23
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 09:32link do post | comentar | ver comentários (7)

As sondagens após o debate foram claras: Barack Obama foi considerado pelos eleitores como o vencedor do último debate. Como antecipei aqui, este debate era-lhe favorável pois Mitt Romney, como se viu ao longo da noite, não tem grandes discordâncias do que tem sido feito pela Administração Obama nesta frente, ao contrário na política interna. Por isso se percebeu a estratégia de Romney, que em vez de enfatizar as pequenas diferenças que tem com o Presidente, preferiu apresentar-se como um Comandante em Chefe aceitável perante o povo americano. Já Obama surgiu novamente ao ataque, tentando capitalizar este último confronto para o seu lado. E terá sido essa postura agressiva e de confrontação que lhe terá garantido a vitória. Aliás, se dúvidas houvesse sobre o estado da corrida antes do debate, as duas estratégias foram clarificadoras: Obama jogou ao ataque e Romney jogou para o empate. Há um claro sentimento de perda na equipa de Obama, enquanto os republicanos pensam que estão na frente. Só isso explica as duas estratégias. Se o "momentum" de Romney foi parado ontem à noite? Não sei.

 

Na semana passada, depois do debate e da pequena vitória de Obama, o pensamento convencional apontava para que as sondagens iriam mover-se no seu sentido. Tal não aconteceu. Desta vez será diferente? Olhando para as opiniões carregadas de wishfull thinking (e é o que mais se lê por aí), aconselharia prudência. No estudo conduzido após o fim do debate da CNN, que deu a vitória a Obama por 48-40, cerca de 24% dos inquiridos disseram estavam mais predispostos a votar no Presidente e cerca de 25% em Romney. No estudo da PPP (D) conduzido em sete swing-states, cerca de 53% deu a vitória ao Presidente, contra 42%  Romney. Mas também aponta para que os ganhos de Obama sejam marginais: 37% dizem que estão mais próximos de votar nele contrra 31%, enquanto 38% mais abertos em votar em Romney contra 35%. E entre os eleitores indecisos? 32% por cento está mais inclinado a votar em Obama contra 48%, e 47% mais favorável a votar em Romney e 35% menos.  O que isto quer dizer? Precisamente a tal prudência que refiria. O melhor será esperar até às sondagens do próximo fim de semana para ver quem realmente mais ganhou com este debate. Porque, como já vimos neste ciclo eleitoral, o importante não é ganhar as instant polls conduzidas após os debates, mas sim qual o real efeito no sentimento dos eleitores. E para mim, esse é incerto após a noite de ontem.


22
Out 12
publicado por Era uma vez na América, às 23:45link do post | comentar | ver comentários (4)

 

O Sapo lançou um espaço dedicado às eleições americanas de 6 de Novembro. Com notícias, reportagens, entrevistas e colunas de opinião, este espaço destaca-se, para já, no panorama mediático português no acompanhamento a estas eleições. Da nossa parte, um obrigado pelos destaques aos nossos posts. 


publicado por Alexandre Burmester, às 20:43link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

 

A "Surpresa de Outubro" ("October Surprise") é um suposto estratagema eleitoral utilizado especialmente - mas não só - em anos renhidos, normalmente pelo partido que ocupa a Casa Branca. As duas mais famosas de que me lembro foram o anúncio da suspensão dos bombardeamentos ao Vietname do Norte por parte do Presidente Lyndon Johnson a poucos dias das eleições de 1968, o que quase, de novo, custava a eleição a Richard Nixon (que enfrentava o Vice-Presidente Hubert Humphrey), e a proclamação de Henry Kissinger, em 1972 - numa altura, diga-se, em que a reeleição de Richard Nixon estava mais que garantida - de que a paz (no Vietname) estava ao virar da esquina ("Peace is at hand").

 

Pois bem, há já especulação sobre se este ano assistiremos a nove passe de magia do mesmo estilo, e o comentador conservador e antigo conselheiro de Bill Clinton, Dick Morris, pensa que sim. Sugere Morris que o Presidente Obama poderá anunciar antes das eleições um acordo com o Irão, mediante o qual aquele país poria em prática uma moratória no enriquecimento de urânio, em troca do levantamento de algumas das sanções internacionais em vigor contra si.

