13
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:02link do post | comentar | ver comentários (2)

Ron Paul, ao contrário de há quatro anos, está a fazer uma excelente campanha e montou duas operações no terreno que lhe podem dar frutos: no Iowa e New Hamsphire. E por isso, sobretudo no primeiro estado, pode fazer a diferença nesta campanha. Ao contrário de Newt Gingrich, que não tem uma grande máquina no Iowa, Paul tem um fiel leque de seguidores no terreno que lhe podem ser importantes no dia dos caucuses. Apesar da vantagem de Newt nas sondagens no estado, é provável que até 3 de Janeiro ainda caia nas sondagens. Além disso, normalmente ganha os caucuses quem tem a campanha mais organizada e com maior capacidade de mobilização. E neste momento, há dois candidatos organizados no Iowa: Ron Paul e Mitt Romney. Além disso, Michele Bachmann, Rick Santorum e Rick Perry, que estão a dar tudo no estado, também podem ajudar a roubar votos a Gingrich, que apenas recentemente começou a colocar recursos no estado. E por isso Ron Paul, que neste momento está em segundo lugar nas sondagens, pode alcançar uma surpresa e vencer no Iowa. E se Mitt Romney conseguir um segundo ou terceiro lugar, partirá com larga vantagem sobre Newt Gingrich para o New Hampshire, onde ainda lidera com alguma vantagem. 

 

O Carlos discorda aqui do favoritismo que ainda atribuo a Mitt Romney. Este post é precisamente sobre isso. Neste momento não dou grande valor às sondagens nacionais, porque tudo irá mudar a partir do momento em que os resultados começarem a surgir. E recordo que desde 1976 que nenhum candidato republicano vence as duas primeiras eleições. Mesmo que Gingrich vença no Iowa, é provável a sua derrota no New Hampshire, passando o momentum para o lado de Mitt Romney. Além do mais, Newt não tem máquina eleitoral nem dinheiro para competir com Mitt Romney numa longa campanha, como se está a prever. E acredito que estas próximas semanas serão terríveis, com o establishment republicano a massacrar Newt Gingrich publicamente. Depois da sua passagem tumultuosa por Washington na década de 90, e com o desejo que os republicanos têm de derrotar Barack Obama, os sectores mais poderosos do partido tudo irão fazer para derrotar Newt. Posso estar enganado, mas o dinheiro, os apoios e a máquina de campanha ainda acabarão por desequilibrar a corrida para o lado de Romney. E atenção aos endorsements das próximas semanas. 


06
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:57link do post | comentar

Este anúncio de Ron Paul, lançado esta semana no Iowa, é um bom exemplo do que vem aí no próximo mês para Newt Gingrich. Líder nas sondagens nacionais e nos estados do Iowa, Carolina do Sul e Florida (Romney continua à frente no New Hampshire), Newt irá agora sofrer na pele o que Cain, Perry e Bachmann sofreram nos tempos áureos das suas campanhas. Mas a sua queda (a existir) nunca será tão fácil como a dos três exemplos anteriores, pois Newt tem outra bagagem política e intelectual. Mitt Romney, que pela primeira vez nesta campanha deve estar seriamente preocupado, tem vindo a adiar o ataque frontal ao seu principal adversário. Ron Paul, com uma campanha muito interessante, está deste modo a ajudar Romney. Mas não acredito que os ataques que Newt vai sofrer no próximo mês, não só de Ron Paul, mas também de Rick Perry, Michele Bachmann ou Rick Santorum, outros interessados no Iowa, vão chegar para destronar Gingrich da linha da frente. Romney, se quer ser o nomeado, vai ter de tirar as luvas e saltar para o combate político a sério.


12
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:01link do post | comentar

O herói dos libertários americanos anunciou hoje que vai retirar-se do Congresso após 2012. Candidato presidencial à nomeação republicana, pretende deste modo concentrar todos os esforços na sua candidatura. Sem reais hipóteses de sucesso, pretenderá no entanto deixar uma marca mais forte neste ciclo eleitoral e provavelmente preparar o caminho para o seu filho Rand Paul em 2016 ou 2020. Uma longa carreira em Washington que irá desta forma terminar no próximo ano, depois de 12 mandatos como congressista do Texas. 


26
Abr 11
publicado por Nuno Gouveia, às 12:34link do post | comentar

Sem grandes novidades, Ron Paul irá anunciar hoje a formação de um comité exploratório para uma candidatura à nomeação republicana. Apesar de ter um clima bem mais favorável do que na última eleição presidencial, a vida de Paul nem por isso poderá ser mais fácil. Sem hipóteses de obter a nomeação, Paul tentará alargar a margem de apoio dentro do GOP à ala libertária, que tem vindo a crescer nos últimos anos. Com esta entrada, o campo libertário terá dois candidatos (o outro é Gary Johnson), sendo certo que Rand Paul, que também tinha vindo a namorar com a ideia de uma candidatura, ficará em Washington a apoiar o seu pai. 


