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Ago 10
publicado por Nuno Gouveia, às 00:46link do post | comentar

A ideia de construir uma mesquita no Ground Zero de Nova Iorque está a incendiar a campanha para as eleições intercalares de Novembro. Para mim é um tema onde os republicanos podem ganhar muitos votos, mas não sei se ganharão a razão. Assumo que se fosse americano também estaria contra a construção de uma mesquita no local onde foram assassinados três mil pessoas por terroristas islâmicos. Não questiono que a ideia dos mentores do projecto seja essa, mas na verdade essa mesquita não deixaria de se transformar num símbolo de vitória para os radicais. Gritos de vitória esfuziariam nos círculos terroristas; afinal de contas, sem o atentado da Al-Qaeda, não haveria lugar a mesquita naquele local. Aliás, as autoridades de Nova Iorque, que apesar de não se terem manifestado contra a sua edificação (apesar de quase 70 por cento dos nova-iorquinos serem contra) aconselharam os seus promotores a construírem noutro local, predispondo-se a ajudar em encontrar um espaço alternativo. Se o objectivo não é meramente simbólico, então não se deveriam opor a construí-la noutro local. Aliás, o apoio dado hoje pelo Hamas (como diz aqui o Jorge Costa) ao projecto deve ser levado em linha de conta neste propósito. Aposto que a Al-Qaeda também apoia.

 

Mas, e como bem afirmou o governador republicano de New Jersey, ambos os lados estão a transformar este assunto num tema nacional, politizando o que não o deveria acontecer com assunto tão emocional. Vários têm sido os republicanos a manifestarem-se contra, e hoje até tiveram um aliado de peso: o líder democrata no senado, Harry Reid. Barack Obama, primeiro disse que apoiava, mas depois retirou esse apoio de forma muito atrapalhada. Porque será que o Presidente dos Estados Unidos deve opinar sobre um tema destes? Se os republicanos críticos, e agora também muitos democratas, se juntam à discussão por motivos eleitorais, não deveria o Presidente ser mais recatado? Para mim este tema deveria ser discutido pelos nova-iorquinos e pelas famílias das pessoas que morreram no 11 de Setembro, que devem ter uma palavra a dizer no que irá suceder no Ground Zero. A construção de uma mesquita não deveria ser um grande tema de combate numas eleições nacionais, principalmente quando a economia está nas condições actuais, e o país está a combater duas guerras no exterior. Os Estados Unidos têm pela frente grandes desafios, mas a construção, ou não, de uma mesquita, não é um deles.



"afinal de contas, sem o atentado da Al-Qaeda, não haveria lugar a mesquita naquele local."

Tal como perguntei no Cachimo, porquê?
Miguel Madeira a 17 de Agosto de 2010 às 12:37

Miguel Madeira,
Naquele local poderia ter-se construído uma casa de strip, uma discoteca ou uma mesquita, caso não tivesse acontecido o 11 de Setembro. Mas nunca seria notícia se não tivesse acontecido o ataque terrorista. Ninguém nos EUA iria preocupar-se por construírem uma mesquita ou uma casa de strip naquele local. Assumo que poderá ter sido uma imprecisão no texto.
Nuno Gouveia a 17 de Agosto de 2010 às 13:16

Obama nunca se deveria ter intrometido nesta discussão e concordo que este assunto deveria ser discutido apenas em NY e com as familias dos que pereceram a 11 de Setembro. Mas n deixa de ser curioso que até o lider do Hammas tenha vindo apoiar a iniciativa. Para mim n passa de mais uma afronta ao ocidente. Afinal o derrube daquelas torres não significou apenas um atque à América mas sim uma declaração de guerra ao ocidente. É minha convicção. Porque n escolher outro local? Afinal nos EUA nunca houve esse problema de construir mesquitas, usar burqa, construir sinagogas, etc. isso é problema na europa INTOLERANTE. E Obama naquele papel de tolerante muito ao estilo do europeu lá veio apoiar, mas acho que desceu bastantes pontos junto dos americanos.
L.Costa a 6 de Setembro de 2010 às 18:44

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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