Embora seja de esperar uma vitória Republicana nas eleições intercalares, no cenário actual, parece-me improvável (embora não impossível) que o GOP recupere o controlo do Senado. Vejamos: para os Republicanos alcançarem este objectivo necessitariam de ganhar dez lugares aos Democratas (admitindo que os independentes Sanders e Liebermann continuam no caucus "azul" e nenhum outro Senador muda de partido). O que exigiria vencer, para além dos quase garantidos Dakota do Norte, Delaware e Arkansas:
1) Indiana e Nevada (o favoritismo é Republicano, mas convém recordar que Obama ganhou em ambos os Estados);
2) Pensilvânia e Colorado (verdadeiros toss-ups por esta altura);
3) três Estados "à escolha" entre Illinois, Wisconsin, Califórnia, Washington e Nova Iorque;
Mesmo dando de barato os dois primeiros itens, o ponto 3 representa um obstáculo considerável, pois pressupõe pelo menos três vitórias em Estados claramente dominados pelos Democratas (particularmente nas eleições federais) e onde as sondagens só são favoráveis aos Republicanos quando se apresentam nomes específicos: Mark Kirk (IL), Tommy Thompson (WI), Tom Campbell (CA), Dino Rossi (WA) e George Pataki (NY). O problema é que, deste lote, só Kirk e Campbell já demonstraram interesse na corrida eleitoral (Kirk é o nomeado do GOP no Illinois, Campbell disputará as primárias Republicanas na Califórnia). E sem Thompson, Rossi e Pataki, os Republicanos dificilmente poderão triunfar nos Estados em causa.
Por outro lado, importa perceber que os Republicanos também jogam à defesa em alguns casos - particularmente no Missouri, Ohio e New Hampshire, onde se prevêem eleições disputadas. E caso o ambiente nacional se alterar na direcção Democrata, até Estados praticamente garantidos, como a Florida, a Carolina do Norte e o próprio Kentucky podem "estar em jogo". Se resistirem nestes seis Estados, os Republicanos estarão mais perto do objectivo "10 vitórias líquidas", mas parece-me de qualquer forma um cenário improvável.