20
Jan 10
publicado por José Gomes André, às 20:50link do post | comentar

  

  

1. Passou apenas um ano. A voragem mediática conduz a análises permanentes de uma actividade que, em muitos casos, se dirige a problemas de médio ou longo-prazo.

 

2. Do que se viu até agora, estamos perante um mandato com várias promessas por cumprir. O que é diferente de falarmos em promessas não-cumpridas. Obama tem seguido à risca o seu programa eleitoral, mas assumiu demasiadas frentes de batalha para poder apresentar, nesta fase, resultados concretos na maioria delas.

 

3. O seu maior fracasso residiu na incapacidade de estabelecer pontes com os Republicanos e com os sectores mais conservadores do Partido Democrata, sendo incapaz de superar um forte bipolarismo sócio-político que se verifica na América.

 

4. As principais conquistas assentam num inequívoco espírito reformador. Obama não tem demonstrado receio em sujar as mãos, lutando por alterações políticas em áreas sensíveis como a educação, o ambiente, a energia ou o sistema de saúde. Em tempos difíceis, seria fácil invocar as dificuldades para alegar incapacidade, mas Obama tem resistido a esse álibi político.

 

5. Na política externa o saldo é ligeiramente positivo, tendo a conciliação entre pragmatismo e retórica multilateralista gerado acordos relevantes (com a Rússia e a China, entre outros). A atitude perante o Irão promete igualmente ganhos a médio-prazo. E a assunção mista de uma postura de liderança com o reconhecimento de que é necessário ouvir os demais representa uma nova e correcta dinâmica da política externa americana.

 

6. Os próximos seis meses serão decisivos. Em Novembro há eleições intercalares, pelo que os Democratas em risco rejeitarão certamente a agenda de Obama se sentirem que a mesma é impopular no seu distrito/Estado. Caso não obtenha uma vitória política significativa e se assista a uma recuperação económica relevante, o próprio Obama será certamente forçado pelo Partido Democrata a reorientar as suas prioridades para evitar um desastre eleitoral.

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20 de Janeiro de 2010 – OBAMA, UM ANO COMO PRESIDENTE

EXPECTATIVAS UTÓPICAS E DURA REALIDADE


Faz hoje um ano que Barack Obama tomou posse como presidente dos Estados Unidos da América. Apoiantes e inimigos criaram um mundo de falsas esperanças que só a ignorância e a má fé podem justificar.

Reedito hoje um texto que publiquei em 30 de Dezembro de 2008, quando da eleição de Obama, em www.favelaocidental.com



BARACK OBAMA, UMA NOVA Nª SENHORA DOS MILAGRES
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A eleição de Barak Obama para presidente dos Estados Unidos da América desencadeou em todo o mundo, com especial relevo na Europa, desde a esquerda progressista mais preconceituosa e retrógrada ao capitalismo argentário mais empedernido e associal, a apresentação, para o seu mandato, de um acervo de objectivos, muitos incompatíveis entre si, tarefa global que está além da capacidade de qualquer político, mesmo que seja presidente do país mais poderoso do mundo.
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Parece que, para o mundo, nasceu uma nova nossa senhora dos milagres capaz de, ao mesmo tempo, fazer chuva e fazer sol, desencadear vendavais e proporcionar calmarias, … em suma, capaz de compatibilizar o incompatível.
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Todos dão sentenças; todos definem objectivos; todos manifestam as mais desencontradas e, muitas vezes, as mais incompatíveis expectativas.
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Está montado um cenário em que todos poderão vir a dizer que Obama não satisfez! Que frustrou as esperanças do mundo! Que, afinal, não fez o milagre, sobre-humano, que todos aguardavam!
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E muitos gritarão – sacrifiquem-no!
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MAS …
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…O milagre de Barack Obama já está feito – ter conseguido colocar um MESTIÇO, abominado por racistas brancos e por racistas pretos, na presidência dos Estados Unidos da América.
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Agora, só nos resta esperar (ter esperança) que Obama desempenhe as suas funções com proveito para o seu país e para o mundo, deixando ao seu critério a escolha dos caminhos a seguir para cumprir as nossas esperanças.
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E ter presente que resolver os problemas do mundo (7.000 milhões de cabeças, com muitos milhões de interesses, encurraladas nesta pequena bola com recursos cada vez mais limitados) não é tarefa que, honestamente, possamos por em cima das costas de um só homem, e lavar as mãos
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Exige, pelo menos, que no mundo haja um bom lote de chefes políticos – íntegros, competentes e não enfeudados aos gangs transnacionais (e locais) dominantes – e povos esclarecidos que os apoiem.
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30 de Dezembro de 2008
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Joaquim Vicente Pinto jotap@sapo.pt www.favelaocidental.com
Vicente Pinto a 21 de Janeiro de 2010 às 23:55

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