 

Em 1968, Richard Nixon manobrou nos bastidores depois do anúncio da "October Surprise", e conseguiu que o Presidente do Vietname do Sul, Nguyen Van Thieu, rejeitasse os termos negociais propostos por Johnson, o que, em parte, retirou potência àquele truque de última hora. Este ano, a verificar-se este anúncio, só resta a Mitt Romney questionar o cinismo e oportunismo de tal manobra e fazer o eleitorado reflectir acerca das razões que levariam os "ayatollahs" a negociar apressadamente com Barack Obama antes das eleições.

 

 

 

foto: o Presidente Lyndon Johnson 


publicado por Nuno Gouveia, às 20:22link do post | comentar

Esta noite Mitt Romney e Barack Obama defrontam-se pela terceira e última vez, naquele que será, independemente do que acontecer a 6 de Novembro, o último debate da carreira política de Obama. Até ao momento Romney é o grande vencedor da época de debates. Depois de ter arrasado no inicio do mês, começou a subir nas sondagens, e hoje até lidera a maior parte das sondagens nacionais. No segundo debate, a crítica foi também unânime em atribuir a vitória a Obama, mas as sondagens desta última semana parecem indicar que houve pouco movimento em favor do Presidente. Aliás, algumas, como uma que foi publicada hoje pela Survey USA, até sugere que foi Romney quem ganhou mais com esse debate. Mas será que Romney parte como favorito esta noite? Muito pelo contrário. 

 

Hoje à noite na Florida o tema principal é a política externa, um campo em que o Presidente Obama tem liderado as preferências dos americanos de forma consistente. No debate da semana passada, foi precisamente nesta área que Obama esteve bastante melhor do que Mitt Romney, ao contrário deste, que pareceu incoerente e nem sempre conseguiu transmitir a sua visão. A sua pior intervenção foi mesmo sobre a Líbia, onde tinha alguma vantagem inicial. E como Mitt Romney, além de retórica, tem muito pouco de diferente para oferecer do que Obama fez neste último mandato (a excepção talvez seja a China), ele sentirá a necessidade de enfatizar demasiado as pequenas diferenças que o separam de Obama. Ora isso não é uma estratégia vencedora para Romney. Mas precisamente porque este debate é sobre um tema que neste momento pouco interessa aos eleitores, Obama não tem muito a ganhar, mesmo que saia vencedor, como é previsível que tal suceda. O melhor cenário para o Presidente? Uma performance desastrada de Romney, e que mostre aos eleitores que não está preparado para assumir o cargo de Comandante em Chefe. 


publicado por Nuno Gouveia, às 20:16link do post | comentar

 

Mitt Romney a fazer vídeos para ajudar candidatos apoiados pelo Tea Party para ganhar eleições? Pois, se alguém dissesse isso ainda há seis meses atrás poucos acreditariam. Mas este anúncio efectuado em nome do candidato ao Senado pelo estado do Indiana, Richard Mourdock, prova que muito mudou desde então. Romney foi a besta negra dos tea partiers durante as primárias, e estes tudo fizeram para que ele não fosse o nomeado. Daí as diversas lideranças nas sondagens (Rick Perry, Rick Santorum, Herman Cain e Newt Gingrich) e as grandes dificuldades que Romney teve de ultrapassar, apesar de ter tido concorrentes muito fracos. Mas Mitt Romney acabou com as dúvidas na base conservadora, arrepiou caminho para o centro e manteve o flanco direito bem protegido até final da campanha. 


21
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:24link do post | comentar

2012 campaign cash: $1 billion vs. $1 billion

 

As duas campanhas já angariaram mais de dois mil milhões de dólares. E isto tudo sem colocarmos na mesa o dinheiro das Super Pacs, dos sindicatos ou dos grupos de interesse. Uma verdadeira revolução. 

