12
Out 12
publicado por José Gomes André, às 18:28link do post | comentar

Já um bocadinho atrasado, eis o programa "Olhar o Mundo" da semana passada, em que estive - juntamente com Vítor Gonçalves - a discutir o primeiro debate presidencial e o estado da corrida Obama/Romney: http://www.rtp.pt/programa/tv/p19920/c94859


publicado por Alexandre Burmester, às 17:09link do post | comentar | ver comentários (2)

 

 

 

Quando ambos os lados reclamam vitória num debate, o mais provável é que tenha havido um empate.

 

A sondagem que vi pós-debate - da CNN - dava 48% a Paul Ryan e 44% a Joe Biden. Com números assim renhidos - ainda por cima dentro da margem de erro da sondagem - não é disparate falar-se em empate.

 

Joe Biden tem um conhecido estilo "pirotécnico" em debate - como se diz em Portugal, faz a festa, lança os foguetes e apanha as canas. Esse estilo até o ajudou na noite de ontem, incluindo as suas constantes interrupções, mas começou a ser cansativo a partir de certo ponto, além de pouco "vice-presidencial", diga-se. Seja como for, conseguiu várias vezes colocar o seu adversário à defesa.

 

Paul Ryan é conhecido como um cerebral e um homem que domina os números. Não teve grandes oportunidades de exibir essas qualidades, mas o seu estilo mais sóbrio não deixou de ter também a sua atracção.

 

Duvido muito que este debate tenha qualquer impacto significativo nas eleições. E toda a gente está de olhos postos no próximo debate Obama-Romney, no dia 16. 


publicado por Nuno Gouveia, às 11:31link do post | comentar

A convite do Henrique Raposo, publico hoje este artigo no site do Expresso: Pode Obama recuperar da tareia?


publicado por Nuno Gouveia, às 00:18link do post | comentar

Ao inicio da noite, eu, o José Gomes André e o João Luís Dias estivemos à conversa com o Filipe Caetano para mais uma edição do Combate Hangout. Em destaque esteve o debate desta noite entre Joe Biden e Paul Ryan. Eu, um pouco contra a corrente, atribuí o favoritivismo do debate ao Vice Presidente Biden, mais experiente neste tipo de palcos. Veremos se amanhã estarei cá para me penitenciar. 


10
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 01:16link do post | comentar | ver comentários (12)

 

Como antecipei ontem, Mitt Romney lidera pela primeira vez desde Outubro de 2011 a média de sondagens do Real Clear Politics. Das quatro sondagens publicadas hoje, o republicano lidera em três e está em empatado na tracking poll da Rasmussen. Ao nível das sondagens estaduais, Romney aparece agora à frente em vários swing-states, e colocou estados como a Pensilvânia e Michigan em jogo. Se as sondagens a nível nacional mantiverem esta tendência, é bem provável que ultrapasse Obama na maioria dos swing-states, como no Ohio, Virgínia ou Florida. Deve a equipa de Obama entrar em pânico, como sugeriu ontem o apoiante do Presidente, Andrew Sullivan? Não me parece. 

 

Barack Obama está em maus lençóis e é provável que o rumo das sondagens continue a favor de Romney nos próximos dias. Mas a menos que aconteça uma grande surpresa, Barack Obama continua a ter um caminho mais acessível para a vitória, e ainda aparece muito competitivo nos swing-states. Os fundamentos da corrida mudaram ligeiramente a favor de Romney, mas apesar do seu "momentum", continua too close to call. Seria um erro estratégico para Obama cometer algum acto desesperado, o que normalmente acontece quando as campanhas entram em pânico. Neste momento deverão tentar inverter a tendência já no debate de quinta-feira entre Joe Biden e Paul Ryan (apesar que este debate nunca contará muito), mas sobretudo na próxima semana em Nova Iorque, quando Obama defrontar Romney pela segunda vez. Esta eleição vai ser disputadíssima, como sempre pensei, e tentar adivinhar um desfecho final continua a ser mais wishful thinking do que outra coisa. 


