eleições. Se há uns meses daria 50/50 de hipóteses de vitória para cada candidato, Obama hoje já estará na casa dos 60%. E a subir...


19
Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 10:29link do post | comentar | ver comentários (16)

Em temop de eleições, é normal comentadores e sobretudo pessoas menos atentas ao fenómeno clamarem: "depois disto, já perdeu". Nesta campanha presidencial já ouvimos isso mil e uma vezes. Aliás, começou quando Osama Bin Laden foi morto, com vários "especialistas" a declararem "Obama já está reeleito". Romney já foi morto e enterrado diversas vezes. As últimas vezes aconteceram depois da subida de Obama pós convenção e agora, com o seu vídeo dos 47%. Certo, Obama permanece favorito e até é provável que ganhe. E não digo que daqui a dois meses digamos: este foi o período em que Romney começou a perder. Talvez. Mas o que é inegável é que esta corrida mantém-se incrivelmente renhida e estável. Ontem, e depois da imprensa americana ter declarado Romney morto, mais uma vez, nas tracking polls a Gallup dava apenas 1 ponto de vantagem a Obama e a Rasmussen dois pontos a Romney. Com este buzz em redor do Romney, é provável que os números voltem a distanciar-se um pouco a favor de Obama, mas nada garante que Romney não regresse ao empate técnico. Neste momento diria que Obama terá assegurado os 47% do eleitorado que Romney referiu, enquanto o republicando andará à volta dos 45%. Logo ambos os candidatos têm margem suficiente para crescer e ganhar. Penso que no final dos debates teremos uma visão mais clara do resultado final. Agora, numa campanha tão disputada como esta estar a dizer "está ganho" ou "ele já perdeu" parece-me uma manifestação infantil de "wishfull thinking" que esbarra com a realidade que temos observado. E com isso ninguém ganha (do ponto de vista analítico).


10
Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:23link do post | comentar | ver comentários (2)

Os primeiros números das sondagens pós Convenção Democrata indicam claramente uma subida de Barack Obama, em contraste com o que sucedeu com a Convenção Republicana, que apontou apenas uma ligeira subida de Romney. Neste momento a Rasmussen dá 5 pontos de vantagem a Obama, a Gallup 5 pontos e a Reuters 4 pontos. Sendo que as três tracking polls indicam valores semelhantes, não há como duvidar: a Convenção Democrata teve um efeito mais positivo no sentimento dos eleitores. A partir daqui resta esperar para verificar se este valor irá manter-se, ou se, pelo contrário, os valores voltarão a equilibrar-se, como aconteceu nos últimos meses. Nas próximas semanas saberemos. 


06
Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:54link do post | comentar | ver comentários (10)

 

A Convenção Democrata tem corrido bem a Obama. Bons discursos de Michele Obama e Bill Clinton, que serão certamente rematados esta noite com mais uma excelente intervenção de Barack Obama. Disso parece não haver dúvidas. Continuo a pensar que o enfoque especial nos assuntos sociais tem sido exagerado e que poderá ofuscar um pouco esta convenção, tendo como exemplo disso o discurso patético do Joe the Plumber desta campanha, de seu nome Sandra Fluke. Além disso, os media americanos têm continuado a servir de perfeitos mestres de cerimónia do Presidente, elevando os aspectos positivos e escondendo os negativos. Alguém duvida que se o que se passou ontem na votação de Deus e Jerusalém, com um voto no mínimo de empate a ser transformado numa vitória de 2/3, seria um dos assuntos principais dos media, se se tivesse passado na convenção republicana? E as sucessivas descaracterizações que têm sido ditas na convenção, incluindo por Michele Obama e Bill Clinton, que tem passado quase incólumes nos meios de comunicação social americanos? Numa campanha política, há diferentes interpretações e declarações exageradas, mas parece que as democratas têm escapado ao radar dos principais media. Bem, para quem conhece o fenómeno político americano saberá que isso é perfeitamente normal e nenhuma vitória republicana foi alcançada com o apoio dos media nas últimas décadas. É evidente que com o nascimento dos media conservadores, especialmente na era da Internet, existe hoje um contraponto na sociedade americana. Mas se em 2008 os media foram os cheerleaders de Obama, ninguém esperaria que este ano fosse diferente. 