 

Conclusão 1: ninguém vai perder por falta de dinheiro. A maior máquina de angariação de fundos da história da política norte-americana (Barack Obama) não conseguiu ultrapassar substancialmente a equipa de Mitt Romney. Os republicanos aprenderam bem a lição de 2008, quando John McCain, que manteve-se no sistema de financiamento público, foi pulverizado nos gastos de campanha. 

 

Conclusão 2: a decisão de Barack Obama em 2008 de abandonar o financiamento público na fase de eleições gerais mudou radicalmente o panorama na angariação de fundos. Há um antes e um depois de 2008. Aliado a esse facto, a decisão do Supremo Tribunal em 2009 Citizens United, permitindo o financiamento privado ilimitado através de Super Pacs, injectou ainda mais dinheiro nas campanhas presidenciais. 

 

Conclusão 3: será que é possível manter suster este avanço financeiro na política norte-americana? Pelo que tenho acompanhado na discussão pública, ninguém parece muito preocupado com estas enormes somas de dinheiro na vida política. A minha aposta é que nada vai mudar neste campo nos próximos tempos. Ou os políticos arranjam máquinas de angariação de fundos formidáveis ou nem precisam de pensar em se candidatarem a Presidente. Não haverá novos John McCains nos próximos tempos. 


publicado por Nuno Gouveia, às 12:59link do post | comentar | ver comentários (1)

 

George McGovern morreu hoje aos 90 anos num hospital do Dakota do Sul, depois de ter sido internado na semana passada. Candidato presidencial pelo Partido Democrata em 1972, teve uma importância histórica na política norte-americana nem sempre reconhecida e valorizada. Apesar de ter sido verdadeiramente humilhado por Richard Nixon, que venceu em 49 dos estados da união, o seu legado é muito mais do que essa histórica derrota. McGovern ocupou um papel decisivo na viragem à esquerda do Partido Democrata nos últimos 40 anos e já é uma figura fundamental na história da política americana.

 

Piloto de bombardeiros durante a segunda guerra mundial, começou a destacar-se na política em 1948 quando decidiu apoiar o candidato progressista Henry Wallace contra o Presidente Truman. Na eleição seguinte voltou ao Partido Democrata para apoiar Adlai Stevenson e em 1956 foi eleito para a Câmara dos Representantes. Chega ao senado em 1962 e torna-se numa das vozes proeminentes contra a guerra do Vietname. Depois do assassinato de Robert Kennedy candidata-se à nomeação pela facção anti-guerra do Partido Democrata, mas não teve hipótese contra Hubert Humphrey, que dominava a máquina partidária. Essa derrota levou-o a liderar os esforços para alterar as regras de nomeação presidencial, levando a que as primárias e eleições directas conquistassem primazia no processo, retirando poder aos "party bosses". O Partido Republicano viria mais tarde a fazer o mesmo, iniciando-se a era das primárias competitivas, como as conhecemos hoje.

 

McGovern foi o primeiro beneficiado das novas regras, tendo conquistado a nomeação do Partido Democrata em 1972, o que na altura muito agradou Richard Nixon. Aliás, consta-se que o republicano tudo fez para ajudar McGovern a ganhar a nomeação, pois Nixon pensava que o seu radicalismo ideológico iria ajudá-lo a vencer. Como aconteceu. Essa campanha foi um verdadeiro desastre, pois McGovern não conseguiu unir o partido, cometeu muitos erros estratégicos, a começa pelo processo de Vice Presidente. Depois de ter recebido recusas de vários democratas, como Ted Kenney, Walter Mondale, Edmund Muskie ou Hubert Humphrey, optou pelo senador do Missouri, Thomas Eagleton. Mas a meio da campanha foi descoberto que tinha problemas psiquiátricos e McGovern, pouco depois de ter dito que tinha 100% de certeza que Eagleton ficaria no ticket, substituiu-o pelo cunhado de John Kennedy, Sargent Shriver, que não tinha experiência política nenhuma. Esta foi a campanha que ficou conhecida por "Amnistia, aborto e ácido", pois Mcgovern defendia a amnistia para quem tinha fugido à guerra do Vietname, a legalização do aborto e das drogas. Essa frase foi proferida por um senador "anónimo" ao colunista conservador Robert Novak durante as primárias, que lhe disse que McGovern estaria condenado quando a América descobrisse que a sua campanha era a favor de "Amnesty, Abortion and Acid". Em 2007 Novak anunciou que o senador que lhe tinha dito isso foi Thomas Eagleton, precisamente a opção de McGovern para VP. Mcgovern apenas venceu no estado do Massachussetts e em DC, e teve apenas 37 por cento dos votos, um dos piores resultados de sempre de um candidato dos dois partidos.

