18
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:20link do post | comentar

A votação já começou em 23 estados da União e começam a surgir certezas em relação ao desfecho destas eleições intercalares. Ao longo do último ano desenhou-se uma gigantesca onda republicana que dificilmente será parada até 2 de Novembro. Nesse dia haverá festa em muitas sedes de campanha republicanas espalhadas pelos 50 estados. Mas ainda existem algumas contas para fazer, pois os esforços de última hora podem ser decisivos para algumas eleições mais competitivas.

 

A Câmara dos Representantes parece ter o seu destino traçado, isto a confiar nos analistas independentes: o GOP irá conquistar a maioria e John Boehner deverá ser o próximo Speaker. Não há ninguém a prever que os Democratas consigam aguentar-se, prevendo-se até que o número de lugares conquistados pelos republicanos possa ir até ao espectacular número de 80 congressistas. A grande dúvida que subsiste é saber se o GOP irá obter uma maioria frágil (ganhar entre 40 e 50 lugares) ou uma vitória de proporções históricas. A capacidade de mobilização do Partido Democrata poderá ser aqui o factor decisivo. Barack Obama, Michelle Obama, Bill Clinton e Joe Biden vão andar na estrada nestas próximas duas semanas. As estrelas democratas, em muito maior número e em importância que os seus adversários republicanos, podem ser fundamentais. Em 2006 o Partido Democrata roubou 31 lugares, conquistando dessa forma a maioria. Mas vários analistas e consultores democratas consideraram que a vitória poderia ter sido bem maior se não fossem os esforços de última hora da Administração Bush. Quem sabe se agora não sucede o mesmo?

 

No Senado as perspectivas são bem melhores para os Democratas. Historicamente falando, há aqui uma vantagem para os republicanos: desde a década de 40 do século passado que sempre que a Câmara dos Representantes mudou de maioria, o mesmo sucedeu na câmara alta do Congresso. Mas este ano os republicanos precisam de conquistar 10 lugares. Neste momento o GOP tem praticamente assegurado que não irá perder nenhum lugar. Além disso, tem a vitória quase certa em cinco: Dakota do Norte, Arkansas, Indiana, Pennsylvania e Wisconsin. Precisam de mais cinco lugares. As sondagens indicam que isso é possível em sete estados. No Nevada e no Colorado os seus candidatos lideram com uma curta vantagem, enquanto na Califórnia, Washington, West Virgínia e Illinois estão ligeiramente atrás. Existe ainda o caso do Connecticut, onde o candidato democrata tem uma vantagem relativamente confortável, mas que ainda é considerado passível ao alcance da candidata republicana. Se este fosse um ano normal, diria que os democratas iriam aguentar. Mas poderá mesmo acontecer o tsunami no Senado. E ainda há uma perspectiva de mudança extra-eleições: dois senadores democratas, Ben Nelson do Nebraska e Joe Liebberman do Connecticut poderão sentir-se tentados a mudar de lado caso o GOP fique próximo dos 51 lugares. Improvável, mas não impossível de acontecer.


13
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:25link do post | comentar

Nancy Pelosi já reservou um lugar na história americana: além de ter sido a primeira mulher a ocupar o cargo de Speaker da Câmara dos Representantes, durante o seu mandato foi aprovada legislação extremamente relevante. Mas os dias dela parecem estar perto do fim. Se poucos acreditam que o Partido Democrata consiga manter a maioria, ela é talvez a política menos popular nos Estados Unidos. Sendo congressista da cidade de San Francisco, Pelosi é uma das deputadas mais à esquerda do Congresso, e ela é, mais que Obama ou Harry Reid, a personalidade mais "atacada" pelos opositores republicanos. Mas não só. Neste ciclo eleitoral vários congressistas democratas tem feito campanha activa contra ela. Um congressista da Georgia e outro de Nova Iorque disseram que votaram na maior parte das vezes com a liderança republicana e que ele não apoiavam a agenda de  Nancy Pelosi. Outro do Alabama garantiu que não votaria em Nancy Pelosi para Speaker. Estes exemplos têm-se multiplicado por vários estados onde Pelosi representa tudo o que está errado em Washington.


12
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:10link do post | comentar

Os recursos são limitados. Todos os ciclos eleitorais os partidos precisam de direccionar o seu dinheiro para as corridas onde têm mais possibilidades de vencer. Em 2008 a vantagem financeira esteve do lado dos democratas. Na parte final da campanha, McCain foi obrigado a retirar de estados como o Michigan e Wisconsin, para se concentrar noutros battleground states que lhe davam mais garantias de sucesso. Obama investiu dinheiro em estados que à partida estavam fora do seu alcance. E se não conseguiu ganhar no Montana ou na Georgia, por exemplo, acabou por vencer em tradicionais estados republicanos como o Indiana e Carolina do Norte. Agora é o inverso, e por isso não surpreende esta notícia do New York Times. O Partido Democrata, que está a jogar à defesa, retirou dinheiro de alguns distritos já considerados perdidos, para apontar baterias para eleições onde ainda tem hipóteses de segurar o lugar. No Senado, já tinha havido notícias de desinvestimento democrata no Missouri e Ohio, dois estados que eram apontados inicialmente como potenciais "roubos" aos republicanos. Pelo contrário, o Partido Republicano está a investir em eleições que até ao momento se pensava que estavam fora do seu alcance.

