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Jan 10
publicado por José Gomes André, às 20:50link do post

  

  

1. Passou apenas um ano. A voragem mediática conduz a análises permanentes de uma actividade que, em muitos casos, se dirige a problemas de médio ou longo-prazo.

 

2. Do que se viu até agora, estamos perante um mandato com várias promessas por cumprir. O que é diferente de falarmos em promessas não-cumpridas. Obama tem seguido à risca o seu programa eleitoral, mas assumiu demasiadas frentes de batalha para poder apresentar, nesta fase, resultados concretos na maioria delas.

 

3. O seu maior fracasso residiu na incapacidade de estabelecer pontes com os Republicanos e com os sectores mais conservadores do Partido Democrata, sendo incapaz de superar um forte bipolarismo sócio-político que se verifica na América.

 

4. As principais conquistas assentam num inequívoco espírito reformador. Obama não tem demonstrado receio em sujar as mãos, lutando por alterações políticas em áreas sensíveis como a educação, o ambiente, a energia ou o sistema de saúde. Em tempos difíceis, seria fácil invocar as dificuldades para alegar incapacidade, mas Obama tem resistido a esse álibi político.

 

5. Na política externa o saldo é ligeiramente positivo, tendo a conciliação entre pragmatismo e retórica multilateralista gerado acordos relevantes (com a Rússia e a China, entre outros). A atitude perante o Irão promete igualmente ganhos a médio-prazo. E a assunção mista de uma postura de liderança com o reconhecimento de que é necessário ouvir os demais representa uma nova e correcta dinâmica da política externa americana.

 

6. Os próximos seis meses serão decisivos. Em Novembro há eleições intercalares, pelo que os Democratas em risco rejeitarão certamente a agenda de Obama se sentirem que a mesma é impopular no seu distrito/Estado. Caso não obtenha uma vitória política significativa e se assista a uma recuperação económica relevante, o próprio Obama será certamente forçado pelo Partido Democrata a reorientar as suas prioridades para evitar um desastre eleitoral.

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É como diz, é só o primeiro ano.Mas também é normal alguma desilução, pois a fasquia, do histerismo, foi colocada num patamar elevadissimo.
Vamos ver, para já sobra o prémio Nobel...
Pedro Oliveira a 21 de Janeiro de 2010 às 09:42

Não.. para já sobra o cão de água.
l.rodrigues a 21 de Janeiro de 2010 às 16:14

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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