 

McGovern foi o primeiro democrata verdadeiramente "liberal" a ser nomeado candidato presidencial pelo Partido Democrata, abrindo caminho para outros como Walter Mondale, Michael Dukakis ou Barack Obama, que vieram precisamente da ala mais à esquerda do Partido Democrata. O seu principal legado é precisamente ter influenciado toda uma geração de políticos que cresceu com ele, tendo conquistado o poder e primazia no Partido Democrata. Se Goldwater é considerado o pai do conservadorismo moderno, McGovern cumpriu a mesma função para o "liberalismo" americano. 


20
Out 12
publicado por José Gomes André, às 23:12link do post | comentar | ver comentários (6)

1. Com a aproximação das eleições, multiplicam-se os artigos de opinião, as sondagens, os "memorandos" das campanhas e as notícias eleitorais. Não é difícil ficar à toa perante tanta informação. Recomenda-se prudência na leitura dos artigos opinativos (especialmente nos EUA, onde são francamente imparciais) e na interpretação das sondagens - evitando leituras particulares desta ou daquela sondagem (cuidado com o "cherrypicking"). Os dados mais importantes parecem-me ser as "tendências gerais" das sondagens e as decisões estratégicas (públicas) das próprias campanhas.

 

2. E como estamos nesses dados? Vimos uma corrida estável até ao primeiro debate (com vantagem clara de Obama), momento em que Romney conseguiu projectar a imagem de candidato credível e em que Obama surgiu fragilizado. Desde então, as sondagens mostram uma recuperação de Romney, que conduziu a um empate técnico nos números "nacionais". Romney alargou a sua "área de influência" (Pensilvânia e Wisconsin, por ex.) e a campanha de Obama foi obrigada a concentrar os seus esforços no Midwest (deixando para segundo plano o Sudoeste e Estados como a Flórida e a Carolina do Norte).

 

3. O equilíbrio e a incerteza são a nota dominante, mas neste momento continuo a achar Obama ligeiramente favorito, por diversas razões. Falta um debate que à partida lhe é favorável (foca-se na política externa, um dos pontos fortes da sua Presidência). Obama tem mais soluções no Colégio Eleitoral, nomeadamente porque no Midwest as sondagens resistem à incursão de Romney (vide Ohio, Wisconsin, Michigan e Iowa). Obama beneficia ainda da estupenda organização no terreno que montou em 2008. E os mercados electrónicos (mormente o Intrade), que permitem avaliar a reacção imediata da percepção geral do público aos eventos diários, continua a ver Obama como favorito (61,3%). 

 

4. Dito isto, não se deixem enganar pela cobertura jornalística portuguesa. Esta será uma das eleições mais renhidas da história americana. É que as referidas vantagens de Obama são compensadas por outros dados claramente favoráveis a Romney: a desilusão do eleitorado com as promessas da Administração; o desalento da base Democrata; o entusiasmo da base Republicana; o profissionalismo da "máquina" organizativa do GOP; e uma campanha de Romney "em crescendo". Cuidado com as apostas...!


19
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:48link do post | comentar | ver comentários (16)

Considerando todos os dados conhecidos, nomeadamente as sondagens, mas também os movimentos de ambas as campanhas, acredito que esta é a actual situação da corrida. Este mapa explica também porque a generalidade dos analistas considera que, apesar da recuperação de Mitt Romney, Barack Obama ainda é o favorito a vencer as eleições de 6 de Novembro. Se as eleições se realizassem amanhã, muito provavelmente seria reeleito. 