 

Se os discursos dos principais oradores têm sido eficientes, na verdade o problema para Obama nunca foi esse. Todos nos recordamos dos grandes discursos que proferiu ao longo do seu mandato, e, ao contrário da eleição de 2008, isso não tem sido suficiente para o livrar de apuros. Mitt Romney teve apenas uma ligeira subida nas sondagens após a sua convenção, estando neste momento, pela primeira vez em muito tempo, empatado a nível nacional na média do Real Clear Politics. A minha previsão é que Obama, após a convenção irá subir ligeiramente, retomando a liderança por curta margem, como tem estado nos últimos tempos. Ficaria surpreendido se acontecesse outro cenário, o da manutenção da actual situação ou de uma grande subida de Obama. A campanha tem estado bastante renhida e quase inamovível nestes últimos meses. Acredito que até aos debates, se não acontecer nada de extraordinário, a situação não se alterará. 

 

PS: Fernando, apesar de não ser meu hábito comentar matérias de fé, que só dizem respeito a cada um, abrirei uma excepção para ti amanhã :)


13
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:24link do post | comentar | ver comentários (3)

 

Passados dois dias do anúncio já se pode fazer uma análise ao modo como Paul Ryan foi recebido na corrida. A primeira conclusão (aparente) é que todos ficaram satisfeitos. Poucos nomes teriam o condão de unir o Partido Republicano como o congressista do Wisconsin. Desde os moderados, como David Brooks, que anteriormente já tinha apoiado o seu famoso Path to Prosperity, os media conservadores da Weekly Standard ou Wall Street Journal que tinham pedido o seu nome, até aos sectores mais conservadores afiliados com o Tea Party, todos apoiarão a escolha de Mitt Romney. Ao contrário de 2008, quando John McCain escolheu Sarah Palin, houve uma reacção inicial de surpresa, de agrado da base conservadora, mas também uma quase revolta nos sectores moderados e intelectuais contra a opção, que cresceu durante a campanha eleitoral. Desta vez ninguém espere que vozes próximas do Partido Republicano se insurja contra Paul Ryan, como aconteceu há quatro anos. Ryan é, talvez juntamente com Chris Christie, o único republicano que consegue recolher simpatias em todo o espectro conservador. Ao contrário do que vou lendo em alguns espaços, o problema não é o conservadorismo de alguns candidatos. Em 2010 alguns candidatos afiliados do Tea Party perderam eleições, mas não por serem muito conservadores. Foi precisamente porque eram incompetentes e sem qualificações. Pelo contrário, Marco Rubio na Florida  e recentemente Scott Walker no Wisconsin venceram em swing-states porque, apesar de pertencerem à ala conservadora do GOP, demonstraram qualidades  e souberem apresentar a sua agenda aos eleitores. Mitt Romney poderá perder as eleições, mas não acredito que seja por causa do conservadorismo de Paul Ryan. Diria que muitas vezes na América as qualidades dos candidatos são bem mais importantes do que a sua ideologia mais ou menos conservadora ou liberal. Como é que é possível que Barack Obama tenha ganho um estado tão conservador como o Indiana em 2008?

 

Conforme apontam os estudos académicos efectuados sobre os candidatos a Vice Presidente, raramente estes tiveram influência directa no resultado final. Os eleitores acabam por decidir sobretudo sobre o candidato presidencial. No entanto, esta opção de Romney terá sempre algum impacto na sua campanha: grande entusiasmo, mais dinheiro a entrar e um candidato que sabe, acima de tudo, apresentar a agenda republicana de forma articulada e sem a "raiva" ou o "radicalismo" de outros republicanos. Ninguém espere que Paul Ryan cometa erros infantis como Sarah Palin ou até Joe Biden. O debate entre Vice Presidentes será extremamente interessante, e apesar de ser o menos decisivo dos quatro, será uma oportunidade para Ryan se superiorizar perante Biden e conquistar pontos para o seu lado. Apesar desta expectativa, convém não menosprezar Biden, que já provou que consegue ser um político eficaz. Será um grande momento desta campanha.

 

O Partido Democrata também ganhou aqui um balão de oxigénio, como os diversos ataques lançados ao Plano Ryan o demonstram. Como sempre tentaram fazer desta eleição uma opção entre duas visões diferentes para a América, em vez de ser um referendo aos quatro anos de Obama, ter Ryan no ticket adversário irá ajudar nesse plano. Os cortes defendidos por Paul Ryan nas despesas sociais são também eles galvanizadores para a base democrata, até agora pouco entusiasmada com esta eleição. Os media afiliados com os democratas não se têm cansado de lançar para a opinião pública dados e informações sobre o pretenso radicalismo de Paul Ryan, numa tentativa de assustar os eleitores. Pode ser uma estratégia que tenha sucesso em alguns importantes swing-states, como na Florida, Ohio e Pensilvânia, mas recordo que em 2010 também utilizaram a mesma táctica e acabaram por ser derrotados em larga escala.

