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Jul 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:24link do post | comentar

Mantenho a convicção que dificilmente Barack Obama poderá ser derrotado em 2012. Mas começam a surgir sinais que, pelo menos, poderá ter dificuldades em ser reeleito. Dos Presidentes que conquistaram a reeleição, e se olharmos para os últimos 60 anos, apenas George W. Bush teve dificuldades em ganhar. Todos os outros, como Eisenhower, Johnson, Nixon, Reagan e Clinton foram facilmente reeleitos. Mas os ventos não estão favoráveis para Obama.


Hoje foi publicada uma sondagem da Public Policy Polling, uma empresa próxima do Partido Democrata, que diz que Obama perderia para Romney (3%), Huckabee (2%) e Gingrich (1%) e empataria com Palin. Estes dados são preocupantes para Obama, numa altura em que a sua popularidade anda na ordem dos 40s%, e em que grande parte dos independentes tende a apoiar políticos republicanos. As eleições intercalares de Novembro poderão ser um barómetro para o estado da Administração Obama. As previsões apontam para grandes conquistas do Partido Republicano na Câmara dos Representantes, no Senado e nos lugares de Governadores. Se o GOP obter a maioria de uma das câmaras e grande parte dos governos estaduais, poderão estar criadas as condições para uma onda republicana para 2012. Mas mesmo que tal suceda, mantenho-me céptico sobre uma derrota de Obama.


Em caso de derrota severa em Novembro, isso não significa que Obama vai perder. Afinal em 1994 Bill Clinton também sofreu nas urnas e acabou por bater facilmente Bob Dole em 1996. Obviamente isso implica que Obama retire consequências directas desse resultado, e efectue mudanças nas politicas da Administração. Tal como Clinton fez. Mas nos Estados Unidos normalmente não são os governantes que perdem eleições. É preciso que as oposições demonstrem capacidade para as vencer. Foi assim com Reagan em 1980 e Bill Cinton em 1992. Não basta esperar que o poder lhes caia no colo. E daí o meu cepticismo.

 

Não vejo no Partido Republicano, neste momento e apesar dos estudos de opinião, candidatos ganhadores. Está certo que os republicanos aparecem todos à frente de Obama, mas neste momento o Presidente é o alvo de toda a oposição, o que não se passa com republicanos. E destes candidatos, o único que talvez não gere muitos anticorpos na sociedade americana é Mitt Romney. Gingrich (figura que aprecio) tem muitos ódios, Huckabee está muito relacionado com a direita religiosa e Palin teria sempre muitas dificuldades em ultrapassar uma longa campanha de quase 2 anos. A melhor hipótese para o Partido Republicano é que um destes frontrunners se credibilize como figura aglutinadora da direita contra Obama (e acho que Romney é o mais bem colocado) ou que surja um novo valor que consiga apresentar-se como um sinal de esperança para o povo americano. Candidatos? Tim Pawlenty, Bobby Jindal, Mitch Daniels ou até John Thune. Haverá outros certamente. Mas também duvido que o GOP escolha o melhor candidato para derrotar Obama. Ao contrário de ciclos eleitorais anteriores, actualmente uma primária republicana é um concurso para eleger o candidato mais puro em termos ideológicos. E isso pode ser contraproducente em termos eleitorais. Veja-se os casos do Kentucky e Nevada, onde as escolhas das primárias republicanas colocam em causa vitórias que seriam quase certas com outro tipo de candidatos. Mas depois de Novembro voltarei ao tema.


Por regra os presidentes são reeleitos, e desde a Guerra para cá as excepções são Jimmy Carter e George H.W . Bush . E se o segundo foi essencialmente derrotado pelo facto de haver um terceiro candidato, o primeiro foi apeado numa época de grande mal-estar na América: estagnação económica/inflação e sensação de impotência e frustração realçada pelo longo caso dos reféns na embaixada em Teerão. As perspectivas económicas estão neste momento de novo sombrias, com vários indicadores a não augurarem nada de bom para os próximos anos. Alguns analistas já acham muito difícil que o desemprego desça significativamente até Novembro de 2012, e se tal se confirmar o GOP terá apenas de encontrar um candidato razoável, não precisará de um Ronald Reagan . E creio que, se confrontados com a forte possibilidade de derrotarem Obama , os eleitores republicanos não escolherão Sarah Palin ou Mike Huckabee . Quanto a Mitt Romney , tem um factor de algum peso contra si (para lá de ser mormon , coisa não muito bem encarada pelos eleitores evangélicos): é que implementou no Massachusetts, enquanto Governador desse estado, um programa de saúde semelhante ao recentemente aprovado pelo Congresso e que tanta oposição gera no seio do Partido Republicano. Assim sendo, e atendendo ao clima económico em que provavelmente as eleições se disputarão, um candidato com provas dadas nesse campo, como Mitch Daniels ou Tim Pawlenty , terá à partida boas possibilidades.
Alexandre Burmester a 16 de Julho de 2010 às 00:17

Se o desemprego e a crise económica forem uma realidade em 2012, Obama poderá estar em maus lençóis. Mas continuo a duvidar da sua não reeleição, especialmente por causa do Partido Republicano.

Pawlenty ou Daniels são bons candidatos. Mas a minha dúvida é se um candidato deste género consegue vencer umas primárias republicanas neste ambiente. Ou das promessas que tenham de fazer para as ganhar, que depois acabem por se virar contra eles numa eleição geral. Os exemplos do Nevada e Kentucky (até é possível que vençam as eleições) são uma pequena amostra do que poderão ser as primárias de 2012. Especialmente a candidata Sharron Angle, que parece saída de um filme de série B. (pelo menos foi a impressão que fiquei dela numa entrevista que li).

Pode ser que arranjem um candidato vencedor. Os republicanos quase sempre tem nomeado o candidato em melhor posição para as eleições gerais. Mesmo quando perderam.Foi assim com Reagan, H. Bush, com Dole W Bush ou Mccain. Mas não sei se vão cometer o mesmo erro que os democratas já fizeram tantas vezes (McGovern, Mondale e até Kerry - acho que o malogrado Edwards nesse ano sera o mais forte). Vamos ver...
Nuno Gouveia a 16 de Julho de 2010 às 01:00

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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