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Abr 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:55link do post | comentar

 

Abraham Lincoln foi uma personagem notável, que nasceu no seio de uma família pobre do Kentucky, foi um auto-didacta que subiu a pulso na elite do Illinois, chegando a Presidente dos Estados Unidos depois de uma carreira de sucesso como advogado.


As condições para a vitória do então recente Partido Republicano foram criadas depois da grande conflitualidade política da década 1850 e especialmente do mandato catastrófico de James Buchanan, considerado um dos piores presidentes das história. As divisões suscitadas pelo Acto Kansas-Nebraska, que repeliu o Compromisso do Missouri foi apenas o rastilho para o que viria a acontecer na década seguinte. Neste período assistimos também ao fim dos Wighs e à emergência do Partido Republicano. Buchanan é considerado o responsável pela agudização do conflito entre os sectores esclavagistas do Sul e os abolicionistas do Norte, sendo que os moderados, que defendiam a contenção da escravatura aos Estados do Sul, emergiram como vencedores das eleições presidenciais de 1860. Foi nesse contexto que Abraham Lincoln obteve a nomeação republicana, ele que não defendia o fim da escravatura nos estados do Sul, mas apenas o respeito pelo Compromisso do Missouri de 1820, que confinava a escravatura aos estados Sul. Sob a promessa de manter a União a todo o custo, Lincoln venceu as eleições presidenciais de 1860 com quase 60% do colégio eleitoral, mas apenas com 40% do voto popular.


Lincoln tinha estado no Congresso entre 1846 e 1848, mas afastou-se da política depois de sair de Washington. Foi nesses anos que ganhou fama como advogado de sucesso no estado do Illinois. Mas com o acto de Kansas-Nebraska de 1854, que dava aos territórios do oeste liberdade de escolha na opção esclavagista, fez com que Lincoln regressasse à politica activa, agora no  Partido Republicano. Este estava dividido entre os sectores mais radicais, que defendiam a abolição da escravatura na União, e os moderados, que defendiam uma posição mais de acordo em relação ao Compromisso do Missouri, com o fim progressivo da escravatura nos estados do sul, mas sem causar uma ruptura na União.


Em 1855, Lincoln escreveu uma carta ao seu velho amigo do Kentucky, Joshua Speed, dono de escravos e apoiante do Kansas-Nebraska, onde reafirmava a sua oposição total ao alargamento da escravatura aos territórios do Oeste. Nesta longa carta, Lincoln afirma: “estava a perder interesse pela política quando a revogação do Compromisso de Missouri despertou-me novamente”. Lincoln defende também a sua oposição à escravatura, dando exemplos dessa sua posição moral. E chega mesmo a invocar razões constitucionais: "all men are created equal, except negroes”. No entanto, e naquilo que viria a ser a sua plataforma política para as eleições de 1860, Lincoln afirmava que nesse momento a sua oposição política era apenas à extensão da escravatura e não à sua existência nos estados do Sul. Mas, e apesar dessa sua garantia, quando foi declarado vencedor das presidenciais, os estados do Sul avançaram para a secessão. Com os resultados conhecidos.


Excelente evocação, companheiro. É pouco conhecida essa ideia de que Lincoln, inicialmente, até estava apenas interessado na mera contenção da escravatura (privilegiando a ideia de União, mesmo que com esse custo moral). Só que os radicais do Sul "partiram a corda". Para o bem e para o mal.
José Gomes André a 20 de Abril de 2010 às 02:45

Pois. De facto é um dos mitos populares sobre Lincoln. Apesar de ele ser contra a escravatura, não foi eleito a prometer o seu fim, mas antes numa plataforma de entendimento com os Estados do Sul. O que ele pretendia era preservar a União a todo o custo. Os radicais do Sul assim não o entenderam e partiram para a secessão.

E não se coloca a hipotese de que as causas da guerra civil e o tal "esticar da corda" por parte dos confederados não tenham sido simplesmente - essencialmente - a questão esclavagista? É que isso também me parece ser um dos grands mitos populares: o norte civilizado e humanista contra os rednecks esclavagistas.
terrivel a 4 de Maio de 2010 às 04:51

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