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Mai 10
publicado por Nuno Gouveia, às 18:36link do post | comentar

O congressista do Indiana Mark Souder (R) era conhecido pelas suas posições conservadoras. Esta semana soube-se que tinha mantido um caso extramatrimonial com uma assessora. O líder da minoria republicana, John Boehner apontou-lhe a porta da rua e ele demitiu-se. E o mais interessante desta história? Ano passado Souder tinha gravado um vídeo com a sua assessora sobre a abstinência sexual na adolescência. A vida política americana não está fácil para hipócritas.

 

Entretanto o candidato ao lugar de Chris Dodd no senado, o democrata Richard Blumenthal foi apanhado a mentir descaradamente aos eleitores. Segundo o New York Times, Blumenthal foi várias vezes afirmou que tinha estado no Vietname, quando na verdade não participou na guerra. Era considerado pelos analistas como o favorito a ganhar as eleições de Novembro no Connecticut. Nas últimas sondagens estava com uma vantagem confortável sobre os possíveis opositores republicanos. Mas não sei se irá conseguir sobreviver a esta mentira, principalmente por envolver um aspecto tão sensível com a vida militar.


As duas grandes paranóias americanas: o puritanismo e o serviço da guerra. Estava na hora da América encontrar outros valores. Mas parece que a hipocrisia vai continuar, com o crescente poder dos conservadores radiciais.
Alda Telles a 18 de Maio de 2010 às 20:05

Milhões de americanos servem no exército, seja em tempos de guerra ou de paz. O respeito que existe pelos militares é o mínimo que se pode fazer por aqueles que se colocam ao serviço do país. E este respeito pelos militares ultrapassa muito os conservadores ou liberais, esquerda ou direita. Isso é a América. E acho muito grave que um político invente currículo militar para ganhar votos.

Sobre o puritanismo: os últimos grandes escândalos sexuais nos EUA não vieram de políticos conservadores, mas sim democratas:

John Edwards, o marido fiel e apoiante dos valores tradicionais, enquanto em publico dizia amar a sua esposa com cancro, tinha um caso com uma assessora...

O outro caso foi o governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, que de lutador incorruptível contra as redes de prostituição do Estado, na vida privada se divertia nessas mesmas redes que combatia em publico.

A hipocrisia, que é o que estes casos falam, é o que é grave. E não o que eles fazem na vida privada.

Sem dúvida, o problema é que a hipocrisia é provocada pelo enaltecimento de valores que, se não forem apregoados aos sete ventos, penalizam os políticos.
O respeito pelos militares e pela família é sintoma de uma sociedade saudável. O que não é saudável é julgar e caracterizar os outros por bitolas e não respeitar quem não viver em função da norma. E o julgamento popular é tão básico nos Estados Unidos que leva à hipocrisia permanente.
Numa segunda leitura, as assessoras também parecem ser um problema;)
Alda Telles a 18 de Maio de 2010 às 20:32

Então parece-me que concordamos no essencial. No entanto, também me parece saudável que políticos enalteçam em público os valores que defendem e acreditam, isto sem julgar terceiros que não tenham as mesmas ideias. O que me parece errado é precisamente defender valores ou ideias em que não acreditam. E é o que fica evidente nestes casos...

E que tal não defender valores, ou melhor, defender os valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade? Defender que cada um viva de acordo com as suas crenças e os seus sentimentos, sejam eles valores "tradicionais" ou "não tradicionais"?
Aí, ninguém é apanhado em falso. É esta a liberdade que falta na América, apesar de ter os melhores pensadores do mundo.
Alda Telles a 18 de Maio de 2010 às 23:22

Ou seja defender valores genéricos e consensuais? E o que será isso da liberdade, igualdade ou fraternidade? A mesma de Robespierre?

Cada político deve defender aquilo em que acredita. Seja consensual ou não, seja politicamente correcto ou não. Não gosto de ditaduras do pensamento único.

E não vejo que tipo de liberdade falte nos Estados Unidos. Felizmente para eles são a casa das liberdades em vários aspectos.

Deixe-me só acrescentar, caro Nuno, que não há país mais igualitário que os EUA, sem grandes barreiras de classe e com grande mobilidade social.

Por outro lado os franceses, os inventores do trinómio "liberdade, igualdade, fraternidade " (que não da democracia, diga-se) acabam de proibir o uso da burqa em público, uma decisão verdadeiramente intolerante mas não surpreendente num país muito pouco liberal (no sentido político do termo). Eles de facto enchem a boca com o dito trinómio e com a República (e com a "Europa", mas isso é outro assunto).

Por outro lado, a fictícia barreira entre a vida privada e a vida pública que existe em França permite, ela sim, o exercício da mais pura hipocrisia, pois quase que é vedado aos media desmascararem certos aspectos da vida dos políticos que permitiriam ao eleitorado melhor conhecer o carácter de quem os governa, o que também deveria pesar nas escolhas eleitorais.
Alexandre Burmester a 19 de Maio de 2010 às 22:53

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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