08
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:15link do post | comentar | ver comentários (3)

Começam a ser conhecidas várias sondagens realizadas após o debate presidencial de quarta-feira, e se não podemos concluir ainda sobre o seu efeito global, uma coisa é verdade: Mitt Romney inverteu o rumo desta campanha, e colocou enorme pressão sobre Barack Obama. Na média do Real Clear Politics Mitt Romney está a apenas 0,5% de Obama, e é bem provável que o republicano assuma a liderança durante o dia de amanhã, pela primeira vez desde Outubro de 2011. E, acrescido do facto que esta média contém duas sondagens da Gallup, uma delas que dá 5 pontos de vantagem a Obama e que inclui ainda três dias de recolha de dados antes do debate. A outra, que foi realizada após o debate, dá um empate a 47%. Nas várias sondagens dos swing-states que têm sido publicadas, Romney viu a sua desvantagem reduzida, e estados que já estavam considerados perdidos, como a Pensilvânia e Michigan, dão apenas uma curta vantagem a Obama. Mais, e não por acaso, hoje Paul Ryan realizou um comício no Michigan, de onde os republicanos tinham retirado no inicio de Setembro. A grande dúvida neste momento é o Ohio, mas amanhã deverão ser publicadas sondagens deste estado fundamental para os republicanos.

 

Estes números significam que Mitt Romney passou a ser o favorito? Não. A matemática nos swing-states continua a ser favorável a Barack Obama e ainda estamos a enfrentar a euforia dos republicanos pelo debate de quarta-feira, aliada a um pessimismo reinante nas hostes do Presidente. Mas ainda haverá mais dois debates, e a acrescer ao debate entre candidatos a vice-presidentes, nesta quinta-feira, que poderão contribuir para baralhar novamente as contas. A vitória de Romney na semana passada foi importante para abanar a corrida e elevar a sua candidatura. Desconfio que até Novembro não voltaremos a ler criticas vindas do campo republicano, agora que está unido em redor do seu candidato. Mas Romney precisa de provar que a sua prestação do debate não foi um caso isolado, e para isso, precisa de voltar a brilhar nos próximos debates. Obama continua com os cofres bem recheados (irá atingir em breve a fantástica soma de mil milhões de dólares) e ainda lidera na maioria dos swing-states. Mas se Romney for eleito Presidente, os livros de história irão todos eles apontar o debate de Denver como a principal momento dessa vitória. 


06
Out 12
publicado por Alexandre Burmester, às 15:28link do post | comentar | ver comentários (1)

Não vou entrar na discussão - algo bizantina - acerca do rigor dos números do desemprego ontem divulgados pelo Departamento de Estatísticas Laborais dos E.U.A., mas direi apenas isto: mensalmente, cerca de 250.000 pessoas chegam ao mercado de trabalho; assim sendo, como é que, num mês em que apenas 114.000 novos empregos (abaixo da expectativa) foram criados, a taxa de desemprego baixou de 8,1% para 7,8%? A resposta só pode ser uma: o número de pessoas que desistiu de procurar emprego e, como tal, deixou de contar para a estatística.

 

Independentemente da discussão em torno dos números do desemprego, o público em geral tende a olhar para o cabeçalho, neste caso, "Desemprego baixa assinalavelmente", e isso só pode ser benéfico para o Presidente Obama, embora possa argumentar-se que, nesta fase da campanha, as descidas ou subidas do desemprego já não alterarão o sentido de voto do eleitorado, o qual já terá incluído essas flutuações na sua decisão. Mas os números de ontem decerto não prejudicarão em nada Barack Obama.

 

Os adeptos do Presidente irão agora observar co0m atenção - e porventura alguma ansiedade - as próximas sondagens, na tentativa de discernirem uma recuperação presidencial depois do desastre de Denver. Em relação a este último, embora ainda seja cedo, a verdade é que a corrida parece estar a ser afectada por aquele quase-cataclismo, com algumas sondagens a darem vantagem a Mitt Romney nos cruciais estados de Florida, Virgínia e, sobretudo, Ohio, um estado sem o qual os republicanos nunca ganharam a Casa Branca. E a nível nacional, a corrida está a tornar-se mais renhida - mas já havia sinais disso antes de Denver.

