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Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 19:50link do post

“Politics has become so bitter and partisan, so gummed up by money and influence, that we can't tackle the big problems that demand solutions. And that's what we have to change first.”

Barack Obama, 17 de Janeiro de 2007

 

Barack Obama completou esta semana 500 dias na Casa Branca. Tem sido um mandato bastante complexo, com alguns sucessos e outros tantos insucessos. O seu nível de popularidade é relativamente baixo, mas não muito diferente de outros presidentes nesta altura, como Ronald Reagan ou Bill Clinton. Anunciar que o seu mandato será um sucesso ou um fracasso é demasiado arriscado, e estará apenas ao alcance de profetas da política. Barack Obama tanto poderá seguir as pisadas de Clinton como as de Carter; tudo irá depender dos próximos dois anos.

 

Há um aspecto que salta à vista nestes meses: a promessa de “new kind of politics in Washington” redundou num desastre absoluto. A luta entre democratas e republicanos acentuou-se, e se as responsabilidades são partilhadas pelos dois partidos, na verdade Barack Obama foi eleito sob a promessa de ser um presidente diferente. E não o tem sido. As dúvidas surgiram quando o público tomou conhecimento dos "negócios" realizados durante a “batalha” pela reforma da saúde, onde foram “comprados” votos de alguns senadores em troca de subsídios federais aos seus estados. Isto não é novo em Washington, mas mais uma vez, Obama prometeu acabar com este tipo de negociatas.

 

Mas o fim da credibilidade da “new kind of politics” de Barack Obama sucedeu com os recentes escândalos que afectaram a sua Administração, que denotam um padrão de actuação perante as dificuldades que enfrentam. E pela primeira vez têm surgido vozes muito criticas dos sectores mais à esquerda, que até ao momento se tinham mantido como “true believers” de Obama. Primeiro foi a notícia que tinham oferecido um cargo na Administração a Joe Sestak para que este desistisse da candidatura ao Senado. Esta semana, um outro candidato insurgente do Partido Democrata ao Senado, Andrew Romanoff, que procura derrotar o favorito de Obama no Colorado, o actual senador Michael Bennet, anunciou que um membro da Administração lhe tinha oferecido três lugares à sua escolha para não se candidatar. Estes casos prometem fazer correr muita tinta nos próximos tempos, e há quem defenda a existência de crime nestas situações. E mesmo que não tenha ocorrido crime algum, ficou provado ao povo americano que o governo de Obama não é diferente. Quem foi eleito sob a promessa de “bipartidarismo”, “mudança” e “nova forma de fazer politica”, perde credibilidade ao mostrar que é apenas mais um. É o problema do messianismo na vida politica. Barack Obama que se cuide nos próximos 500 dias.

 

Também no Cachimbo de Magritte

 

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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