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Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:25link do post | comentar

Esteve para acontecer um golpe de teatro nas eleições para o Senado na Florida. Os rumores já vinham de trás, mas o Politico ontem esclareceu tudo. Bill Clinton tentou que Kendrick Meek desistisse da sua candidatura em favor de Charlie Crist. Tendo o candidato democrata poucas ou nenhumas hipóteses de vitória, Bill Clinton, com o beneplácito da Casa Branca, quase convenceu Meek a desistir e apoiar Crist. Um comício conjunto esteve mesmo em cima da mesa, com o Democrata a desistir depois de ter acedido às iniciativas de Clinton. Charlie Crist, que seria o grande beneficiado, ontem desdobrou-se em contactos na imprensa para tentar capitalizar este “negócio” abortado em seu favor. Mas parece-me que foram cometidos vários erros neste processo.

 

Em primeiro lugar, a desistência seria anunciada apenas esta semana, numa altura em que mais de um milhão de cidadãos da Florida já votou. Seria considerado um esquema “sujo” apenas para derrotar Marco Rubio. Se tivesse acontecido em Setembro, por exemplo, acredito que teria havido tempo para juntar forças entre os democratas e Crist, podendo causar sérios problemas à eleição de Rubio. Agora seria demasiado tarde.

 

Depois há a sempre importante questão racial. Kendrick Meek é afro-americano, e a sua desistência seria encarada como extremamente negativa na comunidade negra da Florida, com a possível abstenção de grande maioria. Um negro desistir em favor de um branco para derrotar um “hispânico” seria considerado inaceitável pelas diversas minorias do estado.

 

Por fim, o carácter de Charlie Crist. Este foi republicano toda a sua vida, e apenas candidatou-se como independente porque não tinha hipóteses de vencer as primárias do seu partido. É alguém visto com desconfiança por muitos democratas da Florida, e com esta acção, perderia o apoio que ainda detém em muitos eleitores republicanos. E isso não garantiria que todos os democratas votassem em seu favor. Muitos acabariam por ficar em casa.


E uma questão extra: as eleições para o governo da Florida estão ao rubro, com o republicano praticamente empatado com a candidata democrata. A ter sucesso, esta manobra poderia empurrar definitivamente a eleição para o campo republicano.

 

Depois destas notícias, a vitória de Marco Rubio está praticamente assegurada, e não ficarei surpreendido se vencer acima dos 50 por cento, algo que até ao momento não parecia possível.


"Mark my words": se as coisas se proporcionarem, o casal Clinton vai estar na primeira linha dos que espetarão uma faca nas costas de Obama, à semelhança do que Edward Kennedy fez a Jimmy Carter em 1980, assim comprometendo definitivamente as hipóteses de reeleição deste último.
Alexandre Burmester a 29 de Outubro de 2010 às 19:33

Na leitura do livro de Mark Halperin "Game Changer" retira-se a conclusão do notório desprezo do casal Clinton por Barack Obama durante a campanha eleitoral. E tenho duvidas que esse sentimento se tenha desvanecido por completo desde então. Se há uma marca que distingue os Clinton é que eles não esquecem o que lhe fazem: os seus amigos ou adversários.

Dito isso, não acredito que eles (Hillary) se atravessem nas primárias de 2012. Até porque as possibilidades de sucesso desse empreendimento são muito escassas, mesmo que a popularidade de Obama continue a baixar. Se Hillary Clinton ainda tem pretensões à Casa Branca, e acredito que as tenha, o melhor será aguardar para 2016, quando terá 68 anos e uma imagem intacta. Para quê queimar-se numas primárias democratas contra Obama em 2012? E mesmo que conseguisse bater Obama, teria um embate muito duro com os republicanos nas eleições gerais.
Nuno Gouveia a 29 de Outubro de 2010 às 22:29

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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