09
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:05link do post | comentar

Ao longo deste ano eleitoral muito se tem escrito sobre o tea party e a energia que introduziu na política americana. Este não é um movimento homogéneo e estruturado, funcionando com diversos grupos capazes de influenciar o desfecho de eleições. Não tenho dúvidas que a sua influência irá ajudar imenso os candidatos republicanos em Novembro. Mas ao lado deste aspecto positivo, também têm prejudicado as possibilidades de vitória em alguns estados. Se ainda hoje discutimos as eleições para o Senado no Nevada, no Colorado ou até no Kentucky, isso deve-se aos candidatos apoiados pelo tea party terem vencido estas primárias republicanas. O caso mais grave até será no Nevada, onde Sharron Angle tem feito uma campanha miserável e não tem conseguindo concentrar a campanha em Harry Reid e nas suas fragilidades eleitorais.

 

Na próxima semana o blue state Delaware irá a votos para escolher o candidato republicano. Mike Castle, um republicano típico da Costa Leste e congressista desde a década de 80, é o claro favorito para vencer a eleição geral de Novembro. Mas nas últimas semanas, uma obscura candidata profissional (já foi candidata ao senado em 2006 e 2008), que tem cometido gaffes atrás de gaffes e tem um passado económico bastante duvidoso, tem atraído o interesse do Tea Party Express (que tem sido fundamental em diversas primárias), sugerindo que poderá derrotar o favorito Castle. Hoje, Sarah Palin, em mais uma demonstração de fraco faro político*, declarou o apoio a Christine O´Donnell, lançando ainda mais confusão nestas primárias. Uma coisa não tenho dúvidas: se O´Donnell derrotar Castle, este lugar irá para o democrata Chris Coons. E a maioria republicana passará a ser uma miragem. Recordo aqui o conselho de William Buckley Jr., que li neste artigo que o Alexandre Burmester me passou esta semana: "his policy was to vote for the most conservative candidate who could win". O pragmatismo, ou a falta dele, poderá derrotar o GOP neste ciclo eleitoral.

 

*Sarah Palin poderá não ter faro político para ajudar a conquistar uma maioria para o GOP. O objectivo dela, neste tipo de endorsements, é presicamente fortalecer a sua  uma base de apoio para as primárias de 2012. Não está a pensar propriamente em derrotar o Partido Democrata, mas sim no seu próprio projecto político. Não sei se isso a ajudará em 2012, se as coisas correrem mal.


carrega tea party lol
Filipe Abrantes a 9 de Setembro de 2010 às 23:28

"Believes terrorism is an act of war requiring the full force of our intelligence and military resources rather than granting terrorists precious Constitutional rights and outsourcing our foreign policy to the U.N."

Quem terá dito isto?

alguém da ala falcão do tea party? bem, ninguém é perfeito. também 'apoio' do rand paul apesar das discordâncias.

de qualquer forma, entre as opções prefiro a 1ª à 2ª (submissão da política externa à ONU).

A própria O´Donnel, contra a "pomba" Mike Castle....

No entanto, essa postura contra a ONU também é muito neocon :)

Dá-me a ideia que tanto "neos" como "paleos" são contra qualquer coisa que se assemelhe a um governo colegial mundial, mas as objecções não são exactamente ao mesmo adjectivo (e para alguns o problema começará logo no substantivo).
Miguel Madeira a 12 de Setembro de 2010 às 18:20

Agora vendo as coisas por outro lado: não terá sido também o Tea Party, ao criar uma dinâmica anti-Obama (ou, pelo menos, anti-politicas de Obama), que terá contribuído para o avanço dos Republicanos?
Miguel Madeira a 12 de Setembro de 2010 às 18:46

Também acho que a dinâmica introduzida na politica americana pelo tea party tem ajudado bastante a oposição republicana à agenda Obama. Mas, parece-me que o tea party surge principalmente por causa de Obama e da agenda democrata "estatizante", apesar de ser notório que já havia um grande sentimento de descrença de muitos conservadores nas politicas republicanas da última década. Nos últimos anos Bush foi óbvia a descrença da base republicana, especialmente devido ao aumento do peso do estado federal. O TARP foi o culminar desse descontentamento. Somada a isso tudo vieram as políticas de Obama, que aumentaram ainda mais o descontentamento, que originaram este movimento nacional.

Continuo a achar que o tea party tem ajudado os republicanos e vai ser uma força importante em Novembro, mas este purismo ideológico que se tem vindo a evidenciar em muitas primárias poderá acabar por ser prejudicial. Nas primárias da próxima semana, no New Hampshire e Delaware, se por acaso vencerem os candidatos apoiados pelo tea party, parece-me que é o fim da esperança de conquistar a maioria no Senado.
Nuno Gouveia a 12 de Setembro de 2010 às 23:02

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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