 

Com o quase empate técnico em que esta campanha se encontra (hoje saíram três sondagens: Gallup empate, Rasmussen, +2 para Romney e Politico + 1 para Obama), todos os pormenores vão contar e é difícil prever o que vai decidir esta eleição. Mas ainda é cedo para dizer se Paul Ryan irá ajudar ou prejudicar Mitt Romney, e sequer, se terá uma real influência nesta eleição. Como dizia alguém na imprensa americana, o mais certo é que daqui a dois meses Ryan tenha o mesmo destaque do que Biden tem tido nesta campanha. Ou seja, nenhum. Os números que li das sondagens assinalam que Paul Ryan ganhou popularidade depois da sua selecção, mas também indicam que é o candidato a VP que menos aprovação recebeu desde 2000. O que obteve melhores respostas foi John Edwards em 2004. Diria que é de esperar que Mitt Romney suba ligeiramente nas sondagens nos próximos dias, sendo até expectável que venha a assumir a liderança até ao final do mês (tempo da Convenção de Tampa). Mas depois virá a Convenção Democrata e a partir de Setembro é que teremos de olhar com atenção para as sondagens. 


10
Ago 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:05link do post | comentar | ver comentários (12)

Sairam ontem duas sondagens que davam folgada margem ao Presidente Obama, uma da CNN/Opinion Research (Obama 52%, Romney 45%) e outra da Fox News/Anderson Robbins Research (D)/Shaw & Company Research (R) (Obama 49%, Romney 40%).

 

Numa altura em que as sondagens, dêem elas vantagem a um ou outro dos candidatos, têm sido quase sempre renhidas - e muitas dentro da margem de erro - estas duas são particularmente surpreendentes, e, a serem correctas, seriam sem dúvida um forte estimulo para a recandidatura do Presidente.

 

Só que, no mesmo dia, a Gallup Tracking Poll dá a Obama apenas 2% de vantagem (47%/45%) e a Rasmussen Tracking Poll dá hoje uma vantagem de 4% a Romney (47%/43%).

 

Acresce que a sondagem da CNN é baseada em adultos (estejam ou não recenseados , embora grande parte da amostra seja de recenseados), e a da Fox em recenseados (tal como a da Gallup). Já a da Rasmussen foca-se apenas em votantes prováveis, uma medida mais rigorosa, como já tenho referido.

 

Há ainda a questão das ponderações partidárias, e outras, das amostras, às quais não tive acesso, e que permitiriam uma melhor análise.

 

Eu diria, pelos números que têm sido publicados ao longo dos últimos meses, que as sondagens da Gallup e da Rasmussen estarão mais em linha com o sentimento público, do que as publicadas pela CNN e pela Fox, que me parecem claramente "outliers".


24
Jul 12
publicado por Nuno Gouveia, às 21:48link do post | comentar | ver comentários (14)

Os afro-americanos são, desde os tempos de Frank D. Roosevelt, um eleitorado fiel do Partido Democrata, sendo que Barack Obama teve mesmo 95% dos votos desta comunidade. Além disso, quando os afro-americanos representavam em 2008 10% do eleitorado, o nível de entusiasmo fez com que a sua percentagem no número de votantes fosse de 13%. Estes dados foram decisivos para as vitórias de Obama em alguns swing-states, particularmente na Flórida, Virgínia e sobretudo na Carolina do Norte. O voto esmagador dos afro-americanos no Partido Democrata para as próximas décadas está garantido. 

 

Não sei se algo vai mudar, mas hoje estava a consultar uma sondagem publicada hoje pelo Daily Kos/PPP, que dá empate a 46% entre Barack Obama e Mitt Romney e encontrei um dado interessante: entre os afro-americanos, Romney está com 17% das intenções de voto. Nesta da McClatchy Marist, as indicações são semelhantes e encontrei ainda esta sondagem da Carolina do Norte que dá 20% a Romney. Um dado novo que pode baralhar as contas desta eleição, se confirmar-se a 6 de Novembro. Se Romney conseguir alcançar 15% deste eleitorado, sendo de esperar que a afluência às urnas seja menor por parte dos afro-americanos, pode ser significativo, especialmente nos swing-states que referi. 

 

O que pode explicar esta diferença em relação a 2008? Em primeiro lugar, o desemprego é mais elevado entre os afro-americanos do que em qualquer outra comunidade e os índices de pobreza aumentaram bastante. Quando Obama mudou de opinião em relação ao casamento gay, pensei que isso não ia reflectir-se no seu sentido de voto, pois os afro-americanos são, maioritariamente, contra. Mas essa pode também ser uma razão. Por outro lado, nestes últimos anos surgiram alguns negros a darem a cara pelo Partido Republicano em lugares de destaque, como o congressista da Florida Allen West, o candidato presidencial Herman Cain ou o antigo chairman do RCN, Michael Steele. Talvez seja um misto destas razões todas, mas, a acreditar nas sondagens, Obama estará a perder algum fulgor entre a sua camada de apoiantes mais fervorosos. 


