13
Ago 10
publicado por Nuno Gouveia, às 11:27link do post | comentar

Estamos no Verão. Tem havido sondagens para todos os gostos (ou quase). Mas há tendências que não enganam. A popularidade de Barack Obama permanece no vermelho. Os republicanos têm mantido uma vantagem confortável nas intenções de voto para Novembro. Além disso, as últimas sondagens deram vantagem aos republicanos nos díficeis estados da Califórnia, Colorado, Missouri, Wisconsin, Florida (apesar de surgir atrás de Charlie Crist noutra com um outro candidato democrata), Ohio, Kentucky, New Hampshire e empatados no Illinois. Se os republicanos vencerem estes estados todos, e ganharem dois entre a Pennsylvania, Nevada ou Washington, outros três dos estados considerados battleground states, os republicanos irão assumir o controlo do Senado. Díficil? Muito. Mas os ventos sopram favoravelmente para o lado dos republicanos. E se isto continua assim até Outubro, os democratas terão bastantes dificuldades em assumir o controlo no resto da campanha.


Eu olho com interesse para os vencedores das primárias do GOP e também para os que se prevêem como vencedores e o que poderá fazer a máquina democrata na campanha contra estes candidatos de extremos...
jfd a 13 de Agosto de 2010 às 14:18

A própria designação de "candidatos de extremos" já é parcialmente um efeito da "máquina democrata", meu caro. Além de concorrerem contra esses "candidatos de extremos", os democratas vão mais uma vez concorrer contra o inesquecível (para eles, pelo menos) George W. Bush;-). Resta saber se o eleitorado está disposto a "combater uma guerra passada".
Alexandre Burmester a 13 de Agosto de 2010 às 22:35

Caro Alexandre, poderia ser como diz se os democratas fossem minimamente ágeis na sua mensagem e em alertar para aquilo que considero serem os tais candidatos de extremos. Os tais que se referem aos bebes terroristas e afins. Ouvir a candidata que provavelmente ficará com o lugar de Harry Reid , Angle , dissertar sobre o desemprego versus o subsídio de desemprego é hilariante.

Em todo o caso concordo com o David Weigel que na Slate avisa que os democratas não devem esperar de braços cruzados que impere o bom senso do eleitorado. http://www.slate.com/id/2263796/
jfd a 16 de Agosto de 2010 às 11:41

Obrigado pela sua resposta, caro jfd.

É evidente que Sharron Angle, a candidata republicana no Nevada, é no mínimo "excêntrica", mas também não é típica dos candidatos republicanos desta safra. O facto de um candidato ser apoiado pelo Tea Party não faz dele automaticamente um "extremista". O próprio movimento Tea Party é basicamente uma revolta de contribuintes (como o nome, com a sua referência à Boston Tea Party de 1776, indica) e não é o facto de conter elementos mais delirantes (que também existem entre os democratas) que anula isso.

E já que se fala em extremos, também os democratas são vulneráveis a essa acusação, pois Barack Obama é o presidente mais à esquerda desde Franklin D. Roosevelt e era considerado por organizações independentes que medem estas coisas como o Senador mais "liberal" (no sentido americano do termo).

De qualquer modo, não me parece que o eleitorado vá engolir esse tema de campanha, e não podemos considerá-lo sensato e racional quando vota democrata e primário quando vota republicano. A economia e as finanças públicas vão ser fundamentais, e ambas estão ainda em pior estado do que estavam em Janeiro de 2009, além de outras questões como a reforma da saúde, à qual a maioria dos americanos se opõe.
Alexandre Burmester a 16 de Agosto de 2010 às 13:44

De qualquer modo, não me parece que o eleitorado vá engolir esse tema de campanha, e não podemos considerá-lo sensato e racional quando vota democrata e primário quando vota republicano.

Caro Alexandre esta sua frase tem muito que se lhe diga. E faço um mea culpa. Aliás, sinto-me um pouco fora de contexto quando por aqui passo pois sei que vocês tratam sério aquilo que para mim é diversão. É o desenrolar da vida real, mas lá longe.

Gostei do seu "excêntrica". É verdade sim. Mas veja, serei um pouco mais sério;

Obama é realmente de esquerda e o mais à esquerda. O seu partido peca pela falta de bandeiras ou pela falta de força para as levar de um ponto a outro. Já o GOP agarra-se a tudo o que dá voto e que se possa confundir com a direita conservadora. Seja o que for. E a questão da colagem à margem, ao tea party, poderá ser um tiro no pé pois o próprio tea party não sabe o que é ou o que quer...
Exemplo? Veja a repudiação da net netrality tão somente por ser regulamentação Federal. A recente petição que a repudia é simplesmente patética.
Daí ser divertido!

