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Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:18link do post | comentar

É publicado na próxima semana mais um livro de Bob Woodward, desta vez dedicado à Administração Obama. Já é um cliché afirmar que sempre que Woodward escreve um livro as Administrações tremem. Foi assim com os seus quatro livros dedicados aos anos Bush e não está a ser diferente com Obama. A credibilidade de Woodward já vem dos tempos em que, juntamente com Carl Bernstein, contribuiu decisivamente para revelar o escândalo Watergate. Mas Woodward já não é um jornalista solitário, fora do mainstream e que trabalha longe dos círculos de poder. Tal como nos livros sobre a Administração Bush, Woodward teve acesso aos corredores da Casa Branca, entrevistou os líderes do governo, incluindo Obama, e consultou documentos confidenciais. Daí que este livro seja considerado um relato fidedigno do que realmente aconteceu nos bastidores nos últimos 18 meses. E o que já saiu cá para fora não é muito abonatório para a condução da guerra.

 

Não é novidade nenhuma dizer que existem grandes divergências sobre a guerra do Afeganistão no núcleo restrito de Obama. O Vice-presidente Joe Biden, por exemplo sempre foi um opositor da escalada da guerra. Mas o mais preocupante é saber da falta de convicção que existe em relação a este conflito, quando Obama fez campanha em 2008 em favor desta guerra. Além do VP, o seu enviado ao Afeganistão, Richard Holbrooke, e o seu conselheiro especial para o Afeganistão, general Douglas Lute, mostraram-se bastante cépticos em relação à nova estratégia implementada no ano passado. Não acreditam que resulte. Pelo que se percebe, Obama apostou neste plano, não por ter acreditar que iria resultar, mas por dois motivos: não quis contrariar o que os militares aconselharam e devido às promessas que fez durante a campanha eleitoral. Apesar disso, como se sabe, demorou longos meses a decidir e acabou por aprovar um plano que não foi bem o que os militares no terreno elaboraram. Sabemos que um país não pode ter sucesso militar se não existir cobertura política. Se peças fundamentais da condução da guerra discordam do rumo seguido, como Hoolbroke e Lute, não deveriam ter sido afastados?

 

Neste livro é ainda afirmado que Obama teve de estabelecer uma data de retirada de dois anos porque não podia arriscar “perder todo o Partido Democrata”. Sabe-se que esse limite não é absoluto, e pelo menos enquanto Robert Gates for Secretário da Defesa, dificilmente o general Petreaus deixará de ter uma palavra a dizer sobre a retirada. Mas as coisas não vão bem no terreno, e se a Administração não está convicta do que está a fazer é correcto, dificilmente irão melhorar. Obama, que já enfrenta grandes problemas devido às suas políticas internas, arrisca-se a ter um ano de 2011 explosivo no Afeganistão, onde quer a manutenção das tropas ou a retirada gradual lhe causará sempre grandes problemas. Se não actuar com firmeza e convicção, seja a decisão qual for, dificilmente conseguirá convencer alguém. E apesar de não ser novidade nenhuma na política externa americana, critérios partidários não deveriam influenciar decisivamente opções militares.

 

Estas revelações explicam bem as divergências que existiram entre o anterior comandante no Afeganistão, General Mcchrystal, e Richard Holbrooke. Como é que é possível que estivessem dentro do mesmo barco, se um estava a implementar uma estratégia e outro discordava dela?

 


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