23
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:41link do post | comentar

Este é um ano estranho. O resultado final das eleições para o Senado ameaçam tornar-se completamente impresíveis. Depois de tantas surpresas nas eleições primárias, de tantos estados em jogo que ainda há um ano eram impensáveis, Nova Iorque parece juntar-se à lista. Hoje foram publicadas duas sondagens que colocam a "hottest senator" Kirsten Gillibrand em risco. A SurveyUSA dá-lhe apenas um ponto de vantagem, enquanto a Quinnipiac aumenta para seis pontos. O candidato republicano, Joseph DioGuardi é amplamente desconhecido do eleitorado do estado, tendo sido congressista na longínqua década de 90. Esta aproximação entre os candidatos indica que tudo está em aberto, indo depender muito da forma como decorrer a campanha. Eu não arrisco um prognóstico, apesar de considerar que Gillibrand ainda mantém o estatuto de favorita.


Além do ambiente especial deste ano, logo iniciado com "a mãe de todas as surpresas" - a vitória do candidato republicano na eleição para o Senado no Massachusetts - Kirsten Gillibrand é uma candidata particularmente vulnerável. Não só não foi eleita para o cargo de Senadora (ocupa o lugar por nomeação do Governador David Paterson para substituir Hillary Clinton, quando esta se tornou Secretária de Estado) o que lhe retira algumas das vantagens da "incumbency", como tem uma folha de serviço no Senado 100% alinhada com as políticas menos populares da Administração Obama. E isso, mesmo num Estado tão democrático como Nova Iorque - mesmo assim não tanto como o Masachusetts, note-se - num ano destes é um currículo perigoso.

Francamente só um resultado me surpreenderia em Novembro, no que se refere aos estados considerados "in play": a vitória de Christine O'Donnell no Delaware. E acho mais provável ocorrerem vitórias republicanas em Nova Iorque e Connecticut que na West Virginia, onde, apesar de tudo, os democratas têm um excelente candidato, o popularíssimo Governador do Estado (que, de tão popular, os eleitores poderão, contudo, preferir deixá-lo estar onde está;-)).
Alexandre Burmester a 23 de Setembro de 2010 às 16:07

Para ilustrar o que digo acerca da vulnerabilidade de Gillibrand por esta não ter sido eleita e não ser, por conseguinte, extraordinariamente conhecida dos novaiorquinos, compare-se a sua posição na sondagens com a do outro Senador democrata por Nova Iorque (há este ano duas eleições para o Senado no Estado de Nova Iorque porque a corrida Gillibrand-DioGuardi se destina a preencher os últimos dois anos do mandato que seria de Hillary Clinton): Charles Schumer bate o seu adversário republicano Jay Townsend, na mesma sondagem da Survey USA referida pelo Nuno, por 54-33.
Alexandre Burmester a 23 de Setembro de 2010 às 16:19

Quando se falou em Giuliani, Pataki ou até do congressista Peter King, falou-se que este lugar poderia estar em jogo. Mas ao não arranjarem um candidato forte, o GOP desperdiçou a possibilidade de competir por este lugar. Pelo menos era esse o pensamento convencional. Até a agora.

O líder do GOP de Nova Iorque, Ed Cox está sob fogo por não ter "angariado" candidatos fortes para as diversas corridas - congresso, senado e governo - o que de facto aconteceu. Esta era uma eleição onde o GOP poderia ressurgir em força no estado, e parece que está a passar ao lado. Não digo que não vá conquistar alguns lugareso. Mas na verdade os candidatos são muito fracos. Ou pelo menos não são conhecidos.

O filho de Ed Cox (genro do Nixon) está a concorrer no 1º distrito de Nova Iorque para o Congresso. As más línguas dizem que a pouca aposta nesta eleição para o senado é para favorecer o seu filho, que poderá candidatar-se ao lugar em 2012 contra Gillibrand.

O neto do Nixon, Christopher Nixon Cox, foi derrotado na primária republicana de Long Island (1º Distrito de Nova Iorque para o Congresso) por um dos seus opositores (eram três os candidatos), Randy Altschuler. Não sei pormenores mas não me admirava que tivesse havido "mãozinha" do Tea Party;-).
Alexandre Burmester a 23 de Setembro de 2010 às 19:49

Não sabia disso. A familia Nixon está mesmo nas ruas da amargura :)

Andei a informar-me sobre o assunto, Nuno, e afinal o Chris Cox tinha o apoio do Suffolk County 9-12 Project, a maior organização do Tea Party naquele condado, bem como do antigo Governador da Florida Jeb Bush, uma figura popular nos meios conservadores, cujo futuro político poderia ser auspicioso não fosse o facto de ser irmão de George W. Bush.

Portanto apoios de peso não faltaram ao jovem Cox, e fica o Tea Party desta vez absolvido de mais um golpe no "establishment" republicano:-).
Alexandre Burmester a 23 de Setembro de 2010 às 22:08

A influência e implantação do Tea Party é desigual. NY-1 é Long Island, os republicanos estão concentrados nos Hamptons e nos subúrbios - não é terreno fértil para o Tea Party. Talvez na zona das vinhas, Mattituck, Peconic, etc., mas aí vive muito pouca gente.

De qualquer maneira, o NRCC recrutou o Randy Altschuler para este distrito muito cedo e ele fez uma corrida séria e fazendo bom uso da capacidade de auto-financiamento. O Cox vive em Manhattan, não tem experiência política e revelou-se muito tenrinho (como entrevistado era embaraçoso). Os endorsments não valem assim tanto. Carpetbaggers, para serem bem sucedidos, ou são muito bons em campanha, ou têm uma boa reputação que os precede ou têm enormes vantagens em dinheiro e name ID.

De qualquer maneira, NY-1 vai ser um bom bellwether para estas eleições. Apesar de nem ser uma das prioridades do GOP, eu desconfio que será neste tipo de corridas - nos distritos suburbanos/diversificados do Norte - mais do que nos distritos rurais e conservadores com PVIs muito favoráveis que o GOP fará maiores ganhos.

H. a 27 de Setembro de 2010 às 23:32

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