 

O analista do New York Times, Nate Silver, considera que existem 87 lugares em disputa do Partido Democrata na Câmara dos Representantes, enquanto apenas 3(!) do lado republicano. Há consultores republicanos, como o Dick Morris, que acreditam que podem roubar até 100 lugares democratas. Isto parece-me mais uma daquelas previsões do Morris que se misturam com estratégia política, mas na verdade as sondagens tem dado razão parcial ao Morris. Estas são, como prova Nate Silver, as eleições intercalares mais disputadas dos últimos anos. E muito pode acontecer. Não por acaso, Silver aponta para a conquista de 48 lugares para o Partido Republicano, mas com uma larga margem de 30 lugares. Para cima ou para baixo. Já sobre o controlo da Câmara dos Representantes, Silver é bem mais assertivo na sua previsão: existem 72 por cento de possibilidades do GOP conquistar a maioria.


publicado por Nuno Gouveia, às 00:06link do post | comentar

Os republicanos vão vencer. Só falta saber a dimensão da vitória. Mas as sondagens continuam a dar sinais contraditórios sobre o sentimento dos americanos. Por um lado vemos uma grande fúria contra os políticos de ambos os partidos. Observe-se os números desta sondagem da CNN. O Partido Democrata é bastante impopular. Apenas 32 por cento aprovam o seu trabalho no congresso, mas a situação do Partido Republicano é ainda pior: apenas 29 por cento aprovam o que têm feito em Washington. Por outro lado, as indicações das intenções de voto continuam a dar uma larga vitória ao Partido Republicano. A Gallup indica que entre os eleitores registados, a vantagem para o GOP é de 47 pontos contra os 44 do Partido Democrata. Mas entre os potenciais eleitores de Novembro, a vantagem é muito maior para o GOP. Com uma abstenção baixa, a diferença poderá ser de 53-41, enquanto com uma abstenção elevada é de 56-39.

 

Destes números podemos retirar várias conclusões:

 

- Os americanos estão mesmo zangados com os partidos políticos. Quando George W. Bush saiu da Casa Branca pensava-se que esse descontentamento era principalmente devido aos anos Bush. Mas passado dois anos de Obama, o problema agravou-se. Há uma desilusão estrutural anti-governo/políticos. Em democracia não há nada mais perigoso que um povo descontente com os seus eleitos.


- O Partido Democrata, apesar de ser ligeiramente mais popular que o seu adversário, será severamente punido nas urnas em Novembro. A falta de capacidade para lidar com uma maioria no Congresso durante quatro anos, aliada à profunda desconfiança que Barack Obama incutiu no eleitorado, agravou a desconfiança dos cidadãos com Washington. A Hope deu lugar à Rage.


- O Partido Republicano vai obter grandes ganhos em Novembro. Mas isso não quer dizer que daqui a dois anos não possa sofrer novamente nas urnas. Por ora os americanos preferem que eles assumam o controlo legislativo para contrabalançar o poder executivo de Obama. Mas se daqui a dois anos não apresentarem resultados visíveis, poderão ser eles as vitimas da fúria dos eleitores. A volatilidade do voto é cada vez maior em menor curto espaço de tempo. Que se cuidem.


- Por fim uma explicação para um tsunami eleitoral que possa suceder: a desmotivação do eleitorado de Obama, que continua a preferir o Partido Democrata. Se a maioria dos eleitores que se identificam com os Democratas fossem às urnas, os resultados seriam muito mais equilibrados. O GOP iria certamente ganhar muitos lugares, mas ficaria longe do controlo das Câmaras. O entusiasmo das bases, como têm dito os analistas políticos, irá fazer toda a diferença nas intercalares. Estas sondagens não enganam.


08
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:27link do post | comentar | ver comentários (2)

A surpresa de Outubro ocupa sempre muitas páginas de jornais em todos os ciclos eleitorais, especialmente em anos de presidenciais. E este ano não tem sido excepção, com vários jornalistas a especular sobre o que acontecerá este mês que poderá mudar o rumo das eleições. Os democratas tinham uma secreta esperança que fosse o desemprego. Hoje foi revelado pela última vez antes das eleições os números de desemprego. E as coisas não são boas para os democratas. Com a taxa de desemprego a manter-se nos 9.6%, perderam-se no mês de Setembro 96 mil empregos. Segundo o New York Times, estes números são piores do que o esperado. E o que isto significa para as eleições?

 

Sendo a economia a principal preocupação dos americanos, a revelação destes números apenas irá aumentar ainda mais o descontentamento em relação aos democratas. No controlo do Congresso desde 2006 e da Casa Branca desde 2008, será díficil, como se tem visto, os democratas convencerem os americanos que são os republicanos os responsáveis pela situação. A onda republicana neste momento parece imparável, e apesar dos ténues sinais que têm surgido de recuperação nas sondagens, parece hoje evidente que teremos um tsunami eleitoral em Novembro. Há vários meses que discutimos, também aqui no blogue, que os republicanos iriam ter grandes ganhos, mas que dificilmente controlariam as duâs câmaras legislativas. O Senado, pelo menos esse, sempre pareceu fora do seu alcance. Mas neste momento a situação é bem diferente: a Câmara dos Representantes parece perdida, e o Senado está bem em jogo. No Real Clear Politics já se coloca o empate de 50-50 como provável, e temos de estar atentos ao estado de Washington. Dino Rossi pode bem ser o 51º senador republicano. Ninguém ficará surpreendido se o GOP conquistar a maioria nas duas câmaras.