 

Mas este facto não invalida as dificuldades que a campanha de Obama atravessa. Se fizéssemos uma análise semelhante há duas semanas atrás, os estados da Florida, Virgínia, Colorado e New Hampshire estariam na coluna de Obama. E os últimos números que foram publicados do Iowa (sondagem da empresa democrata PPP dá vantagem de 1% a Romney) também não lhe são muito favoráveis. Mas olhando para este mapa, podemos concluir que será o Midwest a determinar o nome do vencedor. Romney não conseguirá ser eleito sem vencer pelo menos um destes estados: Pensilvânia, Michigan, Wisconsin e o problemático Ohio (recordo que nunca um republicano foi eleito sem vencer este estado). E nos dois primeiros nenhum republicano vence desde 1988, enquanto no Wisconsin desde o landslide de Reagan em 1984. No entanto, o Wisconsin parece ser a melhor hipótese extra Ohio. George W. Bush ficou muito perto de derrotar Al Gore e John Kerry aqui. A alternativa pode ser vencer o Iowa+Nevada, mas este último parece quase impossível, a acreditar nas sondagens. Apesar de aparecer sempre perto, em nenhuma sondagem dos últimos meses apareceu à frente de Obama. Estas contas explicam o ainda favoritismo de Obama. 

 

Por fim, uma nota sobre algo que me tem intrigado bastante: o sentido de voto dos independentes. Em quase todas as sondagens que tenho visto Mitt Romney aparece à frente de Obama neste segmento do eleitorado, e por vezes, com grande vantagem. Será que se estes números se confirmarem, não haverá mais estados a caírem para o lado do republicano? Este post no GOP 2012 do The Hill analisa este tema


publicado por Nuno Gouveia, às 14:19link do post | comentar

 

Barack Obama e Mitt Romney fizeram ontem uma pausa na campanha agressiva e estiveram juntos no tradicional jantar de Al Smith (primeiro candidato presidencial católico, que perdeu em 1928 contra Herbert Hoover). O resultado foi positivo para ambos, onde tiveram a oportunidade de gozar com o adversário, mas também com eles próprios. 


publicado por Nuno Gouveia, às 00:06link do post | comentar | ver comentários (5)

A Gallup é provavelmente o nome mais credível no mundo das sondagens americanas. Hoje coloca Mitt Romney com uns surpreendentes 52% contra 45% de Obama. Ontem Karl Rove disse que nunca um candidato que teve uma vantagem tão grande na Gallup a meio de Outubro perdeu as eleições. Mas o "problema" com estes números é que as restantes tracking polls dão resultados bem diferentes, com a Rasmussen a dar dois pontos a Romney e a da Investor Bussiness Daily a dar empate. Além disso, nos Swing-states há um relativo equilíbrio, até com alguma vantagem para Obama no Ohio, Iowa, New Hampshire e Wisconsin, os estados que o Presidente parece mais apostar nesta recta final. Se Romney estivesse verdadeiramente sete pontos à frente, os resultados seriam diferentes nos swing-states. O mais certo é que seja um outlier, mas sendo da Gallup fica sempre no ar a dúvida. 

 

Segundo uma sondagem da Pew Research, e a quatro dias do último debate sobre política externa, Mitt Romney recuperou terreno na percepção dos eleitores relativos a esta temática: 47% dos eleitores considera Barack Obama mais capaz de tomar decisões sobre política externa, enquanto 43% dá a Mitt Romney vantagem. Esta é uma grande alteração em relação ao passado recente. No último estudo da Pew, Obama tinha 15 pontos de vantagem sobre Romney. Segundo a Pew, é na China que Romney tem vantagem sobre Obama, o que se percebeu facilmente no último debate. Um aperitivo para o debate de segunda-feira. 