 

Que esperar daqui para a frente? Bem, é difícil Obama ter mais duas prestações tão fracas como a de Denver nos próximos dois debates. Mas o principal trunfo retirado por Romney do primeiro debate nem foi tanto, a meu ver, a sua clara vitória, mas sim a oportunidade que teve - e aproveitou - de dar-se finalmente a conhecer ao eleitorado em geral. Pelo que, não creio que os próximos dois debates venham a ser tão influentes como este, exceptuando gaffes monumentais, nem, tampouco, o debate vice-presidencial, no qual, contudo, prevejo que o Vice-Presidente Joe Biden vá tentar colocar à defesa o Congressista Paul Ryan.

 

Perante este quadro, acho que a corrida vai permanecer renhida até ao fim e que, precisamente de hoje a um mês, quando os eleitores americanos forem votar, só uma pessoa arrojada ousará prever com um grande grau de certeza o resultado da eleição.


05
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:25link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Os republicanos estavam verdadeiramente satisfeitos após o debate, como se pode ler nesta peça do correspondente da Lusa nos Estados Unidos, Paulo Dias Figueiredo (a quem aproveito para agradecer a referência). Segundo o Instituto Nielsen, o debate de quarta-feira teve uma audiência estimada em 67 milhões espectadores, um recorde nos últimos 20 anos. Curiosamente, depois do número de espectadores nas convenções ter descido substancialmente em relação a 2008, este primeiro debate teve mais audiência do que qualquer um de há quatro anos. Nestes números, não estão ainda incluídas as visualizações do debate através da Internet. Estes números são excelentes notícias para Mitt Romney, que obteve uma vitória assinalável contra Barack Obama. A grande questão é esta: que implicações terá este debate para a corrida?

 

Em relação às sondagens, talvez apenas no inicio da próxima semana possamos afirmar com segurança que tipo de movimento resultou deste debate. Até porque hoje o boletim do desemprego apresentou uma descida do desemprego de 8,1 para 7,8%, uma excelente notícia para Obama após o desastre de quarta-feira (palavras de Andrew Sullivan, um apoiante entusiasta de Obama). As primeiras indicações até são positivas para Mitt Romney, pois vi há pouco sondagens no Ohio (+1 BO e +1 MR), Florida (+3 MR, +3 MR), Virgínia (+1 MR e +3 MR) e Nevada (+1BO) que parecem indicar uma recuperação substancial do candidato republicano. Mas nesse aspecto, o mais prudente é esperar por mais números para comentar com mais segurança. 

 

Mas há vantagens claras que a campanha de Mitt Romney já retirou deste debate. Em primeiro lugar, acalmou completamente a base republicana, que suspirava por um candidato assim, inspirador, lutador e que apresentasse um projecto conservador à América com optimismo e visão sobre o futuro. Romney foi esse candidato no debate de quarta-feira. Depois, a sua prestação convincente aplacou por completo os críticos conservadores nos media, que nos tempos mais recentes vinham criticando, por vezes ferozmente, a prestação de Romney enquanto candidato presidencial. Com o debate de quarta-feira, Mitt Romney assegurou os apoiantes que está na corrida para ganhar. E esses agora acreditam bem mais do que há uma semana atrás. isso significa mais entusiasmo  para eleger Romney, mais dinheiro a entrar nos seus cofres e maior capacidade de choque para enfrentar o adversário. E como já se vota em alguns estados, prevejo que muitos destes comecem desde já a votar e a convencer indecisos a fazê-lo também. 

 

A narrativa mediática mudou. Depois de um mês a ser destroçado nos media, Mitt Romney ganhou tempo para respirar depois de Denver. As comparações com Michael Dukakis, Bob Dole ou John Kerry repetiam-se sucessivamente, e estava a ser criada a sensação que era um "derrotado". Presumo que as comparações com Reagan voltarão aos escaparates dos media, e é sempre melhor ser comparado com vencedores do que com derrotados. As sondagens (principalmente as dos swing-states) indicavam que a sua capacidade para vencer estava a ficar cada vez mais reduzida, e eram cada vez menos os analistas que consideravam que Romney tinha grandes hipóteses de vitória. Como o próximo debate entre Obama e Romney apenas acontecerá daqui a duas semanas, o candidato republicano poderá agora explorar a seu favor esta nova situação. E, não tenhamos ilusões, a vitória de Mitt Romney coloca-o agora, mais do que nunca, como presidenciável aos olhos de muita gente que não o apoiava. Como disse antes do debate, Romney precisava de convencer os indecisos descontentes com Obama que ele é capaz de fazer melhor. Quarta-feira foi um excelente passo nesse sentido.  

