09
Abr 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:00link do post

 

Estados Unidos e o Reino Unido sempre tiveram uma relação muito próxima. E também na vida político-partidária isso sucede. O Partido Republicano e os Tories, e o Partido Democrata e Labour mantêm eleições estreitas. Mas esta proximidade não significa que quando estão no poder partidos de famílias diferentes isso signifique posições distantes. George W. Bush e Tony Blair foram aliados, e Barack Obama tem demonstrado um relativo afastamento com Gordon Brown. Muitos Tories, que sempre manifestaram uma preferência clara pelos republicanos, nas últimas eleições presidenciais tiveram posições de apoio a Barack Obama, apesar da maior parte dos conservadores britânicos terem manifestado apoio a John McCain. Mas não acredito que isso será obstáculo às relações entre Obama e Cameron, se confirmar-se a vitória deste nas eleições de Maio.

 

O rejuvenescimento do Partido Conservador promovido por David Cameron também terá criado divisões entre os dois partidos irmãos, depois de anos de convivência. Todos nos lembramos da irmandade entre Ronald Reagan e Margaret Tatcher. Observando a agenda dos dois partidos, podemos encontrar divergências em vários temas, como nas politicas ambientais ou de saúde. E David Cameron sabe que neste momento quem ocupa o poder em Washington é o Partido Democrata, e terá de ser com eles que terá de trabalhar.

 

Mas isto não invalida que tenham surgido algumas notícias sobre o entusiasmo dos Republicanos pela possível vitória da David Cameron e no Twitter vejo muitos republicanos a demonstrar o seu apoio aos conservadores. Mas foi com alguma surpresa que li ontem que Anita Dunn, antiga directora de comunicações de Barack Obama, está a colaborar na campanha dos Tories. Esta proximidade de uma antiga colaboradora de Obama na campanha de David Cameron terá tido certamente o aval do Presidente americano. Por isso penso que na Casa Branca já se pensa no futuro das relações deste dois países. Na verdade, há vários antigos colaboradores de Obama a trabalhar na campanha de Gordon Brown, como Joel Benenson e Pete Brodnitz, especialistas em sondagens. Desde modo, a Casa Branca tem seus apoiantes a colaborar nas duas campanhas, mantendo as portas abertas para qualquer desfecho possível destas eleições.

 

Depois dos embaraços criados pela Administração Obama a Gordon Brown, uma vitória de David Cameron criará condições para fazer um “reset” a esses problemas, e fortalecer a relação especial entre os dois países. David Cameron já teve a oportunidade de desvalorizar as divergências entre os dois países, e demonstrou vontade em colaborar com os Estados Unidos, como sempre tem sucedido na história. Mas sinceramente não acredito que se irá colocar numa posição semelhante à de Tony Blair em relação à Administração Bush. Os tempos são outros, e as lideranças também são diferentes, e Cameron também sabe que essa relação foi bastante prejudicial ao Labour.


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