 

A revista Newsweek irá deixar de ser impressa em 2013, ficando apenas com presença no digital. A actual directora, Tina Brown, assumiu no ano passado a liderança da revista com a promessa de a revigorar. Depois de algumas capas bombásticas e uma viragem à esquerda, a revista não resistiu à crise que afecta quase todos os meios impressos. Não deixa de ser um sinal dos tempos, uma das publicações mais antigas dos Estados Unidos morrer desta forma. A partir de agora a Newsweek irá ser o Daily Beast


18
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 00:30link do post | comentar

Mitt Romney na Vírginia

 

Barack Obama no Ohio


17
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:24link do post | comentar

 

E se Mitt Romney ganhou o debate da noite de ontem? Bem, mesmo sem ver as sondagens ontem disse no Twitter que Barack Obama teria vencido o debate (a minha opinião), o que foi confirmado depois pelos estudos publicados pelas diversas empresas. Mas depois de ler este post no Buzzfeed, onde é analisada ao pormenor a sondagem da CNN, que deu a Obama a liderança no debate, com 46% contra 39%. É que nos quatro principais assuntos desta campanha - economia, impostos, saúde e défice - foi Romney quem teve melhor avaliação do público. No final da semana teremos mais dados para avaliar isto. Se Obama inverteu o rumo das sondagens, se Romney mantém a tendência. 


publicado por Nuno Gouveia, às 09:59link do post | comentar | ver comentários (13)

No debate de ontem à noite surgiu um Barack Obama revigorado, constantemente ao ataque, tentando apagar a tímida imagem que tinha deixado no primeiro debate. E essa foi a sua grande virtude, pois uma prestação idêntica ter-lhe-ia sido fatal. Mitt Romney não destoou muito em relação ao que tinha feito em Denver, mas a verdade é que é bem diferente debater sozinho do que com um adversário pela frente. Não se pode dizer que foi uma vitória avassaladora do Presidente. O debate de ontem foi típico: as bases ficam contentes com a prestação do seu candidato, com os indecisos a quebrarem para um dos lados. Segundo as sondagens recolhidas logo após o debate, Obama levou a melhor, com 37%-30% na da CBS e 46-39% da CNN, mas bem longe dos números de Romney no primeiro debate (67%-25% na CNN). Diria que esta "curta" vitória de Obama poderá ser importante para reverter o "momentum" de Romney nas sondagens, mas tudo é ainda incerto, pelo que será melhor esperar pelos primeiros números, a serem conhecidos lá para sexta-feira. É inegável que a corrida irá manter-se renhida até ao fim, e todos os esforços serão relevantes. O debate da próxima segunda-feira, sobre política externa, será a última grande oportunidade para um dos candidatos transformarem a corrida em seu favor.


PS: Uma coisa parece certa depois de ontem: Candy Crowley não voltará a moderar um debate presidencial. Num dos piores momentos de Romney no debate, sobre a situação na Líbia (e onde ele teria a obrigação de fazer bem melhor), a jornalista da CNN interveio a corrigir Romney em favor de Obama, mas essa correcção estava ela própria errada. Presumo que nos próximos dias o campo republicano utilize a Líbia novamente para criticar o presidente, mas a verdade é que Romney, e apesar de Crowley, falhou.


15
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:40link do post | comentar | ver comentários (10)

Uma sondagem da Gallup/USA Today dá hoje uma vantagem de 5% a Mitt Romney sobre Barack Obama em 12 swing-states (Nevada, Colorado, Novo México, Iowa, Wisconsin, Michigan, Ohio, Pensilvânia, Virginia, Carolina do Norte, New Hampshire e Florida). Esta sondagem é surpreendente se tivermos em conta que inclui o Novo México, Michigan e Pensilvânia, estados estes que têm estado claramente na coluna de Obama. A grande novidade? Empate no voto feminino nestes estados. Na média do Real Clear Politics, Romney surge com a vantagem de... 0,1%. 

 

Mitt Romney angariou cerca de 170 milhões de dólares durante o mês de Setembro. Uma soma fantástica, mas mesmo assim inferior aos 181 milhões de Barack Obama, que se tornará em breve o primeiro candidato a ultrapassar os mil milhões de dólares numa campanha. Na angariação de fundos, Obama já ganhou. 