 

Por fim, esta vitória de Mitt Romney coloca pressão no adversário. Acreditando que o debate entre Vice Presidentes não irá contar muito, mesmo que, por exemplo, Paul Ryan "aniquile" Joe Biden (o que eu não acredito até porque Biden, apesar das barbaridades que por vezes diz, até é bom em debates), o próximo grande momento da campanha será o debate em formato town hall meeting do dia 16 em Nova Iorque. E, desde o inicio da sua carreira na arena nacional em 2004, nunca Obama esteve sob pressão. Sempre liderou as suas eleições, e mesmo contra Hillary Clinton, Obama esteve sempre ao leme dos acontecimentos, e esta é uma situação nova para ele. Depois de ter passado ao lado do primeiro debate, haverá a tendência para Obama surgir ao ataque. Mas é muito complicado fazê-lo com eficácia, sem parecer vingativo ou zangado, como Mitt Romney conseguiu-o fazê-lo e bem esta semana. Nada será pior para o Presidente do que aparecer com um estatuto diminuído no próximo debate perante Romney. Aliás, desconfio que foi isso que fez com que os estrategas de Obama não quisessem que ele atacasse Romney em questões como os 47% ou o seu passado da Bain Capital. 

 

Considero que Obama permanece o favorito, mas depois do debate Mitt Romney recuperou imenso espaço. Mais tarde diremos se este foi um momento decisivo desta campanha, ou, pelo contrário, um balão de oxigénio que não chegou a encher totalmente. 


publicado por Nuno Gouveia, às 17:01link do post | comentar

Obama no Wisconsin ontem. 

 

Romney e Ryan na Virginia ontem. 


04
Out 12
publicado por José Gomes André, às 15:35link do post | comentar | ver comentários (7)

1. Um debate presidencial é sobretudo uma encenação mediática, onde o que importa é parecer melhor: mais confiante e assertivo, mais simpático e descontraído, mais bem preparado, mais "presidenciável". A forma ganha os debates, não o conteúdo.

 

2. Face a estes parâmetros, Mitt Romney foi um evidente vencedor. Face a um Obama surpreendemente cinzento, cansado, tropeçando nas próprias palavras, olhando para baixo enquanto ouvia o adversário, Romney surgiu como um orador talentoso, afirmativo, confiante. A sua linguagem corporal (olhando Obama como um predador olha a presa) mostrou um macho-alfa dominador. E as suas permanentes referências a histórias concretas e ao sofrimento do americano comum quebraram a sua imagem robótica, humanizando-o perante o eleitorado. 

 

3. Mas Romney ganhou noutros campos. Contrariando um dos (até aqui) maiores erros da sua campanha, Romney não se limitou a um discurso crítico do Presidente, como se "ser o outro" candidato bastasse para chegar à Casa Branca. Enviou portanto uma mensagem positiva ao eleitorado, insistindo nos méritos do seu próprio programa, focado na criação de emprego e na eliminação das "gorduras do Estado". Enquanto Obama se perdia em detalhes técnicos aborrecidos, Romney defendia o seu projecto político de forma articulada e sintética, sem soar demasiado abstracto.

 

4. Chegará, por si só, para ganhar a eleição? Provavelmente não. Os debates presidenciais são amplamente escrutinados e têm excelentes audiências, mas os dados mostram que a maioria dos eleitores atentos procuram apenas "confirmar" posições previamente definidas, sendo que muitos dos chamados "indecisos" confessam posteriormente à eleição ter prestado pouca ou nenhuma atenção aos debates. Em todo o caso, numa eleição renhida como esta, alterações em pequenas franjas do eleitorado podem ser decisivas. Além do mais, este debate tem desde já o condão de enfraquecer o optimismo reinante entre os Democratas e renovar o entusiasmo Republicano (tanto da base eleitoral como dos financiadores da campanha)...

