03
Nov 10
publicado por José Gomes André, às 10:25link do post

1. Os resultados ainda não são definitivos, mas é garantido que os Republicanos obtêm uma vitória estrondosa na Câmara dos Representantes, conquistando cerca de 65 lugares aos Democratas. A questão estrutural (os Republicanos partiam de um número anormalmente baixo de mandatos) não explica tudo: este foi manifestamente um voto maçico de protesto contra a agenda política Democrata e o Presidente Obama.

 

2. Os Democratas evitam um cenário eleitoral calamitoso devido a prestações razoáveis no Senado. Mantêm a maioria, o que bloqueará à partida qualquer tentativa dos Republicanos em operar uma revolução política a partir da Câmara dos Representantes.

 

3. Com maioria na câmara baixa e legitimidade política reforçada a partir do "voto popular", os Republicanos estão agora expostos à luz da ribalta. O povo americano puniu severamente os Democratas, mas não bastará aos Republicanos apregoar uma agenda meramente "oposicionista". Cabe-lhes apresentar medidas concretas para reduzir o défice federal, relançar a economia e combater o desemprego. Caso contrário, a fúria dos eleitores acabará por recair a médio-prazo no partido que ontem triunfou.

 

4. Obama tem agora a oportunidade - e o dever - de honrar uma das suas maiores promessas eleitorais: encetar lógicas de compromisso e de aproximação às forças Republicanas. O Presidente tem falhado rotundamente na sua missão de criar pontes de entendimento, mas será forçado a fazê-lo, pois a sua reeleição em 2012 dependerá em boa parte dessa sua capacidade conciliatória.

 

5. Em todo o caso - e por paradoxal que possa parecer - Obama não estará totalmente insatisfeito com os resultados. O cenário de divisão política gerado reforça o papel moderador do Presidente, entregando-lhe além disso de bandeja os temas de campanha para 2012: quando o processo legislativo avançar, sublinhará a sua capacidade de diálogo; se as políticas não resultarem, descreverá os Republicanos como "forças de bloqueio".

 

6. O Tea Party celebra, mas não efusivamente. Passa a ter representação específica no Congresso, mas não se consegue distanciar totalmente da imagem de algum radicalismo, o qual terá prejudicado as hipóteses Republicanas no Senado (vide o caso de Sharron Angle ou da famigerada Christine O'Donnell). As Primárias Republicanas de 2012 serão um teste decisivo à capacidade deste movimento, mas prevê-se a necessidade de controlar as franjas mais extremistas para que o mesmo venha de facto a marcar política e eleitoralmente os Estados Unidos.


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