19
Jul 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:51link do post | comentar

Desde que Mitt Romney garantiu a nomeação que as sondagens não têm tido grandes oscilações. Hoje foram publicadas cinco sondagens nacionais, onde Mitt Romney lidera em duas por 1%, Barack Obama está à frente em duas por 2 e 4%, enquanto numa estão empatados. Sem nunca perder a liderança da média do Real Clear Politics, a vantagem de Obama tem oscilado entre 3 pontos e 0,2. Estes números indicam que, apesar dos ataques, das gaffes ou dos períodos menos bons dos candidatos, as intenções de voto têm-se mantido relativamente estáveis. Significativo é também o número de incecisos, que andará à volta dos 10% e que não têm sofrido grandes modificações. O que signfica isto?

 

Como temos dito aqui,  e a menos que suceda algo de extraordinário até Outubro, esta eleição será itensamente disputada. Barack Obama tem a vantagem de ser o Presidente em exercício, e de, apesar das suas políticas serem impopulares, a sua personalidade continuar a grangear simpatia no eleitorado. Romney, pelo contrário, tem baixos indices de popularidade, mas tem apresentado vantagem na economia aos olhos dos eleitores. Em relação à rumo da campanha, há duas perspectivas antagónicas. Obama tentará transformar esta campanha num referendo ao passado de Mitt Romney, tentando caracterizá-lo como inelegível. Os recentes ataques à Bain Capital e à riqueza de Mitt Romney inserem-se nessa estratégia, sendo uma cópia, com as devidas diferenças, do que George W. Bush e os seus aliados fizeram a John Kerry em 2004. Pelo seu lado, o candidato republicano tentará que este seja um referendo às impopulares políticas do Presidente. Neste aspecto os indicadores económicos parecem favorecer Romney, pois as previsões apontam para que a situação económica se continue a degradar até Novembro. O facto desta ofensiva mediática contra Romney não estar a resultar, pelo menos segundo as sondagens, são sinais preocupantes para Obama, mas não invalida que ainda possa haver uma reviravolta nesta matéria. Até porque às vezes este tipo de imagem demora a colar a um candidato. Como temos vindo aqui a dizer, os indecisos normalmente costumam pender para o lado do challenger, mas os dados históricos nem sempre nos mostram o futuro. 

 

E quais os momentos que poderão ser decisivos nesta campanha? Ao contrário do que o aparato mediático poderá levar-nos a pensar, a maioria dos americanos apenas começa a seguir com atenção a campanha presidencial a partir das convenções. Portanto, a forma como estas decorrerem, grandes espectáculos preparados sobretudo para os eleitores em casa, terá a sua importância. Depois haverá outros dois momentos relevantes. Numa campanha disputada, os debates terão dezenas de milhões de telespectadores. Nem sempre os debates são decisivos, mas podem ter a sua influência. Em 1980, Reagan e Carter estavam empatados até à realização do debate, uma semana antes das eleições, onde Reagan provou estar à altura do cargo que ocupava. Venceu em 44 estados. Em 2000, George W. Bush, apesar de não ser grande especialista e de nem ter estado particularmente bem, evidenciou qualidades que os eleitores apreciaram, ao contrário do robot Al Gore, que parecia ter estado uma vida à espera daquele momento. Ainda há quatro anos, o Barack Obama que já inspirava grande parte do eleitorado que lhe deu a vitória, utilizou os debates para convencer os americanos que a sua inexperiência não seria um obstáculo. Este ano, os três debates podem contribuir para o desfecho desta eleição, caso um dos candidatos consiga superar o adversário, o que poderá se consunstanciar num pormenor num dos debates ou, por exemplo, na consistência evidenciada no conjunto. Por fim, a forma como a campanha de ambos decorrer nas últimas semanas, sem gaffes e com uma mensagem bem direccionada para os indecisos nos swing-states, poderá fazer a diferença. Além disto, há sempre a possibilidade de uma October Surprise, um dos mitos de uma campanha presidencial americana. 

 

Adenda: Para Mitt Romney, haverá um momento também ele muito importante: a escolha do VP. O nome em si e o formato como decorrer a sua apresentação ao povo americano poderá ajudar a sua campanha. 