 

5. Faltam dois debates presidenciais, um debate entre candidatos a vice-presidentes e um mês de campanha. Continuo convencido que Obama é favorito e que Romney, apesar desta boa prestação, tem alguns problemas por resolver - nomeadamente a explicação cabal da revolução fiscal prometida, as alterações na Segurança Social e os cortes nos programas de saúde, temas de grande sensibilidade onde a dupla Romney/Ryan gera grande desconfiança. Todavia, se até aqui os eleitores viam Obama como um "mal menor", a excelente prestação de Romney terá pelo menos generalizado a ideia de que ele pode constituir uma alternativa credível. Conseguir isto em hora e meia é notável.


publicado por Nuno Gouveia, às 04:06link do post | comentar | ver comentários (5)

 

Vi todos os debates presidenciais desde as eleições de 2000. Não me recordo de assistir a uma vitória tão concludente de um candidato. Contrariamente às minhas previsões de ontem, Mitt Romney venceu claramente o debate desta noite. Se Mitt Romney conseguir superar as melhores prestações que já lhe tinha visto durante as primárias, a principal surpresa para mim foi Barack Obama, que apareceu completamente transformado. Com um ar consternado, sempre na defensiva e demonstrando até alguma irritação por estar ali, o Presidente ontem perdeu a aura de invencibilidade. Ao contrário do que é normal, os próprios apoiantes de Obama nem sequer tentaram disfarçar a derrota. Por todo o lado, desde activistas e analistas no Twitter, nos blogues ou nos canais de TV (a MSNBC parecia um funeral e a Fox News um casamento), todos declararam a vitória a Mitt Romney. As sondagens iniciais também (a da CNN dá 65% a Romney e 22% a Obama), e não há dúvidas que o candidato republicano teve ontem uma grande noite. 

 

Conclusões deste debate para a corrida? Não sei se será um game changer nesta eleição, mas parece-me que Mitt Romney irá recuperar alguns pontos nas sondagens até ao próximo debate, no dia 16 de Outubro. E, entretanto, a imagem de Obama sai chamuscada desta noite. Mitt Romney foi verdadeiramente assertivo na sua prestação, e ultrapassou as melhores expectativas que algum seu assessor poderia ter. Se ele conseguir arrancar mais duas noites destas, a Casa Branca poderá estar a seus pés. Mas também é verdade que os debates raramente definiram eleições presidenciais, e por isso, é preciso estar atento a outros fenómenos desta campanha. Para a semana debatem Joe Biden e Paul Ryan. Ao contrário do debate desta semana, o jogo das expectativas estará contra os republicanos, mas é difícil prever outro resultado que não a vitória de Ryan.

 

 


publicado por Nuno Gouveia, às 00:00link do post | comentar

Análise do debate desta noite com José Gomes André e Filipe Ferreira, moderado pelo Filipe Caetano. 

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03
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:41link do post | comentar | ver comentários (1)

O debate desta noite surge numa altura em que as sondagens indicam uma ligeira aproximação de Mitt Romney a Barack Obama. Hoje uma sondagem do National Journal coloca-os empatados a 47% e os recentes estudos de opinião, com a notável excepção da Gallup, parecem indicar que a corrida está mais próxima. No entanto, este aparente movimento nas sondagens em favor de Romney não lhe retira pressão, pois esta é considerada uma oportunidade para recuperar algum terreno. Todos os debates são importantes, mas o primeiro, onde se irá discutir sobretudo economia, temas sociais e saúde, poderá marcar o tom do mês de Outubro. Mas não tenhamos ilusões, nos próximos dois debates voltará a dizer-se o mesmo: "esta é a grande oportunidade para..."

