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Out 10
publicado por José Gomes André, às 01:42link do post | comentar

Todos os indicadores recentes vêm apontando para uma vitória clara do Partido Republicano nas eleições de dia 2. Depois de derrotados no Congresso em 2006 e 2008 e nas Presidenciais de 2008, é natural que os Republicanos encarem esta ocorrência com especial fervor. Porém, sendo a gestão de expectativas essencial na política e na análise dos fenómenos eleitorais, creio que a entourage Republicana poderá ter cometido um erro grave nas últimas semanas, ao sugerir como provável um "vendaval Republicano" na próxima terça-feira.

 

Não que tal "vendaval" não possa suceder, mas porque essa previsão - que engloba referências ao controlo da Câmara dos Representantes do Senado, como também a ganhos de 60 ou 70 lugares na câmara baixa - assenta no melhor cenário possível. Ora, uma regra fundamental do marketing político estipula que se deve sempre prever publicamente cenários eleitorais intermédios, ou até mesmo com resultados inferiores ao realmente expectável, para posteriormente se retirar o máximo proveito de uma vitória expressiva, jogando com o factor "surpresa".

 

Os Republicanos têm feito exactamente o contrário, o que os pode prejudicar quando se traçar a "narrativa pós-eleitoral": se obtiverem uma vitória clara, mas não colossal, os resultados serão tendencialmente vistos como apenas "razoáveis"; se obtiverem uma vitória marginal (ficando sem o controlo do Senado e a Câmara dos Representantes), poderão até mesmo ser descritos pelos comentadores e olhados pelo eleitorado como "perdedores", apesar dos seus ganhos eleitorais consideráveis...


Por motivos profissionais, não tenho estado tão envolvido como gostaria no acompanhamento da recta final das midterms. Mas aqui fica a minha previsão: clara passagem da House para os republicanos e manutenção, à tangente, do Senado para os democratas.

O comportamento dos republicanos pós-Novembro parece-me ser a chave para se perceber o que se vai passar até 2012. O GOP tem que se demarcar da insanidade do Tea Party, mas as recentes afirmações de Mitch McConnell e John Boehner parecem mostrar q os líderes republicanos no Congresso estão ansiosos por travar o q resta da agenda de Obama. Preocupante.
Germano Almeida a 31 de Outubro de 2010 às 12:57

Bem, caro Germano Almeida, a principal razão porque o eleitorado vai provavelmente dar grandes resultados aos republicanos é precisamente porque quer ver travada a agenda Obama.

Quanto à "insanidade" do Tea Party , é verdade que, como em todos os movimentos políticos de origem mais ou menos populista, ele contém alguns elementos para lá do razoável, mas a sua "core message " de estado mais reduzido, menos impostos e mais liberdade de iniciativa nada tem de "insanidade". Pode discordar-se dela, claro, mas isso não significa que ela seja "insana".

Os meus cumprimentos
Alexandre Burmester a 31 de Outubro de 2010 às 16:49

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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