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Mai 10
publicado por Nuno Gouveia, às 18:46link do post | comentar

Novos desenvolvimentos surgiram depois deste post. A Casa Branca divulgou no final desta semana que foi Bill Clinton quem conversou com Joe Sestak e o tentou convencer a desistir da nomeação democrata. E que esse lugar oferecido na Administração não seria "pago". Sendo verdade esta informação, poderá "esvaziar" um pouco a polémica. Por um lado, ao envolver o nome do antigo Presidente Clinton, retira pressão à Casa Branca. Por outro, a oferta de um lugar que não seria remunerado torna mais díficil a constituição de um caso que configure um crime. Mas o Partido Republicano continua a exigir uma investigação federal sobre este caso. A minha convicção é que este caso não irá desaparecer da arena mediática tão cedo.


Este tipo de situações não é particularmente nova na política americana, e já vários políticos foram apanhados em situações do género. No entanto, e como recorda o Chicago Tribune neste editorial, a promessa de "new politics in Washington" de Barack Obama sofre mais um sério revés.


A questão pouco muda de figura, porque a Casa Branca admitiu que Bill Clinton foi convidado pelo Chief of Staff Rahm Emanuel (um especialista de Chicago em baixa política) a abordar Joe Sestak . E o facto de o lugar oferecido não ser remunerado não significa que não tenha sido cometido nenhum crime, pois a lei federal em causa fala em ofertas "de valor".

Como estamos em ano de eleições isto ainda vai dar muito que falar, especialmente se o Attorney-General da Pensilvânia decidir abrir um inquérito.
Alexandre Burmester a 30 de Maio de 2010 às 19:56

Talvez tenha razão. Mas ao envolverem o nome de Bill Clinton e o prestigio que isso acarreta, poderá atenuar um pouco a situação. Se a conversa tivesse sido entre o próprio Emanuel ou outro assessor, seria muito mais grave: em primeiro porque poderia haver logo uma demissão na Casa Branca. E depois porque seria sempre alguém com menos prestigio do que Clinton.

No entanto, concordo que isto não vai desaparecer tão cedo. E pode colocar em causa tanto a Casa Branca como o próprio candidato Sestak.

Aparentemente, caro Nuno, eles meteram Bill Clinton ao barulho porque este não é um funcionário federal, e como tal não cai na alçada da lei em causa. Se tivesse sido a própria Casa Branca a contactar directamente Sestak, isso seria uma "smoging gun". Mas sucede que Bill Clinton não tem propriamente uma imagem muito limpa (ninguém se esqueceu ainda do caso Whitewater e de alguns dos perdões que emitiu mesmo antes de sair da Casa Branca).

Mas onde isto afecta mais a Administração Obama é na contradição entre estas práticas e a promessa eleitoral de Obama de "uma nova maneira de fazer política" e de "limpar Washington".
Alexandre Burmester a 30 de Maio de 2010 às 21:51

Correcção: "smoking gun", obviamente.
Alexandre Burmester a 30 de Maio de 2010 às 21:52

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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