Aproveito se me permitem, para vos convidar que visitem http://psicolaranja.blogs.sapo.pt/
jfd a 16 de Agosto de 2010 às 13:56

"Já o GOP agarra-se a tudo o que dá voto (...)"

Isso é característica da política em geral e do jogo democrático em particular. Ao estar sempre a falar em Bush o Partido Democrático faz isso mesmo, isto é, agarrar-se a tudo o que dá voto (ou que pensa que dará).

O establishment do GOP segue decerto com apreensão algumas das candidaturas deste ano e procurará colocar todo o seu peso nos candidatos presidenciais mais "mainstream" em 2012 (gente como Mitt Romney, Tim Pawlenty e Mitch Daniels).

Há uma coisa que me intriga no acompanhamento que em Portugal se faz da política americana, que é ver por vezes muita gente de direita fascinada com o Partido Democrático, que tem o estatuto de observador na Internacional Socialista. Nunca se vê a esquerda portuuesa, em compensação, fascinada com algum político republicano. A política económica seguida por Obama é muito parecida com a seguida em Portugal pelo actual governo, mas isso não impede alguns que cá criticam a segunda de defenderem aquele que na América põe em prática a primeira. Bizarrias nacionais (este meu comentário não é dirigido a si, estou a divagar).

Obrigado pela sua paciência e pelo link para o vosso interessante blogue.
Alexandre Burmester a 16 de Agosto de 2010 às 14:34

Alexandre é interessante de facto!
Posso-lhe explicar o meu ponto de vista, e se me permite, em "americano"; "I'm a sucker for the underdog!" e sejamos realistas, Obama não ganhou as eleições, o GOP é que perdeu ;)

Mas admiro políticos da direita do lado de lá do Atlântico. E falo-lhe de dois; o McCain que se bateu com Bush nas primárias... esse sim era o verdadeiro maverick e ainda o Guilliani Mayor de Nova Iorque. Infelizmente estes dois politicos venderam-se nas últimas eleições perdendo a sua chama e o que os tornava especiais num mar de cinzentos republicanos. Até Romney teria a minha simpatia nos tempos de Governador, mas também se descaíu para uma direita mais estranha...
jfd a 16 de Agosto de 2010 às 14:42

Até á falência do Lehman Bros., caro jfd, John McCain seguia à frente nas sondagens, pelo que pode dizer-se que o crash financeiro é que basicamente o derrotou.

Mas também não devemos esquecer que raramente um partido ganha a Casa Branca três vezes consecutivas (a última vez, e única desde a Guerra, foi o GOP em 1980, 1984 e 1988). E também não é vulgar um presidente que se recandidata ser derrotado (apenas dois casos desde 1945, Jimmy Carter e George H.W. Bush, se excluirmos o caso especial de Gerald Ford), pelo que Obama, pelo menos para já, continua a ser favorito para 2012. Até lá muita água correrá sob as pontes do Potomac e muitos cenários serão aqui desenhados pelos nossos amáveis anfitriões.

Os meus cumprimentos

Alexandre Burmester a 16 de Agosto de 2010 às 14:56

Atenção, refiria-me ao Mccain que batalhou com Bush a nomeação em 2000. Em que foi perfeitamente atacado pela maquina Roviana ;)
Esse Mccain sim, era um verdadeiro Maverick

E claro, aguardemos novos posts, cumprimentos,

jfd
jfd a 16 de Agosto de 2010 às 15:06

Bela discussão.

Apenas gostaria de falar do fascínio que alguma direita europeia tem pelo Partido Democrata e o "desprezo" que apresenta pelo GOP, afinal de contas, o partido de direita americano e que faz parte da União Internacional Democrata, a "Internacional Socialista" de centro-direita, a mesma de que fazem parte, por exemplo, o PSD e o PP espanhol. Foi fundada por Bush I, Kohl e Tatcher, entre outros, e actualmente presidida pelo antigo PM australiano, John Howard.

Esta aversão pelo GOP terá duas razões principais: a primeira, e talvez a mais importante, pelo facto da imprensa europeia "tratar" muito mal os republicanos. A cobertura mediática normalmente adopta uma postura parcial: os democratas são os bons e os republicanos os maus. Mesmo presidentes de sucesso inegável, como foi Ronald Reagan, sempre foram desconsiderados na cobertura europeia. A famosa boa e má América não nasceu com W. Bush. Isto cria na opinião pública um sentimento negativo em relação ao GOP que explica, por exemplo em Portugal, que muitos eleitores do PSD e CDS, tenham uma preferência pelo Partido Democrata, apesar de muitas vezes defenderem ideias contrárias cá.

