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Jul 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:18link do post

 

Nos Estados Unidos têm surgido nos últimos anos grandes inovações na Internet que revolucionaram a política e o activismo político. O melhor e mais conhecido exemplo é o Huffington Post, que se transformou num baluarte da esquerda americana na Internet. Mas a revolução não pára e esta semana, dois sites conservadores, deram um novo passo rumo ao futuro da Internet e do activismo político. Apesar de nem sempre pelas melhores razões, é um sinal que o poder político tem de aprender a lidar com este novo fenómeno.


Começo pelo caso que considero negativo. Um site conservador, bastante popular nos Estados Unidos, o BigGovernment.com, de Andrew Breitbart, publicou no seu site um vídeo, onde uma funcionária do Departamento de Agricultura tecia considerações racistas sobre agricultores brancos.  O Secretário da Agricultura, Tom Vilsak, com receio de levar com uma catadupa de criticas nos media, especialmente nos programas de comentário da Fox News, demitiu a funcionária imediatamente. Mas as declarações tinham sido retiradas do contexto em que foram proferidas. Ninguém se deu ao trabalho de investigar e se de facto a funcionária tinha falado em termos racistas. A começar pela Administração, que demitiu a senhora sem querer saber da verdade. E também do administrador do site, que se desculpou dizendo que tinha recebido as declarações como as publicou. Mas isto demonstra o receio que os governantes americanos têm deste tipo de sites, que não são propriamente meios jornalísticos, mas têm capacidade de investigação própria, capazes de morder os calcanhares ao poder politico.


A outra história surgiu também de um site conservador, de Tucker Carlson, o The Daily Caller. Um grupo de jornalistas, activistas e professores universitários de esquerda manteve ao longo de vários anos uma mailing list, a Journalist, onde teciam considerações sobre a vida política americana. O problema desta lista é que participavam jornalistas de órgãos como a Time, The Economist, Washington Post ou Newsweek. E foram publicadas diversas opiniões que envergonham a profissão de jornalista. Por exemplo, quando Sarah Palin foi escolhida por John McCain, alguns dos jornalistas discutiam formas de a criticar publicamente, acertando uma estratégia deliberada para a “abater” na praça pública. Outras das conversas publicadas visavam afastar os holofotes dos media da polémica que afectou a campanha de Barack Obama por causa do Reverendo Jeremiah Wright. Se fossem apenas activistas e professores universitários a empreender tal estratégia, mal nenhum haveria. Mas o problema é que surgiram jornalistas no meio da conversa, que cobriam a campanha presidencial. Presumo que esta confusão não irá terminar tão cedo.


Estes dois exemplos recentes demonstram uma coisa, que há vários anos é uma realidade, mas que tem vindo a ganhar novos contornos: a investigação jornalística já não depende apenas dos media tradicionais. E a investigação da oposição está a passar dos políticos directamente para este tipo de sites. Sendo que estes últimos são mais eficazes, pois ao lançarem este tipo de histórias mexem imediatamente com o poder político, tendo uma grande ressonância na opinião pública.

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