 

No entanto, e apesar do cenário negro, vejo aqui uma janela oportunidade para os democratas. O que descrevi são as expectativas convencionais para as eleições. Isto quer dizer que se os democratas perderem menos do que o esperado, haverá margem de manobra para "abafar" a vitória republicana. Imaginemos que o GOP conquista a maioria apenas na Câmara dos Representantes. Ou que até conquista oito lugares no senado e 38/37 lugares na CP. Seriam sempre grandes ganhos, mas continuariam em minoria. Se o Partido Democrata conseguir afastar o cenário de derrocada, e apesar de derrotados, poderão falar em vitória moral. As expectativas contam muito em política, e neste momento, elas não podiam ser piores para os democratas. Isso pode transformar-se numa vantagem em noite eleitoral.


27
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:25link do post | comentar

A reforma da saúde entrou em vigor este mês, mas apenas em 2014 estará plenamente implementada na sociedade americana. Apesar de não se poder falar  dos seus resultados, ela mantém-se extremamente impopular. Não por acaso, quase nenhum democrata tem-na utilizado durante a campanha eleitoral, com vários a dizer que se opõem a ela e que querem a sua revogação. Hoje foi a vez do governador da West Virginia, que antes tinha-a apoiado, mas que agora está a concorrer ao Senado, afirmar que defende uma revogação parcial da lei. Joe Manchin apareceu na última sondagem com um atraso de três pontos, e percebe-se o seu nervosismo. Mas este tipo de flip-flop não o ajudará, pois os republicanos têm-no massacrado com o seu anterior apoio.

 

Este é dos erros que os democratas têm cometido neste ciclo eleitoral. Nos últimos dias tenho lido algumas críticas de sectores democratas perante a timidez demonstrada na defesa da lei. A sua aprovação foi uma das grandes vitórias do mandato de Obama até ao momento, mas devido à sua impopularidade, quase não se vê ninguém a defender os seus méritos. A falta de convicção e firmeza tem vindo a contribuir para aumentar o desânimo nas hostes democratas.


20
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 21:32link do post | comentar

Não é por acaso que Bill Clinton venceu duas eleições presidenciais, e apesar dos problemas que passou durante os seus mandatos, continua a ter elevados níveis de popularidade nos Estados Unidos. Após dois anos de confrontação com o eleitorado, que culminaram com a derrota nas intercalares de 1994, Clinton assumiu uma postura mais dialogante e consensual com a sociedade americana, sendo facilmente reeleito em 1996 e aguentou-se bem, apesar do processo de impeachment que passou. Ontem Bill Clinton falou sobre o tea party e as preocupações que estão subjacentes ao movimento. E ao invés de "massacrar" o tea party, Clinton apostou numa abordagem mais "suave", dizendo que compreende as preocupações que as pessoas estão a demonstrar na opinião pública, apesar de discordar das suas reinvindicações contra o papel do governo. Isto num dia em que o NY Times publicou uma peça sobre a estratégia que estava a ser delineada pela Casa Branca para estas eleições, entretanto desmentida. O que se nota é que ninguém parece saber o que fazer com o tea party: nem o establishment republicano nem os democratas.


17
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:48link do post | comentar

Esta semana os democratas receberam o prémio da nomeação de Cristine O´Donnell no Delaware. Uma eleição que estava perdida passou a estar quase ganha. A outra boa notícia veio do estado de Washington, onde a senadora Pat Murray ganhou uma importante vantagem nas sondagens sobre Dino Rossi, com três a dar-lhe uma vantagem entre 5 e 9 por cento. Caso os democratas ganhem estas duas eleições, será quase impossível aos republicanos assumirem a maioria no Senado. Mas fora estas duas notícias, tudo o resto foi mau para o Partido Democrata.

 

Barack Obama ganhou no Ohio com 51% e este estado tem sido na última década um dos grandes campos de batalha entre democratas e republicanos. Até há bem poucas semanas pensava-se que a luta iria ser renhida para o senado, entre Rob Portman e Lee Fisher, e também para o cargo de governador, entre John Kasich e o incumbente Ted Strickland. Mas as últimas sondagens que foram divulgadas não deixam grandes margens para dúvidas: os republicanos devem vencer em toda a linha, num estado onde a impopularidade de Obama atinge neste momento os 60 por cento. E atenção às várias eleições competitivas para a Câmara dos Representantes.

 

Na Florida Marco Rubio tem vindo a liderar confortavelmente as sondagens, com a queda abrupta de Charlie Crist. Neste momento será díficil dar a volta a esta dinâmica, pois Rubio tem ganho o apoio esmagador dos eleitores republicanos e tem conseguido ir buscar muito apoio aos independentes, dividindo o eleitorado preferencial de Crist. Ao contrário do que o candidato democrata tem tentado demonstrar, o eleitorado tem percepcionado esta eleição entre dois democratas e um republicano, o que dificulta imenso a vida de Crist. Até pode ser que Kendrick Meek consiga ultrapassar Crist e venha a ser ele a disputar a eleição com Marco Rubio. Ainda é cedo para atribuir a vitória a Rubio, mas neste momento está numa posição muito confortável.