Depois uma explicação ideológica. De facto, o GOP, exceptuando talvez os partidos conservadores de Espanha e Inglaterra, e agora, os do Leste Europeu, estará mais à direita que os tradicionais partidos de centro-direita europeus. E, acredito que nos anos Clinton, que governou ao centro a partir de 1994, muitos políticos de centro-direita europeus se sentissem próximos do Partido Democrata do que do GOP. Talvez não o de Obama, mas o PD dos últimos 20 anos sempre esteve mais à direita que a maior parte dos partidos de esquerda europeus.

JFD, eu conheço e costumo ler o Psico ;)

Abraço aos dois

"mas o PD os últimos 20 anos sempre esteve mais à direita que a maior parte dos partidos de esquerda europeus. "

Nas questões económicas (nas "fracturantes" é mais complicado) não estará também à direita que a maior parte dos partidos da direita europeia?

Só um exemplo - nas ultimas legislativas, tanto o PSD como o CDS apareceram a defender que, quando os hospitais públicos não dessem vazão, o Estado deveria pagar o tratamento nos hospitais privados. Isso é mais "de esquerda" do que o "single payer" que nos EUA é associado aos sectores "radicais" do Partido Democrata.
Miguel Madeira a 17 de Agosto de 2010 às 22:30

Bom ponto. Mas devemos olhar para o contexto e para as diferentes realidades.
Nuno Gouveia a 20 de Agosto de 2010 às 18:23

Além do que refere, caro Nuno, há uma grande descontextualização quando na Europa se discute política americana, exempificada pelo comentário do nosso estimado confrade jfd acerca da oposição republicana à legislação sobre a "net neutrality".

Em Portugal e na Europa não vivemos, regra geral, em estados federais (exceptuando a Alemanha), pelo que não temos a percepção da importância que questões que se prendam com a dicotomia governo federal/governos estaduais pode assumir.

Mas a esse exemplo dado por jfd eu poderia retorquir com o caso-Arizona: aquele estado aprovou legislação que permite à polícia pedir a identificação a pessoas que suspeite de serem imigrantes ilegais, e a administração Obama opõe-se a tal coisa com veemência. Quem, entre nós, não acha normal que a polícia faça isso? Isto não será tanto uma "esquisitice" dos democratas quanto a posição republicana no caso "net-neutrality"?

O caso da saúde, quando discutido na Europa, é mais uma daquelas situações que o europeu médio não entende. A maioria esmagadora dos europeus não sabe (se soubesse atravessava já o Atlântico a nado ou criaria os seus "Tea Parties";-)) que o americano médio paga impostos muito mais baixos que os europeus, e por isso tem "massa no bolso" mais que suficiente para escolher e pagar o seu seguro de saúde. A nova legislação obriga todos os americanos a terem esse seguro, o que muitos consideram uma intromissão do governo federal nas suas vidas particulares. O europeu médio, anestesiado pelos impostos que paga e achando que o Estado Social faz tanto parte da natureza como os rios e as montanhas, não entende estas particularidades americanas, e muito menos ainda quando lhas não explicam e apresentam o GOP como o partido que não quer que os pobres tenham assistência médica.

Vai longa a conversa.

Abraços
Alexandre Burmester a 21 de Agosto de 2010 às 22:33

A motivação do eleitorado de cada partido poderá ser um factor fundamental em Novembro. Como agora se pôde ver, nas primárias do Colorado para o Senado, para dar um exemplo, o número de votantes republicanos foi claramente superior ao de democratas, num estado com maior número de democratas que republicanos e com uma primária democrática muito mediática (com Barack Obama a apoiar o vencedor e detentor do lugar e Bill Clinton a apoiar o derrotado).

Por outro lado, e partindo do princípio que ganham a Câmara dos Representantes, os republicanos nem precisam de conquistar o Senado. Um ganho de 6 ou 7 lugares inviabilizaria qualquer hipótese de os democratas conseguirem romper os "filibusters", pois as "senhoras do Maine" deixariam de ser suficientes para tal. E há outro factor a ter em conta: mesmo que Charly Crist vença na Florida, nada garante que ele não alinhe com os republicanos no Senado.
Alexandre Burmester a 13 de Agosto de 2010 às 22:31

arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar neste blog