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Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:32link do post | comentar

O gigante euro-asiático mudou de rumo na última década. Depois de décadas como o mais fiel aliado de Washington no mundo muçulmano, o governo islamita de Erdogan empreendeu uma mudança radical na frente diplomática, colocando em causa as fundações da aliança com os Estados Unidos. A Administração Obama enfrenta agora pressões antagónicas dos países que mais lhe são mais próximos na região: Israel e Turquia. Por outro lado, os turcos têm tomado posições nos últimos tempos que se afastam dos interesses estratégicos dos americanos na região.


Como afirma Stephen Cook na Foreign Affairs, como se diz “frenemy in turkish?”. Membro do Council of Foreign Affaris, Cook escreve sobre o desenvolvimento das relações entre os Estados Unidos e a Turquia, onde os caminhos, apesar de não se terem separado, seguem nos dias de hoje rumos diferentes, e que podem entrar em conflito.


A Turquia pretende desempenhar um novo papel no mundo muçulmano, e o aprofundamento de relações com inimigos dos americanos, como a Síria ou o Irão, podem colocar problemas à relação bilateral. O recente acordo, desprezado por Washington, entre a Turquia, Brasil e Irão, criou problemas à estratégia americana para impedir Teerão de obter armas nucleares. As sanções exigidas pelos americanos ficaram dessa forma mais distantes. E o seu alinhamento ao lado da Síria e do Irão, países que apoiam o Hamas e o Hezbollah, poderá criar fricções com os Estados Unidos, tradicional aliado de Israel. Não por acaso os turcos têm tomado posições que vão contra os interesses de Israel, um país que até há bem pouco tempo era um próximo aliado da Turquia.


Esta semana o ministro dos negócios estrangeiros turco criticou abertamente os Estados Unidos por não terem condenado a actuação israelita. Obama, por já ter criticado duramente Israel no seu mandato, perdeu margem de manobra para o fazer e muito dificilmente o fará nesta questão. Uma boa parte do Partido Democrata e a esmagadora maioria do Partido Republicano apoia o direito de defesa de Israel e vários líderes dos dois partidos já disseram em público que esperam que a Administração se mantenha ao lado de Israel neste assunto. Uma resolução de condenação da ONU a Israel, por exemplo, contará certamente com o veto americano.

Caso exista em breve um novo conflito entre Israel e o Hamas ou Hezbollah, os turcos deverão manter-se ao lados dos inimigos de Israel, ao contrário dos americanos, que  darão cobertura diplomática a Telavive. E aí poderá surgir outro momento de tensão entre EUA e Turquia. Obama tentará manter-se a navegar entre estas duas correntes, sem criar rupturas com nenhum dos lados. Mas não tenho dúvidas que se a corda esticar muito, ela acabará por partir para o lado turco.

 

Também no Cachimbo de Magritte


Suspeito que a este comportamento turco, além da alteração do partido no poder na Turquia, também não será alheio o insucesso do dossier da integração europeia.
Carlos Faria a 2 de Junho de 2010 às 17:03

Li algures esta semana algo sobre isso. E não deixa de ter alguma lógica, visto que depois do insucesso da entrada na Europa, viraram-se para Oriente...

Mas não tenho dúvidas que se a corda esticar muito, ela acabará por partir para o lado turco.
billig ed hardy schuhe a 6 de Agosto de 2010 às 06:46

Uma resolução de condenação da ONU a Israel, por exemplo, contará certamente com o veto americano.
ed hardy günstig a 6 de Agosto de 2010 às 06:47

um país que até há bem pouco tempo era um próximo aliado da Turquia.
louis vuitton women's shoes a 6 de Agosto de 2010 às 06:48

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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