 

O Wisconsin seria sempre um "long shot" para os republicanos. Mas hoje saiu uma sondagem que dá uma vantagem de 7 pontos a Ron Johnson contra o senador Russ Feingold. Por fim no Conecticut, onde a milionária Linda McMahon não surge á frente de Mark Blumenthal em nenhum estudo de opinião, mas que se tem aproximado nas últimas semanas. O The Cook Political Report passou esta corrida para empate técnico esta semana.


16
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 18:39link do post | comentar

 

O DNC lançou um novo site por estes dias, com um rebranding também à sua imagem de marca. Uma imagem bastante agradável e competente, apesar que, admito, o "D" faz-me lembrar demasiado o simbolo do "Metro". Sobre o site, aconselho a leitura deste post no TechPresident, onde são explicadas algumas das suas características. Gosto particularmente do sistema de identificação da localidade do visitante e da interligação com a rede social de Obama, MyBO. E ainda um aspecto que se encontra logo em qualquer site americano: a chamada para o envolvimento dos cidadãos. A Internet, mais do que servir para informar, é utilizada pelos políticos americanos envolver e mobilizar os americanos. Neste site são várias os espaços precisamente dedicados a esse propósito. Eles sabem bem o que fazem.


15
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:21link do post | comentar

Após um longo período de primárias nos 50 estados (o Hawaii ainda vai a votos no Sábado), os partidos escolheram os seus candidatos e os dados estão lançados para Novembro. Provavelmente há muitos anos que não havia uma época tão animada e cheia de surpresas como esta.


O Partido Democrata, que tantas vezes no passado enveredou por um caminho ideológico, fez escolhas bastantes pragmáticas. Se recordarmos o grande leque de primárias, nomeadamente no que diz respeito ao senado e a governadores, as opções foram quase sempre de encontro aos objectivos eleitorais. A única verdadeira surpresa foi a vitória do congressista Joe Sestak na Pennsylvania, derrotando o incumbente Arlen Spector. Mas mesmo aqui não se pode dizer que a escolha foi má, pois em termos eleitorais ambos já apresentavam dificuldades contra o republicano Pat Toomey. De resto, opções quase sempre consensuais e de acordo com a vontade dos líderes do partido em Washington. Não será por aqui que o Partido Democrata irá perder em Novembro, pois o pragmatismo dominou a os votos dos eleitores.


No Partido Republicano a história foi bem diferente. A guerra entre o establishment e o tea party fez bastantes vítimas. Dois senadores foram derrotados por candidatos do tea party, no Alaska e no Utah. Estas derrotas pouco significarão em Novembro, pois ambos os estados são conservadores o suficiente para eleger um republicano em Novembro. Mas várias foram as vitórias dos candidatos do tea party que prejudicam as hipóteses do partido para Novembro: no Colorado e Kentucky as sondagens têm mostrado que Ken Buck e Rand Paul deverão ser eleitos senadores. Mas os outros nomes das primárias venceriam mais facilmente. No Nevada, e especialmente no Delaware, as vitórias dos candidatos do tea party transformaram duas corridas que facilmente cairiam na coluna republicana em verdadeiros infernos. No Delawere, os democratas quase de certeza que irão vencer. Mas nem todas as primárias dificultaram o trabalho dos republicanos para Novembro. No New Hampshire, Indiana, Wisconsin, Illinois e Washington, os candidatos apoiados pelo establishment acabaram por vencer, o que mantém os republicanos com fortes possibilidades de sucesso nestes swing (os dois primeiros) e blue states.


O tea party foi a grande força para os republicanos nestas primárias, e provavelmente vão sê-lo novamente em Novembro. A sua capacidade de mobilização, de angariação de voluntários e dinheiro fará a diferença em muitos estados. Nesse aspecto faz-me lembrar o exército que levou Barack Obama à presidência. Mas a sua influência nefasta também se fez sentir em algumas eleições, nomeadamente na de ontem, que dificulta imenso a conquista de uma maioria no Senado. Muito do futuro do GOP irá jogar-se nestas intercalares. Se o partido conquistar a maioria no Senado, mesmo depois destas escolhas arriscadas, as primárias de 2012 irão transformar-se num concurso ideológico: “quem é o mais puro conservador?”. Em muitas destas primárias tivemos um purismo ideológico como há muito não se via na política americana (talvez desde os tempos de McGovern que não se via nada assim) e que perseguiu todos aqueles que se desviaram um milímetro dessa agenda. Acredito que o pior que pode acontecer ao Partido Republicano para os próximos anos é ficar refém de alguns destes candidatos do tea party, suportados por Sarah Palin. Não é uma relação fácil entre os republicanos e o tea party: por um lado são importantes para vencer, mas se forem eles a escolher os candidatos, será muito difícil vencer as eleições gerais em muitos swing states. E já nem falo dos blue states. Será uma relação interessante a seguir no futuro.