 

Piers Morgan, o apresentador britânico da CNN, escreveu um curioso artigo sobre Mitt Romney: "He's one of the least principled politicians I've met. But I believe Mitt Romney might just save America". Uma espécie de endorsement


publicado por Alexandre Burmester, às 16:54link do post | comentar | ver comentários (5)

Com uma eleição tão renhida, as contas para o Colégio Eleitoral tornam-se cada vez mais importantes. Os mais recentes números médios do site Real Clear Politics dão a Barack Obama uma vantagem de apenas 10 votos nesse colégio - 201 v 191.

 

Os republicanos nunca ganharam a Casa Branca sem ganharem o Ohio - e isto não é uma superstição, mas uma questão de aritmética - se bem que, em anos de vitórias folgadas, como as de Richard Nixon em 1972 e Ronald Regan em 1984, o Ohio tenha sido perfeitamente dispensável. Mas este não é um ano de vitória folgada para nenhum dos lados.

 

Por sua vez, os democratas também costumam necessitar do "Buckeye State" - o último vencedor democrático a não ganhar o Ohio foi John Kennedy em 1960.

 

Pois bem, como estão as contas no Ohio? Ainda segundo a média do Real Clear Politics, Obama lidera com uma vantagem de 2,2%. Esta média, contudo, inclui uma sondagem do PPP (D), a qual, como o "D" indica, está ligada ao Partido Democrático, que dá uma vantagem a Obama de 51%/46%. Seja como for, 2,2% não é uma margem confortável para ninguém.

 

Mas será que os republicanos - e neste caso Mitt Romney - conseguirão quebrar a "síndrome Ohio" e chegar à Casa Branca sem vencerem esse estado? Façamos umas contas, baseadas no Real Clear Politics:

 

- Romney teria, portanto, neste momento, 191 votos, conforme já referi. Para chegar aos 270 que dão a maioria no Colégio Eleitoral necessitaria, portanto, de mais 79 votos. Há algum modo plausível de lá chegar sem o Ohio? Teoricamente, sim: se aos 191 votos juntarmos, de entre os "toss-ups", Colorado (9 votos), Florida (29), Iowa (6), New Hampshire (4), Carolina do Norte (15), Virgínia (13) e Nevada (6), o candidato republicano atingiria 273 votos. E a verdade é que, em nenhum destes estados Romney está sequer a 3% de distância nas referidas médias do Real Clear Politics. E note-se que deixei de fora o Wisconsin (10 votos), onde Obama também lidera por menos de 3%.

 

- Perguntar-se-á: qual a plausibilidade de vitória de Romney em todos os estados que enumerei para ele atingir o "número mágico" de 270? Pois bem, Florida, Carolina do Norte e Virgínia inclinam-se neste momento para ele; Colorado, Iowa, New Hampshire e Nevada estão praticamente empatados.

 

- Pelo que, não me parece absurdo que Romney consiga vencer sem o Ohio.

 

Mas, se me perguntarem se o candidato republicano conseguirá mesmo vencer a eleição sem o Ohio, a minha resposta tenderá a ser "não". Teria tudo de correr muito bem nos outros estados que referi.

 

Assim sendo, neste momento Obama ainda será o favorito ao triunfo no Colégio Eleitoral, mas temos também de considerar que raramente os vencedores do voto popular e do Colégio Eleitoral não coincidem (apenas três vezes tal sucedeu e, em duas delas, a diferença no voto popular entre os candidatos foi inferior a 1%).

 

Muitas contas destas serão feitas daqui até 6 de Novembro - e, decerto, na própria noite de 6 de Novembro. 


14
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:40link do post | comentar | ver comentários (5)

 

Mitt Romney lidera em quase todas as sondagens nacionais (por curta margem) e nos swing-states as coisas estão muito equilibradas. No entanto, o "momentum" está do lado do candidato republicano, e por isso Barack Obama precisa rapidamente de mudar novamente a narrativa desta campanha. E a melhor oportunidade que terá será no debate desta terça-feira, que será realizado no formato "Town Hall", com os candidatos a responderem directamente a perguntas do público. Como o terceiro debate será sobre política externa, esta é a melhor altura para Obama colocar Mitt Romney à defesa nas áreas mais frágeis. No pré debate de 3 de Outubro, o republicano estava encostado às cordas e a história que a equipa de Obama vinha a contar, sobre um predador milionário que está desligado dos problemas dos americanos estava a ter sucesso. Obama precisa de voltar a colocar esses narrativa na ordem do dia. Romney tentará manter a dinâmica de vitória que alcançou em Denver, demonstrando que a sua performance brilhante não foi um acaso. 

