30
Mar 10
publicado por José Gomes André, às 12:00link do post | comentar

Embora seja de esperar uma vitória Republicana nas eleições intercalares, no cenário actual, parece-me improvável (embora não impossível) que o GOP recupere o controlo do Senado. Vejamos: para os Republicanos alcançarem este objectivo necessitariam de ganhar dez lugares aos Democratas (admitindo que os independentes Sanders e Liebermann continuam no caucus "azul" e nenhum outro Senador muda de partido). O que exigiria vencer, para além dos quase garantidos Dakota do Norte, Delaware e Arkansas:

 

1) Indiana e Nevada (o favoritismo é Republicano, mas convém recordar que Obama ganhou em ambos os Estados);

2) Pensilvânia e Colorado (verdadeiros toss-ups por esta altura);

3) três Estados "à escolha" entre Illinois, Wisconsin, Califórnia, Washington e Nova Iorque;

 

Mesmo dando de barato os dois primeiros itens, o ponto 3 representa um obstáculo considerável, pois pressupõe pelo menos três vitórias em Estados claramente dominados pelos Democratas (particularmente nas eleições federais) e onde as sondagens só são favoráveis aos Republicanos quando se apresentam nomes específicos: Mark Kirk (IL), Tommy Thompson (WI), Tom Campbell (CA), Dino Rossi (WA) e George Pataki (NY). O problema é que, deste lote, só Kirk e Campbell já demonstraram interesse na corrida eleitoral (Kirk é o nomeado do GOP no Illinois, Campbell disputará as primárias Republicanas na Califórnia). E sem Thompson, Rossi e Pataki, os Republicanos dificilmente poderão triunfar nos Estados em causa.

 

Por outro lado, importa perceber que os Republicanos também jogam à defesa em alguns casos - particularmente no Missouri, Ohio e New Hampshire, onde se prevêem eleições disputadas. E caso o ambiente nacional se alterar na direcção Democrata, até Estados praticamente garantidos, como a Florida, a Carolina do Norte e o próprio Kentucky podem "estar em jogo"Se resistirem nestes seis Estados, os Republicanos estarão mais perto do objectivo "10 vitórias líquidas", mas parece-me de qualquer forma um cenário improvável.

 


Espero daqui a um mês escrever um post a responder à tua pergunta :)
Nuno Gouveia a 30 de Março de 2010 às 00:14

Poder pode, mas como José Gomes Andre diz, e muito bem, é muito improvável (eu diria mesmo muito improvável). Nate Silver coloca essa possibilidade à volta dos 10%.

Em relação à sua divisão das corridas:

0) ND, DE e AR mudam de mãos para o GOP.

1) O Indiana deve mesmo mudar para o GOP (a desistência de Bayh ainda está por explicar); no Nevada, Harry Reid aparece atrás nas sondagens, mas a enorme capacidade financeira da sua campanha pode aproximar os números.

2) Toss-ups, sem dúvida.

3) Em NY e WI, as candidaturas de Pataki e Thompson respectivamente, alterariam, e muito, o cenário que, de outra maneira, será favorável ao Partido Democrata. Nos restantes 3, clara vantagem dos democratas (WA nem me parece estar em jogo).
João Luís a 30 de Março de 2010 às 00:32

Obrigado pelo comentário, João. WA poderá estar em jogo, vamos ver se Rossi avança. Mas concordo com a ideia do "muito improvável". Abraço!

Comentário apagado.
Anónimo a 30 de Março de 2010 às 00:33

Peço desculpa pelo meu multipost, mas foi erro do browser.
João Luís a 30 de Março de 2010 às 12:35

Também sou da opinião de que uma conquista republicana do Senado é altamente improvável, pois teria de "correr tudo bem" ao GOP. Não incluiria, contudo, a Pensilvânia nos "toss-ups", mas sim nos "leaning Republican", pois a maioria das sondagens tem dado ampla margem a Pat Toomey no seu ainda hipotético combate eleitoral com Arlen Specter.