Apesar do tea party, e ao contrário do que sucedeu do lado democrata, apareceram bons valores e que poderão ser muito importantes para o futuro do Partido Republicano. A começar por Marco Rubio, um jovem descendente de cubanos que de certeza irá transformar-se numa importante voz do movimento conservador americano. No Ohio, um swing state relevante, Rob Portman, que parece ter sobrevivido à Administração Bush, vai transformar-se num dos republicanos mais importantes do Midwest. Na poderosa Califórnia, Carly Fiorina (apesar da difícil corrida que tem pela frente) será sempre alguém relevante no GOP. Dos candidatos do tea party, Rand Paul poderá ser uma das figuras mais interessantes a emergir deste ciclo eleitoral. Depois do seu inicio desastrado após vencer a primária, tem feito uma campanha interessante e poderá transformar-se no líder da corrente libertária do GOP dos próximos anos. Quatro figuras a seguir atentamente caso saiam vencedores.


publicado por Nuno Gouveia, às 18:54link do post | comentar | ver comentários (4)

Confirma-se a vitória de Kelly Ayotte nas primárias do New Hampshire, a candidata do establishment republicano. O congressista democrata Paul Hodes enfrenta assim Ayotte, a Procuradora-geral do estado, que nos últimas sondagens apresentava uma vantagem entre 8 e 13 pontos. Possivelmente, e ao contrário do que foi previsto depois da retirada do actual senador Judd Gregg (R), este lugar deverá manter-se no lado republicano.

 

As primárias deste ciclo eleitoral terminaram. Tempo de fazer um balanço e tentar perspectivar o que irá acontecer em Novembro, especialmente depois das surpresas que aconteceram em vários estados.


09
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 19:48link do post | comentar

Não faz muito sentido dar conta aqui de todas as sondagens que vão sendo publicadas nos Estados Unidos sobre este ciclo eleitoral, pelo que aconselho a visita desta parte do Real Clear Politics para quem tiver interesse. Mas há algumas eleições do Senado que têm vindo deslocar-se para um dos lados. Destaco estas:

 

Lugares ocupados por republicanos:

 

Florida: Durante o Verão Charlie Crist liderou consistentemente todas as sondagens, mas nas últimas semanas o cenário alterou-se. Marco Rubio tem vindo a subir, enquanto Crist está a baixar. O democrata Kendrick Meek está em alta. Isto pode querer dizer que, atacado por ambos os partidos, Charlie Crist poderá ser mesmo relegado para terceiro lugar, perdendo as hipoteses de vencer esta eleição. Isso será o fim da sua carreira política. Por outro lado, Marco Rubio é hoje claramente o favorito, com o RCP a considerar esta corrida como Lean Republican.

 

Missouri: No inicio do Verão, este seria certamente um dos lugares que os democratas tinham esperança de roubar aos republicanos. Mas as últimas sondagens não deixam margem para dúvidas: Roy Blunt deverá mesmo ser o próximo Senador do estado, mantendo este lugar na coluna do GOP.

 

Ohio: Os últimos meses foram positivos para o antigo membro da Administração Bush, Rob Portman. Depois de algum tempo a aparecer empatado com Lee Fisher, Portman tomou a dianteira com uma vantagem confortável. Dificilmente perderá em Novembro.

 

Se os democratas não roubarem nenhum destes lugares, dificilmente conseguirão ganhar outro. Resta-lhes as possibilidades do Kentucky e New Hampshire. E se no primeiro estado, Rand Paul parece segurar a liderança, no segundo apenas falta saber o resultado das primárias. Se a vencedora for Kelly Ayotte, como se prevê, dificilmente o GOP perderá essa eleição.

 

Lugares ocupados por democratas:

 

Pennsylvania: Pat Toomey tem uma vantagem de 8% na média do RCP sobre Joe Sestak. No final de Julho estavam praticamente empatados.

 

West Virginia: Não é fácil prever o resultado desta eleição especial, que poderá transformar-se num pesadelo para o Partido Democrata. O governador da West Virginia, Joe Machin, tinha niveis de popularidade acima dos 70 por cento. Depois da morte do senador Robert Byrd, decidiu convocar as eleições para este ano, avançando ele próprio como candidato pelo Partido Democrata. Mas num estado tipicamente republicano, e no actual contexto eleitoral, isso poderá não chegar para ele vencer. Hoje foi publicada uma sondagem que apenas lhe dá 5 por cento de vantagem sobre o opositor republicano, o que poderá indicar que este é mais um lugar em perigo. Provavelmente  em breve seja colocado na coluna de Toss Up (empate técnico) pelos experts. A ver vamos.

 

Confirmando aquilo que escrevi na semana passada, há uma tendência pró-republicana que se tem vindo a acentuar nas últimas sondagens. O quadro do RCP já indica como prováveis 48 senadores para os democratas e 46 para os republicanos, com apenas seis eleições em estado de empate técnico. A conquista da maioria no Senado já não é uma miragem, apesar de ser bastante dificil.


06
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 20:45link do post | comentar | ver comentários (2)

Qual a razão de Barack Obama ter-se transformado numa figura tão controversa na sociedade americana? Não haverá uma só razão e nem os especialistas chegam a um consenso. Mas há algumas ideias que são partilhadas por grande parte dos opinion makers americanos: a actual situação económica, agravada pelas impopulares reformas da saúde e pelo plano de estímulos. Não por acaso, Obama hoje é mais impopular em tradicionais swing states do que George W. Bush, como no Ohio, e no seu próprio estado, o Illinois, a sua popularidade ronda os 50 por cento.

