23
Ago 10
publicado por Nuno Gouveia, às 00:07link do post | comentar

Nas últimas semanas vários analistas americanos escreveram dezenas de crónicas estabelecendo paralelos entre a Presidência de Obama e outros antigos presidentes. Hoje até li um artigo da Noemi Emery a comparar Obama a Michael Dukakis, o candidato democrata derrotado nas presidenciais de 1988 por George H. Bush. Por outro lado, os democratas e analistas próximos da Casa Branca não perdem uma oportunidade para comparar estes primeiros 18 meses com o mesmo período das presidências de Bill Clinton e especialmente de Ronald Reagan. Também eles nesta altura tinham níveis de popularidade semelhantes ao de Obama, ambos sofreram uma pesada derrota nas Midterms e depois foram facilmente reeleitos. Entendo o desejo dos conservadores estabeleceram paralelos com o mandato falhado de Jimmy Carter. Percebo também que os democratas utilizem Reagan e Clinton para defender a actual Administração. Mas, à parte de ser um exercício académico interessante, pois de facto encontramos vários paralelos com essas três Administrações, na verdade assistimos a meras análises especulativas sobre o que poderá ser a Administração Obama. Não me parece que, além das analogias que naturalmente se encontram entre Obama e outros Presidentes,  possamos afirmar que será um novo Carter ou um novo Reagan. É ainda muito prematuro.


Outro exercício, e mais interessante, é verificar o que fizeram Bill Clinton e Ronald Reagan para sair do “buraco” em que estavam no final das suas primeiras Midterms. Reagan recuperou popularidade porque o desemprego baixou e os Estados Unidos tiveram nos dois anos seguintes um período de crescimento económico fulgurante. Reagan, tal como Obama, recebeu uma crise económica do seu antecessor, mas sempre disse que as suas politicas económicas iriam apresentar resultados. O que acabou por acontecer. Isto não o salvou de severas perdas nas eleições de 1982, mas ajudou-o a derrotar Walter Mondale num landslide em 1984. Bill Clinton depois da derrota de 1994 mudou de rumo. Contratou o consultor conservador Dick Morris, que já tinha trabalhado com ele no Arkansas, e abandonou a sua linha “liberal” da primeira metade do mandato. Apelou a diversos nichos do eleitorado com políticas centristas e obteve uma confortável vitória sobre Bob Dole em 1996. A questão que envolve Barack Obama é esta: o que vai fazer depois da derrota de Novembro e da sua popularidade andar na casa dos 40´s? Não pode ficar à espera da economia melhorar muito, pois nenhum analista considera essa possibilidade como provável. E não acredito que mude o rumo das suas politicas, como fez Bill Clinton. Mas se quiser ser reeleito, algo terá de fazer.


É evidente que eu também não acredito que Obama não queira um segundo mandato.

Mas a economia vai ser fundamental, não esquecendo o Afeganistão, que pode começar a ser desgastante daqui até 2012. E há ainda o que já está feito e não pode ser desfeito, nomeadamente a reforma da saúde e o deficit, incontrolável em dois anos. E além disso temos o "tom" da presidência Obama.

Ou seja, vai ser preciso muito para os americanos mudarem a imagem que começam a ter de Obama, mas é evidente que também não será qualquer um que o derrota. Ao contrário da Europa Continental (no Reino Unido não é tanto assim), onde são os governos que perdem as eleições, na América o candidato aspirante tem que dar boas provas.
Alexandre Burmester a 23 de Agosto de 2010 às 22:33

arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar neste blog