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Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:38link do post

Será que os Estados Unidos estão perto de rebentar? Os dois principais partidos políticos parecem acreditar que sim, a acreditar nas declarações exacerbadas de alguns dos seus representantes. Do lado republicano, temos os gritos e apelos que o país caminha para a irrelevância e para o socialismo. Suportados por uma base de apoiantes estridentes que se tem manifestado nas ruas e cidades americanas, muitos candidatos republicanos têm feito campanha como se os Estados Unidos estivessem perto do abismo. Do outro lado, surgem igualmente apelos enraivecidos para o perigo de uma vitória republicana: tudo estará em causa, e o país pode ser tomado por extremistas que pretendem colocar em perigo a própria democracia. Mas será que não haverá um exagero de parte a parte?


A situação é muito complicada, e grave crise que afecta o país parece ter transformado a realidade político/partidária num caos permanente. Não têm razão os republicanos quando pretendem transformar Barack Obama no único e principal responsável pela situação actual. Não é verdade que quando tomou posse, o país já estava mergulhado numa profunda crise e que o desemprego já era bastante elevado? Quem ocupou a Casa Branca nos oito anos anteriores? Também não é verdade que sejam os republicanos os únicos culpados. Não foi Obama que prometeu que a situação seria hoje bastante melhor se fossem aprovadas, como foram, todas as iniciativas legislativas que pretendia? E o Partido Democrata não é detentor da maioria nas duas câmaras legislativas desde 2006? Tenho alguma dificuldade em fazer leituras do que ambos os partidos têm feito. Em períodos eleitorais é normal que as posições se radicalizem e que cada lado perca um bocado do bom senso que seria aconselhável. Obama, que foi eleito sob a promessa de ser um Presidente acima dos partidos, falhou claramente nesse desígnio. Ainda ontem afirmava que ele tem um lugar para os republicanos na condução dos destinos do país; mas que esse lugar era no “assento de trás”. Será essa uma atitude de um Presidente que deseja trabalhar com os dois lados? A resposta do outro lado não tem sido melhor. O líder da minoria republicana no Senado disse esta semana que o principal objectivo do seu partido é fazer com que Obama seja um Presidente de um mandato só. Será que o objectivo não deveria ser melhorar a economia e o estado do desemprego?


Independentemente do que vá suceder no próximo dia 2 de Novembro, a polarização e a radicalização partidária não deve parar. Como percebemos nos últimos dois anos, os Estados Unidos vivem num estado de permanente campanha eleitoral, e essa sim, é uma das maiores dificuldades para a governação de um país. Já a partir de Janeiro irá começar a campanha para as primárias republicanas, e o clima de guerrilha não vai parar. Os republicanos dificilmente assumirão uma postura mais negocial com os democratas. Apenas se o forem obrigados: pela opinião pública ou pela mestria dos democratas. Será que Obama vai conseguir dar a volta à situação e começar a governar realmente acima das questões partidárias? Se falhou na promessa de gerir acima dos partidos na primeira parte do mandato, quem sabe se não muda de estratégia e convida alguns republicanos a sentar-se ao seu lado na frente do veículo da governação?



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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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