Dr. No, como é conhecido Ron Paul, terá como mensagens principais a redução do défice e do papel do Estado Federal, e ainda, certamente, a sua oposição à política externa mainstream americana, como a luta contra o terrorismo ou a presença militar no exterior. No actual contexto, poderá conseguir bons resultados em algumas eleições, como no Iowa e New Hampshire, e ainda obter bons números na angariação de fundos, a exemplo do que sucedeu em 2008. Paul tem uma máquina de seguidores pequena mas quase fanática, o que lhe permitirá ter uma presença efectiva e marcante nestas primárias. No entanto, e com 75 anos e bem longe do eleitor típico republicano, ninguém o considera viável como nomeado republicano. O perigo para o GOP poderá ser uma candidatura independente, que ninguém ainda coloca fora dos horizontes do congressista do Texas. Mas parece-me que esta candidatura será a plataforma de lançamento para uma outra candidatura, em 2016 ou 2020, do seu filho Rand Paul. 


25
Fev 10
publicado por José Gomes André, às 23:28link do post | comentar | ver comentários (29)

Caro Miguel, o post que citei (do Pedro Marques Lopes) referia-se a um resumo de algumas das ideias de Ron Paul, e não a uma apreciação das mesmas, pelo que seria irrelevante mencionar que no texto original de onde elas foram retiradas havia posteriormente um elogio a Paul (em nenhum momento comentei a posição de Andrew Sullivan). Eu limitei-me a utilizar a mesma informação, embora com propósitos diferentes (criticar essas mesmas ideias), por razões que aliás enunciei: o fim da Reserva Federal e dos impostos directos conduziria, de facto, a um desmantelamento do governo federal, pois este deixaria de ter poder para agir sobre o sistema financeiro (acabando com uma lógica de regulação que, mesmo minimalista, parece ser requerida para evitar males maiores) ou até mesmo para pagar programas federais, pois não teria receitas suficientes para as financiar.

 

Por outro lado, a saída dos Estados Unidos das organizações internacionais representaria uma negação do papel preponderante que cabe a esta potência no equilíbrio mundial, abrindo espaço a novas lideranças de países onde não vigora de todo o mesmo respeito pelos direitos individuais, a democracia ou o liberalismo económico. Queremos mesmo um regresso ao isolacionismo americano pré-Segunda Guerra Mundial? Desejamos mesmo inflectir o percurso internacional das últimas décadas - que permitiu, entre outras coisas, o maior crescimento económico e o mais significativo e alargado período de paz global na história da humanidade?

 

P.S. Não sei se a menção ao "comentário televisivo" se referia a mim, mas se assim fosse, devo esclarecer que rejeito por completo essa abordagem. O estilo do discurso político conta, claro, mas procuro fazer depender as minhas análises sobretudo da substância do mesmo, por motivos evidentes.


23
Fev 10
publicado por José Gomes André, às 19:22link do post | comentar | ver comentários (25)

 

Em boa hora Pedro Marques Lopes, citando Andrew Sullivan, recordou a excentricidade das ideias políticas de Ron Paul, das quais se destacam o isolacionismo, a pretensão de retirar os EUA das grandes organizações internacionais (como a ONU ou a NATO) e o desejo de eliminar os impostos directos sobre rendimentos e a extinção de instituições de regulação financeira (como a Reserva Federal), entre outros disparates que demoliriam o Estado federal e destruiriam por fim a credibilidade dos Estados Unidos no mundo.

 

Sem surpresas, Paul entusiasma os fóruns libertários, os quais por sua vez têm uma grande presença na internet e uma notável capacidade de organização - quer na angariação de fundos, quer na publicitação das suas ideias na comunicação social. Mas uma coisa é saber dinamizar uma mensagem, outra é recolher aceitação política junto do eleitorado. E aí - pese embora os esforços dos voluntários ou o entusiasmo recente da CPAC - Ron Paul tem sido pouco mais que nulo, de um ponto de vista nacional (basta recordar que nas Primárias Republicanas de 2008 Paul obteve somente 1,6% dos delegados à Convenção Nacional).

 

Num país globalmente conservador (e utilizo aqui o termo para designar uma perspectiva cautelosa que domina a mundividência popular), imaginar que um político tão radical pudesse chegar à Casa Branca - ou que o Congresso estaria disponível para prosseguir a sua agenda - não passa de pura ficção.


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