09
Jul 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:42link do post | comentar | ver comentários (6)

Os números do desemprego revelados na sexta-feira foram muito maus para a Administração Obama. A economia continua a mostrar sinais de grande fragilidade e a popularidade de Barack Obama permanece abaixo dos 50%. No mesmo dia foi anunciado que Mitt Romney, juntamente com o fundo constituído pelo RNC, angariou mais de 100 milhões de dólares. E, no entanto, a corrida permanece com ligeira ascendência de Barack Obama. Hoje o USA Today publica uma sondagem em 12 Swing States que oferece uma vantagem de 2% a Obama e na média do Real Clear Politics tem também a liderança por 2,6%. A eleição continua bastante renhida e até Novembro tudo pode acontecer. Mas nesta última semana vários conservadores surgiram em público a criticar a estratégia de Mitt Romney e, sobretudo, a sua equipa de assessores. Bill Kristol, o editorial do Wall Street Journal e até Rupert Murdock pediram alterações substanciais na campanha de Romney. A principal crítica é que o candidato não tem respondido com eficácia aos ataques de Obama ao seu currículo e pode estar a perder uma oportunidade de ouro para derrotar o Presidente. As críticas de Obama à Bain Capital tem surtido algum efeito nos swing-states e Romney tem estado em silêncio. Hoje foi revelado que nos últimos meses, Obama e os seus aliados têm investido muito mais do que Romney, numa ordem de 3 para 1. Será isto mau sinal para Romney?

 

Jay Cost, na Weekly Standard, aborda hoje esta temática e defende que Mitt Romney está em boa posição para derrotar Obama. Em todas as campanhas há momentos em que parece que tudo está a correr mal e o abismo parece certo. Ainda há um mês muitos analistas, incluindo vários democratas, disseram o mesmo da campanha de Obama. Eu permaneço com a mesma opinião: esta vai ser uma eleição disputadíssima e até Outubro será difícil de fazer prognósticos factuais sobre o vencedor. As convenções e principalmente os debates terão um papel importante, mas será sobretudo o rumo da economia até Novembro que irá influir no resultado final. Esta última questão entrará em confronto com a forma como a equipa de Obama conseguir "pintar" Mitt Romney. Este, conforme temos visto, terá muito dinheiro nos cofres para começar a responder aos ataques que ainda vai sofrer. 


13
Jun 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:39link do post | comentar | ver comentários (7)

 

Barack Obama continua a deter alguma vantagem em relação a Mitt Romney, mas nas últimas semanas o republicano conquistou algum terreno. Diria que se as eleições fossem hoje, a noite seria muito longa, podendo mesmo repetir-se a situação de 2000. Obama tem uma ligeira superioridade no colégio eleitoral sobre Romney, mas tem dois estados que facilmente poderão cair na coluna dos empates: New Mexico e Pensilvânia. Em relação aos estados mais frágeis da coluna de Romney, é improvavél que o mesmo suceda em algum. Conforme se pode ver, a cinco meses das eleições está tudo em aberto. As campanhas, mas sobretudo o rumo da economia irão determinar o destino desta eleição. 

 

* Quem quiser pode fazer a sua projecção neste site do Real Clear Politics


07
Jun 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:21link do post | comentar | ver comentários (7)

Ao contrário do que fui lendo por aí, sempre entendi que Mitt Romney tem uma verdadeira hipótese de triunfar. As últimas semanas confirmaram esta minha asserção. Hoje foi anunciado o valor da angariação de fundos do mês de Maio e pela primeira vez Mitt Romney ultrapassou Barack Obama, conseguindo 76 milhões de dólares contra 60 do Presidente. Já no mês passado os valores foram muito semelhantes entre ambos. Um dos aspectos que sempre me pareceu incontestável é que Obama teria grande vantagem financeira sobre o seu adversário republicano. Algo que começa a parecer uma miragem. Se os números acompanharem este ritmo, não só Romney poderá possuir directamente mais dinheiro do que Obama, como poderá ultrapassar em larga medida os democratas se lhes juntarmos os valores das Super Pacs, onde os republicanos têm obtido grandes somas. Nem George Clooney ou Sarah Jessica Parker estão a salvar o Presidente nesta área. 