 

Obama parte em clara vantagem: nas sondagens, no apoio dos media e sobretudo pelo seu estatuto de Presidente. Além do mais, a narrativa desta campanha presidencial tem-lhe sido amplamente favorável. Em vez de se discutir os resultados do seu mandato, os assuntos mais prementes têm incidido sobretudo em Romney: as suas declarações sobre os 47%, os seus impostos e riqueza, os seus planos económicos e sociais, e até a sua capacidade de liderança. Pelo contrário, lemos os jornais americanos e não se discute muito a situação do desemprego, o frágil crescimento económico, o impopular plano de saúde ou a recente situação na Líbia. Isto para não falar das próprias propostas de Obama para o próximo mandato, que têm estado arredadas da campanha. E reside aqui, talvez, a melhor oportunidade para Romney: terá de conseguir dar a volta à narrativa nestes debates, colocando o mandato de Obama no primeiro plano de discussão. Sem conseguir isso, provavelmente será derrotado.

 

O candidato republicano não é carismático, não é “agradável” aos olhos dos americanos e nem sequer é muito querido na base conservadora. Ora, os Estados Unidos já elegeram Presidentes de quem não gostavam propriamente, um deles duas vezes: Richard Nixon. Mas para o fazerem novamente, têm de estar convencidos de dois aspectos: que o incumbente fez um mau trabalho e que o challenger irá fazer melhor. Se a primeira parte parece relativamente conseguida, a segunda está ainda longe do alcance de Romney.

 

Já de Obama não se espera grandes alterações do que temos visto até aqui. Irá fazer uma defesa realista do seu mandato, tentará culpabilizar os republicanos por alguns dos seus falhanços e recordar alguns dos sucessos. Por outro modo, e sem parecer arrogante, irá reforçar a mensagem que Romney é inelegível para o cargo, explorando alguns pontos que temos visto.

 

No jogo das expectativas Barack Obama surge com vantagem. Com excepção dos apoiantes de Mitt Romney, todos na imprensa acreditam que o Presidente irá sair por cima do debate. O que por vezes prejudica o favorito. Mas a minha aposta também é essa. Mais logo saberemos quem “venceu”, sabendo que à partida, nem sempre isso é claro, mesmo depois das primeiras sondagens conhecidas. Por outro lado, vencer nos debates não é significado ganhar eleições. Perguntem ao presidente John Kerry o que ele pensa sobre isso. 


02
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:08link do post | comentar

Ross Perot em 1992, contra Bill Clinton e George H. Bush. A única vez em que participaram três candidatos. 


01
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:00link do post | comentar

Mais um grande momento de Ronald Reagan, desta vez no debate contra Walter Mondale em 1984. 


publicado por Nuno Gouveia, às 16:40link do post | comentar | ver comentários (7)

A dinâmica da corrida encontra-se claramente a favor de Obama. Na verdade, com mais ou menos distorções nas sondagens, o Presidente tem liderado a "corrida" desde há muito tempo. Apesar de ser uma vantagem quase sempre dentro da margem de erro das sondagens, Romney nunca nestes últimos meses conseguiu apresentar-se na frente. E isso não pode ser descurado numa análise realista a esta campanha. Mais, neste último mês, Obama parece ter "fugido" de Romney, com constantes sondagens a indicar-lhe uma vantagem mais confortável, principalmente em alguns swing-states. Se as eleições fossem hoje, provavelmente Mitt Romney venceria todos os estados de John McCain mais o Indiana e a Carolina do Norte, o que significaria uma vitória confortável de Obama. Isso coloca enorme pressão na sua prestação de quarta-feira, pois os media têm apresentado esta oportunidade como uma real possibilidade de reviravolta nesta corrida. Honestamente não espero que tal suceda. Com a excepção remota de um desastre de Obama no debate, o mais provável é que pouco ou nada mude após esta quarta-feira. O que pode contribuir para ajudar Romney? Três prestações aceitáveis nos debates (mostrando que está à altura da presidência), e que os eleitores indecisos e os que declaram que ainda podem mudar de sentido de voto, o escolham. Isso pode acontecer, se os debates lhe correrem relativamente bem, como disse, que Paul Ryan cilindre Joe Biden no seu debate, e que a sua campanha consiga acertar com a mensagem neste último mês, sobretudo focando-se nos problemas económicos do país. Não é uma tarefa impossível nem verdadeiramente herculeana. Mas há um mês a sua situação era mais fácil. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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