 

A equipa económica de Obama, que não deve sobreviver caso uma hecatombe atinja os Democratas em Novembro, tirou mais um coelho da cartola: um novo plano federal de apoio à construção de infra-estruturas terrestres, no valor de 50 mil milhões de dólares. Não pretendo discutir os méritos da decisão ou sequer se irá melhorar a economia periclitante do país. Mas esta medida tem poucas hipóteses de passar no Congresso até Novembro. Uma das principais críticas que os americanos fazem a Obama é precisamente ter aumentado despesa federal de forma brutal. E os próprios Democratas já perceberam isso, sendo que poucos estão a fazer campanha baseados no seu voto favorável ao Plano de Estímulos. Este novo plano de investimento federal poderá causar ainda mais dificuldades aos Democratas, fornecendo mais argumentos para a agenda republicana contra o défice e a despesa federal.

 

Mas o que terão pensado os Democratas? Vamos anunciar isto, para depois ser impedido no Congresso pelos Republicanos, e depois voltamos a acusá-los de serem o partido do não e de obstruir a recuperação económica. O problema é que veremos muitos Democratas a juntar-se aos Republicanos para condenar este projecto da Casa Branca. A única via possível para Barack Obama neste assunto é mostrar à base descrente do partido que a Casa Branca está a fazer alguma coisa para combater a crise, levando-os às urnas em Novembro. Mas não me parece que vá funcionar para conquistar os indecisos. Em termos políticos, parece-me uma decisão errada, pois além de dificilmente obter resultados práticos (neste ciclo eleitoral de certeza), ajuda os opositores e complica a vida  aos Democratas em dificuldades nas eleições. Se era esta a medida com que contavam para dar a volta a dinâmica da campanha, parece-me que os estrategas da Administração vão falhar o alvo.

 

Também no Cachimbo de Magritte


publicado por José Gomes André, às 02:38link do post | comentar

Tecnicamente, as eleições intercalares servem para eleger uma nova Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. Neste sentido, recomenda-se prudência nas leituras "nacionais" dos resultados, uma vez que as razões para um determinado voto poderão, em muitas situações, estar relacionadas com questões locais, com a qualidade dos candidatos envolvidos ou meramente com alianças partidárias circunstanciais. Em todo o caso, um tal acto eleitoral constitui também, obviamente, um importante teste à popularidade do Presidente e das suas políticas.

 

Como orientarmos uma leitura dos resultados entre estas duas premissas antagónicas? A resposta a esta pergunta dependerá, a meu ver, da dimensão desses resultados. Num ano eleitoral muito difícil para os Democratas, por questões circunstanciais e estruturais (falei destas últimas aqui e aqui), seria sempre de prever um voto punitivo para os "azuis", com este ou outro Democrata na Casa Branca. Se, porém, a derrota Democrata for particularmente expressiva (implicando que os Republicanos conquistem a Câmara dos Representantes e ganhem 7-8 lugares no Senado), é impossível dissociar tal terramoto da Presidência. Especialmente em duas situações: se tal calamidade ocorrer em lugares como a Califórnia, Washington ou o Illinois (o que mostraria um divórcio entre a base Democrata e o Presidente); e se ela decorrer de uma campanha manifestamente centrada numa mensagem reprovadora das políticas de Obama (por oposição a campanhas essencialmente relacionadas com assuntos "locais" ou "estaduais").

 


05
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:57link do post | comentar

Sabemos que o Partido Democrata está mesmo em perigo quando um dos seus senadores mais "liberais", e de um estado que ofereceu a Barack Obama 56 por cento dos votos em 2008, "foge" do Presidente. Obama esteve esta semana em Milwaukee, Wisconsin, mas o senador Russ Feingold não "arranjou" tempo para aparecer ao lado do Presidente. Isto é um sintoma que as capacidades de Obama neste ciclo eleitoral estão diminuídas. Provavelmente o Presidente vai resumir-se a angariar dinheiro para os candidatos, e a ter uma ou outra aparição com candidatos em distritos mais confortáveis para os Democratas.


26
Ago 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:55link do post | comentar | ver comentários (5)

Os democratas iniciaram o Verão ansiando por uma recuperação económica que os levasse a conter danos para as eleições de Novembro. Barack Obama em Junho lançou o mote que este iria ser um "Recovery Summer" para a economia americana. Mas a poucas semanas do fim do Verão, as notícias continuam a ser negativas para os Estados Unidos. O que tem levado vários republicanos a "cair" em cima da Admnistração. Ainda esta semana o líder da minoria, John Boehner, pediu a demissão de toda a equipa económica da Casa Branca, dado o "falhanço das políticas económicas do governo". Os democratas continuam a defender que se não tivessem actuado a situação seria bem pior, mas estão longe de convencer os americanos. E o que poderá aconter a 3 de Novembro?