 

Por outro lado, este final da Primavera está a instalar nos republicanos um espírito de vitória. Ao contrário dos democratas, que ainda há poucos meses estavam convencidos da inevitabilidade da reeleição de Obama. Durante as primárias havia um sentimento entre o GOP que muito dificilmente Romney teria a capacidade para derrotar Obama. A economia mostrava sinais de recuperação, Romney passava por dificuldades para concluir as primárias com um leque de adversários muito fracos e os seus números na angariação de fundos eram banais. Ao mesmo tempo, Romney cometia erros infantis e havia um clima instalado nos media que a corrida não seria assim tão renhida como alguns analistas republicanos clamavam. As últimas semanas mudaram tudo. Romney desde que obteve a nomeação tem executado uma campanha isenta de erros, os principais ataques de Obama têm fracassado, muito com a ajuda de alguns democratas como Bill Clinton, Ed Rendell ou Cory Booker, o desemprego voltou a aumentar e para finalizar, a vitória de Scott Walker no Wisconsin. As sondagens nacionais continuam a dar uma ligeira vantagem a Obama, mas dois estados tradicionais que têm votado democrata nas últimas décadas podem estar em jogo: Wisconsin e Michigan. Se juntarmos a isso a vantagem que Romney já tem em estados que votaram Obama, como o Indiana e Carolina do Norte e a situação de empate técnico na Florida, Ohio, Iowa, Virgínia, Nevada e New Hampshire, estamos a falar numa eleição disputadíssima. 

 

Neste momento, apesar de estar à defesa, Obama ainda tem alguns trunfos para jogar. É o presidente em exercício, os modelos de previsão de resultados eleitorais continua a apontar-lhe um ligeiro favoritismo e tem um Verão todo pela frente para tentar "destruir" Mitt Romney. A imprensa continua a favorecê-lo e a geografia eleitoral permanece uma vantagem para ele. Se é verdade que estão muitos estados em jogo que ele venceu em 2008, ele ainda tem um "rumo" mais fácil para a vitória do que Mitt Romney. Mas se ainda não é tempo para Chicago estar em pânico, o clima de apreensão deve ter crescido imenso nestas últimas três semanas.

 


31
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:21link do post | comentar | ver comentários (7)

A maioria dos analistas políticos estão convencidos que estas eleições vão ser renhidas. Os números da Gallup de ontem davam um empate e é bem provável que essa previsão se mantenha durante muito tempo. Larry Sabato, professor da Universidade da Virgínia, deixa-nos hoje um exercício interessante sobre o significado das sondagens neste momento da corrida. A conclusão é simples: muito pouco. Sabato analisou as sondagens da Gallup no mês de Junho em todos os anos de eleições presidenciais desde 1980 e apenas por duas vezes o resultado das eleições se aproximou das sondagens de Junho.

 

Em Junho de 1980 Jimmy Carter liderava Ronald Reagan por 39%-32%, com John Anderson, um republicano de Illinois que se candidatou como independente, com 21%. Como Sabato recorda e bem, a campanha foi bastante renhida quase até ao fim, e uma semana antes das eleições, as sondagens apontavam para um empate técnico. Foi apenas nos últimos dias da campanha que Reagan disparou, acabando por vencer com 51%, seguido de Carter com 41% e Anderson com 7%. Na campanha da reeleição, as sondagens deste mês já deixavam antever uma vitória confortável de Reagan, que se confirmou com 59% contra os 41% de Walter Mondale. 

 

Em 1988 por esta altura Michael Dukakis liderava confortavelmente George H. Bush, com 52%-38%. O Vice Presidente de Reagan acabaria por vencer com 53% dos votos. Passado quatro anos, com Bush a afundar-se nas sondagens, era o independente Ross Perot quem liderava as preferências dos americanos, seguido de Bush com 31% e Clinton com 25%. O resultado de Novembro foi bem diferente: Clinton com 43%, Bush com 37% e Perot com 19%. Na campanha de reeleição, pela a última vez as sondagens voltaram a acertar em Junho, pois já nessa altura colocavam Clinton à frente com 49% contra 33% de Bob Dole e 17%  de Perot. O resultado final seria ligeiramente diferente, mas com larga vantagem para Clinton. 

 

Em 2000 George W. Bush liderava Al Gore com 5 pontos de vantagem por esta altura, mas sabemos como as eleições acabaram: Bush venceu os votos no Colégio Eleitoral mas perdeu no Voto Popular. Em 2004, por esta altura adivinhava-se uma Presidência Kerry, como Senador do Masshusetts a ter 49% das intenções de voto contra os 43% de Bush. Por fim em 2008, em Junho McCain liderava Obama por 46%-45%, num dos raros momentos em que esteve na dianteira (a outra foi depois da convenção republicana, antes da crise do Lehman Brothers rebentar). Por esta altura as sondagens pareciam indicar uma eleição bem disputada, mas Obama acabou por ser eleito com relativa facilidade. 

 

Dito isto, é provável que este ano seja um dos que a Gallup acerta em Junho. A menos que aconteça algo excepcional nesta campanha, diria que Obama e Romney vão ter entre 48% e 52%. E não ficaria nada surpreendido que voltassem a acontecer situações idênticas às de 2000.