 

Não tenho dúvidas que Obama, depois da "debacle" do primeiro confronto, estará muito melhor. Vamos ver um Presidente ao ataque, a defender melhor o seu trabalho como Presidente e sem aquelas expressões de cansaço ou até irritação por estar a debater com Romney. Além disso, este é um debate com público. E a forma como os candidatos vão interagir com a audiência também será importante. E, neste ponto, penso que Obama leva vantagem. Mas isso pode não chegar, sobretudo se Romney conseguir uma prestação positiva. 


publicado por José Gomes André, às 13:31link do post | comentar | ver comentários (7)

13
Out 12
publicado por José Gomes André, às 00:19link do post | comentar

Na arquitectura política norte-americana, um dos cargos mais peculiares é o de Vice-Presidente, a quem cabem duas tarefas: substituir o Presidente em caso de morte ou incapacidade do mesmo; e presidir às sessões do Senado (sem direito de voto a menos que exista um empate). Embora em anos recentes, os Vice-Presidentes tenham assumido alguma preponderância na Casa Branca (servindo como conselheiros do Presidente), a verdade é que se trata de um cargo com pouca ou nenhuma relevância concreta.

 

Ao longo dos tempos, os protagonistas e os estudiosos da história americana não deixaram de sublinhar esta singular inutilidade. John Adams, o primeiro Vice-Presidente, chamou-lhe “o cargo mais insignificante alguma vez engendrado pela imaginação humana”. O historiador Arthur Schlesinger considerou que o Vice-Presidente tinha apenas "um encargo verdadeiramente sério": "esperar que o Presidente morra”. Mas talvez a declaração mais sintomática e divertida seja a de Thomas Marshall (Vice-Presidente de Woodrow Wilson): “Era uma vez dois irmãos. Um fez-se ao mar. O outro foi eleito Vice-Presidente. A partir daí, nunca mais ninguém ouviu falar deles.”


12
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:38link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Joe Biden esteve melhor do que Paul Ryan, se considerarmos apenas o que foi dito por ambos os candidatos. Se eu tivesse lido apenas a transcrição do debate ou até ouvido na rádio, provavelmente diria que o actual Vice Presidente tinha ganho o debate. Mas o pior para a equipa democrata é que foi televisionado. As constantes interrupções, as gargalhadas fora de tempo (rir-se do assassinato do embaixador da Líbia?) e o tratamento condescendente em relação a Paul Ryan terão estragado a noite à equipa de Obama. Além disso, e apesar dos bons momentos de Biden, foi Paul Ryan quem teve atitude mais correspondente ao cargo de Vice Presidente. Notou-se a inexperiência neste tipo de confronto, e por vezes parecia demasiado complexo nas suas explicações. Mas a teatralidade exagerada do seu adversário tê-lo-á ajudado a ultrapassar este teste. Por isso concordo com a avaliação que o Alexandre fez deste debate: um empate. Mas este debate pouco ou nada contará nesta campanha. Ao contrario de há quatro anos, quando mais de 70 milhões de pessoas viram o embate entre Joe Biden e Sarah Palin, ontem apenas 46 milhões* de americanos o seguiram em directo. Portanto, nada de novo nesta corrida. 

 

PS: hoje as sondagens continuam a mostrar Mitt Romney na liderança a nível nacional, e com bons resultados em swing-states (New Hampshire, Virgínia, Florida e Colorado). Até ao debate da próxima semana, o republicano deverá continuar na frente da corrida, e até obter melhores números nos swing-states. 


*inicialmente escrevi 28 milhões, mas ao final do dia os números foram actualizados. 


Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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