Em primeiro lugar são cada vez mais os analistas independentes a defender que os republicanos podem mesmo assumir a maioria nas duas câmaras do Congresso. Os sinais que recebemos das várias primárias indicam isso mesmo: ainda esta semana na Florida votaram mais republicanos que democratas em eleições disputadas, o que não é nada normal. O número de eleitores democratas nas primárias costuma ser mais elevado, mas este ano, pela primeira vez em muitos ciclos eleitorais, têm sido mais os republicanos a participarem nas primárias. O que é indicador seguro, maior até que as sondagens, que o eleitorado republicano está mais motivado para ir às urnas este ano. Além disso, várias sondagens mostram que os republicanos têm vindo a ganhar terreno em estados cruciais no senado nas últimas semanas. A Florida, o Colorado e o Ohio, por exemplo, mostram que os candidatos republicanos estão a subir. Para conquistar a maioria no Senado, os republicanos teriam de vencer 7 da 8 eleições que neste momento são considerados Toss Ups pelo Real Clear Politics. Mas ainda há bem pouco tempo eram 11 as corridas nesse estado, e três delas passaram para o lado republicano nas últimas semanas. Na Câmara dos Representantes a situação é bem mais complicada para os democratas. Os republicanos têm mesmo sérias hipoteses de conquistar a maioria. Há duas semanas o Real Clear Politics atribuia mais lugares prováveis aos democratas que republicanos, mas conforme vão sendo publicadas sondagens, as corridas têm-se deslocado favoravelmente para a coluna vermelha. Ninguém do lado democrata  quererá admitir a possibilidade de perderem o controlo do Congresso, mas têm surgido várias notícias que apontam neste sentido. Ainda hoje o Politico publicou uma peça com vários democratas, a coberto do anonimato, a explicar o seu pessismo.


Olhando para o cenário parece-me evidente que os democratas estão mesmo em risco de sofrerem uma hecatombe histórica. Mas há alguns aspectos que os podem ajudar, e não consider que já estejam derrotados. Em primeiro lugar, a escolha de alguns candidatos republicanos, considerados demasiados afastados do mainstream político. Harry Reid, que com um adversário normal estaria já derrotado, ainda luta pela sobrevivência no Nevada, devido à nomeação de Sharron Angle. Além que não podemos nos esquecer da máquina democrata. Em 2006 os republicanos evitaram uma derrota ainda maior devido aos esforços do GOP liderados por W. Bush e Karl Rove. Há que contar com a equipa de Obama no terreno para ajudar a vencer algumas eleições. Barack Obama pode não ser muito popular, mas a sua capacidade de angariação de dinheiro está intacta. E ele já anda na estrada em angariações milionárias.E depois há também os casos de candidatos democratas que têm vindo a fazer campanha afastando-se da liderança do partido. Principalmente na Câmara dos Representantes, isso pode funcionar em alguns distritos mais conservadores.


17
Ago 10
publicado por Nuno Gouveia, às 00:46link do post | comentar | ver comentários (3)

A ideia de construir uma mesquita no Ground Zero de Nova Iorque está a incendiar a campanha para as eleições intercalares de Novembro. Para mim é um tema onde os republicanos podem ganhar muitos votos, mas não sei se ganharão a razão. Assumo que se fosse americano também estaria contra a construção de uma mesquita no local onde foram assassinados três mil pessoas por terroristas islâmicos. Não questiono que a ideia dos mentores do projecto seja essa, mas na verdade essa mesquita não deixaria de se transformar num símbolo de vitória para os radicais. Gritos de vitória esfuziariam nos círculos terroristas; afinal de contas, sem o atentado da Al-Qaeda, não haveria lugar a mesquita naquele local. Aliás, as autoridades de Nova Iorque, que apesar de não se terem manifestado contra a sua edificação (apesar de quase 70 por cento dos nova-iorquinos serem contra) aconselharam os seus promotores a construírem noutro local, predispondo-se a ajudar em encontrar um espaço alternativo. Se o objectivo não é meramente simbólico, então não se deveriam opor a construí-la noutro local. Aliás, o apoio dado hoje pelo Hamas (como diz aqui o Jorge Costa) ao projecto deve ser levado em linha de conta neste propósito. Aposto que a Al-Qaeda também apoia.

 

Mas, e como bem afirmou o governador republicano de New Jersey, ambos os lados estão a transformar este assunto num tema nacional, politizando o que não o deveria acontecer com assunto tão emocional. Vários têm sido os republicanos a manifestarem-se contra, e hoje até tiveram um aliado de peso: o líder democrata no senado, Harry Reid. Barack Obama, primeiro disse que apoiava, mas depois retirou esse apoio de forma muito atrapalhada. Porque será que o Presidente dos Estados Unidos deve opinar sobre um tema destes? Se os republicanos críticos, e agora também muitos democratas, se juntam à discussão por motivos eleitorais, não deveria o Presidente ser mais recatado? Para mim este tema deveria ser discutido pelos nova-iorquinos e pelas famílias das pessoas que morreram no 11 de Setembro, que devem ter uma palavra a dizer no que irá suceder no Ground Zero. A construção de uma mesquita não deveria ser um grande tema de combate numas eleições nacionais, principalmente quando a economia está nas condições actuais, e o país está a combater duas guerras no exterior. Os Estados Unidos têm pela frente grandes desafios, mas a construção, ou não, de uma mesquita, não é um deles.