08
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:46link do post | comentar | ver comentários (8)

Analisando o que nos tem dito as sondagens até ao momento, e ressalvando que nestes próximos seis meses muito ainda vai acontecer, e que, de facto, os acontecimentos externos à campanha e a maneira como esta vai decorrer será decisiva para o desfecho das eleições, este é o momento de fazer um balanço. E, posso acrescentar, tanto Mitt Romney como Barack Obama têm motivos de apreensão e satisfação.

 

A avaliar pelo perfil dos candidatos: aqui a vantagem está neste momento do lado do Presidente. Apesar do seu índice de aprovação estar ligeiramente abaixo dos 50 por cento, um número perigoso para o presidente em exercício, os americanos continuam a gostar dele. Apesar de não aprovarem o seu trabalho, as sondagens mostram-nos que os americanos têm apreço por ele. Ao contrário de Mitt Romney, que tem níveis de aprovação menores do que Obama, e que surge aos olhos dos americanos como alguém distante e sem carisma. Em abono da verdade, apenas agora os americanos começarão a olhar com atenção para Romney, e ainda tem uma margem de progressão enorme, mas isso vai depender da forma como a campanha irá decorrer. Mas diria que se as eleições fosse apenas sobre as duas personalidades, Obama estaria reeleito.

 

As sondagens nacionais continuam a dar um empate técnico, e é provável que se mantenha dessa forma até ao Verão. Uma corrida renhida é o que se espera. Mas como tem alertado Dick Morris, o facto de Obama manter-se com níveis de popularidade abaixo dos 50% e quase nunca ultrapassar esse valor nas sondagens frente a Mitt Romney, é preocupante para o Presidente. Numa eleição deste género, os indecisos normalmente optam pelo challenger. Mas ao mesmo tempo, os estudos de opinião conduzidos nos swing states têm indicado, quase sempre, vantagem para o Presidente. Partindo da geografia eleitoral de 2008, a tarefa parece muito mais simples para Obama, que pode perder vários estados, como o Indiana, Virgínia, Carolina do Norte, Ohio e Florida, e ainda assim, sair vencedor. Romney precisará de vencer assente na estratégia que Karl Rove denominou de 3-2-1. Ou seja, recuperar os anteriormente estados republicanos Indiana, Carolina do Norte e Virgínia, ganhar nos tradicionais swing states Ohio e Florida e vencer um destes: New Hampshire, Nevada, Iowa, Colorado ou Novo México. Isto além de ganhar em todos os estados que ficaram na coluna de McCain. Um empreendimento nada fácil.

 

Se analisarmos com mais profundidade os conteúdos das sondagens, a situação fica ligeiramente positiva para Romney. Obama continua a ter vantagem nos grupos demográficos fundamentais para a sua eleição em 2008: as mulheres, os afro-americanos, os jovens e os hispânicos. Mas Romney leva vantagem no eleitorado independente, além de ter margem de progressão em algumas grupos, como os hispânicos e os jovens. Por outro lado, a natural desilusão de algum eleitorado de Obama de 2008 poderá fazer aumentar a abstenção em grupos chave. Por outro lado, se Obama leva vantagem em temas como a segurança nacional, a personalidade, a honestidade, o ambiente ou a política externa, é Romney quem surge à frente no decisivo tema da economia. 

 


26
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:19link do post | comentar | ver comentários (3)

Larry Sabato, um dos analistas políticos americanos com mais credibilidade, defende que as eleições vão decidir-se em sete estados: Nevada, Colorado, Florida, Virginia, Iowa, Ohio e New Hampshire. Obviamente ainda é cedo para prever se esta análise é correcta, pois parece-me que todos os estados a cores mais claras ainda podem transformar-se em battleground states. Nesta análise, Obama parte com com 247 votos eleitorais e Romney com 204 votos eleitorais (melhor do que McCain teve em 2008). Se esta previsão se mantiver até Novembro, a Obama bastará vencer a Florida para assegurar a reeleição. Mas como têm avisado muitos analistas é ainda demasiado cedo para fazer estas previsões, pois a campanha a sério ainda não começou e a maior parte dos americanos desligados da política ainda não pensou seriamente nestas eleições. Mais do que as sondagens, interessa ir observando o rumo dos indicadores económicos. 


16
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:02link do post | comentar | ver comentários (5)

 

A Rasmussen e a Gallup são duas das empresas de sondagens americanas que normalmente realizam sondagens diárias. E se a Rasmussen já começou há mais tempo, hoje foi a vez da Gallup iniciar a sua tracking poll. E se considero que é demasiado cedo para começar com este tipo de sondagens (o Pedro Magalhães poderá dizer se estou certo ou não), com isto teremos aferições diárias até Novembro das intenções de voto dos eleitores americanos. 

