Meg Whitman já gastou 140 milhões de dólares da sua fortuna pessoal na campanha para o governo da Califórnia, ultrapassando assim o anterior recorde milionário de 109 milhões que Michael Bloomberg investiu para ganhar as eleições para Mayor de Nova Iorque em 2009. A política nos Estados Unidos é indissociável do dinheiro. Os espaços televisivos, que constituem a maior fatia no investimento financeiro de uma campanha, são muito caros, e os candidatos precisam de estar no ar para convencer os eleitores. O que levará estes milionários a gastarem parte da sua fortuna na tentativa de serem eleitos para cargos de governo público?
Ninguém acredita que estes milionários vão para a política para ganhar dinheiro. Isso seria ridículo. E, diga-se, nenhum destes milionários precisam de conquistar notoriedade pública com estes cargos. Pelo menos estes exemplos que dei. O que motiva esta gente é um conjunto de ideais e sentimentos, nos quais se incluem a ambição de usufruir de poder, a vontade de servir a causa pública e o sentimento de, conquistada a fortuna, ganhar um lugar na história americana. A ambição domina o pensamento dos homens, e quem tem dinheiro pode sempre almejar chegar mais longe. Mas por outro lado percebo as críticas que são atiradas contra estes políticos. É indesmentível que ao gastarem estes milhões todos estão, em parte, a "comprar" a eleição com o seu dinheiro. Nenhum dos seus adversários, por muito dinheiro que angariem, conseguem competir financeiramente com eles. Jerry Brown na Califórnia, por exemplo, gastou apenas 1/10 do que Whitman já investiu. Mas isso não quer dizer que vá perder: neste momento está praticamente empatados nas sondagens, e temos vários exemplos do passado em que milionários foram derrotados.
No entanto esta não é uma questão que suscite muita polémica nos Estados Unidos. Os eleitores consideram, e a meu ver bem, que as pessoas são livres de gastar o seu próprio dinheiro onde desejam. E se o fazem na política, pelo menos estarão mais "livres" dos grupos de interesse que normalmente apoiam os políticos. Sejam empresas ou sindicatos. E depois, na hora de escolher, tanto podem votar neles ou não. Ainda nestas primárias um milionário foi derrotado nas primárias democratas na Florida, apesar de ter investido milhões de dólares na campanha.