13
Ago 10
publicado por Nuno Gouveia, às 11:27link do post | comentar | ver comentários (14)

Estamos no Verão. Tem havido sondagens para todos os gostos (ou quase). Mas há tendências que não enganam. A popularidade de Barack Obama permanece no vermelho. Os republicanos têm mantido uma vantagem confortável nas intenções de voto para Novembro. Além disso, as últimas sondagens deram vantagem aos republicanos nos díficeis estados da Califórnia, Colorado, Missouri, Wisconsin, Florida (apesar de surgir atrás de Charlie Crist noutra com um outro candidato democrata), Ohio, Kentucky, New Hampshire e empatados no Illinois. Se os republicanos vencerem estes estados todos, e ganharem dois entre a Pennsylvania, Nevada ou Washington, outros três dos estados considerados battleground states, os republicanos irão assumir o controlo do Senado. Díficil? Muito. Mas os ventos sopram favoravelmente para o lado dos republicanos. E se isto continua assim até Outubro, os democratas terão bastantes dificuldades em assumir o controlo no resto da campanha.


02
Ago 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:50link do post | comentar

A menos de três meses das eleições intercalares, e numa altura em que as sondagens mostram uma clara tendência favorável ao Partido Republicano, dois congressistas democratas enfrentam problemas legais na Comissão de Ética da Câmara dos Representantes.

 

O caso mais mediático atinge o congressista de Nova Iorque, Charlie Rangel, que está em Washington desde 1971. Na semana passada foi acusado pela Comissão de Ética de 13 ofensas, num caso que poderá ter uma espécie de julgamento público a partir de Setembro na Câmara dos Representantes. As pressões têm sido enormes para que abdique, e o próprio Presidente Obama já defendeu que deveriam ser consideradas condições para Rangel terminar a sua carreira de forma digna. Além disso, vários foram os democratas que já apelaram à sua demissão. A congressista Maxine Waters, da Califórnia, também foi acusada formalmente de violar as regras ao interferir num caso em que o seu marido estava envolvido.

 

Estes dois casos surgem na pior altura para o Partido Democrata. Em 2006,  e apesar da impopularidade da guerra  do Iraque, e também da resposta ao furacão Katrina, foram precisamente vários escândalos que afectaram vários congressistas republicanos que mais contribuíram para a derrota do GOP.  Daí a preocupação aumentar nas hostes democratas. Com a economia em má forma e a popularidade de Barack Obama nos níveis mais baixos desde o inicio do mandato, estes casos mediáticos ensombram ainda mais as perspectivas para Novembro.


19
Jul 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:20link do post | comentar

Nas últimas semanas os dirigentes do Partido Democrata do Congresso e elementos da Casa Branca têm divergido entre si sobre as eleições intercalares. Por um lado, a Administração tem baixado as expectativas, tendo Robert Gibbs admitido mesmo que os Democratas poderiam perder o controlo da Câmara dos Representantes. Os congressistas e senadores, assustados com esta realidade, têm reafirmado a sua crença que vão manter a maioria. Enquanto Barack Obama pensa sobretudo na reeleição em 2012, os democratas de Washington pensam na sua sobrevivência.

 

O cenário não é positivo para os Democratas. Todas as sondagens apontam para um desgaste enorme no apoio dos independentes à agenda democrata, com estes a aproximarem-se da mensagem republicana. Em contraste ao pouco entusiasmo dos Democratas, os Republicanos estão motivados para irem às urnas em Novembro. Em termos financeiros, os Republicanos têm angariado muito mais dinheiro, e isso poderá marcar a diferença. Este panorama poderá transformar as eleições de Novembro num pesadelo para os Democratas. Mas vamos por partes.

 

Os republicanos precisam de conquistar 39 lugares para derrubarem Nancy Pelosi como Speaker da Câmara dos Representantes.  No Real Clear Politics, 24 lugares democratas são apontados como possíveis conquistas republicanas, enquanto apenas perdem três. Dos 35  colocados em situação de empate técnico, apenas dois são actualmente ocupados por republicanos. Isto quer dizer que bastaria manterem esses dois lugares e vencerem 18 dos restantes 33 lugares em situação de empate. No actual ambiente, é bem possível que tal suceda.

 

No Senado, a situação é bem mais complexa para os Republicanos. Nos últimos três meses, a Califórnia, Wisconsin e Washington, anteriormente considerados seguros para os Democratas, transformaram-se em empates técnicos. Mas também perderam a vantagem que tinham na Florida, onde Charlie Crist tem surgido como frontrunner e no Nevada, onde a candidata republicana, que tem actuado de forma medíocre, se tem afundado perante Harry Reid. Para obterem a maioria, precisariam de vencer nove das dez eleições que neste momento estão empatadas. Um situação improvável, mas não impossível.

 

Regresso à divisão entre a Casa Branca e os Democratas do Congresso. Aos primeiros interessa sobretudo baixar as expectativas. Foi isso que Gibbs fez. Porque as eleições intercalares vão ser consideradas sobretudo um referendo à Administração Obama. Um cenário em que os republicanos obtenham grandes avanços, mas não consigam ganhar nenhuma das Câmaras, seria transformado numa vitória para Barack Obama. O jogo das expectativas é importante, e mesmo que os republicanos ganhem 38 lugares na Câmara dos Representantes e 8 lugares no Senado, isso poderá ser vendido ao povo americano como uma vitória de Obama. Pelo contrário, para os políticos que vão a votos em Novembro, não interessa agora discutir uma possível vitória dos republicanos. O entusiasmo já não é grande, e o pior que podia acontecer aos democratas, é instalar-se o pessimismo nas suas hostes. Mas há muito nervosismo.


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