 

Dados desta primeira sondagem da Gallup: Mitt Romney surge em boa forma depois das primárias, algo que foi até há pouco tempo bastante questionável (esta sondagem está de acordo com a de hoje do Rasmussen). Romney para ganhar em Novembro precisará de conquistar o eleitorado independente, o que consegue nestes números. Esta sondagem prova também que os Estados Unidos são hoje um país profundamente dividido. Praticamente todos os republicanos apoiam Mitt Romney, enquanto os democratas apoiam Barack Obama. Nem sempre foi assim na política americana. Nota interessante ainda da Gallup: Obama está hoje com uma taxa de aprovação de 45%, o mesmo valor nas suas intenções de voto, o que pode ser considerado como uma confirmação de que esta eleição será sobretudo um referendo ao mandato de Obama. 

 

Adenda: no mesmo dia a CNN/Opinion Poll publica uma sondagem que dá uma vantagem a Obama de... nove pontos. 


28
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:22link do post | comentar

 

Hoje dia grande nas primárias republicanas. Arizona e Michigan votam para escolher 59 delegados. No estado do Arizona, com um sistema de winner takes all, Mitt Romney deverá ser o grande vencedor da noite. Segundo todas as sondagens, incluindo aquelas que incidiram nos eleitores que votaram previamente, Romney irá arrecadar os 29 delegados, o que não deixará de ser positivo para a sua campanha. Mas as atenções estão direccionadas todas para o Michigan, pois é o estado natal de Romney e há grande incerteza em relação ao resultado final. Segundo uma sondagem da PPP, entre os eleitores que votaram antecipadamente, Romney terá conquistado cerca de 60 por cento dos votos contra 29 de Santorum. Mas apenas 16 por cento terão votado dessa forma, pelo que é dificil prever qual o desfecho final. As sondagens dos últimos dias indicaram, todas elas, um empate técnico entre Romney e Santorum. Esta é uma primária decisiva para o ambiente que vai rodear a super terça-feira, que se realiza na próxima semana. Romney terá embates muito dificeis (Georgia, Ohio, Tennessee e Oklahoma) e caso perca no Michigan, ficará em maus lençóis. A acompanhar mais logo à noite 


20
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:25link do post | comentar | ver comentários (5)

Arrisco a dizer-me que esta é a campanha presidencial americana mais instável da história. Nada menos do que cinco candidatos já lideraram as sondagens nacionais em certo período: Romney, Perry, Cain, Gingrich e Santorum. O único indicador constante é que Mitt Romney nunca se afundou e tem sido primeiro ou segundo das sondagens. Mas estes indicadores não deixam de evidenciar a fragilidade de Romney, que tem sido apontado por todos os analistas como principal, ou até talvez, o único candidato que pode vencer estas primárias. Poucos entres elites republicanas imaginam um dos outros candidatos a defrontar Barack Obama em Novembro. Ninguém deseja que se repita o cenário de 1964, quando Barry Goldwater foi cilindrado por Lyndon Johnson.

 

No próximo dia 28 Romney tem uma batalha decisiva para arrancar para a vitória. Caso não vença no Arizona e principalmente no Michigan, o seu estado natal, os alarmes vão soar em Washington entre as elites. Não por acaso, voltou a falar-se numa entrada tardia de um outro candidato. Não que seja um cenário muito credível, mas muito periogoso para Romney. Com o apoio do establishment, com muito mais dinheiro e recursos do que os seus adversários, Romney tem demonstrado uma incrível fragilidade. Está certo que se for o nomeado, esta corrida poderá ser esquecida, até porque Romney é muito mais um candidato de eleições gerais do que de primárias, onde os sectores mais conservadores têm um enorme peso. E está provado que ele não consegue atrair este eleitorado. Numas eleições contra Obama, este eleitorado irá certamente reunir-se em redor dele, até porque haverá o objectivo comum de derrotar Obama. No entanto, há alguns sinais positivos para ele. No Michigan, as recentes sondagens indicam uma ligeira recuperação, na imprensa conservadora começam a aparecer muitas histórias negativas para Santorum (o Drudge Report hoje destaca imensas) e talvez o poderio financeiro consiga arrancar uma vitória no Michigan, à semelhança do que sucedeu na Florida. Mas não tenhamos dúvidas: se Romney deseja ter hipóteses contra Obama, se chegar lá, precisa de ser um candidato muito mais eficaz. O que não tem acontecido. 

  


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