02
Mar 12
publicado por José Gomes André, às 00:44link do post | comentar

1. Romney venceu claramente no Arizona e à justa no Michigan, arrecadando mais 44 delegados (contra 15 de Santorum). Entre os muitos eleitores que consideram a economia o tópico fundamental, Romney foi amplamente preferido aos seus adversários. O argumento de que ele é o melhor colocado para derrotar Obama também foi uma ideia comum nas "exit polls". Este é um padrão que se vem repetindo nestas Primárias. E sempre que estes temas se sobreponham a questões ideológicas ou culturais, é de esperar que Romney continue vencedor.

 

2. Santorum concentrou o voto conservador, o voto "anti-Romney" e no Michigan beneficiou do apoio dos eleitores Democratas (que provavelmente querem derrubar Romney), mas perdeu uma excelente oportunidade para consolidar a sua (recente) dinâmica de vitória. Numa corrida atípica, há um factor estável: de tempos a tempos parecem emergir alternativas a Romney (Perry, Cain, Gingrich, agora Santorum), mas no momento decisivo falta sempre qualquer coisa - consistência política, fundos, organização, mensagem coesa. A meu ver, o principal problema de Santorum é a sua insistência nos temas "sociais", de que é exemplo a recente incursão extremada (e perigosa!) pelos meandros da "necessária relação" entre política e religião. Entusiasma a "base"? Certo. Mas aliena os independentes e os moderados... sem os quais não se ganham eleições.

 

3. Onde estamos? Curiosamente, não muito longe de onde começámos: com um Romney por vezes incipiente, com dificuldades para entusiasmar a base conservadora e os "blue-collar workers" (eleitores de rendimentos baixos), mas sem adversários à altura (até agora). Sem excitação e sem triunfos esmagadores, Romney vai porém consolidando a sua candidatura -  mesmo que com pequenos passos - e não se vislumbra no horizonte outro desfecho provável que não seja a sua vitória final. No entretanto, creio todavia que este processo está a ter efeitos indesejados para o lado Republicano: uma luta muito "suja", que tem sobretudo fragilizado o próprio partido e que nem por isso vem levando mais eleitores às urnas (pelo contrário, aliás).


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