03
Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:19link do post | comentar

Muito se falou na influência do Tea Party nestas eleições intercalares. Não há dúvidas da energia, do entusiasmo e da motivação que este movimento introduziu nas campanhas republicanas. Da Costa Leste ao Pacífico, do Midwest aos estados do Sul, o tea party foi fundamental para esta vitória esmagadora conquistada pelo Partido Republicano. Mas a minha primeira nota vai para a sua influência negativa que se sentiu nas eleições para o Senado.

 

Parece agora ser claro que os democratas vão ficar com 53 lugares. E se isto sucedeu foi devido às escolhas duvidosas que o tea party, Sarah Palin e Jim DeMint fizeram durante o período das primárias. No Delaware, Mike Castle teria sido eleito. Jane Norton teria batido o senador Michael Bennet no Colorado. E por fim, Harry Reid teria sido reformado mais cedo com Danny Tarkanian como candidato republicano. E já nem falo do Alaska, onde o candidato oficial republicano, nomeado com o apoio de Palin e do tea party, terá sido derrotado pela senadora Lisa Murkoswki. Dos candidatos apoiados pelo tea party para o senado, apenas terão vencido Rand Paul e Mike Lee, em dois estados profundamenta republicanos (Kentucky e Utah) e Marco Rubio na Florida, este claramente de um campeonato superior aos restantes e com muitos apoios no establishment republicano (Karl Rove e Jeb Bush, por exemplo). Uma das questões que esses líderes republicanos terão de equacionar é se o purismo ideológico, a cegueira em relação às qualidades pessoias e políticas dos candidatos que apoiaram, valeu a pena. Uma lição para 2012.


Fazendo uma espécie de comentário conjunto a este post e ao do discurso do próximo Speaker , parece-me que um certo understatement a sua caracterização do M. Rubio , em especial, atendendo ao discurso que ontem fez (muito, muito acima de qualquer outro do GOP , na minha opinião) como a possibilidade de um fenómeno semelhante a Obama nos Republicanos. Qual a sua visão quanto a esta hipótese?
João Ferreira Martins a 3 de Novembro de 2010 às 17:46

Eu acho que há uma janela de oportunidade para um candidato insurgente, que pode angariar apoio entre o establishment e o tea party para a nomeação presidencial em 2012. Concordo inteiramente que Rubio está muito acima de qualquer outro republicano que ontem venceu. Será provavelmente um dos líderes do GOP nos próximos anos. A minha grande dúvida é se Rubio, que acabou por ser eleito para o Senado e com apenas 39 anos, arriscará já uma corrida à Casa Branca. Acredito que irá esperar por outra oportunidade.

Eu acho bem possível que o candidato republicano em 2012 queira escolher Marco Rubio para candidato a Vice-Presidente. Além do seu óbvio talento, Rubio é um Hispânico, um eleitorado cada vez mais importante que em 2004 votou Bush em mais de 40% mas que fugiu largamente para Obama em 2008.
Alexandre Burmester a 3 de Novembro de 2010 às 22:38

Se estas coisas se gerissem pela racionalidade, os revezes eleitorais dos candidatos republicanos no Colorado, Nevada e Delaware deveriam causar uma profunda reflexão especialmente nos meios do Tea Party . As vitórias desses candidatos nas primárias revelaram-se meramente pírricas , e para impedirem a eleição de republicanos não bacteriologicamente puros fizeram com que uma das principais faces do liberalismo, Harry Reid , sobrevivesse milagrosamente, e um dos candidatos ao Senado mais à esquerda em todo o país, Chris Coons , lograsse a eleição.

Sem dúvida que Sarah Palin , se se candidatar, terá aqui um calcanhar de Aquiles, pois o seu papel na escolha destes candidatos não foi despiciendo, especialmente no Delaware , e os seus opositores nas primárias não se esquecerão de recordar isso.
Alexandre Burmester a 3 de Novembro de 2010 às 22:53

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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