A reforma do sistema de saúde americano foi um temas que mais ocupou a agenda interna de Barack Obama neste primeiro ano. E depois de negociações difíceis, foram aprovadas duas leis, primeiro na Câmara dos Representantes (CR) e depois no Senado, com a oposição quase unânime dos republicanos (apenas um congressista do Lousiana deu o seu voto na CR). Mas a lei ainda não está pronta para ser enviada para a Casa Branca, pois necessita de ser uniformizada pelas duas câmaras. Depois da eleição de Scott Brown, que fez da reforma da saúde uma das promessas principais da sua campanha (kill the bill), esta iniciativa democrata está em perigo.
A maneira mais fácil de passar seria aprovar na CR a lei que passou no Senado. Desta forma não seria necessário voltar a ir a votos no Senado, e não se arriscavam ao fillibuster republicano, agora possível com o voto de Brown. Mas a lei do Senado não tem condições de passar na CR, como ontem afirmou a Speaker Nancy Pelosi. Os democratas estão numa encruzilhada, e os próximos dias serão fundamentais para perceber qual o caminho que irão escolher: aprovar a lei através da reconciliação ou voltar ao inicio. Se optarem pelo método da reconciliação, para voltar a passar a lei no Senado, apenas precisam dos votos de 51 senadores. A dúvida em seguirem esta via é que a reforma é bastante impopular e há muitos democratas com receio das consequências para o seu futuro político. Por outro lado, se optarem por deixar cair a lei, terão de enfrentar a fúria dos sectores mais à esquerda da sociedade americana. Ainda ontem Paul Krugman apelava à passagem da lei e vários comentadores afirmaram que seria uma vergonha não o fazerem.