Quanto a Indiana e Nevada, é verdade que Obama ganhou nos dois Estados, mas no caso do Indiana isso não se verificava desde Lyndon Johnson em 1964, ou seja, o "Hoosier State" é claramente um "red state". Já o Nevada é daqueles estados do Oeste, como por exemplo o Colorado, que, embora de tendência republicana, tem tido uma trajectória favorável aos democratas essencialmente por motivos demográficos, como seja o caso dos eleitores democráticos que "fogem" da Califórnia por razões fiscais. Mas as sondagens colocam Harry Reid numa posição extremamente difícil. O homem tem muitos recursos, incluindo um cofre bem recheado para a campanha, mas nesta altura é claramente um "underdog" nesta corrida.

Quanto aos estados referidos em 3), a Sen. Barbara Boxer da Califórnia parece ameaçada, e não apenas num hipotético confronto com Tom Campbell, já que também Carly Fiorina, outra concorrente à primária republicana, obtém um bom score no seu "match-up" com Boxer. No Illinois, estado adoptivo de Obama, e sede de uma peculiar tradição política algo "trauliteira" com base em Chicago, os recentes escândalos envolvendo os democratas, nomeadamente na nomeação do substituto interino de Obama no Senado, poderão revelar-se fatais para o partido que usa o burro como símbolo. Acho até mais provável uma conquista republicana deste lugar no Senado no Illinois que na Califórnia. Em NY Kirsten Gillibrand, substituta interina de Hillary Clinton, está numa posição frágil, e não sei se apenas o antigo Governador Pataki conseguiria derrotá-la. Wisconsin e Washington é que me parecem mesmo fora do alcance do GOP, até porque uma candidatura do antigo Governador Tommy Thompson no Wisconsin parece altamente improvável.

Resumindo, eu prevejo nesta altura (com todo o risco que uma previsão a sete meses encerra) que o GOP fique com 46 Senadores, mais a possível adição de Joe Liebermann. Não dá o controlo do Senado mas equilibra bastante a balança. E na Câmara dos Representantes a vitória republicana continua a parecer-me o mais provável.



Alexandre Burmester a 30 de Março de 2010 às 15:50

Para não variar, mais um excelente contributo do Alexandre para o nosso debate. Concordo com tudo, excepto talvez com a análise da disputa na Pensilvânia, que julgo venha a ser mais equilibrada do que se pensa (Toomey é bem conservador para um swing-state!). E também com a ideia de que Gillibrand esteja em apuros contra vários candidatos (o que tenho visto é que apenas Pataki a poderá derrotar).

De qualquer forma, sublinho que fiz uma aposta com o Nuno Gouveia - apostando que os Republicanos ganhariam 4 a 6 lugares em Novembro. Portanto, tenho uma "previsão" parecida com a do Alexandre...

Abraço!

Obrigado, José, é um prazer!;-)

Eu não digo que qualquer candidato republicano consiga derrotar Gillibrand, para mais sabendo nós que estamos a falar de um dos mais sólidos estados democráticos, um estatuto que, no entanto, não impediu George Pataki de conquistar a mansão de Governador em Albany, ou Rudy Giuliani e Michael Bloomberg a Câmara de N.Y.C. Sendo necessário, de facto, um peso pesado para derrotar Gillibrand, isso deve-se mais ao peso eleitoral democrático neste Estado que à figura da Sen. Gillibrand. Já na Califórnia, por exemplo, um Estado que se tornou predominatemente democrático nos últimos 20 anos, a Sen. Boxer é uma figura importante e que será sempre mais difícil de derrotar que a pouco prestigiada Gillibrand.

Quanto a Pat Toomey, ele é de facto mais conservador do que um "swing-state" recomendaria, mas não esqueçamos que também Rick Santorum, uma figura bem à direita, conseguiu ser eleito Senador por esse Estado.

Alexandre Burmester a 31 de Março de 2010 às 13:38

Concordo, mais uma vez. O problema em NY não é tanto Gillibrand, mas... Nova-Iorque! :) A Califórnia é mais instável, neste domínio, mas também aqui penso que Boxer irá ganhar. A Pensilvânia é um battleground state. Vais er muito interessante...

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